José Maria do Espírito Santo Silva

banqueiro e empresário português

José Maria do Espírito Santo Silva (Lisboa, 13 de maio de 1850Lisboa, 1915) foi um empresário português.

Jose Maria do Espirito Santo Silva fotografia

Patriarca da única dinastia de banqueiros portugueses, José Maria do Espírito Santo e Silva estive na origem do que viria a ser o Grupo e o Banco Espírito Santo.[1]

Biografia editar

Nascido no número 72 da Travessa dos Fiéis de Deus, no coração do Bairro Alto, foi deixado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e registado como filho de pais incógnitos. Contudo, com base documentação esparsa, testemunhos orais e em investigação histórica, seria seu pai Simão da Silva Ferraz de Lima e Castro, Conde de Rendufe, e que exerceu, entre outros cargos, o de intendente-geral da Polícia, em 1824; fruto de uma relação fortuita com Maria Angelina Saraiva. Razões sociais do primeiro poderão ter estado na base do não reconhecimento da paternidade.[2]

Pouco mais se sabe da vida de José Maria do Espírito Santo até este abrir, com 19 anos de idade, uma «caza de câmbio» na Calçada dos Paulistas, onde se fazia comércio de lotarias, câmbios e títulos. Com efeito, datam de 1869 os primeiros registos contabilísticos referentes ao seu envolvimento na compra e venda de obrigações, na transacção de outros títulos de crédito nacionais e estrangeiros, em empréstimos de dinheiro, em câmbios e, sobretudo na primeira fase (1869-1883), na revenda de lotaria espanhola, cujos prémios eram muito superiores aos da lotaria portuguesa. O jovem empreendedor viu aí um fator de atração para os portugueses e, depois, para os brasileiros, já que se tornou um dos principais redistribuidores da lotaria espanhola em Portugal e, depois, também para o Brasil, o que constituiu a sua principal atividade até aos primeiros anos da década de 1880. A este interesse também não terá sido estranha a presença em Lisboa, particularmente em Lisboa, de muitas famílias espanholas fugidas das guerras carlistas que traziam consigo as suas economias e contribuíam para o consumo daquele jogo.[2]

A compra e venda destes bilhetes de lotaria era, naturalmente, um negócio de comissões. José Maria Espírito Santo negociava-as duramente quer com os correspondentes em Espanha, quer com os cambistas portugueses a quem revendia os bilhetes. E, é claro, ganhava também margens no negócio direto com o público, efectuado na sua «caza de câmbio».[2]

A partir dos anos 1870, porém, o governo português intentou a repressão da venda das lotarias estrangeiras, e, apesar, de não ter sido imediatamente consequente, deixando o negócio perdurar por mais uns anos, a crise financeira ocorrida em Espanha de 1868 a 1874, tornaria o negócio menos interessante para José Maria Espírito Santo.[2]

No dia 9 de novembro de 1880, uma segunda-feira, José Maria do Espírito Santo e Silva abriu uma nova «caza de cambio», com duas portas abertas para a Rua Augusta, 11 e 15, e outra para a Rua Nova d'El-Rei, também conhecida por Rua dos Capelistas (atual Rua do Comércio), área onde se sediavam quase todos os estabelecimentos bancários da capital. É nessa fase que irá expandir e solidificar a sua situação no comércio bancário, desenvolvendo, entre outras, atividades de concessão do crédito e, anos depois, a negociação de fundos públicos.[2]

É de realçar que José Maria do Espírito Santo não fazia parte da elite económica lisboeta, nem lhe eram conhecidas relações de amizade pessoal importantes, quer baseadas em laços familiares, quer estabelecidas com a oligarquia política e económica, detentora do poder, quer com companhias industriais ou outras que pudessem facilitar o seu percurso. Porém, a sua ascensão foi rápida. Talvez porque a natural aptidão para os negócios, a par da seriedade e rigor que punha em todos os seus actos, lhe tenha granjeado o respeito e a confiança dos que com ele se envolviam, condições que favoreceram o alargamento da sua rede de clientes.[2]

Em 23 de fevereiro de 1884 constituiu uma sociedade em comandita, sob a firma Beirão, Silva Pinto & C.a, Lda, com o capital de 150:000$000. 0 objeto da sociedade era o da «compra e venda por conta própria ou alheia de papéis de crédito, fundos públicos nacionais e estrangeiros, operações bancárias e em geral todas as transacções comerciais próprias da natureza deste estabelecimento». Tendo até então trabalhado apenas como empresário individual, surge, pela primeira vez, associado a outras pessoas numa empresa financeira.[2]

Morreu No dia 24 de Dezembro de 1915 e foi sepultado num jazigo no Alto de São João com sua mãe Maria Angelina Saraiva. Até la foi conduzido num coche preto de primeira classe puxado por seis cavalos e escoltada por 14 criados da funerária. Foi acompanhado pela academia musical do Lumiar e por 300 trens a cavalo, 10 dos quais destinados à familia.O funeral realizou-se no dia 26 de Dezembro e a imprensa noticiou larga- mente o acontecimento por o extinto ser «uma das mais influentes e respeitosas figuras do nosso meio bancário». Apesar da multidão que esteve presente e onde se incorporaram «personalidades em destaque na finança, no alto comércio, no meio bancário...» Deixou quatro negócios, 10 prédios e títulos no valor de 1200 contos (€28 milhões em 2024).[2]

Referências

Ligações externas editar