Manjū 饅頭, まんじゅう (manjū?) é um doce cozido no vapor muito popular no Japão. São feitos de uma massa de farinha de trigo, farinha de arroz e trigo sarraceno, e que geralmente é recheada com pasta de feijão azuki (anko). O doce é uma variação de uma espécie de pão chinês, mantou (馒头).

Manjus coloridos (kohaku), servidos em celebrações.

HistóriaEditar

O manjū é derivado do mantou, espécie de pão originário da China que era recheado com carne de porco ou de enguia.[1]

Há duas versões para a história da origem do manjū japonês. Uma delas diz que teria surgido com os monges budistas chineses, em 1349. [2] Feitos para acompanhar chás, originalmente os bolinhos eram recheados de carne de porco. No entanto, diferentemente do budismo chinês, o japonês proibia o consumo de qualquer tipo de carne animal. [3] Assim, os monges passaram a fazer os pães recheados com anko. [1]

A outra versão afirma que os mantou chegaram no Japão em 1241 por meio de um viajante que acabara de voltar da China e que passou a vendê-los, com o nome de naramanjū奈良饅頭 (naramanjū?). [2] Em todo caso, o surgimento do manjū japonês ocorreu entre o século XIII e o século XIV.

Ainda no início de sua popularização, o manjū começa a se dividir em variações, inicialmente duas: um tipo de pão doce, que se assemelha ao manjū atual, e um feito com vegetais. Este, por sua vez, seria próximo ao nikuman肉まん (nikuman?) (bolinho recheado com carne de porco moída), mas devido à forte influência budista e seus preceitos anticarnívoros [4], era recheado com pasta de feijão azuki. Por seu fácil preparo e baixo custo, se tornou muito popular rapidamente, principalmente entre os monges budistas, que os consumiam como lanches nos templos. [4] [3]

VariedadesEditar

Chamanjū茶饅頭 (Chamanjū lit. "pão dourado"?)

  • Geralmente feito de farinha, açúcar mascavo e fermento, e recheado com pasta de feijão. Também é conhecido como rikyūmanjū 利休饅頭 (rikyūmanjū?), onsenmanjū 温泉饅頭 (onsenmanjū?), e usukawamanjū薄皮饅頭 (usukawamanjū?), e pode ser facilmente encontrado no Japão. [1]

Joyomanjū 薯蕷饅頭 (Joyomanjū?)

  • Feito com farinha de arroz e amido de inhame chinês, é cozido no vapor de maneira que fique bem úmido e pegajoso. É chamado de oribemanjū織部まんじゅ (oribemanjū?), e kohakumanjū紅白饅頭 (kohakumanjū?).

Sakemanjū 酒饅頭 (sakemanjū?)

  • Adiciona-se à farinha de trigo uma mistura de arroz, água, levedura e koji (um fungo utilizado para fermentação). Essa mistura é chamada de shubo 酒母 (lit. mãe do saquê?) e é a base para a produção de saquê.
 
Mizumanjū

Kurimanjū 栗饅頭 (kurimanjū?)

  • A massa leva mel, para adoçar, e castanhas. O manjū é assado com uma camada de ovo pincelada sobre sua crosta, para adquirir uma aparência "dourada" muito característica, de cor semelhante à das castanhas. [5]

Mizumanjū 水饅頭 (mizumanjū lit. pão d'água?)

  • Um doce muito popular nos verões japoneses, o mizumanjū é feito com amido de kuzu, e pode levar agar. De consistência extremamente pegajosa e aparência translúcida, como gelatina. É recheado de pasta de feijão. [6]

Misomanjū 味噌饅頭 (misomanjū?)

  • Pasta de missô e farinha misturadas em uma massa que é então cozida no vapor. Pode ser comido recheado ou não, e servido com pimenta do reino e açúcar mascavo. [7]

NotasEditar

  1. a b c «日本三大まんじゅう» [Os três principais manjus do Japão] (em japonês). Consultado em 17 de novembro de 2016 
  2. a b «饅頭の歴史» [História do manju] (em japonês). Consultado em 17 de novembro de 2016 
  3. a b Puskar-Pazewicz, Margaret (2010). Cultural Encyclopedia of Vegetarianism (em inglês). Santa Barbara: ABC-CLIO. ISBN 0313375577 
  4. a b Grover Covell, Stephen (2005). Japanese Temple Buddhism. Worldliness in a Religion of Renunciation (em inglês). Honolulu: University of Hawaii Press. ISBN 9780824829674 
  5. «栗饅頭» (em japonês) 
  6. «Mizumanju: A Perfect Summer Sweet». Dai-ichi Takimotokan 
  7. «黒砂糖入りみそまんじゅう» (em japonês) 

Ver tambémEditar