Miguel Maurício Ramalho

Miguel Maurício Ramalho (Lisboa, ? — Lisboa, ? [c. séc. XVIII]) foi um escritor português, mestre de primeiras letras em Lisboa,[1] crítico do Verdadeiro Método de Estudar de Luís António Verney,[2] e autor do poema épico Lisboa reedificada (1780).[3]

Poema épico Lisboa reedificadaEditar

Na opinião de Inocêncio Francisco da Silva, "Este poema de nove cantos em oitavas rythmadas, que tem por assumpto principal a reedificação da cidade feita sobre as ruinas do terremoto de 1755 ... não transcende as raias da mediocridade." [1]

Segundo Estela J. Veira, da Universidade de Yale, "Lisboa Reedificada assemelha-se ao clássico camoniano, na medida em que incorpora figuras e deuses míticos ... Cada um dos cantos de Lisboa Reedificada narra-se a partir do ponto de vista de uma figura mítica, que canta o valor e o sofrimento dos portugueses. O poema sugere que os portugueses são um povo escolhido para padecer este nobre sacrifício que é a dor ... Esta perspectiva ajuda o povo a sofrer a dor porque dá ao sacrifício um propósito transcendental. O autor refere-se frequentemente à história clássica e compara episódios desta com a história portuguesa. Ramalho também relaciona a celebridade de Roma, nascida da destruição de Tróia, com Lisboa. A nova capital portuguesa será, portanto, superior ao que era antes do Terramoto. ... Para além de observar a prosperidade da cidade, o autor considera [também] o sofrimento do povo. Este é comparado, como numa guerra, com a aflição necessariamente sofrida para chegar à vitória." [4]

Referências

  1. a b Inocêncio Francisco da Silva, Dicionário Bibliográfico Português, Tomo VI (Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1858), pp. 244–245.
  2. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 24 (Editorial Enciclopédia, 195?), p. 324.
  3. Miguel Mauricio Ramalho, Lisboa reedificada: poema-epico (1780) – e-Livro Google.
  4. Estela J. Veira, "Escrever depois de uma catástrofe: o Terramoto de 1755 e a literatura portuguesa", in O Grande Terramoto de Lisboa: Ficar Diferente (Gradiva, 2005), pp. 274–275.
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