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A reprodução de um Hilarri, uma lápide basca de 1736 com símbolos normalmente encontrados.

A mitologia dos antigos bascos, em grande parte, não sobreviveu à chegada do cristianismo no País Basco entre os séculos IV e XI d.C. A maior parte do que se sabe sobre os elementos originais desse sistema de crenças baseia-se na análise de lendas, no estudo de topônimos e em referências históricas escassas a rituais pagãos praticados pelos bascos.

Uma importante figura deste sistema de crenças era a personagem feminina Mari. De acordo com as lendas coletadas na área de Ataun, a outra importante figura era seu marido Sugaar. No entanto, devido à escassez do material, é difícil dizer se esse teria sido o "par central" do panteão basco. Com base nos atributos dessas criaturas mitológicas, poderia ser considerado uma religião ctônica, pois todos os seus personagens residem na terra ou abaixo dela, com o céu visto principalmente como um corredor vazio através do qual as divindades passam.

Fontes históricasEditar

As principais fontes de informação sobre crenças bascas não-cristãs são:[1]

  • Estrabão, que menciona o sacrifício de cabras e humanos;
  • escritores árabes da época da conquista dos omíadas pela Hispânia;
  • o diário do século XII do peregrino Aymeric Picaud;
  • várias fontes medievais fazendo referências a rituais pagãos, incluindo os registros da Inquisição;
  • coleções do século XIX e XX de mitos e contos populares como, por exemplo, por José Miguel Barandiaran (este é de longe o maior corpo de material relacionado a crenças e práticas não-cristãs);
  • o estudo moderno dos nomes de lugares no País Basco.

Personagens e criaturas míticasEditar

 
Caverna mostrando o rosto da deusa Mari
  • Aatxe: ou Etsai é um espírito maligno que habita as cavernas e adota a forma de um jovem touro vermelho, mas, sendo um metamorfo, às vezes toma a forma de um homem.
  • Atxular e Mikelatz são filhos de Mari, entre outros.
  • Basajaun: o "homem selvagem das madeiras" e sua equivalente feminina, Basandere.
  • Eki: a divindade solar, filha de Lurbira.
  • Galtzagorriak são um tipo específico de iratxoak (diabretes).
  • Gaueko é um personagem maligno da noite.
  • Herensuge é o nome de um dragão que desempenha um papel importante em algumas lendas.
  • Erge é um espírito maligno que leva a vida dos homens.
  • Ilargi ou Ile são os nomes conhecidos da Lua, também uma filha de Ama Lur.
  • Iratxoak: diabretes.
  • Jean de l'Ours, um homem nascido de uma relação entre uma mulher e um urso;
  • Jentilak (gentios): gigantes, às vezes retratados jogando pedras nas igrejas. Acredita-se que eles sejam pagãos bascos, vistos de um ponto de vista parcialmente cristianizado. Um jentil sobrevivente é Olentzero, o equivalente basco do Papai Noel.
  • Lamiak, um tipo de ninfa com pés de pássaros que habitavam rios e nascentes.
  • Mairuak ou Intxisuak são o equivalente masculino de Lamiak na região dos Pirineus, onde se diz que eles construíram os cromeleques.
  • Mari é representada sob muitas formas diferentes: às vezes como várias mulheres, como diferentes animais vermelhos, como o bode preto, etc. Seu marido Sugaar, no entanto, aparece apenas como um homem ou uma serpente/dragão. É dito que Mari é servida pelas sorginak, criaturas semimitais impossíveis de diferenciar das bruxas ou sacerdotes pagãos. Segundo a lenda, o grupo de bruxas perto de Zugarramurdi reuniu-se no campo Akelarre e foi alvo da maior caça às bruxas da Inquisição Espanhola, em Logroño. Como resultado, "akelarre" em basco e "aquelarre" em espanhol são hoje ainda os nomes locais do Sabá das Bruxas.
  • Odei é a personificação das nuvens de tempestade.
  • San Martin Txiki, um popular personagem cristão local, é um trapaceiro.
  • Sorginak são seres mitológicos que viajam com Mari e com as bruxas verdadeiras.
  • Tartalo: o equivlente basco do greco-romano Ciclope.

A controvérsia de UrtziEditar

Urtzi pode ou não ter sido uma figura mitológica basca. Há evidências que podem ser lidas como apoiando ou contradizendo a existência de tal divindade. Até hoje, nenhuma das duas teorias conseguiu convencer os mitólogos plenamente.

Mitos do período históricoEditar

Após a cristianização, os bascos continuaram produzindo e importando mitos.

ReferênciasEditar

  • Ortíz-Osés, A. Antropología simbólica vasca Anthropos, 1985. El matriarcalismo vasco Universidad de Deusto, 1988. El inconsciente colectivo vasco, 1982.
  • Barandiaran, J.M. Mitologia Vasca Txertoa, 1996
  • Hartsuaga, J.I. Euskal Mitologia Konparatua, Kriseilu, 1987.
  • La Paglia, Antonio. Beyond Greece and Rome: Faith and Worship in Ancient Europe, Black Mountain Press, 2004.
  • Everson, M. Tenacity in religion, myth, and folklore: the Neolithic Goddess of Old Europe preserved in a non-Indo-European setting, Journal of Indo-European Studies 17, 277 (1989). [1]
  • Satrústegi, J (1996). «Haitzuloetako euskal mitologia». Euskal Mitologia. 68. 165–174 
  • Arriaga, J. (1984). «Euskal mitologia». Gero 
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  • Kasper, M. Baskische Geschichte (1997) Primus ISBN 3-89678-039-5