Molniya-1T

Molnya-1Т (11F658T)
Maquete de um satélite Molniya em exposisão no museu de Le Bourget
Características Gerais
Fafricante União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Rússia OKB-1
País de Origem União das Repúblicas Socialistas Soviéticas URSS, Rússia Rússia
Plataforma Kaur-2
Tipo de missão Satélite de comunicação
Órbita Órbita elíptica alta
Operação União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Forças Armadas da União Soviética, Rússia Força Espacial Russa
Vida útil 7 a 8 anos[1]
Antecessor Molniya-1+
Sucessor Meridian
Produção e Operação
Situação em processo de retirada de serviço
Construídos 37
Em operação 1-2
Primeiro lançamento 02 de abril de 1983
Último lançamento 18 de fevereiro de 2004
Veículo Lançador Molniya 8K74
Configuração típica
Massa 1.600 kg
Alimentação 930 W
Motor de estabilização KDU-414
Largura 8,2 m
Altura 4,4 m

Molnya-1T, (código GRAU: 11F658T), é a designação da terceira série de satélites de comunicação da União Soviética, depois Rússia. Uma versão melhorada do satélite Molniya-1+, o Molniya-1T, era parte de um sistema de comunicação e controle para a Força Estratégica de Mísseis.

O seu desenvolvimento teve início em 1979 com o primeiro lançamento do Molnya-1T ocorrendo em 2 de Abril de 1983, tendo entrado em serviço efetivo em 1987. Desde 2006, está sendo substituído paulatinamente pelo satélite "Meridian".

HistóriaEditar

O satélite "Molniya-1T" representa a evolução dos satélites Molniya-1+, que por sua vez foi a primeira evolução do Molniya-1, também desenvolvido pelo OKB-10 (atual ISS Reshetnev).

O satélite Molniya-1 foi originalmente projetado para trabalhar de forma individual, e para isso, era lançado numa órbita bem específica de modo a privilegiar as condições de luminosidade para as células solares. Depois de receber a documentação sobre o Molniya-1, o OKB-10 modificou o satélite para trabalhar num sistema de no mínimo três satélites, permitindo o seu uso em todas as condições de iluminação. No modelo Molniya-1+ foram aprimoradas as antenas de transmissão, as fontes de alimentação e o sistema de controle de temperatura.

Em 1967, dois "Molniya-1+" e um "Molniya-1" formaram o primeiro sistema de comunicação por satélite soviético, adotado em 1968 em caráter experimental. O sistema permitia comunicações telefônicas e telegráficas, além de transmitir a programação da TV estatal usando 20 antenas com 12 m de diâmetro especialmente criadas para isso, o sistema Órbita. Em consequência desse sistema, no início de 1968 o público desses programas de televisão chegou a 20 milhões de pessoas.[2]

No período entre 1965 e 1967 houve a decisão de estabelecer o satélite Molniya-1+ como a base de um sistema de comando e controle de comunicação militar chamado "Corundum". Sistema esse que entrou em serviço em 1975, e o número de satélites no sistema aumentou de quatro para oito.

Um sistema mais moderno identificado como "Emery" foi iniciado em 1983 com os voos de teste do satélite Molnya-1T. Essa nova versão do sistema, identificada como "Corundum-M", consistindo de oito satélites "Molnya-1T", foi colocada em serviço em 1987.[3]

ObjetivoEditar

 
A rota no solo dos satélites Molniya.

O satélite Molniya-1T tinha como objetivo permitir as comunicações de comando e controle da Força Estratégica de Mísseis. Como parte do sistema "Emery" fez parte do complexo de sistemas de comunicação das forças armadas, garantindo o comando e controle das comunicações de rádio em estações móveis "Surgut", sob a responsabilidade do Ministério da Defesa

Cada grupo operacional de satélites "Molniya-1T", consistia de oito unidades atuando sobre o Hemisfério norte, numa órbita específica, com apogeu de 40.000 km e perigeu de 500 km. Esse grupo de satélites era dividido em quatro pares, cada um se movendo num intervalo de 6:00 horas entre um e outro. As rotas desses pares eram separadas por 90° de longitude, ou seja, oito satélites cobriam todo o Mundo. O seu apogeu exagerado permitia ao primeiro grupo, uma cobertura praticamente contínua dos territórios da Sibéria Central e da América do Norte, enquanto o segundo grupo cobria a Europa Ocidental e o Pacífico.

Além de tudo isso, os satélites "Molniya-1T" foram usados mais recentemente para estabelecer comunicação e gerenciar o sistema operacional "Regul" com o segmento russo (módulo "Zvezda") da ISS, equivalente ao sistema TRDS dos Estados Unidos.[3]

Carga útilEditar

Diferente do Molniya-1, o Molniya-1T usa antenas do tipo "quatro hélices" no lugar daquelas do tipo "guarda chuva". Além disso, o "Molnya-1T" foi construído já usando a tecnologia de estado sólido (transistores), com potência de 40 watts. O sistema era operado na frequência de 0/0.8 GHz.[4] No total, esses satélites tinham três unidades repetidoras: uma operacional e duas reservas, para transmissão ou retransmissão de canais de múltiplas vias para comunicações de rádio, telefone, telégrafo e televisão.[5]

PlataformaEditar

 
Close de um satélite Molniya, em destaque os reservatórios de nitrogênio esféricos para alimentação do sistema de orientação do satélite.

Assim como seu antecessor, o satélite "Molniya-1T" foi construído cobre a plataforma Kaur-2.

Essa plataforma, consistia de um compartimento cilíndrico pressurizado com os equipamentos de serviço e retransmissão, que era interligado com seis painéis solares, um módulo de propulsão para controle de atitude e correção orbital na forma de um cone truncado, além de antenas, radiadores externos, sistema de controle de temperatura, sistemas de controle geral, reservatórios de nitrogênio esféricos para o sistema de orientação. O corpo do satélite ficava orientado longitudinalmente para o Sol, e as antenas montadas externamente ficavam permanentemente voltadas para a Terra.[5]

Diferente dos satélites "Molniya-1+" cuja vida útil estimada era de 3 a 4 anos, o "Molniya-1T" tinha a vida útil aumentada para 7 a 8 anos.[3]

Sistema de controle de atitudeEditar

Os satélites "Molniya-1" tinham um único sistema de controle de orientação, onde um giroscópio controlava as atitudes do satélite em relação ao seu centro de massa. Como os painéis solares estavam firmemente presos ao corpo do satélite, ele precisava apontar para o Sol o tempo todo. Isso era conseguido com a ajuda de um grande giroscópio montado dentro do satélite.

Assim que o satélite se separava do último estagio do foguete e estava apontando para o Sol, o giroscópio começava a girar numa alta taxa de RPMs. Dessa forma, o giroscópio mantinha o eixo do satélite apontando para uma direção fixa no espaço. O giroscópio montado nos satélites "Molniya-1", estava associado a um sistema de molas e amortecedores para reduzir a vibração, mantendo o giroscópio suspenso dentro do corpo do satélite. Apesar da parte mecânica ser complexa, a parte eletrônica do sistema era bem simples e confiável, e por muitos anos, funcionou sem falhas nesses satélites. Associado ao sistema giroscópico, o micromotor KDU-414, alimentado por nitrogênio comprimido era acionado para corrigir pequenos desvios da posição predeterminada devido a alterações de trajetória eventuais. A combinação de um potente giroscópio com micromotores, criou uma combinação de excelente custo benefício para sistemas de orientação, com mínimo consumo de combustível.[5]

Lista de lançamentos do Molniya-1TEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Новая «Молния» красноярцев». Журнал «Новости Космонавтики». 2001. Consultado em 21 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 10 de março de 2012 
  2. «Спутникостроители с берегов Енисея (НК, 1999/9)». Журнал Новости Космонавтики. Consultado em 2 de outubro de 2010. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2012 
  3. a b c «В полете – военный спутник связи». Журнал «Новости Космонавтики». 2003. Consultado em 19 de janeiro de 2010. Cópia arquivada em 10 de março de 2012 
  4. «Molniya-1T». Encyclopedia Astronautica. Consultado em 22 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 12 de julho de 2012 
  5. a b c «Спутник связи "Молния-1"». Журнал «Техника – молодёжи». Consultado em 22 de janeiro de 2011. Cópia arquivada em 10 de março de 2012 
  6. «Военный спутник "Molniya-1Т" сошел с орбиты». Lenta.ru,. 7 de abril de 2012. Consultado em 9 de abril de 2011. Cópia arquivada em 12 de julho de 2012 

Ligações externasEditar