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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMarmosa paraguayana[1]
Cuíca - Marmosa paraguayana.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Marsupialia
Ordem: Didelphimorphia
Família: Didelphidae
Subfamília: Didelphinae
Gênero: Marmosa
Espécie: M. paraguayana
Nome binomial
Marmosa paraguayana
(Tate, 1931)
Distribuição geográfica
Tate's Woolly Mouse Opossum area.png
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Marmosa paraguayana

Marmosa paraguayana é uma espécie de marsupial da família Didelphidae. Pode ser encontrada na Argentina, Paraguai e Brasil.[2]

Descrição

Marmosa paraguayana é um marsupial de pequeno porte, com dorso de coloração cinza, lateral semelhante ao dorso, levemente mais amarelada, o abdome é coberto por alguns pêlos amarelos e outros pêlos de metade basal cinza e metade apical amarela, existe contraste entre a cor dorsal e ventral, a cabeça é cinza mais clara que o dorso e possui manchas escuras acima dos olhos; a pelagem uniforme é muito densa; as vibrissas ultrapassam os olhos e são densas. Os olhos são de tamanho médio; possui orelhas ovais e cheios de pêlos que são curtos e espalhados. As patas dianteiras possuem cor dorsal castanho, dedos castanho e amarelo, garras pouco desenvolvidas e almofadas claras bem desenvolvidas; as patas traseiras têm  cor dorsal creme com uma faixa de pêlos escuros junto à base dos dedos, garras pouco desenvolvidas com tufos ungueais branco ou amarelado curtos, mas relativamente encorpados. A cauda tem a mesma cor no dorso e ventre e é bem maior que o corpo, tem a metade basal inteiramente marrom e a metade apical despigmentada, aproximadamente 1 a 2 cm da base da cauda é coberta por pêlos similares aos pêlos dorsais do corpo, as escamas da cauda tem padrão espiralado de organização e de cada uma saem de três a cinco pêlos. Os nasais são mais largos posteriormente; estão presentes dois foramens lacrimais; a região interorbital tem crista sagital; não existe processo pós-orbital do crânio; mas existe processo pós-orbital no arco zigomático; o padrão de fenestração do palato é composto por forâmen incisivo, fenestra maxilo-palatina e forâmen palatal posterolateral, estão ausentes a fenestra maxilar e a fenestra palatina; o parietal e o alisfenóide estão em contato e a bula auditiva não apresenta asa timpânica. O segundo pré-molar é maior que o terceiro pré-molar nas dentições superior e inferior (P2>P3, p2>p3); além disso, o primeiro pré-molar superior, P1, é pequeno.

Pode ser diferenciada dos outros marsupiais do Planalto Atlântico de São Paulo pelo porte pequeno, coloração dorsal cinza, ventre coberto por alguns pêlos inteiramente amarelos ou de metade basal cinza e metade apical amarela, manchas negras acima dos olhos, pelagem homogênea muito densa e cauda com 1 a 2 cm da base coberta por pêlos semelhantes aos dorsais.

Dieta

A dieta insetívora-onívora, com maior consumo de artrópodes especialmente das ordens Coleoptera e Hymenoptera,o também animal faz o consumo de frutas.                                                                  

Hábito

O hábito é arborícola. Estudos que analisaram o desempenho de movimentação em suportes verticais observaram velocidade alta na escalada e rápida decisão de saltar entre suportes, saltando a distância máxima entre suportes (100 cm) e tiveram grandes alcances relativos no salto. Marmosa paraguayana freqüentemente utiliza abrigos entre 4,6 e 10,7 m de altura.

Reprodução

O período reprodutivo ocorre de outubro a março/maio e está relacionado com as chuvas, possivelmente ocorrem ao menos duas ninhadas em cada estação reprodutiva e em cada uma nascem de seis a 11 filhotes.

Distribuição geográfica

No leste/sudeste do Brasil já foi capturada em matas contínuas, secundárias ou maduras e em diversos fragmentos florestais, no Rio de Janeiro, como no Planalto de São Paulo, foi mais encontrado em fragmentos de mata do que em matas contínuas, não parece ser afetado pela fragmentação da floresta pois ocorre em fragmentos de áreas muito desmatadas e movimenta-se entre fragmentos de mata através de áreas abertas (por até 800 m), onde foi raramente visto. Já foi capturado em plantações de eucalipto mas não em áreas rurais e outros ambientes alterados ou bordas de fragmentos e corredores. Mais próximo ao litoral prefere áreas de restinga a manguezal, ou cobertura apenas por bromélias, mostrando a preferência por vegetações mais densas e estratos mais conectados. Em mata fragmentada no Rio de Janeiro a espécie parece adaptada a áreas fragmentadas e tolerante á presença antrópica.

Uso do espaço

A área de vida de um indivíduo varia de 0,8 ha até 2,45 ha para os machos e até 0,75 ha para fêmeas. Em fragmentos de mata maiores a área de vida chega a 10,7 ha para fêmeas e 24,2 ha para machos, havendo sobreposição da área de vida de machos e fêmeas e entre machos, mas entre fêmeas só quando há densidade populacional muito alta. A área de vida de machos é maior durante a época reprodutiva e depende da densidade da população. A distância coberta chega a 89,2 m/h, ou em média 582,8 m/noite para machos e 335,1 m/noite para fêmeas, o movimento máximo registrado em uma noite foi de 1140.

Ameaças

A espécie por conta de sua ampla distribuição, ocorrência em várias áreas protegidas, tolerância a certo grau de modificação de habitat e porque é improvável que a sua população esteja declinando a uma taxa requerida para ser classificada como espécie ameaçada, na lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) é considerada de menor preocupação. Por ser capaz de ocupar fragmentos de paisagens muito desmatadas e de cruzar áreas abertas, não parece sofrer ameaças relevantes.

Referências

  1. Gardner, A.L. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 3–18. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. a b Brito, D.; Astua de Moraes, D.; de la Sancha, N.; Flores, D. (2011). Marmosa paraguayana (em Inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2014 Versão 1. Página visitada em 11 de julho de 2014.

3.ROSSI, Natália Fernandes. Pequenos mamíferos não-voadores do Planalto Atlântico de São Paulo : identificação, história natural e ameaças [doi:10.11606/D.41.2011.tde-21092011-091459]. São Paulo : Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, 2011. Dissertação de Mestrado em Zoologia. [acesso 2018-07-05].vol I,P.50-54.

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