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Os julgamentos de bruxas bascas ocorreram no século XVII, representando a tentativa mais ambiciosa já vista em extirpar a feitiçaria, empreendida pela Inquisição espanhola. O julgamento das bruxas bascas em Logroño, perto de Navarra, no norte da Espanha, que começou em janeiro de 1609, contra o fundo de perseguições semelhantes realizados em Labourd por Pierre de Lancre , foi quase certamente o maior evento de seu tipo na história. Até o final do século, cerca de 7.000 casos tinham sido examinados pela Inquisição.

ProcessoEditar

Embora Logroño não seja uma cidade basca, foi o cenário para um tribunal de inquisição responsável pelo Reino de Navarra, Álava, Guipúscoa, Biscaia, La Rioja e partes do norte de Burgos e Sória.[1] Entre os acusados ​​não estavam apena mulheres (embora tenha sido o gênero predominante), mas também crianças e homens, incluindo padres acusados de criarem amuletos com nomes de santos.[2] A primeira fase terminou em 1610, com uma declaração de auto-da-fé contra trinta e um dos acusados, doze ou onze dos quais foram queimados até a morte (cinco deles simbolicamente, como haviam morrido antes do auto-da-fé).[1]

Posteriormente, o processo foi suspenso até que os inquisidores tiveram a chance de reunir mais provas, sobre o que eles acreditavam ser um culto das bruxas generalizado na região basca. Alonso de Salazar Frías, um inquisidor júnior e um advogado por formação, foi responsável de examinar o assunto. Armado com um Édito de Graça, prometendo perdão a todos aqueles que, voluntariamente, relatassem e denunciassem seus cúmplices, ele viajou por todo o campo durante o ano de 1611, principalmente nas imediações do Zugarramurdi, junto à fronteira franco-espanhola. Alonso também passou por uma caverna onde, alegadamente, existia uma corrente de água (Olabidea ou Infernuko erreka , "stream do Inferno"), que foi dito ser o lugar de encontro das bruxas.

Como era habitual em casos deste tipo, várias denúncias foram feitas. Frías finalmente voltou a Logroño com "confissões" de, ao menos, 2.000 pessoas, 1.384 das quais eram crianças entre as idades de sete e quatorze anos, implicando em mais de 5.000 indivíduos nomeados bruxos.[3] A maioria das denúncias (cerca de 1.802) foram confissões à tortura. As provas reunidas cobriam 11.000 páginas no total.[3]

Referências

  1. a b Inquisición at the Auñamendi Encyclopedia.
  2. Nómina at the Diccionario de la Real Academia Española.
  3. a b Erik Midelfort, H. C. (1983). «Vol. 88, No. 3, Jun., 1983». The American Historical Review. 88 (3): 692–693. JSTOR 1864648 

Ver tambémEditar