Medicina alternativa

Pontos de acupuntura (Dinastia Ming)

O termo medicina alternativa ou terapia alternativa é comumente usado para descrever práticas médicas diversas da medicina convencional. Ela difere também das medicinas antigas baseadas em tradição.

A medicina convencional progressivamente incorpora todas as descobertas que favorecem a manutenção e restauração da saúde. Assim, o que estiver validado, mesmo que inicialmente não convencional na comunidade científica ou meio médico, com mais ou menos tempo, virá fazer parte do arsenal de diagnose e terapia um bom exemplo desse processo é o desenvolvimento da fitoterapia em relação a indústria farmacêutica.

Alguns pesquisadores de história da medicina e sociologia médica indicam que uma definição mais adequada para a medicina alternativa seria o conjunto de práticas de diagnose e terapia sem a apropriada validação científica, ou que sejam consideradas inacessíveis ao método científico experimental, o que neste último caso podem ocorrer, por mecanismos fisiológicos não conhecidos, nas práticas de cura via métodos metafísicos e espirituais, diferentemente das práticas médicas convencionais.

A homeopatia, por exemplo, que é uma das formas mais conhecidas de terapia alternativa, tem como base um conjunto de crenças mágicas nunca comprovadas cientificamente, como a 'cura pela semelhança' e a 'memória da água',[1] não tem efeito além do placebo em testes duplo ou triplo-cego,[2][3] e ainda assim é considerada uma especialidade médica no Brasil.

Evidências de formas similares ou mais primitivas destas novas terapias praticadas, podem ser identificadas em outras culturas ou ao longo da história em escavações arqueológicas, como por exemplo no Egito, descoberta na tumba de Ankhamor, o "Médico" egípcio, com data de 2 330 a.C., mostra uma forma de "terapia de reflexo" nos pés e nas mãos. Outro exemplo é a acupuntura, prática milenar chinesa, sendo que, enquanto esta é uma forma de terapia reconhecida como especialidade médica e de outras profissões de saúde as citadas formas de reflexoterapia não o são. Embora, a comunidade científica não aceite a acupuntura como uma prática médica baseada em evidências, pois os escassos estudos a favor da prática são questionados em suas metodologias assim como a seriedade das suas publicações de peer review.[4][3]

Pictograma encontrado no Egito na tumba de Ankmahor 2.330 A.C

Medicina e CiênciaEditar

A Medicina tem como princípio adotar novos tratamentos apenas quando estes tem eficácia, indicações e segurança comprovados cientificamente. O uso de terapias por médicos sem o reconhecimento pelos órgãos competentes é proibido.

O termo "medicina alternativa" é comumente usado para descrever práticas médicas diversas da alopatia, ou medicina ocidental como visto. Contudo a utilização do termo medicina tem sido interpretado como exercício ilegal da profissão médica que nos termos da lei implica a restrição para o médico da prática de prescrever, ministrar ou aplicar, habitualmente, qualquer substância, bem como usar gestos, palavras ou qualquer outro meio (não inserido na prática médica) ou para os não médicos profissionais de saúde ou não, autodenominar-se médicos, prometer curas ou fazer diagnósticos sem ter habilitação médica.

Por outro lado em função da diversidade existente na prática médica associada a interpretação depreciativa do termo "alternativa' têm sido adotadas as expressões práticas integrativas e medicina complementar. Segundo Felice, (2000) [5] o campo da saúde comporta diferentes subunidades, as quais assumem posições distintas, quer pela sustentação teórica, quer pelo reconhecimento entre os sujeitos nas disputas no interior do campo, quer, ainda, pelo seu reconhecimento nos movimentos mais ampliados da sociedade. (p.60)

A postura da Organização Mundial de Saúde frente a utilização de tratamentos alternativos é a de orientar no sentido de ter cautela, devido ao fato de existirem muitos terapeutas despreparados seguindo teorias relacionadas a crenças, além de pessoas inescrupulosas que se valem da boa fé e falta de informação para ludibriar e obter benefícios próprios. Nos dias de hoje esta é uma recomendação válida na maioria das situações do cotidiano, e ocorre em todos os setores profissionais e comerciais.

Reconhecimento científicoEditar

O princípio da hierarquia das evidências postulado por Sackett em 1989[6] estabelece as possíveis formas de verificar a validade de técnicas diagnósticas e terapêuticas:

  1. . Técnicas cujos resultados diferem em função do pesquisador, respeitada a igualdade de condições dos experimentos são consideradas sob avaliação, ou invalidadas. Apesar da validade dos relatos de caso no sentido de estimular novas hipóteses, a evidência anedótica não é considerada válida na medicina.

Modalidades e formas de acessoEditar

As terapias alternativas possuem princípios de ação catalogados por seus organizadores e teóricos, e incluem diferentes formas de acesso. Para efeitos didáticos, quanto à forma deste acesso pode-se diferenciá-las em:

  1. terapias que adotam o uso interno de substâncias de origem vegetal, animal ou mineral, que podem ser concentradas (Ayurveda, Fitoterapia), diluídas (Homeopatia, Florais e Aromaterapia), ou que utilizam meios físicos (Hidrocólonterapia, Ayurveda, Acupuntura, Moxabustão e Quiropraxia);
  2. terapias que adotam o uso externo de substâncias de origem vegetal, animal ou mineral (Ayurveda, Cristaloterapia e Hidroterapia);
  3. terapias que não utilizam substâncias (Cromoterapia, Reiki e Calatonia).

Os codificadores e estudiosos das terapias alternativas muitas vezes buscam explicaçoes para a ação curativa na Física Moderna, embora em quase todos os casos o efeito da vontade pareça ser o fator mais relevante. A Psicologia Junguiana também pode contribuir para a compreensão dos mecanismos de cura despertados pelas terapias alternativas, especialmente no que tange ao estudo dos rituais e seus efeitos.

São consideradas, entre outras, práticas de medicina alternativa:

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. Uma Introdução à Homeopatia http://www.universoracionalista.org/uma-introducao-a-homeopatia/
  2. Evidence on the effectiveness of homeopathy for treating health conditionshttps://www.nhmrc.gov.au/_files_nhmrc/publications/attachments/cam02a_information_paper.pdf Arquivado em 5 de fevereiro de 2016, no Wayback Machine.
  3. a b O homem que derrubou as terapias alternativas com a ciência http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/26/ciencia/1451149669_854409.html
  4. An Industry of Worthless Acupuncture Studies https://sciencebasedmedicine.org/an-industry-of-worthless-acupuncture-studies/
  5. Barros, Nelson Filice de. Medicina complementar, uma reflexão sobre o outro lado da prática médica. SP, Annablume: FAPESP, 2000
  6. Burns PB, Rohrich RJ, Chung KC. The Levels of Evidence and their role in Evidence-Based Medicine. Plastic and reconstructive surgery. 2011;128(1):305-310. doi:10.1097/PRS.0b013e318219c171.

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar


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