Meditações

Meditações (em grego Τὰ εἰς ἑαυτόν, Ta eis heautón literalmente "[pensamentos/escritos] endereçados a si mesmo") é o título de uma série de escritos pessoais do imperador romano Marco Aurélio onde ele apresentou suas ideias sobre a filosofia estoica.

Marco Aurélio escreveu os doze livros das Meditações em grego, como uma fonte para sua própria orientação e para se melhorar como pessoa. É possível que grande parte da obra tenha sido escrita em Sírmio, onde ele passou muito tempo planejando campanhas militares entre os anos de 170 a 180. Sabe-se que partes dela foram escritas enquanto ele estava acampado em Aquinco, na Panônia, devido a notas na própria obra que indicam que o segundo livro foi escrito durante suas campanhas contra os quados, no rio Granova (atual Hron); já o terceiro livro foi escrito em Carnunto. Não se sabe ao certo se ele teve a intenção de publicar seus escritos. O título "Meditações" é apenas o mais célebre dentre diversos outros comumente designados à coleção. A obra segue o formato de citações, que variam em tamanho, de uma frase a parágrafos longos.

Suas ideias estoicas frequentemente giram em torno do controle das emoções, de habilidades, as quais, segundo o autor, libertariam o homem das dores e dos prazeres do mundo material. A única maneira de um homem ser atingido pelos outros seria se ele permitisse que sua reação tomasse conta de si. Marco Aurélio não mostra qualquer fé religiosa em particular nos seus escritos, mas parecia acreditar que algum tipo de força lógica e benevolente organizasse o universo de tal maneira que até mesmo os acontecimentos "ruins" ocorressem para o bem do todo.[1]

TrechosEditar

“Comece a manhã dizendo a si mesmo, eu me encontrarei com o intrometido, o ingrato, arrogante, enganador, invejoso, anti-social. Tudo isso acontece com eles por causa de sua ignorância do que é bom e mau.” (II,1)[1]

“Que grande alma é aquela que está pronta, em qualquer momento necessário, para ser separada do corpo e depois extinguida ou dispersa ou continuar a existir; mas de modo que esta disponibilidade venha do próprio julgamento do homem, não de mera obstinação, como com os cristãos, mas com ponderação e dignidade e de modo a convencer outro, sem demonstração dramática.” (XI,3)”[1]

“Se um homem está equivocado, instrua-o gentilmente e mostre-lhe seu erro. Mas se não for capaz, culpe-se a si mesmo, ou não culpe nem a si mesmo.” (X,4)[1]

"Este é o ponto principal: Não se perturbe, porque todas as coisas estão de acordo com a natureza do universal; e em pouco tempo não será ninguém e em lugar nenhum, como Adriano e Augusto”. (VIII, 5)[1]

"Lembre-se de que mudar sua opinião e seguir aquele que corrige seu erro é tão consistente com a liberdade quanto persistir em seu erro.” (VIII, 16)[1]

Leitura AdicionalEditar

TraduçõesEditar

Ligações externasEditar

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  1. a b c d e Marco Aurélio; Pires Vieira (2019). Meditações. São Paulo: Montecristo Editora. ASIN B07ZMJ7812. ISBN 9781619651654