Santa Catarina

unidade federativa do Brasil
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Santa Catarina (desambiguação).
Estado de Santa Catarina
Bandeira de Santa Catarina
Brasão de Armas de Santa Catarina
Bandeira Brasão
Hino: Hino de Santa Catarina
Gentílico: catarinense, barriga-verde

Localização de Santa Catarina no Brasil

Localização
 - Região Sul
 - Estados limítrofes Paraná (norte), Rio Grande do Sul (sul) e Argentina (oeste)
 - Regiões geográficas
   intermediárias
7
 - Regiões geográficas
   imediatas
24
 - Municípios 295
Capital Brasao florianopolis.gif Florianópolis
27°35′49"S 48°32′56"O
Município mais populoso Brasão de Joinville.svg Joinville
Governo
 - Governador(a) Carlos Moisés (PSL)
 - Vice-governador(a) Daniela Reinehr (Sem partido)
 - Deputados federais 16
 - Deputados estaduais 40
 - Senadores Dário Berger (MDB)
Esperidião Amin (PP)
Jorginho Mello (PL)
Área
 - Total 95 736,165 km² (20º) [1]
População 2019
 - Estimativa 7 164 788 hab. (10º)[2]
 - Densidade 74,84 hab./km² ()
Economia 2017[3]
 - PIB R$ 277 192 000 mil ()
 - PIB per capita R$ 39.542[3] ()
Indicadores 2016/2017[4][5]
 - Esperança de vida (2017) 79,4 anos ()
 - Mortalidade infantil (2017) 8,9‰ nasc. (26º)
 - Alfabetização (2016) 97,2% ()
 - IDH (2017) 0,808 () – muito alto [6]
Fuso horário UTC−3
Clima Subtropical úmido e oceânico Cfa/Cfb
Cód. ISO 3166-2 BR-SC
Site governamental http://www.sc.gov.br/

Mapa de Santa Catarina

Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizada no centro da região Sul do país. É o vigésimo estado em área territorial e o décimo-primeiro mais populoso do país. Seu território é dividido em 295 municípios, o sexto maior dentre as unidades da Federação,[7] e ocupa uma área de 95 733 km², um pouco maior do que Portugal ou a somatória dos estados brasileiros do Rio de Janeiro e Espírito Santo, mais o Distrito Federal. Sua capital é Florianópolis, segundo município mais populoso do estado, depois de Joinville. Além do Espírito Santo, Santa Catarina é um dos dois estados cuja capital não é o município mais populoso.

Banhado pelo Oceano Atlântico a leste, Santa Catarina faz divisa os estados do Paraná a norte e o Rio Grande do Sul a sul e, a oeste, com a província argentina de Missiones. Seu litoral possui cerca de 450 km. Totalmente ao sul do trópico de Capricórnio, na zona temperada meridional do planeta, o estado tem um clima subtropical. Essas condições são variáveis segundo o relevo da região: no oeste e planalto serrano é relativamente frequente que ocorram geadas e, em algumas ocasiões, quedas de neve, ao passo que no litoral o clima é mais quente, sendo possível que se atinjam temperaturas elevadas no verão.

Seu território, que abrange parte da extensão do antigo Governo do Rio da Prata e do Paraguai à época do grande Império Espanhol, era um dos estados mais antigos do Brasil, desmembrado de São Paulo em 1738, sendo seu primeiro governador o senhor José da Silva Pais. Foi criado para estender os domínios portugueses para o sul do Brasil, então colônia de Portugal, até atingir a região do Rio da Prata. Santa Catarina foi muito povoado por imigrantes europeus: o litoral foi colonizado pelos portugueses açorianos no século XVIII; na metade do século XIX, o Vale do Itajaí, porção da região sul e o norte catarinense foram povoados pelos alemães e, mais tarde, por italianos. Ainda no século XIX, filhos e netos de imigrantes italianos e alemães que se deslocaram do Rio Grande do Sul povoaram o oeste catarinense. Descendentes de africanos e de índios também povoaram o estado.

Os índices sociais do estado estão entre os mais altos do Brasil. Tem o mais elevado índice de expectativa de vida do país (empatando com o Distrito Federal), a menor taxa de mortalidade infantil e também é a unidade federativa com a mais baixa desigualdade econômica e analfabetismo do Brasil. Santa Catarina possui o sexto mais alto PIB do país,[8] com uma economia variada e com fortes afinidades à industrialização. Importante polo de exportação e de consumo, é um dos estados que mais expandem na economia brasileira e que responde por 4% do produto interno bruto do país.

EtimologiaEditar

 Ver artigos principais: Catarina de Alexandria e Barriga-verde

A denominação Santa Catarina seria dada por Francisco Dias Velho, que veio para a ilha hoje homônima em 1675, quando naquele local construiu uma capela em devoção a Catarina de Alexandria, da qual, ao que se diz, uma filha sua possuía o nome.[9][10] Demais autores afirmam que a designação é atribuída a Sebastião Caboto, que consagraria a ilha, durante sua passagem entre 1526 a 1527, a santa Catarina, ou antes, homenageou sua esposa, Catarina Medrano.[10] O estado empresta seu nome da ilha.[9]

Seus habitantes naturais são denominados catarinenses[11] ou barrigas-verdes, por causa do colete que utilizavam os recrutas das tropas de Joaquim Francisco do Livramento, as quais, em 1753, partiram de Santa Catarina para que batalhassem no Rio Grande do Sul e que assegurassem ao Brasil a posse daquela capitania.[12][13]

Originário da religião católica, o nome homenageia a santa padroeira do estado.[9][10] Os romanos cultuavam uma divindade antiquíssima, Sancus, que não deixava violar as promessas e juramentos, mandando cumpri-las. Da sua denominação vem o verbo latino sancire, “consagrar”. Sanctus, “santo, consagrado, o qual tem que, sobretudo, ser tratado com respeito” é o particípio passado do próprio verbo. Etimologicamente, o termo Catarina vem do grego ekaterina (εκατερινα), “puro, imaculado”.[14][15]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História de Santa Catarina

Povos indígenas, período colonial e imperialEditar

Chegada dos franceses liderados por Gonneville à terra que futuramente seria São Francisco do Sul.
Construção colonial na Ilha de Santa Catarina.

No começo do século XVI, a região que é hoje o estado catarinense era povoada pelos carijós, tribo do grupo tupi-guarani, catequizados (que se instruíram e pacificaram no catolicismo romano) desde 1549.[16]

A partir do início da época em que o Brasil foi descoberto, expedições vindas de Portugal e Espanha visitaram a costa catarinense.[17] No ano de 1526, Sebastião Caboto, viajando ao rio da Prata, percorreu a ilha então denominada dos Patos e a chamou de Santa Catarina. D. João III doou as terras continentais para Pero Lopes de Sousa em 1534. No entanto, em todos os anos do século XVI, as terras ficaram desabitadas, recebiam a visita de jesuítas, colonizadores espanhóis e portugueses, porém, sem população permanente.[17]

Os portugueses somente começaram a se interessar pela região na metade do século XVII. No ano de 1658, a povoação permanente mais antiga do estado, o povoado de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, foi fundada por Manuel Lourenço de Andrade e seus amigos.[17] Em 1675, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho, seguido de seus filhos, escravos e criados, criou a povoação de Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis) na ilha de Santa Catarina. Em 1676, o povoado de Laguna foi estabelecido por Domingos de Brito Peixoto. Criou-se a Capitania de Santa Catarina, vinculada à de São Paulo, em 1738. A capitania foi desmembrada de São Paulo e passou a pertencer à do Rio de Janeiro, em 1739.[17] Um sistema defensivo insular foi criado e cerca de cinco mil imigrantes açorianos começaram a povoar a ilha e o litoral da capitania, de 1748 a 1756. Portugal e Espanha entraram em guerra. Em consequência disso, a ilha de Santa Catarina foi devastada e invadida por tropas espanholas em 1777. Os espanhóis foram obrigados pelo Tratado de Santo Ildefonso a devolver a região que haviam conquistado.[17]

A Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, fundada pelo Marquês de Cascais em 1656,[18] substituiu a Capitania de Santana,[19][20] que teve início na foz da baía de Paranaguá e fim na atual cidade catarinense de Laguna.[19][21][22][23] Tem como limites a de Santo Amaro (parte da segunda seção da de São Vicente) ao norte,[19] as águas salgadas do oceano Atlântico a leste[24] e o Governo do Rio da Prata e do Paraguai a oeste,[25] estados extintos delimitados pelo Tratado de Tordesilhas.[24][26]

 
Museu Anita Garibaldi, em Laguna, onde foi proclamada a independência da República Juliana.

Com a independência do Brasil que foi proclamada, a capitania foi elevada à categoria de província. A Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul em 1835, teve suas consequências sofridas pela então província. Em julho de 1839, a República Juliana foi proclamada pelos revolucionários, chefiados por Giuseppe Garibaldi e David Canabarro, que invadiram Laguna. Derrotados pelas tropas do Império do Brasil, os rebeldes deixaram Laguna.[17] O novo país sul-americano teve curta duração, pois, quando sua independência foi proclamada, deixou de pagar à República Rio Grandense por falta de dinheiro.[27] Em 1840, as trincheiras farroupilhas mais recentes foram extintas. Em meados do século XIX vieram os imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, estes últimos em quantidade muito pequena. Foram criadas as colônias de Dona Francisca, atual Joinville, em 1850, Blumenau em 1852 e Brusque em 1860.[17]

Período republicanoEditar

A proclamação da República foi apoiada pela província agora elevada à categoria de unidade federativa em 17 de novembro de 1889, data que aparece na bandeira e no brasão estadual, no entanto, a revolta do governador indicado, que aderiu à Revolução Federalista gaúcha em 1893, foi contra o governo federal da época. Desterro foi transformada em base naval da esquadra revolucionária chefiada por Custódio José de Melo.[17]

Mapa do Estado de Santa Catarina, 1907. Arquivo Nacional.
Mapa da Guerra do Contestado no Museu do Contestado, em Caçador.

As lutas se espalharam por toda a costa de Santa Catarina. Derrotados em 1894, os revolucionários foram seriamente castigados pelas tropas legalistas. Em 1894, Hercílio Luz foi escolhido por voto popular como governador e elaborou uma política que pacificasse a região e que reparasse os problemas infraestruturais que o estado sofreu. Homenageando Floriano Peixoto, a cidade de Desterro recebeu o nome de Florianópolis, após uma reviravolta que custou a vida dos defensores da revolução.[17]

No ano de 1912, teve início a Guerra do Contestado, conflito de oposição entre os habitantes empobrecidos da região que se situa entre os rios Negro, Iguaçu, Pelotas e Uruguai, e as forças oficiais. José Maria de Santo Agostinho, um curandeiro considerado sagrado, liderava os sertanejos, além do Paraná e Santa Catarina disputarem a região onde moravam, motivo pelo qual a área recebeu a denominação de Contestado.[17] O desentendimento entre as duas unidades federativas e o conflito armado dos caboclos só acabaram por completo em 1916. Em 1930 o território de Santa Catarina foi invadido pelas forças revoltosas, as quais saíram do Rio Grande do Sul, entretanto, Florianópolis opôs resistência até o triunfo da revolução no país inteiro.[17]

Na época da Segunda Guerra Mundial, foi necessário que o problema da infiltração nazista fosse enfrentado no estado, onde o esforço militar brasileiro não conseguiu ser prejudicado por agrupamentos de alemães, diante de uma tentativa infrutífera. Em toda a administração de Getúlio Vargas, até 1945, interventores governaram o estado. Desde os anos 1950, colaborou ao progresso catarinense o estímulo concedido para que o extremo oeste e o centro do estado fossem povoados por colonos ítalo-brasileiros que vieram do Rio Grande do Sul. A Universidade Federal de Santa Catarina foi criada em 1960 e a Universidade para o Desenvolvimento do Estado de SC foi fundada em 1965, e tudo isso impulsionou em muito a educação estadual.[17]

Após um grande período de eleições indiretas para governadores no Brasil, Esperidião Amin foi escolhido por voto popular em 1982. Foi substituído pelo governante eleito Pedro Ivo Campos (1987–1991). No mês de março de 1991, tomou posse do poder executivo Vilson Pedro Kleinübing, do PFL (hoje Democratas), renunciando em abril de 1994 e sendo trocado por Konder Reis, que concluiu o mandato. Nas eleições de 1994, foi escolhido por voto popular Paulo Afonso Evangelista Vieira, que tomou posse do poder executivo estadual em 1995, ficando no cargo até 1999, quando foi substituído por Esperidião Amin. Luiz Henrique da Silveira venceu as eleições de 2002, permanecendo no cargo até 2006, no momento em que assumiu seu vice Eduardo Pinho, que completou o mandato. Luiz Henrique da Silveira, eleito em 2006, foi substituído por Leonel Pavan, que concluiu o mandato. Em 2010, Raimundo Colombo foi eleito governador, sendo reeleito em 2014. Raimundo Colombo ficou no cargo até 2018, quando foi sucedido pelo seu vice Eduardo Pinho Moreira.[28][29] Em 2018, Carlos Moisés foi eleito governador,[30] assumindo o governo do estado em janeiro de 2019.[31]

GeografiaEditar

 Ver artigo principal: Geografia de Santa Catarina
Serra do Rio do Rastro, maior cadeia de montanhas do sul do Brasil.
O Rio Pelotas na divisa com o Rio Grande do Sul.

Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizada no centro geográfico da região Sul, numa posição de estratégia na UNASUL. Suas divisões administrativas limítrofes são os estados brasileiros do Paraná, ao N e o Rio Grande do Sul, ao S e a província argentina de Misiones a O, além do oceano Atlântico a L.[32] O fuso horário é igual ao de Brasília: três horas anteriores em relação a Greenwich, UTC-3.[33][34][35] Uma vez anualmente, com frequência de outubro a fevereiro, é adotado o horário de verão, em que se adiantam os relógios em uma hora para economia de energia.[36]

Geomorfologia e hidrografiaEditar

Com 77% de seu território com altitude superior a 300 metros e 52% com altitudes superiores a 600 metros, Santa Catarina destaca-se dentre as unidades federativas brasileiras de relevo mais alto. Quatro unidades geomorfológicas, que vão do litoral ao interior, formam o relevo estadual:[37] baixada litorânea, serra do Mar, planalto paleozoico e basáltico.[37]

A baixada litorânea engloba as terras localizadas numa altitude inferior a 200 metros. Na parte norte, é bem larga, entrando sertão adentro, por meio dos vales dos rios que correm da serra do Mar. Em direção ao sul, encurta-se gradativamente.[37] A serra do Mar ocupa a baixada litorânea na parte oeste. Menos no norte do estado, onde compõe a borda montanhosa de um planalto razoavelmente médio, a serra possui traço muito diferente do que mostra em demais unidades federativas como Paraná e São Paulo. Em Santa Catarina, constitui uma faixa de montanhas, com altitude superior a mil metros, formada por um grupo de maciços isolados pela profundidade dos vales dos rios que descem para o oceano Atlântico.[37]

Na retaguarda da serra do Mar, torna-se mais extenso o planalto paleozoico, cuja superfície aplainada se divide em espaços separados pelos cursos de água que descem em direção ao oceano Atlântico. O planalto paleozoico diminui de altitude na direção norte-sul; no sul do estado é confundido com a planície litorânea, já que a serra do Mar não vem para esta região de Santa Catarina.[37]

O planalto basáltico compreende boa parte do território da unidade federativa. Constituído por sedimentos basálticos (derrames de lava), alternados com depósitos areníticos, tem como limite a leste uma borda montanhosa denominada de serra Geral. No norte do estado, a borda do planalto basáltico está situada no sertão; em direção ao sul, vai chegando progressivamente perto do litoral até o seu declive direcionado ao mar. A área do planalto é razoável e inclina-se levemente para oeste. Os rios, que descem em direção ao estado vizinho do Paraná, cavaram nele profundos vales.[37] São pouco férteis os terrenos da floresta ombrófila mista, da mesma forma que os solos dos campos, os quais se aproveitam para a pecuária leiteira e de corte. Os solos de floresta subtropical úmida caracterizam-se por sua fertilidade, apesar de seu grande desgaste por sua utilização imprópria.[38]

Os rios que descem pelo território do estado fazem parte de ambos os sistemas autônomos delimitados pelas serras Geral e do Mar. A bacia do Atlântico Sul é constituída por bacias delimitadas entre si, como as dos rios Itajaí-Açu, Tubarão, Araranguá, Tijucas e Itapocu.[39] No sertão do estado, duas bacias se unificam para constituir a bacia da Prata: a do Paraná, cujo afluente mais importante é o rio Iguaçu, e a do Uruguai, que tem como afluentes principais os rios Pelotas, Canoas, Chapecó e do Peixe.[39]

Clima, vegetação e biodiversidadeEditar

O território catarinense abrange dois tipos climáticos, a saber: o subtropical úmido com verões cálidos (Cfa) e o úmido com estios amenos (Cfb). O subtropical Cfa aparece na baixada litorânea e nas porções de menor altitude do planalto (extremidade oeste e vale do rio Uruguai). Possui temperaturas médias registradas de 20 °C, na baixada e no vale do Uruguai, e 18 °C, na extremidade oeste; a quantidade de chuvas, com boa distribuição ao longo do ano, alcança 1 500 mm por ano.[39]

O subtropical Cfb aparece no restante do planalto. Possui temperaturas médias registradas entre 16 e 18 °C, porém, as de verão e de inverno são diferentes, por isso há grande amplitude térmica ao longo do ano. Os invernos são bem frios: em algumas regiões, são observados anualmente cerca de 25 dias de geada. A quantidade de chuvas é igual à do tipo anterior. O fato único, no entanto, é que uma diminuta porção chuvosa cai no formato de neve na região de São Joaquim,[39] especialmente a do Brasil onde mais neva,[40] assim como em nações do hemisfério norte como Canadá, EUA e Rússia.[nota 1] Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urubici e Urupema são os municípios mais gelados do estado e encontram-se dentre os mais gelados do Brasil.[41] No entanto, a mais baixa temperatura que já se registrou no país, −14 °C, aconteceu no município de Caçador, em 11 de junho de 1952.[42] No fim de novembro de 2008, certas regiões do estado, especialmente o Vale do Itajaí, foram inundadas depois de um forte período chuvoso.[43] Diversas cidades ficaram ilhadas e algumas foram devastadas.[43]

A vegetação original do estado abrange duas formações vegetais: florestas e campos. As florestas, ocupantes de 65% do território de Santa Catarina, foram muito desflorestadas. No entanto, a silvicultura cresceu bastante, porque o governo incentivou muito para que acontecesse tal reflorestamento e também porque a indústria de madeira se desenvolveu. No planalto, são apresentadas no formato de florestas que misturam coníferas (araucárias) e latifoliadas e, na baixada e sopé da serra do Mar, somente como floresta latifoliada. Os campos aparecem como manchas que se espalham dentro da floresta mista. Os principais são os de São Joaquim, Lages, Curitibanos e Campos Novos.[39]

O estado de Santa Catarina tem em seu território o registro de cerca de 600 espécies de aves,[44] cerca de 150 mamíferos,[45] cerca de 140 denominações sistemáticas de anfíbios[46] e cerca de 1150 Lepidoptera (borboletas e mariposas),[47] bem como o cadastro de cerca de 2 300 plantas vasculares.[48]

DemografiaEditar

 Ver artigo principal: Demografia de Santa Catarina
Crescimento populacional
Censo Pop.
1872159 802
1890283 76977,6%
1900320 28912,9%
1920668 743108,8%
19401 178 34076,2%
19501 560 50232,4%
19602 146 90937,6%
19702 930 41136,5%
19803 687 65225,8%
19914 538 24823,1%
20005 349 58017,9%
20106 248 43616,8%
Est. 20177 001 161[49]12,0%
Fonte: IBGE[50]

A população do estado de Santa Catarina no censo demográfico de 2010 era de 6 248 436 habitantes, sendo a 11.ª unidade da federação mais populosa do país, concentrando cerca de 3,3% da população brasileira[51] e apresentando uma densidade demográfica de 65,29 moradores por quilômetro quadrado (a oitava maior do Brasil).[52] De acordo com este mesmo censo demográfico, 83,99% dos habitantes viviam na zona urbana e os 16,1% restantes na rural.[53] Ao mesmo tempo, 50,38% eram do gênero feminino e 49,52% do masculino, tendo uma razão de sexo de 98,48.[54] Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 16,80%.[55]

O Índice de Desenvolvimento Humano de Santa Catarina é considerado alto conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,774, estando na terceira colocação ao nível nacional e na primeira ao regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,860 (1.º), o do valor de renda é 0,773 (4.º) e o de educação é de 0,697 (3.º).[56] O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,39 e a incidência da pobreza de 27,19%.[57] A taxa de fecundidade de Santa Catarina é de 1,71 filho por mulher, uma das mais baixas do Brasil.[58]

Hierarquia urbana e regiões metropolitanasEditar

 
Densidade demográfica dos municípios de Santa Catarina (em hab/km²)

Dos 293 municípios catarinenses (considerando a divisão municipal na época), apenas um tinha população acima dos quinhentos mil: Joinville, no nordeste do estado. Outros onze tinham entre 100 001 e 500 000 (incluindo Florianópolis), quinze de 50 001 a 100 000, 34 de 20 001 a 50 000, 60 de 10 001 a 20 000, 64 de 5 001 a 10 000, 96 de 2 001 a 5 000 e doze até dois mil.[59] Sua capital, Florianópolis, com seus 421 240 habitantes, concentrava 6,7% da população estadual,[60] além de possuir a sexta maior densidade demográfica (627,24 hab./km²), quase quatro vezes menor que Balneário Camboriú (o município com maior densidade, 2 309,74 hab./km²), enquanto Capão Alto, no noroeste, tinha a menor densidade (2,06 hab./km²).[61]

Conforme o estudo da Região de Influência das Cidades (REGIC), conduzido em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[62] a rede urbana do estado foi alterada, visto que antes por inexistirem metrópoles em território estadual, era influenciada pelas metrópoles de Curitiba e Porto Alegre. Após a nova REGIC, constatou-se que Santa Catarina é polarizada agora por apenas uma Metrópole, sendo a capital do estado, cinco Capitais Regionais B e cinco Capitais Regionais C,[63]

O estado de Santa Catarina possui, ao todo, dez regiões metropolitanas, todas criadas por intermédio de leis complementares estaduais. As três primeiras são: Norte/Nordeste, Florianópolis e do Vale do Itajaí, todas criadas em 1998. Em 2000 foi instituída a Região Metropolitana da Foz do Rio Itajaí e, em 2002, as regiões metropolitanas Carbonífera e de Tubarão. Em 2007, quando foi criada RM de Chapecó (extinta em 2015[64]), todas as anteriores foram extintas, porém restituídas em 2010,[65] mesmo ano em que foram criadas a RM do Alto Vale do Itajaí e de RM de Lages.[66] No ano de 2012, a lei complementar estadual n.º 571, instituiu as regiões metropolitanas do Contestado e do Extremo Oeste.[65]

IdiomasEditar

 Ver artigo principal: Idiomas de Santa Catarina

Falam-se em Santa Catarina ambos os agrupamentos de idiomas diferentes: as línguas autóctones[68] e as alóctones, sendo certos desses os minoritários.[69][70][71][72][73][74] Há três línguas autóctones ou indígenas: caingangue, mbyá-guarani e xoclengue.[68] Após o estado ser colonizado pelos europeus, idiomas alóctones ou de imigrantes apareceram e continuam existindo hoje, como o português, o talian e demais dialetos italianos,[69] e os hochdeutsch ou deutsch e plattdüütsch, ou plattdietch. Faz parte deste o dialeto pomerano comum próximo a Blumenau e Pomerode.[70][71] Certos dialetos apareceram regionalmente, como o portunhol, uma combinação de português e castelhano que se fala nas regiões de fronteira com a Argentina,[72] e o katarinensisch, originário da língua nacional da Alemanha.[70] Demais núcleos linguísticos em menor escala abrangem castelhano, polaco, lituano, japonês, árabe, iídiche, etc.[73][74]

ReligiõesEditar

 
Santuário Madre Paulina, construído em homenagem à primeira santa do Brasil e localizado no município de Nova Trento.

De acordo com o censo demográfico de 2010, a população de Santa Catarina é formada por católicos apostólicos romanos (73,07%); protestantes ou evangélicos (20,4%); espíritas (1,58%); testemunhas de Jeová (0,74%); mórmons (0,11%); c. a. brasileiros (0,17%); budistas (0,05%); novos religiosos orientais (0,04%), dentre os quais os messiânicos (0,03%); islâmicos (0,01%); ortodoxos (0,07%); umbandistas (0,14%); judaístas (0,02%); espiritualistas (0,03%); tradições esotéricas (0,17%); indígenas (0,03%); candomblezeiros (0,09%) e hinduístas (0,01%). Outros 3,27% não tinham religião, incluindo-se aí os ateus (0,29%) e agnósticos (0,6%); 0,29% seguiam outras religiosidades cristãs; 0,21% não tinham fé determinada; 0,04% não souberam, 0,04% outras religiões orientais e 0,03% não declararam.[75]

 
Igreja de rito bizantino-ucraniano da Sagrada Família, em Iracema, Itaiópolis.

Segundo a divisão da Igreja Católica no Brasil, Santa Catarina pertence à Regional Sul IV e seu território é dividido em uma província eclesiástica, formada pela arquidiocese de Florianópolis e pelas nove dioceses sufragâneas de Blumenau, Caçador, Chapecó, Criciúma, Joaçaba, Joinville, Lages, Rio do Sul e Tubarão.[76]

Santa Catarina também possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, sendo a Igreja Universal do Reino de Deus, a congregação cristã, a batista e a Assembleia de Deus as maiores denominações. Como mencionado, 20,4% da população catarinense se declararam evangélicos, sendo que 10,98% pertenciam às igrejas de origem pentecostal, 4,20% às evangélicas não determinadas e 4,03% às de missão (4,87%).[75]

Composição étnica, migração e povos indígenasEditar

 Ver artigo principal: Demografia de Santa Catarina#Etnias

A população de Santa Catarina é composta basicamente por caucasianos, mestiços, afro-brasileiros e povos indígenas.[77][78][79][80] No Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento no território catarinense.[78][79][80] Santa Catarina foi povoada por portugueses e demais imigrantes europeus (italianos, alemães, poloneses, ucranianos, lituânios, judeus, neerlandeses, belgas, suíços, austríacos, franceses, ingleses, irlandeses, noruegueses, suecos, dinamarqueses, checos, eslovacos, gregos, russos).[78][79][80]

 
Vista aérea do centro de Florianópolis, fundada por vicentistas já em pleno século XVII.

Os vicentistas junto com indígenas aculturados iniciaram a colonização de São Francisco do Sul, Florianópolis e Laguna já no século XVII.[77] Os portugueses, em sua maior parte, açorianos, vieram para Santa Catarina em 1748, para povoar e defender o Brasil meridional de inesperados ataques de espanhóis.[77] Já, os castelhanos, que chegaram da Argentina, estavam dominando terras portuguesas no sul do Brasil. Foram criadas colônias açorianas em pontos de estratégia na costa catarinense, que depois acabaram se espalhando por outras regiões do Brasil meridional. Antes de 1753, entraram 6 492 açorianos no Brasil meridional, o que equivale a um terço da população inteira de Santa Catarina dos últimos anos do século XVIII.[77]

Um estudo genético feito em Costa da Lagoa e em São João do Rio Vermelho, duas comunidades afastadas catarinenses criadas por imigrantes açorianos, mostrou a permanência genética desta população perto da açoriana, apesar das colaborações africanas e indígenas. A ascendência dessas comunidades é sempre europeia em sua maioria (80,6% a 93,50%), mas não é restritamente açoriana, porque se detectou significativa miscigenação africana (12,6% a 4,1%) e indígena (6,8% a 2,4%).[81]

 
Consulado da Áustria em Treze Tílias. A forte imigração europeia deixou legados como a influência linguística.

A imigração alemã em Santa Catarina começou em 1828, durante a fundação da colônia de São Pedro de Alcântara pelos primeiros 523 alemães, vindos de Bremen. O imperador Dom Pedro I, que queria colonizar o sul do Brasil e estimular o desenvolvimento econômico da região, incentivou a chegada de alemães para o Brasil. Várias outras colônias alemãs foram fundadas no estado e foram se espalhando pelo interior. As mais prósperas foram as colônias de Blumenau, em 1850, e de Joinville em 1851.[77] Ambas as colônias foram as que deram certo na colonização alemã no estado, porque foi por meio delas que os imigrantes alemães se espalharam. Os alemães mantiveram-se afastados durante decênios em suas colônias, mantendo pouco contato com o resto da população brasileira. Como resultado, os alemães, enfim, mantiveram seu idioma e hábitos intocados, sem adquirir várias influências vindas de fora.[77] Esse afastamento fez com que surgisse em Santa Catarina uma forte origem germânica, percebida em diversas características da sua população. O estado catarinense tem atualmente a maior quantidade de filhos, netos e bisnetos de alemães no Brasil. Segundo uma fonte, mais de 40% da população catarinense é descendente de alemães.[77] Outra fonte afirma que eles são 25% da população.[82]

A imigração italiana foi a maior corrente imigratória já acolhida por Santa Catarina. Os italianos vieram ao estado em 1875, procedentes especialmente das regiões do Vêneto e da Lombardia.[77] Dessa forma, como aconteceu com os alemães, foram fundadas mais de dez colônias de imigrantes italianos, sendo as mais desenvolvidas na região do vale do rio Tubarão.[77] As mais antigas colônias de imigrantes italianos foram criadas na costa catarinense. As doenças tropicais e o clima um pouco mais quente atingiram os imigrantes, conduzindo as colônias ao fracasso.[77] No começo do século XX, italianos, que vieram do Rio Grande do Sul, migraram para o oeste catarinense, e ali as colônias italianas se desenvolveram. Mais de 30% da população do estado são descendentes de italianos.[77]

 
Vista do castelinho da Moellmann em Blumenau.

Em agosto de 1869, veio ao porto de Itajaí, desembarcando do navio “Vitória”, o primeiro agrupamento de emigrantes poloneses da Alta Silésia, formado pelas famílias de Francisco Polak, Nicolau Wos, Boaventura Polak, Tomás Szymanski, Simão Purkot, Filipe Kokot, Miguel Prudlo, Simão Otto. No total, havia 64 pessoas.[77] Estabeleceram-se na colônia Brusque, na região de “Sixteen Lots”. Mais de 5% da população catarinense são filhos, netos e bisnetos de poloneses (280 mil pessoas).[77]

Os escravos africanos e seus filhos, netos e bisnetos também contribuíram para formar o povo catarinense. No ano de 1796, os escravos formavam 22% da população da ilha de Santa Catarina e os forros 1,8%. Em 1864, a capital possuía 21 136 habitantes, e os escravos ainda eram por volta de 18% da população, ao passo que os “pardos e pretos” livres contavam 1381, 6,5% de todo o contingente.[83]

Atualmente vivem no estado de Santa Catarina pouco mais de 16 mil indígenas, distribuídos em vinte e oito grupos, que ocupam área de 96 581,346 4 hectares de extensão. Um total de vinte e oito já se encontram demarcadas definitivamente pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão do governo brasileiro responsável pela questão, e nelas se encontra a totalidade dos indígenas residentes no estado.[84] Dessas, destaca-se a de maior área, a reserva indígena Xapecó, que abrange os municípios de Abelardo Luz, Ipauçu e Entre Rios.[84]

 
Casa de pedra italiana na cidade de Nova Veneza.

Conforme pesquisa de autodeclaração do censo de 2010, 83,85% dos catarinenses declararam-se brancos, 12,61% pardos, 2,86% pretos, 0,41% amarelos e 0,25% indígenas, além dos sem declaração (0,01%).[85] 99,81% eram brasileiros (99,72% natos e 0,10% naturalizados) e 0,19% estrangeiros.[86] Entre os brasileiros, 95,45% nasceram no Sul (82,11% no próprio estado) e 3,92% em outras regiões, sendo 2,37% no Sudeste, 0,95% no Nordeste (1,92%), 0,40% no Centro-Oeste e 0,21% no Norte.[87] Muitas pessoas migram de outros estados brasileiros para Santa Catarina em busca de trabalho ou melhores condições de vida. Dentre os estados, o Rio Grande do Sul tinha o maior percentual de residentes (6,76%), seguido por Paraná (6,58%) e São Paulo (1,59%).[88]

Segundo uma pesquisa de 2013, a composição genética de Santa Catarina é a seguinte: 79,7% de sangue europeu, 11,4% africana e 8,9% indígena.[89]

Segurança pública e criminalidadeEditar

As mais importantes unidades das Forças Armadas em Santa Catarina com sede no estado são: no Exército Brasileiro, SC pertence ao Comando Militar do Sul (o qual possui um quartel-general em Porto Alegre)[90] e, junto com o Paraná, integra a 5.ª Região Militar e 5.ª Divisão de Exército,[91] tendo sede na unidade federativa o 23.º Batalhão de Infantaria (Blumenau)[92] e a 14.ª Brigada de Infantaria Motorizada;[93] na Marinha do Brasil, Santa Catarina faz parte do 5.º Distrito Naval, sediado no Rio Grande,[94] atuando no território estadual a Escola de Aprendizes-Marinheiros;[95] na FAB, SC conta com uma base aérea (Florianópolis).[96][97]

Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública no estado de Santa Catarina são a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a P. Civil e o Instituto Geral de Perícias.[98][99]

De acordo com dados do “Mapa da Violência 2012”, publicado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que era de 6,7 em 1980, subiu para 13,0 em 2009 (ficando abaixo da média nacional, que era de 27,0). Entre 2000 e 2010, o número de homicídios subiu de 423 para 805. Em geral, SC desceu uma posição na classificação nacional das unidades federativas por taxa de homicídios, passando da vigésima-sexta em 2000 para a vigésima-sétima em 2010. Florianópolis e RM possuíam taxas três vezes maiores que a do estado (16,9), enquanto, no interior, o mesmo era duas vezes menor que a média estadual (9,6).[100]

Em 2000, 25 municípios registravam uma taxa de homicídios de 7,2, número que caiu para 4,7 em 16 cidades em 2010. Considerando-se todos esses municípios, totalizam-se 108. Entre os municípios acima de 500 000, destaca-se apenas Joinville, que apresentou aumento relacionadamente equilibrado nos níveis de violência. Entre os municípios de 200 000 a 500 000 habitantes, se observa o maior aumento em Florianópolis, Blumenau e São José. Em segunda posição, no conjunto de 23 municípios abrangidos na faixa de 50 a 200 mil pessoas, destaca-se para os altos índices de violência e aumento de Itajaí, Balneário Camboriú e Navegantes. Ao mesmo tempo, a região metropolitana da capital registrou um forte aumento de 108,0% nas taxas de homicídios, enquanto o interior do estado tinha registrado uma queda de 9,6%.[100][101]

Conforme o “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008”, também publicado pelo Instituto Sangari, as cidades catarinenses que apresentavam as maiores taxas de homicídios por grupo de cem mil habitantes eram: Santa Cecília (43,2), Lebon Régis (39,7), Abelardo Luz (34,1), Florianópolis (32,8), União do Oeste (31,2) e Planalto Alegre (31,1).[102]

Governo e políticaEditar

 Ver artigo principal: Política de Santa Catarina
 
Palácio Cruz e Sousa, antiga sede do governo catarinense

Santa Catarina, assim como uma república, é governada por três poderes: o executivo, representado pelo governador, o legislativo, pela Assembleia Legislativa, e o judiciário, pelo Tribunal de Justiça, outros tribunais e juízes.[99] Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos. A atual constituição do estado foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais.[99] Constituem símbolos estaduais a bandeira, o brasão e o hino.[99]

Desde 1823 a capital de Santa Catarina é Florianópolis, cuja denominação da cidade era Nossa Senhora do Desterro, em homenagem à sua santa padroeira. O nome foi alterado durante o término da Revolução Federalista, em 1894, e a população do município ainda contesta essa mudança. A denominação Florianópolis é uma homenagem ao então presidente Floriano Peixoto. Dessa denominação vem a alcunha Floripa, pela qual a cidade é conhecida.[103]

O poder executivo catarinense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro anos de duração, e pode ser reeleito para mais um mandato. Ele é o responsável pela nomeação dos secretários de estado, que auxiliam no governo.[99] A sede do governo estadual é o Centro Administrativo, localizado no bairro florianopolitano de Saco Grande.[104]

 
Centro Administrativo do Governo, a atual sede do governo estadual.

Antes do Centro Administrativo, foram também sedes do governo o Palácio Cruz e Sousa, que é atualmente a sede do Museu Histórico de Santa Catarina, e o Palácio Santa Catarina, que se tornou sede após o primeiro ter sido tombado e tornado coleção de objetos raros.[105][106][107][108] Construída em 1952 e inaugurada em 1954, a residência oficial do governador do estado é a Casa d'Agronômica, no bairro florianopolitano de mesmo nome.[109]

Desde o começo do período republicano, assumiu pela primeira vez o governo do estado o militar, engenheiro e diplomata Lauro Müller, que esteve no poder entre 2 de dezembro de 1889 e 24 de agosto de 1890. Depois da Revolução de 1930, que começou no Rio Grande do Sul, Santa Catarina foi o estado onde ocorreu a primeira invasão pelas forças que levariam Getúlio Vargas ao poder. Entre 1930 e 1945, interventores federais governaram o estado. No decorrer destes quinze anos, houve um pequeno período, entre 1935 e 1937, em que o Poder Executivo estadual foi dirigido por um governador eleito, Nereu Ramos, que o Estado Novo manteve como interventor em 1937.[28]

 
Palácio Barriga Verde, onde funciona a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, sede do poder legislativo.

Foi apenas no ano de 1947 onde ocorreu a posse do primeiro governador eleito por sufrágio universal, Aderbal Ramos da Silva, escolhido democraticamente pela segunda vez para um mandato entre 1956 e 1961.[28] Em 1966, assumiu o governador Ivo Silveira, escolhido por voto popular. Após essa época, dois governadores foram eleitos pela Assembleia Legislativa: Colombo Sales e Antônio Carlos Konder Reis; e um por voto popular, Jorge Bornhausen.[110] O atual chefe do executivo catarinense é Carlos Moisés, tendo como vice, Daniela Reinehr.[31] O vice-governador substitui o governador caso este renuncie sua posição, seja afastado do poder ou precise afastar-se do cargo temporariamente.[99]

O poder legislativo estadual é unicameral e exercido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Palácio Barriga Verde),[nota 2] formada por 40 deputados estaduais, eleitos de forma direta para mandatos quadrienais. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento estadual (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).[99] No Congresso Nacional, a representação catarinense é de três senadores e dezesseis deputados federais.[111]

O poder judiciário tem a função de julgar, conforme leis criadas pelo legislativo e regras constitucionais brasileiras, sendo composto por desembargadores, além dos tribunais de júri, juizados especiais e juízes de direito, substitutos e de paz.[99] A maior corte do Poder Judiciário catarinense é o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, localizado no Centro Cívico Tancredo Neves.[112] Representações deste poder estão espalhadas pelo território estadual por intermédio de unidades denominadas de comarcas. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Santa Catarina possuía, em novembro de 2016, 5 005 356 eleitores, representando 3,403% do eleitorado brasileiro, o décimo maior do país.[113]

Símbolos estaduaisEditar

A bandeira de Santa Catarina é um retângulo dividido em três faixas horizontais: a superior e a inferior, goles, e a central, de argento. Se vê no meio um losango de sinopla com o brasão de armas no centro.[114][115] No dia 15 de agosto de 1895, Santa Catarina recebeu uma bandeira, cujo desenho é de autoria de José Artur Boiteux. Possuía treze listras horizontais de goles e argento em quantidade semelhante ao de comarcas do estado. No interior do losango de sinopla, estrelas de jalde simbolizavam os municípios.[114]

O brasão de Santa Catarina é formado por uma estrela de cinco pontas de argento com uma águia de asas abertas, sustentando, com a pata direita, uma chave, com a esquerda, uma âncora, de jalde e cruzadas; no peito da águia, um pequeno escudo com a data histórica: 17 de novembro de 1889. Como timbre, um barrete frígio de goles enfiado por cima da ponta superior da estrela-escudo. Como suportes, dois colmos, um de trigo, à esquerda, e outro de café, à direita, unidos por uma faixa de goles com as pontas leves, que mostra a inscrição “Estado de Santa Catarina”, em letras de argento.[114][115] A estrela simboliza a integração dos municípios; a águia representa as forças produtivas; a chave, sua localização estratégica no sul do Brasil; a âncora, o oceano Atlântico, que banha Santa Catarina; e a data, 17 de novembro de 1889, o dia em que foi adotada a república na antiga província, que se elevou à categoria de estado, cujo primeiro governo foi uma junta governativa. Apresentando a lavoura da serra e a da costa, há dois ramos de trigo (à direita) e de café (à esquerda), unidos por um listel onde está escrito: “Estado de Santa Catarina”. Como timbre, o barrete frígio de goles simboliza o sistema republicano.[114][116][115]

O Hino de Santa Catarina, sancionado pelo Decreto n.º 132, de 21 de abril de 1892 e pela Lei Estadual n.º 144, de 6 de setembro de 1895, teve sua letra escrita por Horácio Nunes Pires e sua melodia composta por José Brazilício de Souza.[117]

SubdivisõesEditar

 
Divisão das regiões intermediárias em vermelho e das imediatas em cinza no estado de Santa Catarina.

Surgiu como unidade política em 1738 com três cidades, sendo a mais antiga, São Francisco do Sul, fundada em 1658, e a última desse período foi Lages, criado em 1770.[118] Com a Independência do Brasil as províncias foram organizadas em 1823 e nesse ano o território já estava dividido em quatro cidades.[118] Do Império até a República passou de vinte para 295 cidades, sendo o sexto estado com o maior número de municípios e a terceira da Região Sul, atrás do Paraná.[7]

Os municípios são unidades constitutivas da União em patamar igual aos estados e são agrupados pelo IBGE em regiões geográficas intermediárias e imediatas. As regiões geográficas intermediárias congregam diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais, não constituindo uma entidade política ou administrativa, sendo utilizada apenas para fins estatísticos. Sete regiões geográficas intermediárias de Santa Catarina são: Florianópolis, Criciúma, Lages, Chapecó, Caçador, Joinville e Itajaí (ou Vale do Itajaí).[119][120][121]

As regiões geográficas intermediárias se subdividem em regiões geográficas imediatas, que constituem um agrupamento de municípios limítrofes, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. O estado é dividido em vinte e quatro regiões geográficas imediatas: Florianópolis, Criciúma, Tubarão, Araranguá, Lages, Curitibanos, Chapecó, Joaçaba-Herval d'Oeste, São Miguel do Oeste, Concórdia, Xanxerê, Maravilha, São Lourenço do Oeste, Caçador, Videira, Joinville, Mafra, São Bento do Sul-Rio Negrinho, Blumenau, Itajaí, Brusque, Rio do Sul, Ibirama-Presidente Getúlio e Ituporanga.[119][120][121]

O governo do estado divide o território em regiões de gestão e planejamento, estabelecidas com o objetivo de centralizar as atividades das secretarias estaduais. Seus limites nem sempre coincidem com os das mesorregiões e microrregiões. As 35 regiões administrativas do estado são: Araranguá, Blumenau, Braço do Norte, Brusque, Caçador, Campos Novos, Canoinhas, Chapecó, Concórdia, Criciúma, Curitibanos, Dionísio Cerqueira, Ibirama, Itajaí, Itapiranga, Ituporanga, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Joinville, Lages, Laguna, Mafra, Maravilha, Palmitos, Quilombo, Rio do Sul, São Joaquim, São Lourenço do Oeste, São Miguel do Oeste, Seara, Taió, Timbó, Tubarão, Videira e Xanxerê.[122]

EconomiaEditar

 Ver artigo principal: Economia de Santa Catarina
 
Exportações de Santa Catarina - (2012)[123]

A base principal de sua economia está nas seguintes atividades econômicas: a indústria (especialmente agroindústria, têxtil, cerâmica e metalmecânica), o extrativismo (minérios) e a pecuária.[124] Santa Catarina é o estado brasileiro que mais exporta frango e carne suína e sede da Brasil Foods (Itajaí), a mais rica companhia alimentícia brasileira. Dentre as indústrias, é sede de uma das empresas que mais fabricam motores elétricos no mundo, a WEG (Jaraguá do Sul), um dos que mais industrializam compressores, a Embraco (Joinville), e também a mais rica fundição latino-americana, a Tupy (Joinville). São muito expressivos os centros fabris de eletrodomésticos (e metalmecânica, em geral) na norte do estado, com grandes marcas brasileiras, como Consul e Brastemp (duas joinvilenses).[125]

Santa Catarina possui a sexta economia brasileira, e, com o Paraná (quinto) e Rio Grande do Sul (quarto), detém 16,1% da economia do Brasil. O estado também exporta muito. É o quarto maior estado exportador do Brasil em 2012, perdendo somente para São Paulo (26,55%), Rio de Janeiro (12,88%) e Minas Gerais (12,72%), participando com 8,07%.[123] Suas exportações foram, em 2012, em Carne de Aves (19,82%), Tabaco em Rama (10,78%), Motores Elétricos (6,79%), Bombas de Ar (6,10%) e Peças para Motores (4,72%).[123]

Setor primárioEditar

 
Joinville, a maior cidade catarinense, município com o maior PIB do estado.
 
Porto de Itajaí, um dos principais do país.
 
Colheita de arroz, Rio do Sul.

O setor primário é o maior e mais relevante da economia catarinense ao nível nacional: em 2013, a agropecuária representava somente 5,0% do valor total adicionado à de todo o Brasil.[126]

O produto mais importante da agricultura de Santa Catarina é o milho, plantado no planalto basáltico (depósitos de lavas derramadas), onde oferece ração para a suinocultura. Depois vêm a soja, o fumo, a mandioca, o feijão, o arroz (plantado com irrigação nos pântanos da planície litorânea do vale do rio Itajaí), a banana e a batata-inglesa. O estado também produz muita cana-de-açúcar, alho, cebola, tomate, trigo, maçã, uva, aveia e cevada.[127]

A pecuária bovina é praticada sobretudo em campo orgânico, de modo extensivo, e nas regiões de florestas, em pequena quantidade, com os animais sujeitos à semi-estabulação.[39] Nessas áreas onde a lavoura constitui a principal fonte de renda, a criação é voltada aos porcos, principalmente no planalto basáltico, onde a milhocultura garante ração apropriada para os animais. A criação de porcos progrediu bastante no estado, porque se desenvolveram os abatedouros especializados no processamento de carne suína,[39] como a Perdigão,[128] a Sadia,[129] a Aurora[130] e a Seara,[131] todas com sede em Santa Catarina. A avicultura se expandiu muito até hoje,[39] com a chegada do frango Chester no mercado brasileiro na década de 1980.[128][132] Em 2012, Santa Catarina foi também o segundo maior criador brasileiro de coelhos, com um efetivo de 37 501 rebanhos, somente atrás do Rio Grande do Sul e à frente do Paraná.[133]

A pesca exerce fundamental função na economia de Santa Catarina, que é um dos estados que mais produzem pescado no Brasil.[39] A pesca, especialmente a que se pratica em modelos pré-industriais, exerce fundamental função no quadro econômico estadual. Uma fonte de renda, que tem ligação com a procedência açoriana do povo, é desenvolvida mormente em Florianópolis, Navegantes e Itajaí.[39]

As riquezas minerais e vegetais contribuem de maneira decisiva para o desenvolvimento da produção no estado.[134] Dentre as primeiras merecem destaque as reservas florestais, constituídas sobretudo pelos pinheirais, apesar de sua grande exploração, e os ervais, que permitem ao estado continuar produzindo muita erva-mate. Santa Catarina é um dos estados que mais produzem papel e celulose.[134][135]

Na extração mineral, as ocorrências de carvão, sobretudo nas regiões da planície litorânea (Urussanga, Criciúma, Lauro Müller e Tubarão), são fator fundamental para o progresso econômico da região.[136] Os carvões de Santa Catarina são os mais uniformes do Brasil, embora apresentem problemas. São abundantes em pirita; têm altos teores de cinza, entre outros.[136]

Os estados de exploração do carvão mineral têm melhorado sensivelmente, do ponto de vista da tecnologia e dos equipamentos utilizados. Santa Catarina tem ainda as mais extensas reservas de fluorita e sílex (em produção).[136] Demais recursos minerais existentes são os sedimentos calcários de Brusque, de mármore, de galeria argentífera e de minério de manganês; nem todos, no entanto, são aproveitados economicamente.[136]

Setor secundárioEditar

 
Vista de Blumenau, um dos principais polos industriais do estado.

Santa Catarina tinha em 2018 um PIB industrial de R$ 66,3 bilhões, equivalente a 5% da indústria nacional. Emprega 804.796 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (17,9%), Alimentos (14,5%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (7,5%), Vestuário (7,4%) e Máquinas e materiais elétricos (5,8%). Estes 5 setores concentram 53,1% da indústria do estado.[137]

O setor secundário é segundo mais relevante da economia catarinense ao nível nacional: em 2013, a participação da indústria representava 4,9% do valor total adicionado à de todo o Brasil.[126]

Os mais importantes centros fabris de Santa Catarina constituem Joinville e Blumenau.[136] O primeiro possui personalidade variada, com indústrias têxteis, de alimentos, de fundições e fábricas de automóveis. Em Blumenau, a atividade está concentrada na indústria têxtil, na metalmecânica e na de “softwares”.[136] Além disso, as cervejarias artesanais expandiram-se recentemente.[138] No interior do estado (inclusive os municípios de Imbituba, TubarãoCriciúma, Cocal do Sul, Içara e Urussanga), aparecem inúmeros centros industriais menores associados tanto à indústria madeireira como para o beneficiamento de produtos agropecuários.[136]

O nordeste do estado (entre Joinville e Jaraguá do Sul) merece destaque na fabricação de motocompressores, autopeças, refrigeradores, motores e componentes elétricos, máquinas industriais, tubos e conexões.[136] No sul do estado (inclusive os municípios de Içara, Tubarão, Imbituba e Urussanga), por seu turno, estão concentradas as mais importantes indústrias de cerâmica de revestimento do Brasil.[136] Santa Catarina também é o maior produtor brasileiro de louças e cristais.[136]

Setor terciárioEditar

 
Vista de um dos terminais do movimentado porto de Itajaí.

O setor terciário é o menos relevante para a economia catarinense ao nível nacional: em 2013, a participação dos serviços representava somente 3,6% do valor total adicionado à de todo o Brasil.[126]

Segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) realizada pelo IBGE em 2013, existiam no estado 76 095 empresas,[139] das quais 308 113 eram locais.[140]

Em 2013, trabalharam para todas essas empresas, 560 945 trabalhadores, que totalizavam ao todo uma receita bruta de R$ 55 944 815, juntos com salários e outras remunerações que somavam um total de 10 776 363.[139]

Em Santa Catarina, existiam, em 2015, 592 agências (instituições financeiras), que renderam R$ 71 121 160 249 mil em operações a crédito, 108 094 736 mil em depósitos à vista do governo, 5 215 932 191 mil em privados, 37 528 225 778 mil em poupança, 26 668 289 042 mil a prazo e 16 924 967 mil em obrigações por recebimento.[141]

TurismoEditar

 Ver artigo principal: Turismo em Santa Catarina

O estado de Santa Catarina tem uma área territorial repleta de contrastes: as serras estão contrapostas à costa de lindas praias, baías, enseadas e mais de dez ilhas; na arquitetura, diversos municípios preservam as edificações características do tempo em que foi povoado. Ao passo disso, a capital, Florianópolis, é uma cidade de prédios inovadores e requintados, assinalada pela enorme presença dos jovens, dos esportes náuticos e dos campeonatos de surfe. Entre os balneários destacam-se Bombinhas, a qual se considera a capital brasileira do mergulho, e Balneário Camboriú, uma das praias mais famosas.[142]

Atualmente, visitar o estado de Santa Catarina é uma possibilidade de entender uma característica mistura de nacionalidades, que é refletida não somente na cultura, porém, da mesma forma no patrimônio histórico. Além disso, há no estado outras grandes atrações, como as elevadas médias térmicas do verão, as quais trazem um grande número de turistas para seus belos balneários, que se distribuem por destinos como Balneário Camboriú, Bombinhas, Itapema, Garopaba, Joaquina, Praia Mole e da Vila em Imbituba. Neste lugar ocorre etapa do principal campeonato de surfe do mundo, o WCT; e o excessivo frio do inverno da Serra Catarinense com intensas geadas — de vez em quando seguido pela neve —, assegurando confortáveis apaixonados roteiros. Os mais conhecidos da serra são Lages e São Joaquim. Tanto no inverno como no verão, há muitas escolhas de passeios para todo o ano.[142]

No Vale do Itajaí — merecendo destaque Penha, onde existe o Beto Carrero World, e Blumenau — concentram-se destinos onde o bom é o turismo de negócios. Limitando-se com Blumenau está localizada Gaspar, cidade conhecida pela Igreja Matriz e pela Rota das Águas que contém mais de nove Parques Aquáticos, o mais conhecido o Parque Aquático Cascaneia. Já o município de Timbó destaca-se pelos excelentes locais para praticar esportes radicais como o “rafting”, “canyoning” e verticalmente outros desportos. O município de Fraiburgo, que faz parte da Rota da Amizade, destaca-se ao cultivo da maçã, podendo ser conhecidas as várias fases desta cultura, como a floração da Malus domestica, o plantio dos frutos. Além disso, conta com a infraestrutura disponível na Terra da Maçã para receber os visitantes.[142]

 
Praia em Bombinhas.

Chamado de “um pedaço da Europa encravado no Sul do país”, o estado de Santa Catarina possui um dos mais altos índices de desenvolvimento econômico do Brasil, que se baseia em uma produção industrial variada. Um importante ponto turístico é o Farol de Santa Marta, o mais extenso das Américas e o terceiro maior do mundo.[142]

Tem crescido a movimentação turística, vinda principalmente de São Paulo e dos países da Prata para Santa Catarina.[143] O mais importante foco de atração dos turistas constituem os lindos balneários da ilha de Santa Catarina, além das praias de Laguna, Balneário Camboriú, Porto Belo e Itajaí.[143]

Também atrai a zona de colonização alemã, centralizada em Blumenau, porém, abrangendo, na periferia, Pomerode e Timbó e inclusive, no extremo norte, Joinville. Os antigos habitantes dos municípios da região ergueram as históricas casas de enxaimel (caibros atravessados de modo a segurar o barro, que compõe as paredes).[143]

Balneário Camboriú, cidade turística do estado.

InfraestruturaEditar

SaúdeEditar

Considera-se bom o estado de saúde da unidade federativa, embora algumas endemias do campo ainda não puderam ter sido erradicadas.[115] Em 2009, a estrutura dos hospitais abrangia uma rede de 4 470 estabelecimentos, os quais contavam com 15 557 leitos, atendidos, em 2010, por 33 788 médicos, 4 420 enfermeiros e 6 824 auxiliares de enfermagem.[144][145] Órgãos federais com prestação de serviços no estado:[115] Departamento Nacional de Endemias Rurais (educação sanitária, atividades de saneamento básico, campanhas de vacinação contra a ancilostomose, doença de Chagas, febre-amarela, filariose, malária e tracoma), Serviço Nacional de Doenças Mentais, Serviço Nacional da Lepra e Serviço Nacional de Tuberculose.[115] Em 2005, 79,1% da população catarinense possuía acesso à rede de água,[146] ao passo que 82,6% eram beneficiados pela de esgoto sanitário.[146]

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, 76,6% da população catarinense avalia sua saúde como boa ou muito; 67,4% realiza consulta médica periodicamente; 48,0% dos habitantes consultam o dentista regularmente e 6,9% esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses. 35,2% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 28,5% tinham plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 71,9% dos habitantes declararem necessitar sempre do Programa Unidade de Saúde da Família — PUSF.[147]

Na questão da saúde feminina, 42,5% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses; 51,9% das pessoas do sexo feminino entre 50 e 69 anos, mamografia nos dois. 83,4% das mulheres entre 25 e 59 anos, preventivo para câncer do colo do útero nos últimos três.[147]

EducaçãoEditar

Reitoria da UFSC, em Florianópolis.
Câmpus da UFFS em Chapecó.

Em 2015, foram registradas matrículas de 837 814 discentes, nas 3 250 instituições educacionais de ensino fundamental em Santa Catarina, das quais 954 eram do estado, 1 912 do município, 383 da iniciativa privada e uma da União. No que diz respeito ao corpo docente, era igualmente formado por de 48 904 professores, dos quais 18 433 ensinavam em instituições de ensino do estado, 69 em escolas da União, 23 550 nas do município e 6 852 nas da iniciativa privada.[148]

O ensino médio, em 2015, era lecionado em 990 estabelecimentos com 242 153 discentes registrados por matrícula, atendidos por 18 879 docentes. Dos 242 153 alunos, 198 952 encontravam-se nas escolas do estado, 7 415 nas da União e 1 215 nas dos municípios e nas 34 571 da iniciativa privada.[148][nota 3]

Em 2010, a taxa de analfabetismo estadual era de 3,2%, a mais baixa do Brasil.[149] A taxa de escolarização na faixa etária de 6 a 14 anos é de 99,2%, tornando o estado líder nesse quesito.[149] Em 2009, 14,0% da população catarinense é de analfabetos funcionais.[150] O IDH-educação de Santa Catarina é o 3.º mais alto do Brasil (0,934).[151]

As mais importantes instituições catarinenses de ensino superior do setor público são a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade do Estado de Santa Catarina, a Universidade Federal da Fronteira Sul, o Instituto Federal de Santa Catarina, o Instituto Federal Catarinense. Já as universidades comunitárias são: Fundação Universidade Regional de Blumenau, a Universidade do Extremo Sul Catarinense, a Universidade do Sul de Santa Catarina, a Universidade do Oeste de Santa Catarina, o  Centro Universitário de Brusque — UNIFEBE; Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), o Centro Universitário Municipal de São José, a Universidade do Sul de Santa Catarina, a Universidade do Contestado, a Universidade do Vale do Itajaí, a Universidade da Região de Joinville, a Centro Universitário de Jaraguá do Sul, a Universidade Comunitária Regional de Chapecó e a Universidade do Planalto Catarinense.[152]

Por apresentar um dos melhores índices de PIB,[3] PIB per capita[3] e IDH[6] o estado possui, segundo dados do IDEB, o melhor índice de proficiência em leitura e redação do Brasil, ao contrário do ente federativo irmão nordestino, Maranhão.[153]

TransportesEditar

 Ver artigo principal: Transportes de Santa Catarina

Santa Catarina tem uma malha rodoviária que une as distintas regiões do estado. As rodovias estaduais de Santa Catarina são geridas pelo Departamento de Transportes e Terminais, responsável por consertar e vigiar a maior parte das vias públicas que ligam as cidades e as zonas rurais do estado. A presença de pedágios, em suas rodovias, é proibida pela Constituição Estadual de 1989.[110]

As rodovias federais, geridas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, têm, em sua maior parte, pedágios da Arteris. A mais importante rodovia é a BR-101, que corta o litoral e é responsável pelo escoamento de boa parte da produção no estado. Outra rodovia principal é a BR-470, ligação do meio-oeste com o litoral. Liga-se com a BR-282 e com a BR-283 e, por ela passa a produção agroindustrial, a qual é exportada através do porto de Itajaí. Através da BR-280, que conecta a cidade de Porto União, no Planalto Norte, com o de São Francisco do Sul, se transporta a produção da indústria de móveis em São Bento do Sul e a de erva-mate em Canoinhas. Demais rodovias famosas são a BR-153 e a BR-116, a qual corta as cidades de Lages, Papanduva e Mafra, atravessando o estado até o limite com o Rio Grande do Sul.[136][154]

Cinco portos especializados constituem o sistema portuário do estado: São Francisco do Sul, Itajaí, Itapoá, Imbituba e Navegantes. O primeiro, que mais exporta produtos primários, secundários e terciários para o exterior, é o principal porto de grãos do estado. O de Itajaí, mais extenso do estado, é destinado principalmente para exportar açúcar e congelados e para transportar combustíveis, ao passo que Imbituba constitui um terminal de carvões e Laguna, porto de pesca.[136][154]

As estradas de ferro, geridas em parte pela América Latina Logística, possui dois troncos principais, os quais atravessam o estado de norte a sul: o primeiro corta Mafra e Lages e o segundo passa por Porto União, Caçador e Joaçaba. No norte do estado, uma linha de leste a oeste conecta as cidades ao litoral, atendendo Porto União, Canoinhas, Mafra, São Bento do Sul, Joinville e São Francisco do Sul. Demais ferrovias catarinenses atendem o vale do Itajaí e a região mineradora carbonífera, conectando-a com os portos de Laguna e Imbituba.[136][154]

Santa Catarina possui 32 aeroportos públicos e particulares,[136][154] sendo que apenas cinco realizam voos comerciais: Aeroporto Internacional Hercílio Luz em Florianópolis,[155] Ministro Victor Konder em Navegantes,[156] Lauro Carneiro de Loyola em Joinville,[157] Serafim Enoss Bertaso de Chapecó,[158] Diomício Freitas, perto de Criciúma, no sul do Estado e com inauguração recente em 2015,[159] o Regional de Jaguaruna ou Humberto Ghizzo Bortoluzzi.[160]

Serviços e comunicaçõesEditar

Em Santa Catarina, há diversas empresas de abastecimento de água. Em 195 dos 295 municípios catarinenses, a empresa de água e saneamento básico é a Casan.[161]

No que diz respeito à energia elétrica, há uma empresa em território estadual, Centrais Elétricas de Santa Catarina.[162] O potencial hidrelétrico catarinense nem sequer está completamente utilizado e usinas termelétricas são as que fornecem boa parte do consumo estadual de energia. O carvão-vapor é utilizado para fazer funcionar essas usinas, e isso colabora não apenas para ampliar a produção termelétrica como também garante comércio em desenvolvimento para o aumento do consumo no estado.[136]

Em Capivari de Baixo está o mais extenso complexo termelétrico a carvão da América Latina. O Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, com 857 megawatts, fazia parte da estatal Eletrosul Centrais Elétricas até a privatização, em 1997. Atualmente pertence à Tractebel Energia, empresa sediada em Florianópolis, filial do grupo francês GDF Suez. É importante ressaltar-se que nos últimos anos vem crescendo no estado a captação e a geração de energia a partir doutras fontes. Pode-se exemplificá-lo pela Usina de Cogeração Lages desde a biomassa gerada pelos resíduos da madeira, os parques eólicos de Bom Jardim da Serra e Água Doce, as usinas de Biogás a partir da captação do gás metano de dejetos de animais em Itapiranga e Pomerode e a começar de sólidos urbanos em Itajaí, da geração fotovoltaica na Megawatt Solar em Florianópolis (a maior da América Latina integrada a edifício) e na Cidade Azul (a mais extensa do Brasil e segunda da América Latina), localizada no município de Tubarão.[163]

Estão presentes serviços de “internet” discada e banda larga (ADSL) sendo fornecidos por vários provedores de acesso gratuitos e pagos. O serviço de telefonia fixa é fornecido por algumas operadoras, como a Brasil Telecom.[164] O código de área (DDD) do estado é variável, entre 047 e 049.[165] No dia 17 de novembro de 2008, as regiões leste e sul começaram a serem atendidas pela portabilidade, junto com demais cidades de DDDs 85 e 88 (Ceará), 98 e 99 (Maranhão).[166]

A secretaria que se encarrega das comunicações na Santa Catarina inteira é a Secretaria de Comunicação, atuante assim na assessoria da imprensa, como no “marketing e na Internet. Há vários jornais em diversos municípios do estado, exemplificando, A Notícia (em Joinville), Notisul (em Tubarão), A Tribuna (em Criciúma), Jornal de Santa Catarina (em Blumenau), Jornal Vale do Itapocu (em Jaraguá do Sul), Correio Lageano (Lages), Oi São José (São José), Jornal Médio Vale (Timbó), etc.[167] Ambos os periódicos de maior influência do Brasil,[168] Diário Catarinense e Correio da Ilha, são catarinenses e suas sedes são mantidas na capital estadual.[167]

Na área televisiva, a mais antiga emissora de televisão do estado, a TV Coligadas (atual NSC TV Blumenau), foi fundada por uma sociedade composta por Wilson de Freitas Melro, Caetano de Figueiredo e Flavio Rosa, bem como demais 307 acionistas, em 1 de setembro de 1969.[169] Ao longo dos anos, diversas outras emissoras foram desenvolvidas no estado e receberam fama no Brasil e no estado, como foi o caso da NDTV, Record News Santa Catarina, a TV Barriga Verde, a NSC TV e a TV Canção Nova Florianópolis, totalmente sediadas na região metropolitana de Florianópolis,[170] além de existir transmissão de canais nas faixas Very High Frequency (VHF) e Ultra High Frequency (UHF).

CulturaEditar

 Ver artigo principal: Cultura de Santa Catarina
 
Monumento "O Desbravador" em Chapecó

A origem da cultura de Santa Catarina se encontra na diversidade, que é resultado da presença dos portugueses (açorianos e madeirenses), dos alemães do Vale do Itajaí, e pela pequena Itália localizada ao sul, que após sua chegada a Santa Catarina trouxeram uma enorme bagagem cultural. Esses povos são caracterizados pela importância das tradições da sua população e por festividades religiosas que foram muito importantes para a formação da cultura do estado.[171]

Santa Catarina reflete todos os povos colonizadores que constituem harmoniosamente a cultura desse estado. Por esse motivo, pode-se dizer que a culinária de Santa Catarina é abundante em frutos do mar (influência de Portugal), tais como peixes, camarões e mariscos que podem apresentar variações no seu modo de preparar e segundo a espécie. Podem ser destacados como alguns alimentos mais comuns: peixe ensopado (com sal e ervas de cheiro) que se serve com pirão e farinha de mandioca, peixe frito (oferecido em pedaços e envolvido em farinha de mandioca ou de trigo até fritar), grelhado na brasa e/ou na folha de bananeira, peixe assado, camarão à milanesa, caldo de camarão, ovas de tainha, entre outros. Além disso, existe a geleia de morango, bolo de mel, kutiá, torta de ricota e vereniqué (pastel cozido).[171] No artesanato, destacam-se os artigos feitos de vime, e couro; renda de bilros; a produção de bonecos de pano; pintura em porcelana e a arte de escultura em madeira, que merece destaque por ter artesãos que fabricam peças para ilustres colecionadores.[171]

Entre os principais catarinenses ilustres nascidos dentro e fora do estado, podemos destacar: Antonieta de Barros, florianopolitana, professora e política; Atílio Fontana, gaúcho, empresário e político; Bruno e Hermann Hering, alemães, industriais; Carl Hoepcke, alemão, industrial; Carlos Renaux, alemão, político, comerciante e industrial; Diomício Freitas, orleanense, empresário e político; família Schürmann, florianopolitana, viajantes de veleiro; Felipe Schmidt, lageano, politico; Gustavo Kuerten, florianopolitano, ex-tenista; Hercílio Luz, florianopolitano, engenheiro e político; João David Ferreira Lima, advogado e professor; José Arthur Boiteux, tijuquense, jornalista, historiador e advogado; Juarez Machado, joinvillense, artista plástico; Lindolf Bell, timboense, poeta; Nereu Ramos, lageano, advogado e político; Paulo Evaristo Arns, forquilinhense, religioso; Raulino Reitz, religioso, botânico e historiador; Santa Paulina, italiana, religiosa, Vera Fischer, blumenauense, atriz; Willy Zumblick, tubaronense, pintor.[172]

Espaços culturaisEditar

Estão sediadas em Santa Catarina várias instituições culturais, podendo ser citados o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, a Academia Catarinense de Letras e o Círculo de Arte Moderna. As principais bibliotecas são a Biblioteca Pública do Estado, a Biblioteca Pública Municipal do Estreito, as das diversas escolas da Universidade Federal (Florianópolis), a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Müller (Blumenau), a Biblioteca Pública Municipal (Joinville) e a Biblioteca da Fundação Camargo Branco (Lages).[173][174] Existe ainda o Teatro Governador Pedro Ivo, Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) e o complexo cultural do Centro Integrado de Cultura (CIC).[171]

Os principais museus de Santa Catarina são o Museu Histórico (estabelecido na Casa de Santa Catarina, com armas, uniformes e objetos que pertenciam à Companhia Barriga Verde), a residência de Vítor Meireles, o Museu Etnográfico, Etnológico e Botânico, o Museu de Arte Moderna, o Museu do Índio, o Museu do Instituto Geográfico e Histórico, o Museu do Homem do Sambaqui (Florianópolis), o Museu de História Natural Dr. Fritz Müller (Blumenau), o Museu Arquidiocesano D. Joaquim (Brusque), o Museu Nacional do Mar, com embarcações do Brasil e do exterior (São Francisco do Sul), o Museu Municipal (de imigrantes, colonizadores e achados arqueológicos), o Museu Estação da Memória na histórica estação de trem (Joinville) e o Museu Histórico Pedagógico (Lages);[173] em Rancho Queimado, o Museu Casa de Campo Governador Hercílio Luz; em São Francisco do Sul, o Museu Nacional do Mar; e em Biguaçu, mais precisamente em São Miguel da Terra Firme, o Museu Etnográfico Casa dos Açores. Várias destas entidades são administradas pela FCC.[174]

MonumentosEditar

Quando colonizaram a atual Florianópolis, os açorianos resolveram construir um sistema de fortalezas, as quais atualmente são historicamente muito importantes. Na ilha de Anhatomirim encontra-se um desses fortes, a fortaleza de Santa Cruz, a qual, erigida em 1744, foi restaurada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Das ruínas do forte de São José da Ponta Grossa (1740), na praia do Forte, possui-se uma das mais lindas visões da região.[173][174]

Demais conhecidos monumentos são o Mercado Público e o prédio da Alfândega, construídos no final do século XIX, e a ponte Hercílio Luz (1926), uma das mais longas pontes pênseis do planeta (Florianópolis) e o palácio dos Príncipes, construído em 1870 (Joinville). O patrimônio histórico tomba as ruínas e construções da ilha de São Francisco do Sul e da cidade de Laguna.[173][174]

Além disso, na costa, existem muitos casarões de arquitetura portuguesa e, nas regiões do Vale do Itajaí e no norte do estado, podem ser encontradas também a arquitetura alemã, mais conhecida como estilo enxaimel. O município de Treze Tílias, por seu turno, foi criado por imigrantes austríacos da região do Tirol e parece uma vila alpina.[171]

FestividadesEditar

Das festas folclóricas, realizam-se as principais no mês de outubro em diversas cidades: em Criciúma, a Festa das Etnias; em Florianópolis, a Fenaostra; em Blumenau, a Oktoberfest, tradicional da Alemanha, que distribui chope, canções típicas e grupos de folclore; em Joinville, a Fenachopp; em Rio do Sul, a Kegelfest, no qual o atrativo, além da cerveja, é o bolão, jogo parecido com o boliche e com a bocha; em Treze Tílias, a Tirolerfest, celebração do dia em que os imigrantes vieram da Áustria; em Jaraguá do Sul, a Schützenfest, combinação de torneio de tiro com festival alimentar e cervejeiro; em Brusque, a Fenarreco; em Pomerode, a Pomerana; em Itapema, o Festival do Camarão; e, em Itajaí, a Marejada, com culinária de Portugal.[173][174]

 
Blumenau, onde ocorre a maior oktoberfest fora da Alemanha

Demais festas folclóricas famosas no estado são o Terno de Reis, em janeiro; o boi-de-mamão, em janeiro e fevereiro, uma aparência de pantomima onde é predominante a imagem de um boi de papelão ou madeira, acompanhada de pessoas, fantasia, dançarinos e cantores; e a farra do boi, na semana santa. Da culinária de Santa Catarina, os pratos mais famosos são a bijajica (bolinho de polvilho, ovos e açúcar, fritado em banha) e o Ente mit Rotkohl (marreco com repolho roxo), iguaria da região de Brusque. No mês de abril ocorre a Expofeira Nacional da Cebola no município de Ituporanga, período em que as festas são realizadas; o evento, toda edição, se firmou como habitual para excursões, promoção de agronegócios e divulgação de novas tecnologias no setor agropecuário. Entre maio e julho ocorre em Lages a Festa Nacional do Pinhão, com pratos típicos feitos de pinhão, considerado o mais importante festival tradicionalista brasileiro, e em Urussanga, no sul do estado, a Festa do Vinho e a festa Ritorno Alle Origini merecem destaque como festas da imigração italiana na unidade federativa.[173][174]

Dentre as festas religiosas tradicionais de Santa Catarina merecem destaque: a procissão do Senhor Jesus dos Passos e as festas de São Sebastião, Divino Espírito Santo (móvel, com três dias de duração) e Santa Catarina (padroeira do estado).[173][174]

EsportesEditar

 
O Estádio Orlando Scarpelli em novembro de 2010

O futebol é o esporte mais popular no estado de Santa Catarina, seguido por vôlei, tênis, basquete, ciclismo e artes marciais. O futebol em Santa Catarina foi introduzido no início do século XX, tendo como principais equipes o Avaí, o Figueirense, a Chapecoense, o Joinville e o Criciúma, além de outros menores.[175] Já, o Campeonato Catarinense, realizado anualmente desde 1924, é o principal evento de futebol no estado, organizado pela Federação Catarinense de Futebol, contando com a participação de dez equipes na primeira divisão.[176] Os estádios Arena Condá, em Chapecó, e Heriberto Hülse, em Criciúma, são o maiores de futebol de Santa Catarina.[177]

Santa Catarina é sede de eventos esportivos nas mais diversas modalidades, seja de importância local, nacional e até mesmo internacional, entre os quais os Jogos Abertos de Santa Catarina, os Joguinhos, a Olimpíada Estudantil (Olesc), os Jogos Escolares (JESC), Campeonato Escolar de Futsal (MOLEQUE), os Jogos Abertos Paradesportivos (PARAJASC), os Escolares Paradesportivos (PARAJESC), os Abertos da Terceira Idade (JASTI) e Dança Catarina, todos realizados pela secretaria estadual do esporte.[178]

Dentre as principais personalidades do esporte catarinense estão: no tênis, Gustavo Kuerten, o maior tenista do Brasil e um dos maiores do mundo, filho do jogador amador Aldo Kuerten, que incentivou a educação pelo esporte, contribuindo nos torneios como juiz de cadeira;[179][180][181] no futebol, Wellington Saci e Filipe Luís;[182][183] no voleibol, Ana Moser,[184] Bárbara Bruch,[185] Carlos Schwanke,[186] Tiago Barth,[187] Thiago Henrique Sens,[188] e Rosamaria Montibeller;[189] no basquete, Guilherme Teichmann,[190] André Luiz Bresolin Goés,[191] Jimmy Dreher de Oliveira[192] e Tiago Splitter;[193] no ciclismo, Hans Fischer, morto em 1988;[194] e nas artes marciais, Thiago Tavares (jiu-jitsu),[195] Júnior dos Santos,[196] Leonardo Mafra,[197] Márcio Alexandre,[198] Rafael Silva (MMA)[199] e Wande Lopes (muay thai).[200]

Arena Condá, em Chapecó, maior estádio de Santa Catarina e casa da Chapecoense

FeriadosEditar

Em Santa Catarina há dois feriados estaduais: o dia 11 de agosto, data magna do estado, e o dia 25 de novembro, festa litúrgica de Santa Catarina de Alexandria.[201][202] Estes feriados foram oficializados através das leis n.º 10 306/1996 e 12 906/2004, ambas revogadas pela Lei Estadual n.º 16 719/2015.[201][202]

Ver tambémEditar

Notas

  1. Veja a localização dos climas do mundo em Ficheiro:World Koppen Map.png.
  2. Ver seção de Etimologia acima.
  3. 1. O mesmo aluno pode ter mais de uma matrícula. 2. O mesmo professor pode atuar em mais de uma etapa e/ou modalidade de ensino.

Referências

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