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Museu Histórico Municipal José Chiachiri

Fachada do Museu Histórico José Chiachiri, um edifício em estilo eclético, projetado pelo arquiteto francês Victor Dubugras.

O Museu Histórico Municipal José Chiachiri é um equipamento cultural subordinado à Fundação de Esporte, Arte e Cultura (FEAC) do município de Franca, no interior do estado de São Paulo, Brasil. Foi criado em 1957 por iniciativa do jornalista José Chiachiri, o museu é a instituição responsável pela guarda, preservação e divulgação do patrimônio histórico do município e região. Encontra-se sediado na antiga Cadeia Pública de Franca, um edifício em estilo eclético, projetado pelo arquiteto francês Victor Dubugras, inaugurado em 1896 e tombado pelo Condephaat em 1997.[1]

O museu conserva um dos mais importantes acervos históricos do interior paulista[2], com aproximadamente 4.000 peças, relacionadas a acontecimentos e personalidades de destaque de Franca e demais cidades da região. Possui arquivo histórico e biblioteca especializada, mantém exposições temporárias e atividades educativas, culturais e comunitárias.[1] Mantém convênios de estágio com a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista.

HistóricoEditar

O Museu Histórico Municipal de Franca foi oficialmente estabelecido pela Lei Municipal nº 656 de 13 de setembro de 1957, sancionada pelo então prefeito Onofre Sebastião Gosuen, com o objetivo de garantir a preservação das evidências materiais da história de Franca e região. Não obstante, seu efetivo idealizador e fundador foi o jornalista José Chiachiri, responsável por conduzir, durante a década de 1950, uma intensa campanha de arrecadação de objetos para formar o acervo-base do futuro museu. Como resultado, diversos objetos foram doados pelo poder público e por famílias de Franca, de outras cidades do noroeste paulista e do sudoeste de Minas Gerais, viabilizando a iniciativa.[3][4]

A princípio, o museu foi instalado na antiga residência do capitão Acácio Alípio Pereira, na rua Doutor Júlio Cardoso, tendo sido aberto à visitação pública no dia 9 de março de 1959. Em 1970, visando acomodar as peças em um local mais adequado, o executivo municipal transferiu o museu para sua sede atual, a antiga Cadeia Pública da cidade (edifício também já ocupado pelo fórum da cidade, pela câmara de vereadores e pela prefeitura), projetada por Victor Dubugras e inaugurada em 1896. Após o falecimento de José Chiachiri em 1972, o museu teve sua denominação alterada, por meio da publicação do decreto 3.626 de 18 de maio de 1976, passando a agregar o nome do fundador.[4] Posteriormente, a historiadora e museóloga Margarida Borges Pansani assumiu a direção do museu, permanecendo à frente da instituição por mais de duas décadas.[5]

Ao longo de seus mais de 50 anos, o Museu Histórico Municipal "José Chiachiri" consolidou-se como um dos mais importantes museus históricos do interior paulista, sobretudo em função da reconhecida importância de seu acervo para a história da região nordeste de São Paulo, tendo sido objeto de pesquisas realizadas por diversos níveis de especialidades em diferentes áreas do conhecimento - nomeadamente aquelas conduzidas pela comunidade acadêmica da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca (embrião da atual Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista).

O museu mantém exposições permanentes e itinerantes, de longa e curta duração, realiza atividades de empréstimo de peças do acervo para instituições conveniadas, visitas monitoradas para estudantes e atividades de orientação à pesquisa e seleção de material para consultas. Também organiza lançamentos de livros e ciclos de debates e palestras sobre a história da região. Conta com biblioteca especializada e com o único arquivo climatizado da região. Recebe, em média, cem visitantes por dia.[1][5]

Em 2009, por ocasião das comemorações do aniversário de cinquenta anos da inauguração do museu, foram organizadas diversas atividades, em parceria com a Associação Paulo Duarte, destacando-se a exposição retrospectiva Retratando nossa história: uma apresentação do passado no presente e uma série de ações educativas com o tema Redescobrindo um acervo eclético.

EdifícioEditar

Desde 1970, o Museu Histórico Municipal "José Chiachiri" encontra-se sediado no edifício da antiga Cadeia Pública, inaugurado em 1896, situado na rua Campos Salles, na esquina com a rua General Carneiro, no centro de Franca. Seu projeto, em estilo eclético, com fortes reminiscências da arquitetura neo-romântica, foi elaborado pelo arquiteto francês Victor Dubugras.[3][4]

O edifício abrigou a Cadeia Pública e o Fórum francano até o ano de 1913, quando passou a ser utilizado como sede da Prefeitura Municipal, sob a denominação de Paço Municipal "Rui Barbosa". Posteriormente, serviu também de sede à Câmara de Vereadores. Em 11 de agosto de 1997, por meio do Decreto 7.420, o edifício foi tombado pelo Condephaat.[1][4]

AcervoEditar

O Museu Histórico Municipal "José Chiachiri" conserva um acervo de aproximadamente 4.000 peças, de tipologias, procedências e épocas variadas.[1][4] Trata-se de uma coleção de referência no que tange à história do noroeste paulista e encontra-se entre os mais importantes acervos históricos do interior de São Paulo.

O acervo é particularmente relevante no que se refere a objetos (documentos, manuscritos, fotografias, mobiliário, armas, indumentária, etc.) relativos ao povoamento, cotidiano e atividades econômicas da região antigamente denominada Sertão do Capim Mimoso, isso é, a área compreendida entre os rios Pardo e Sapucaí, em meio ao Caminho de Goiás, que hoje abrange o município de Franca e as cidades vizinhas do noroeste paulista e sudoeste mineiro. Igualmente rico é o núcleo de objetos de personalidades de destaque na região, sobretudo aquelas que viveram durante a primeira metade do século XX[1], e a hemeroteca, com coleções completas dos jornais que circularam em Franca entre 1881 e 1995.

Outro núcleo de destaque do museu refere-se à participação dos cerca de 700 voluntários francanos na Revolução Constitucionalista de 1932, documentada por meio de objetos como capacetes, uniformes, bombas, granadas, fotografias e documentos pertencentes aos combatentes. O museu também possui uma coleção de instrumentos musicais e objetos correlatos, (violinos, bandolins, trombones, acordeões, gramofones, vitrolas, discos de vinil, gravadores e equipamentos da Rádio Hertz, etc.), peças de porcelana, desenhos folclóricos, coleção filatélica, objetos geológicos e mineralógicos, peças de taxidermia, artefatos arqueológicos, etnográficos e etnológicos.[5]

O arquivo do museu, aberto ao público, compreende fontes manuscritas e impressas da Câmara Municipal e da Prefeitura de Franca. A biblioteca é especializada em história regional e mantém mais de 2.000 títulos de livros, 576 volumes de periódicos e 894 exemplares de manuscritos.[1][4]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g Comissão de Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 383.
  2. Sousa, Stella; Barbosa, Agnaldo & Brusadin, Leandro. «Desenvolvimento regional sob a ótica do turismo: estudo de caso do setor calçadista de Franca». TURyDES. Consultado em 1º de maio de 2011 
  3. a b «Museu Histórico promove homenagem ao patrono, José Chiachiri». Prefeitura de Franca. Consultado em 1º de maio de 2011 [ligação inativa]
  4. a b c d e f «Museu Histórico Municipal "José Chiachiri"». Prefeitura de Franca. Consultado em 1º de maio de 2011 [ligação inativa]
  5. a b c «Franca - Uma cidade com brilho próprio». Revista Turismo & Cia. Consultado em 20 de dezembro de 2010 [ligação inativa]

BibliografiaEditar

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo (2000). Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp. 383 páginas