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Movimento antimanicomial

(Redirecionado de Luta Antimanicomial)
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Movimento Antimanicomial
Participantes Sociedade brasileira
Localização Na Itália (inicialmente), com Franco Basaglia e a Psiquiatria Democrática; No Brasil, no Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental (Bauru, São Paulo)
Data Itália 1960, Brasil 1987
Resultado Reforma Sanitária Brasileira, criação do Sistema Unico de Saúde - SUS, Reforma Psiquiátrica (Lei 10216 de 2001, Lei Paulo Delgado)

O Movimento Antimanicomial ou Luta Antimanicomial, é um processo organizado de transformação dos serviços psiquiátricos (antipsiquiatria), derivado de uma série de eventos políticos globais, baseado no discurso do médico italiano Franco Basaglia. No Brasil é ligado a Reforma Sanitária Brasileira e, é comemorado no dia 18 de maio. O termo costuma ser usado de modo generalizante e impreciso.

HistóriaEditar

No Brasil, o dia 18 de maio remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.

Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Unico de Saúde - (SUS); está ligado também à experiência de desinstitucionalização da Psiquiatria desenvolvidas na comuna de Gorizia e na cidade de Trieste, na Itália, por médico e psiquiatra Franco Basaglia na década de 1960 com a Psiquiatria Democrática Italiana e o Pensamento Basagliano.[1][2] Através de transformações no modelo de assistência psiquiátrica, transformando o hospital em comunidade terapêutica e melhorias: nas condições de hospedaria, no cuidado técnico aos internos e, nas relações entre a sociedade e a loucura (escreveu o discurso a "negação da psiquiatria").[1]

Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, definida pela Lei 10216 de 2001 (Lei Paulo Delgado) como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferido o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

Segundo os estudos do Dr.Paulo Amarante, coordenador do livro Loucos Pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil [3], a reforma psiquiátrica é um processo complexo [4], pode-se registrar como evento inaugural, desse movimento, a crise institucional vivida pela Divisão de Saúde Mental do Ministério da Saúde,(DINSAM) na década de setenta.

Política pública de saúde mental é um processo político e social complexo, composto de participantes, instituições e forças de diferentes origens que acontece em diversos territórios. É um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, e é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da política avança, passando por tensões, conflitos e desafios. [5]

Nos séculos passados, quando ainda não havia um controle institucionalizado de saúde mental, a loucura era uma questão privada, e as famílias eram responsáveis por seus membros com transtorno mental. Os loucos eram livres para circular nos campos, mas também eram alvo de chacotas, zombarias e escárnio público.

Com o passar dos anos, começou então a discussão e luta pela implantação de serviços de saúde mental no Brasil. Foi ai então que surgiram as primeiras instituições, no ano de 1841 na cidade do Rio de Janeiro, que era um abrigo provisório, logo após surgirem outras instituições como hospícios e casas de saúde. Somente no final do século XX é que a militância por serviços humanizados consegui às primeiras implantações de Centros de Atenção Psicossocial os CAPS .

Foi em 2001 que a Lei Paulo Delgado foi sancionada no país. A Lei redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios.

As condições da saúde mental no Brasil evoluíram, porém a Luta Antimanicomial não parou. Ainda acontecem manifestações em todo o país no dia 18 de maio, para que se mantenha vivo o cuidado com os doentes, e para que fique claro que eles não devem ser excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente, mas sim orientados e acompanhados para que possam encontrar seu lugar no mundo.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Fernandes Carneiro, Mára Lúcia. «Quem foi Franco Basaglia?». Projeto e-Psico, Departamento de Psicologia Social da UFRGS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Consultado em 15 de maio de 2019 
  2. Carla Luiza Oliveira (2011). O pensamento de Franco Basaglia na área da Saúde Mental (Relatório). VI Encontro Nacional de Psicologia Social da Associação Brasileira de Psicologia Social - ABRAPSO: Universidade Federal de Minas Gerais. Consultado em 15 de maio de 2019. O movimento de luta antimanicomial da Itália iniciou-se na década de 1960. A Psiquiatria Democrática tinha como líder Franco Basaglia, psiquiatra italiano, que durante sua caminhada profissional possibilitou a realização de novas alternativas para os saberes e as práticas em saúde mental 
  3. AMARANTE, Paulo. Loucos Pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil Realease Arquivado em 17 de dezembro de 2005, no Wayback Machine.
  4. «Textos da Mostara em Saúde Mental da UFES». Consultado em 1 de novembro de 2006. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2007 
  5. RESENDE,Heitor. Cidadania e Loucura: Políticas de Saúde Mental no Brasil. 7. Ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

Ligações externasEditar