Leão de Queroneia

O Leão de Queroneia é um monumento erguido na periferia da cidade de Queroneia, na Grécia, para homenagear os guerreiros tebanos mortos na Batalha de Queroneia de 338 a.C., lutando contra as forças de Filipe II da Macedônia.

O Leão de Queroneia
Imagem mostrando o estado do monumento no fim do século XIX, quando se realizavam escavações

Data do século IV a.C., e possivelmente foi erguido logo depois da batalha.[1][2] Diz uma tradição que foi mandado construir pelo próprio Filipe, sensibilizado pela coragem dos guerreiros, mas a veracidade dessa história é debatida.[3]

Foi redescoberto em 3 de junho de 1818 pelo arquiteto inglês George Ledwell Taylor e seus amigos, os arquitetos John Sanders, William Purser e Edward Cresy, que passeavam a cavalo em direção às ruínas da cidade antiga de Queroneia, usando como guia a Descrição da Grécia de Pausânias. No caminho, o cavalo de Taylor tropeçou num bloco de mármore. Examinando a pedra, Taylor percebeu que era esculpida, e chamou alguns aldeãos da redondeza para ajudá-lo a desenterrá-la. A pedra revelou ser uma grande cabeça de leão, logo outras partes da estátua foram encontradas em torno, e também os remanescentes de um pedestal. O monumento logo foi reconhecido como sendo o mesmo que Pausânias disse ter sido erguido nesta área, mas que na sua época já se encontrava soterrado, e cuja localização precisa se perdera.[4]

Taylor desistiu da ideia de levar consigo os fragmentos devido ao seu grande volume, e mandou enterrar tudo novamente. Voltando a Atenas, notificou o cônsul britânico e outras autoridades e solicitou ao escritório do Almirantado autorização para carregar os fragmentos para Londres em um dos navios ingleses, mas a permissão foi negada. Pouco depois mobilizou a Dilettanti Society, uma associação de eruditos, em busca de ajuda, que tampouco foi conseguida. Na mesma época a descoberta foi anunciada na Litterary Gazette.[4] Durante a Guerra de Independência Grega os fragmentos haviam sido novamente expostos e o pedestal sofreu sérios danos. Em 1879 uma escavação descobriu que o monumento se localizava junto a uma câmara quadrangular, provavelmente parte de um antigo tumulus, ora desaparecido, onde foram achadas ossadas de 254 pessoas, dispostas em fileiras ordenadas. O conjunto continuou desmantelado até o fim do século XIX.[5][6]

Finalmente, em 1902 o governo grego autorizou o restauro, com financiamento da Ordem de Queroneia. Foi organizada uma escavação científica, que descobriu nas proximidades quase todos os fragmentos faltantes e resíduos de uma pira funerária, onde os mortos devem ter sido cremados. Foi criado um novo pedestal e no mesmo ano o leão, restaurado, era instalado no topo. A estátua do leão tem 3,8 metros de altura, e o pedestal, 3 metros.[7][5] O leão foi talhado em mármore da Beócia, mas não era peça monolítica, sendo criado em várias partes, com um interior oco.[8] Geralmente se aceita que as ossadas encontradas na câmara junto ao monumento pertencem aos guerreiros que integravam o Batalhão Sagrado de Tebas.[9][10][11] Uma cópia do monumento foi instalada na Praça Pitágoras em Samos.[12]

Referências

  1. Palairet, Michael. Macedonia: A Voyage through History (Vol. 1, From Ancient Times to the Ottoman Invasions). Cambridge Scholars Publishing, 2016, p. 40
  2. Cartledge, Paul. Ancient Greece: A History in Eleven Cities. Oxford University Press, 2009, s/p.
  3. Worthington, Ian. By the Spear: Philip II, Alexander the Great, and the Rise and Fall of the Macedonian Empire. Oxford University Press, 2014, pp. 88-89
  4. a b Vaux, W. S. "On the Discovery of the Lioin at Chaeronea, by a Party of English Travellers in 1818". In: Transactions of the Royal Society of Literature of the United Kingdom, 1866; VIII: 1-11
  5. a b Lethaby, W. R. "Greek Lion Monuments". In: The Journal of Hellenic Studies, 1918; 38:39-41
  6. Gabriel, Richard A. Great Captains of Antiquity. Greenwood, 2001, p. 105
  7. Louis Compton. "'An Army of Lovers' - The Sacred Band of Thebes". In: History Today, 1994; 44 (11): 23–29
  8. Johnston, Harry et al (eds.). The Wonders of the World: An Illustrated Encyclopaedia, vol 1: Asia. Concept, 2005, p. 834
  9. Rahe, Paul A. "The Annihilation of the Sacred Band at Chaeronea". In: American Journal of Archaeology,1981; 85 (1):84–87
  10. Pritchett, William Kendrick. "Observations on Chaironeia". In: American Journal of Archaeology,1958; 62 (3): 307–311
  11. Munn, Mark. "Thebes and Central Greece". In: Tritle, Lawrence A. (ed.) The Greek World in the Fourth Century: From the Fall of the Athenian Empire to the Successors of Alexander. Routledge, 2013, s/p.
  12. "Pythagoras Square and the Lion". iSamos

Ver tambémEditar

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