José Pereira Filgueiras

político brasileiro
José Pereira Filgueiras
Nascimento 1758
Morte 1825 (67 anos)
Cidadania Brasil
Ocupação político

José Pereira Filgueiras (Bahia, 1758 (262 anos) — São Romão, 1825) foi um militar e proprietário de terras brasileiro[1].

Lutou contra a Revolução Pernambucana de 1817. Após a Proclamação da Independência do Brasil, combateu tropas que queriam se manter leais a Portugal, ajudando a depor o governo legal do Ceará e tornou-se o Governador das armas deste estado. Em 1823, juntou-se à Confederação do Equador.[2]

BiografiaEditar

Filho do português José Quezado Fylgueiras Lima, “Urucubaca”, degredado por problemas políticos, e da baiana Maria Pereira de Castro, mudou-se para o Cariri cearense aos seis anos.[3]

Filgueiras foi eleito capitão-mor da Vila Real do Crato em maio de 1799, substituindo o primeiro capitão-mor, Arnaud de Holanda Cavalcanti; casou-se, em primeiras núpcias, com Joaquina Maria Parente, filha do mestre de campo baiano Manuel Gonçalves Parente, em meados de 1800, quando passou a residir no Sítio São Paulo, herança do sogro, em Barbalha-CE. Em 1803 casou-se com sua segunda esposa, Maria de Castro Caldas, descendente de Leonor dos Montes Pereira, também chamada Vitória Leonor dos Montes, esposa de Gaspar de Souza Barbalho e irmã do coronel Francisco de Montes e Silva. A família Montes do cariri descende de 5 irmãos espanhóis que vieram perseguidos pela inquisição no século XVII.

Uma grande seca gerou instabilidade e a rivalidade com o sargento-mor José Alexandre Correia Arnaud causando a morte de um sobrinho, Gonçalo de Oliveira Rocha Júnior. Na disputa entre os dois, Filgueiras foi apoiado pelo governador, Manuel Inácio de Sampaio. José Arnaud conseguiu da corte no Rio de Janeiro a criação da capitania-mor de Jardim, com metade da jurisdição sobre a região do Cariri, sendo nomeado como o primeiro capitão-mor da vila, em 1816, mas morre antes de assumir a função.

Durante a Revolução Pernambucana, em 1817, foi mandado como espião ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho da heroína do Ceará, Bárbara de Alencar, irmão de Tristão de Alencar Araripe e pai do escritor José de Alencar. Acompanhado por Miguel Joaquim Cesar, o jovem seminarista entrou em contato com o capitão-mor Filgueiras, considerado pela população a figura de maior importância política e militar da região do Cariri cearense.

O capitão-mor, sem compreender nem aceitar os motivos e as ideias republicanas dos rebeldes, recusou-se a participar da empresa, mas prometeu não interferir. Confiantes, os revolucionários reuniram-se para planejar o levante no Crato, instaurado no dia 3 de maio. Após ordens do governador da província do Ceará, Manuel Inácio de Sampaio, os militares comandados por Filgueiras, decidem fazer a contrarrevolução e prender os envolvidos, o que ocorreu no dia 11 de maio. Os principais envolvidos foram enviados presos para Fortaleza, depois para os cárceres de Recife e da Bahia, de onde foram libertados a partir das Cartas Régias de 1819 e de 1821.[4]

Batalha do JenipapoEditar

 Ver artigo principal: Batalha do Jenipapo

Com a proclamação da independência, os portugueses tentaram em vão retomar o norte da colônia. A Vila de São João da Parnaíba apressou-se a aderir a esta e tornou-se alvo de uma tropa portuguesa.[5]

Em 1823, partiu do Cariri cearense, uma tropa de cerca de 2000 homens, liderada por Filgueiras no comando, que recebeu reforços em Jardim e outras vilas, para combater tropas piauienses que se mantinham fiéis a Portugal.

O “incrível exército de Filgueiras” era composto por jagunços, camponeses, índios e escravos armados com bacamartes, espadas e facas peixeiras; do lado português, uma pequena tropa de soldados profissionais bem armados e treinados, vindos do Maranhão e comandados pelo major João José da Cunha Fidié. A luta prometia ser dura, mas, após a primeira salva de canhões, a jagunçada debandou. Cercado e sem apoio Fidié capitulou, entregando armas em troca de salvo conduto.

No final de julho de 1823, o comandante das armas, José Pereira Filgueiras, apelidado de “Napoleão das Matas”, voltou para Barbalha após libertar o Piauí e Maranhão do jugo português, juntamente com suas Ceará com suas tropas.

No final desse mesmo ano, comandou tropas cearenses no movimento da Confederação das Províncias Unidas do Equador.

Movimento da Confederação do EquadorEditar

 Ver artigo principal: Confederação do Equador

A Constituição do Império foi muito centralizadora, o que provocou a Confederação do Equador, proclamada pelo governo provisório de Pernambuco, em julho de 1824. Tristão Gonçalves de Araripe, José Martiniano de Alencar e José Pereira Filgueiras, reconciliados, aderiram à Confederação. Tristão foi nomeado presidente e Filgueiras comandante das armas.[6]

Com a derrota do movimento, em Recife, os dois partiram para o interior com o objetivo de reunir suas tropas e ainda vencer o inimigo. Porém, Tristão foi morto pelos próprios soldados, teve a mão cortada e seu cadáver foi apedrejado; Filgueiras se entregou e foi conduzido para a Capital do Império, a fim de ter uma conversa com o Imperador, onde segundo a versão oficial, veio a falecer de febre palustre ao chegar na vila de São Romão, no Norte mineiro.[7] Outras versões alegam que ele morreu de fome provocada por uma crise depressiva ou que ele conseguiu se livrar e fugir em companhia de seu filho para o Centro-Oeste mineiro.

Após sua morte, um de seus oficiais, Joaquim Pinto Madeira, assumiu o controle político e militar da região do Cariri e perseguiu sua família chegando a executar seu filho Filgueirinhas na revolução de 1831. Alguns de seus parentes como Antônio Correia Sampaio Filgueiras, o Totonho Filgueiras, Romão Pereira Filgueira Sampaio e Chico Chicote se destacaram na história regional do interior do Ceará e Pernambuco até início do Século XX.

Referências

  1. História Colonial Arquivo Nacional
  2. Cordeiro, Jaqueline Aragão (13 de dezembro de 2012). «José Pereira Filgueiras». Coisa de Cearense. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  3. «José Pereira Filgueiras - Laços Eternos». sites.google.com. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  4. Farias,Airton, de. História do Ceará. [S.l.]: Armazém da Cultura. ISBN 9788584920174 
  5. FARIAS, Aírton. História do Ceará:Dos índios à geração cambeba. Fortaleza; Tropical editora, 1997. ISBN 8585332038
  6. «A Confederação do Equador - O que vai pela Força». Mídia Impressa. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  7. «Grupo PROFALA». www.profala.ufc.br. Consultado em 13 de agosto de 2019