Irvin McDowell

Irvin McDowell (15 de outubro, 1818 - 4 de maio, 1885) foi oficial do Exército dos Estados Unidos da América. Ganhou notoriedade como comandante das tropas da União derrotadas na Primeira Batalha de Bull Run, a primeira grande batalha da Guerra da Secessão.

Irvin McDowell
Dados pessoais
Nascimento 15 de outubro de 1818
Columbus, Ohio
Morte 4 de maio de 1885
São Francisco , Califórnia

VidaEditar

Nasceu em Columbus (Ohio), mas recebeu a educação na França até o ingresso na Academia Militar de West Point em 1834. Formado em 1838, tornou se instrutor na academia de 1841 a 1845, ensinando tática. Na Guerra Mexicano-Americana atuou como ajudante de campo do general J. E. Wool. Foi brevetado capitão por coragem na Batalha de Buena Vista.[1]

Em maio de 1861, no início da Guerra da Secessão, foi nomeado general de brigada do exército regular. A promoção se deu por apadrinhamento do Secretário do Tesouro Salomon Chase, uma vez que McDowell não possuía nenhuma experiência de comando, nem mesmo de um esquadrão. Foi lhe dado o comando do Departamento do Nordeste de Virgínia, que incluía as defesas de Washington. Como comandante do Departamento, formou o Exército do Nordeste de Virgínia,  uma força de cerca de 35 mil homens.[2]

Em julho do mesmo ano, sob intensa pressão política, concordou em avançar essa força ainda mal organizada e treinada em direção da capital confederada, Richmond. O movimento resultou no encontro com as tropas confederadas perto de Manassas Junction, dando início a Primeira Batalha de Bull Run. O plano de batalha de McDowell seria sólido, se executado por soldados veteranos sob comandantes experientes.[3][4] Mas as dificuldades de coordenação fizeram com que McDowell conseguisse dispor apenas 18 mil homens para efetivamente participarem dos combates. Os inexperientes federais não aguentaram a pressão, e a batalha terminou no roteamento das linhas da União, dando causa a especulações não muito realistas sobre a possível tomada de Washington.[5][6]

Substituído pelo George McClellan, McDowell retornou à ativa em Março de 1862, nomeado pelo presidente Abraham Lincoln para o comando de um dos corpos do Exército do Potomac, com a patente de major-general. McClellan, que não havia sido consultado a respeito preferiu destacá-lo para a defesa de Washington antes de partir para a sua Campanha Peninsular.[7]

No comando do III corpo do Exército da Virgínia do general John Pope participou da 2ª Batalha de Bull Run, uma nova derrota dos Federais. Durante a maior parte do dia, Pope conseguiu colocar no campo de batalha apenas 32 mil dos seus soldados. McDowell, a frente de 20 mil homens desperdiçou o tempo em manobras fúteis, conseguindo engajar as suas tropas apenas em escaramuças marginais, já depois do sol ter se posto.[8] Seguiu-se uma investigação que eximiu tanto o Pope quanto McDowell de responsabilidade. McDowell envolveu-se em mais uma controvérsia,  servindo como testemunha de acusação no infame julgamento que condenou Fitz John Porter, o comandante do V Corpo, acusado de deslealdade, desobediência e má conduta em face ao inimigo naquela mesma batalha.[9] Porter, a frente de 10 mil homens recebeu de Pope o comando de atacar o flanco direito do corpo confederado de Stonewall Jackson. A ordem não foi cumprida, selando, na versão do Pope, o desastre que se seguiu. Porter foi condenado, e “para sempre desqualificado de deter qualquer posição de confiança e lucro no governo dos Estados Unidos”.[10] Anos depois da guerra, em 1886, os efeitos da condenação foram revertidos pelo Congresso, já que uma nova investigação provou a alegação de Porter: que a ordem do Pope era impossível de ser cumprida, pois o flanco direito de Jackson estava protegido pelas tropas recém chegadas de James Longstreet.[11]

McDowell permaneceu em relativa inatividade até Julho de 1864, quando recebeu o comando do Departamento do Pacífico, longe das principais frentes de combate. No pós-guerra, comandou o Departamento do Leste, depois o Departamento do Sul e finalmente, pela segunda vez o Departamento do Pacífico. Reformou se em 1882, residindo em San Francisco até a morte.[12]

Referências

  1. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 298. OCLC 445056 
  2. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. OCLC 445056 
  3. McPherson, James M. Battle cry of freedom : the Civil War era. London: [s.n.] p. 335. OCLC 21410389 
  4. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 298. OCLC 445056 
  5. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 298. OCLC 445056 
  6. Eicher, David J., 1961- (2001). The longest night : a military history of the Civil War. New York: Simon & Schuster. pp. 99–101. OCLC 46976549 
  7. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 298. OCLC 445056 
  8. McPherson, James M. Battle cry of freedom : the Civil War era. London: [s.n.] p. 528. OCLC 21410389 
  9. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 298. OCLC 445056 
  10. Catton, Bruce, 1899-1978. (2009). Never call retreat. New York, NY: Fall River Press. p. 69. OCLC 748495384 
  11. McPherson, James M. Battle cry of freedom : the Civil War era. London: [s.n.] p. 529. OCLC 21410389 
  12. Warner, Ezra J. ([1964]). Generals in blue : lives of the Union commanders. [Baton Rouge, La.]: Louisiana State University Press. p. 299. OCLC 445056 

BibliografiaEditar