Meclemburgo[1] (em alemão: Mecklenburg; em baixo-alemão: Mekelnborg) é uma região localizada no norte da Alemanha que compreende a parte ocidental do estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. As maiores cidades da região são Rostock, Schwerin, e Neubrandenburg.

Meclemburgo, dividida entre o Grão-Ducado de Meclemburgo-Schwerin e o Grão-Ducado de Meclemburgo-Strelitz, no período 1866-1934

O nome Meclemburgo tem sua origem no Castelo de Meclemburgo ("Grande Castelo", em alto alemão antigo), localizado entre as cidades de Schwerin e Wismar. A região abrigou a Casa de Meclemburgo, que por algum tempo dividiu-se entre o Grão-Ducado de Meclemburgo-Schwerin e Grão-Ducado de Meclemburgo-Strelitz.

Geografia editar

Meclemburgo é conhecido pela uniformidade de suas terras. A maior parte compõe-se de pântanos, pequenos lagos e campos com florestas entremeadas. A paisagem se altera ao caminhar-se em direção ao mar Báltico

As terras de Meclemburgo são mais apropriadas para o pastoreio. A região é relativamente pobre quando comparada com o restante da Alemanha e possui taxas de desemprego altas.

História editar

Primórdios editar

Meclemburgo é o lugar de muitos dólmens pré-históricos. Acredita-se que seus primeiros habitantes eram de origem celta, mas até o ano 100 a.C., o território já estava ocupado por povos germânicos.

O símbolo tradicional de Meclemburgo, a cabeça de um novilho com boca arreganhada (stierkopf em alemão) e uma coroa em cima, surgiu nesse período. Representa de certa forma as vestimentas da época: o uso da cabeça de novilho como um tipo de chapéu.

Entre os séculos VII e XII, a região de Meclemburgo seria tomada por povos eslavos, como os obotritas e outras tribos conhecidas por fontes antigas como vendos. No século XI, Niklot dos obotritas fundou a dinastia de duques, posteriormente grão-duques, de Meclemburgo, que duraria até 1918.

Ao final do século XII, Henrique, o Leão, duque dos saxões, conquistou a região, subjugou seus líderes locais e cristianizou seus habitantes, uma medida que prenunciou as Cruzadas do Norte. Entre os séculos XII e XIV, muitos alemães e flamengos ocuparam a área (Ostsiedlung), trazendo a lei alemã e melhores técnicas de produção agrícola. Os vendos, que sobreviveram às guerras dos séculos anteriores, foram assimilados posteriormente.

Desde o século XII, o território permaneceu estável e relativamente independente de seus vizinhos. Durante a reforma, o duque de Schwerin foi convertido ao protestantismo. Logo o ducado de Meclemburgo também seria convertido.

História (1621-1933) editar

Da mesma forma que muitos territórios da Alemanha, Meclemburgo foi distribuído e redistribuído entre membros de uma dinastia. Em 1621, foi dividido em dois ducados: Meclemburgo-Schwerin e Meclemburgo-Güstrow. Com o fim da linhagem de Güstrow em 1701, as terras de Güstrow foram redivididas, com uma parte destinada ao duque de Meclemburgo-Schwerin e outra parte à nova linhagem de Meclemburgo-Strelitz.

Em 1815, os dois ducados se tornaram grão-ducados, e permaneceram como tal até a revolução alemã de 1918. De 1918 a 1933, na República de Weimar, os ducados foram estados livres.

História de 1934 em diante editar

Após três séculos de divisão, Meclemburgo foi unificado em 1934 pelo governo nazista.

 
Bandeira de Meclemburgo

Após a Segunda Guerra Mundial, o governo soviético, que havia ocupado a Alemanha Oriental, incorporou Meclemburgo à região vizinha da Pomerânia Ocidental para formar o estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Meclemburgo compreendia dois terços do território e possuía a maior parte da população. Os soviéticos modificaram o nome da região para Meclemburgo em 1947.

Em 1952, a Alemanha Oriental acabou com o estado independente de Meclemburgo, criando três distritos (Bezirke) no lugar: Rostock, Schwerin e Neubrandenburg.

Com a reunificação alemã em 1990, o estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental foi recriado, tornando-se um dos dezesseis estados da Alemanha.

Referências

  1. Fernandes, Ivo Xavier (1941). Topónimos e Gentílicos. I. Porto: Editora Educação Nacional, Lda. 

Ligações externas editar