Marcola (família)

Marcola é o sobrenome de duas famílias italianas, uma proveniente de Verona, e outra de Vigo di Ton.

VeronaEditar

A província de Verona, em Itália, é o local de onde surgiu uma família Marcola. G.B. de Crollalanza relata o brasão desta família nos volumes do seu dicionário histórico das nobres famílias italianas.

Membros ilustres desta família incluem Marco Marcola, pintor italiano do século XVIII.[1][2]

No Brasil esta família Marcola encontra-se predominante na Região Sul; a ocupação laboral dos membros desta família tem girado à volta da agricultura, desde os anos 30, nos aglomerados de imigrantes italianos no estado de Santa Catarina, que tem como base a agricultura familiar. Conforme descrito num artigo desenvolvido pela universidade do Espírito Santo, chegaram ao Brasil por meio de navios após a Segunda Guerra Mundial.

Vigo di TonEditar

 
Brasão Marcolla de Vigo di Ton.

Diz a tradição da família trentina, grafada como Marcola e principalmente Marcolla, que seu fundador vivia em Roma, e teria migrado para Vigo di Ton em 1253, mas não há prova documental.[3] O que é certo é que em Vigo foram servos dos condes Thun, empregados em tarefas administrativas (ministeriales).[4] Quem deu à família seu sobrenome foi um certo Marcola, vivo em 1453, quando deu consentimento para que seu filho, Giovanni de Marcolis, que havia sido liberto da servidão, revogasse o ato de sua libertação para poder casar com uma serva, filha de Arvaxinus de Toss.[5] O casamento aparentemente acabou não se realizando, e pouco depois Giovanni foi novamente liberto e ao mesmo tempo enobrecido,[6] casando com Polonia de Dardine,[3] membro de uma família que recentemente havia sido liberta e enobrecida. Giovanni deixou seis filhos: Salvatore, Antonio, Marcola, Cristoforo, Gervasio e Pietro, que permaneceram na condição de servos até 1490, quando todos, exceto Marcola, foram emancipados. Em 1491, em recompensa de seus serviços e fidelidade, esses filhos emancipados receberam do bispo de Trento o título de nobres rurais para si e sua descendência.[5][6] Sua nobreza foi confirmada em 1529, em 1533 receberam um brasão, e seus descendentes foram reconfirmados nobres em 1749.[3]

No século XVI a família foi uma importante apoiadora dos bispos de Trento na região de Vigo. Em 1538 construíram um altar dedicado a santo Antônio na Igreja de Santa Maria Assunta, dotando-o de um benefício para sua manutenção. Na década de 1580 dois outros altares foram levantados na igreja, e mais tarde a família dotou o templo com outros ornamentos e benefícios, mantidos pelas rendas de um expressivo patrimônio composto de terras, capitais e bens móveis.[7][8]

O dominus Nicolò, filho de Pietro, foi castelão de Rocchetta e regolano maggiore de Vigo.[3] O dominus Antonio, filho de Nicolò, foi procurador do conde Carlo Thun e delegado do administrador episcopal dos vales de Non e Sole. Seu filho, ser Giovanni, foi regolano minore e cônsul de Vigo. Guglielmo, filho de ser Antonio, foi notário e vice-pároco de Vigo.[6] Donato foi capelão dos Thun.[3] Bolfus, Pietro II e Guglielmo foram cônsules; Gervasio II foi notário e delegado do administrador dos vales de Non e Sole; Giacomo e Filippo foram deputados da comuna.[6] Giobatta foi prior do Santuário de São Romédio por 66 anos.[6][9] Vários membros não enobrecidos da família permaneceram na servidão até fins do século XVI, quando os remanescentes foram emancipados.[6]

Referências

  1. Zannandreis, Diego; Biadego, Giuseppe (1891). Le vite dei pittori, scultori e architetti veronesi (em italiano). [S.l.]: Stabilimento Tipo-Litografico G. Francini 
  2. N.Y.), Metropolitan Museum of Art (New York; Bean, Jacob; Griswold, William (1990). 18th Century Italian Drawings in the Metropolitan Museum of Art (em inglês). [S.l.]: Metropolitan Museum of Art. ISBN 9780870995859 
  3. a b c d e Turri, Piero. "I Marcolla? Ma chi erano?" In: Comunichiamo, 2016; 15 (2)
  4. Archivio di Castel Thun. Rinnovo di locazione perpetua. 1564 febbraio 10, Castel Thun (Ton)
  5. a b Andreolli, Claudio & Franzoi, Stefania. Famiglia Thun, linea di Castel Bragher. Regesti delle pergamene della Sezione IX dell'archivio. Provincia autonoma di Trento, Soprintendenza per i Beni librari archivistici e archeologici, 2010
  6. a b c d e f Faes, Margherita. Famiglia Thun, linea di Castel Thun. Regesti delle pergamene dell'archivio (1244-1914). Provincia autonoma di Trento. Servizio Beni librari e archivistici. Ufficio Archivio provinciale, 2000
  7. Beneficio Marcolla all’Altare di Sant’Antonio, Vigo di Ton (Ton), 1538 - 1987 gennaio 24 (1538 - 1987 gennaio 24). Cultura Trentino.
  8. Beneficio primissariale don Romedio Marcolla, Vigo di Ton (Ton), 1739 settembre 18 - 1987 gennaio 24. Cultura Trentino.
  9. Morizzo, Marco. Eco delle feste del decimoquinto centenario dei SS. Martiri Anauniensi: la pieve di Sanzeno; notizie topografiche, civili ed ecclesiastiche. Monauni, 1903