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Michel Houellebecq

Michel Houellebecq
Michel Houellebecq em Varsóvia, 9 de junho de 2008
Nome completo Michel Thomas
Nascimento 26 de fevereiro de 1956 (63 anos)
Reunião, França
Residência Espanha
Nacionalidade França Francesa
Ocupação Escritor
Prémios Prix Tristan-Tzara (1992)
Prix de Flore (1996)
Prix Novembre (1998)
Melhor Livro do Ano (1998)
Prêmio Literário Internacional IMPAC de Dublin (2002)
Prix Interallié (2005)
Prêmio Goncourt (2010)
Magnum opus As Partículas Elementares
Página oficial
http://www.houellebecq.info/

Michel Houellebecq, nascido Michel Thomas (Ilha da Reunião, 26 de fevereiro de 1958), é um escritor francês. Ficiconista, poeta, ensaísta, realizador, argumentista, Houellebecq é um dos mais traduzidos autores franceses contemporâneos, e também um dos mais controversos.[1] Michel Houellebecq é o enfant terrible da literatura francesa atual. Odiado e amado, os seus livros abordam sempre temas na moda e são altamente polémicos, porque ele tem sempre um ponto de vista iconoclasta sobre os problemas.[2]

Seus romances Partículas Elementares e Plataforma lhe valeram uma reputação internacional de provocador, embora sejam também frequentemente considerados como um sinal de renovação da literatura francesa. Com o livro La Carte et le Territoire, Michel Houellebecq recebeu o prêmio Goncourt de 2010, o mais prestigioso da literatura francesa.[3][4]

Michel Houellebecq (2008)

BiografiaEditar

É filho de Lucie Ceccaldi, médica anestesista francesa nascida na Argélia, e de René Thomas, instrutor de esqui e guia de alta montanha. Ele declara que os pais se desinteressaram rapidamente dele, sobretudo após o nascimento de uma meia-irmã. Assim, foram os avós maternos que o criaram, na Argélia. Com seis anos, mudou-se para França com a avó paterna, Henriette, cujo sobrenome adotou.

Após estudos num liceu em Meaux, entrou na classe preparatória para as grandes écoles, no Liceu Chaptal de Paris. Em 1975, começou a estudar no Institut national agronomique Paris-Grignon (INA P-G). Nesta escola, fundou a efêmera revista literária Karamazov, para a qual escreveu alguns poemas, e começou a realizar o filme intitulado Cristal de souffrance.

Saiu diplomado da escola em 1978, com a imprevista especialização em "Valorização do meio natural e ambiental".

Aos 16 anos começou a ler H.P. Lovecraft, mestre estado-unidense da literatura de fantasia e terror. Em 1991 dedicaria um ensaio a Lovecraft.

BibliografiaEditar

Seu primeiro romance, Extensão do Domínio da Luta (Extension du domaine de la lutte), foi publicado em 1994. O livro contém o tema principal de seus romances: a miséria afectiva das pessoas em nossa época.

Partículas Elementares (Les Particules élémentaires) provocou uma tempestade nos meios literários, dentro e fora da França, em 1998. O romance foi chamado "pornográfico". De fato o livro dá toda margem a tais interpretações, na medida em que explicitamente descreve as aventuras sexuais do irmão do protagonista, com riqueza de detalhes, em situações típicas de filmes pornô. Evidentemente não é por essa razão que Houellebecq tem sido valorizado. Neste mesmo livro, sua discussão central não é o sexo, mas uma história do ser humano, da humanidade, ternamente elaborada e narrada de modo singular e, segundo alguns, absolutamente genial. Segundo outros, porém, Houellebecq "é o mais sobrevalorizado dos escritores a despontar na virada de século", utilizando-se de "todas as soluções de facilidade que os formulários das ficções mais vendidas têm presentemente a oferecer".[4]

Seu livro, A possibilidade de uma ilha, é também uma discussão sobre o que é o ser humano, tomando como premissa uma nova raça, os "neohumanos", como comentaristas da vida de seus antecessores clonados - sendo esta uma marca constante do autor. O livro não teve o efeito tsunami de Partículas Elementares, sendo menos incisivo - embora muito mais refinado do que aquele.

Com o seu livro "La carte et le territoire" (no Brasil, O Mapa e o Território; Record, 2012), lançado em setembro de 2010, venceu o prestigiado prêmio Goncourt.

Seu mais novo romance foi "Submissão". França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências - ao contrário do que ele poderia esperar - não serão necessariamente desastrosas.[5]

PolêmicasEditar

No mesmo ano do seu lançamento, La carte et le territoire tornou-se objeto de uma grande polêmica, depois que o site Slate.fr afirmou que o continha trechos transcritos da Wikipédia francesa, sem atribuição de crédito. O artigo, intitulado "A possibilidade do plágio", aponta pelo menos três passagens de "La carte et le territoire" que aparentemente teriam sido "emprestadas" da edição francesa da enciclopédia. A licença CCbySA 3.0, utilizada pela Wikipédia, permite o uso livre mas exige a menção da fonte. Os verbetes em questão falam sobre a mosca-doméstica, a cidade de Beauvais e um ativista francês. Além disso, o mesmo site indica a possibilidade de que o escritor tenha copiado a descrição do trabalho de agentes da polícia francesa (do site do Ministério do Interior da França) e a descrição de um hotel no sul da França (da página do próprio hotel).[6]

Além das polémicas devidas a seus livros, suas declarações à midia têm sido tomadas contra ele. Houellebecq tem dito que a clonagem possui mais valores humanistas do que o aborto, ou que a religião mais estúpida é o islão.

Bibliografia em francês e portuguêsEditar

RomancesEditar

PoesiaEditar

  • 1988 : "Quelque chose en moi", La Nouvelle Revue de Paris, ed. du Rocher.
  • 1992 : La Poursuite du bonheur, ed. de la Différence. Laureado com o Prêmio Tristan Tzara.
  • 1995 : La Peau, poemas, no livro de desenhos da artista francesa Sarah Wiame.
  • 1996 : La Ville, poemas, no livro de desenhos da artista Sarah Wiame.
  • 1996 : Le Sens du combat, Flammarion. Laureado com o Prix de Flore.
  • 1997 : Rester vivant e edição revista de La Poursuite du bonheur, Flammarion.
  • 1999 : Renaissance, Flammarion.
  • 2000 : Poésies, J'ai lu.
  • 2010 : Poésie, Flammarion.

EnsaiosEditar

  • 1991 : H.P. Lovecraft. Contre le monde, contre la vie, ed. du Rocher.
  • 1991 : Rester vivant, método, La Différence.
  • 1998 : Interventions, coletânea da artigos, Flammarion.
  • 2009 : Interventions 2, coletânea da artigos, Flammarion.

Textos e NovelasEditar

  • 1993 : Genius Loci, obra coletiva, La Différence, coleção Mobile matière.
  • 1995 : "Approches du désarroi", Objet perdu. Idées - Fictions - Images, álbum coletivo, Parc.
  • 1997 : Dix, coletânea de novelas de vários autores, ed. Grasset & Fasquelle /Les Inrockuptibles.
  • 1997 : Participação na "Question pédophile", revista L'Infini, n°59, Gallimard.
  • 2000 : Lanzarote, relato sobre fotografias, Flammarion.
  • 2000 : "Rudi", Elle, n°1648, suplemento "Une nouvelle inédite".
  • 2000 : "La Privatisation du monde", revista L'Atelier du Roman, n°23.
  • 2000 : Redação do artigo "Neil Young" no Dictionnaire du Rock, Robert Laffont, coleção Bouquins.
  • 2002 : Lanzarote et autres textes, Librio.
  • 2002 : Europe Endless, edição do autor.
  • 2002 : Participação na Balade en Seine et Marne. Sur les pas des écrivains de Dominique Noguez , ed. Alexandrines.
  • 2003 : « J'ai un rêve », Bordel', n° 3, Flammarion.
  • 2004 : Uma novela em Des nouvelles du Prix de Flore, Flammarion.
  • 2005 : Rester vivant et autres textes, Librio.

PrefáciosEditar

  • 1991 : L'Odeur des Jacinthes de Remy de Gourmont, antologia poética (seleção e apresentação de Michel Houellebecq), La Différence.
  • 1998 : Posfácio de SCUM Manifesto de Valerie Solanas, Mille et une nuits.
  • 2003 : Posfácio de Érotoscope de Tomi Ungerer, Taschen.
  • 2003 : "Préliminaires au positivisme", prefácio de Auguste Comte aujourd'hui, obra coletiva, ed. Kimé.
  • 2005 : Prefácio de Théorie générale de la religion ou théorie positive de l'unité humainede Auguste Comte, Mille et une nuits.
  • 2008 : Introdução de Jeff Koons : Versailles, catálogo de exposição, ed. Xavier Barral.
  • 2010 : Prefácio de Un roman français de Frédéric Beigbeder, Le Livre de Poche.

CorrespondênciaEditar

Referências

  1. Houellebecq imagina a França governada por um muçulmano, Público, 27 de dezembro 2014
  2. http://www.wook.pt/authors/detail/id/163634
  3. Jornal Libération (8 de novembro de 2010). «Le Goncourt consagra Michel Houellbecq» 
  4. a b Equívocos da 'pós-contemporaneidade', por Leda Tenório da Motta. Premiado com o Gouncourt, O Mapa e o Território junta todos os elementos de um autor sobrevalorizado: Michel Houellebecq. O Estado de S.Paulo, 12 de maio de 2012.
  5. "Pedro Sette-Câmara (23 de junho de 2019). «"Por que Michel Houellebecq é o escritor mais importante do século XXI» 
  6. Michel Houellebecq é acusado de plagiar a Wikipédia em novo livro. Caderno Ilustrada - Folha.com (através da [[France Presse]]). Consultado em 6 de setembro de 2010.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Michel Houellebecq