Novelas do Minho

Novelas do Minho
Autor(es) Camilo Castelo Branco
Idioma português
País Portugal Portugal
Gênero Novelas
Editora Parceria A. M. Pereira
Formato 16 cm
Lançamento 1869-1877

Novelas do Minho é o título dado por Camilo Castelo Branco a um conjunto de oito novelas suas, que se situam na sua quase totalidade no Minho (norte de Portugal).
Camilo Castelo Branco escreveu as Novelas do Minho influenciado por Balzac.

Lista de NovelasEditar

As novelas, com uma única edição em vida do autor, foram publicadas em doze volumes pela Livraria Editora Matos Moreira & Cia., entre 1875 e 1877. Os doze volumes foram assim arranjados:

  • Gracejos que matam (Volume I, 1875)
  • O comendador (Volume II, 1876)
  • O cego de Landim (Volume III, 1876)
  • A morgada de Romariz (Volume IV, 1876)
  • O filho natural (Volumes V e VI, 1876)
  • Maria Moisés (Volume VII em 1876 e Volume VIII em 1877)
  • O degredado (Volume IX, 1877)
  • A viúva do enforcado (Volumes X, XI e XII, 1877)

ResumosEditar

Gracejos que matamEditar

Numa tarde de Verão, seis pessoas e o autor estão à beira-rio a conversar. Uma delas, Álvaro de Abreu tenta impressionar a prima, Irene, fazendo troça de tudo e todos. Quando finalmente alguém perde a paciência e lhe responde, ele não perdoa. Reclama um duelo para limpar a honra, mas acaba ainda mais embaraçado pois não sabe esgrimir. A prima perde o interesse por ele quando aparece um outro homem em cena e o rancor cresce ainda mais. O que se segue é a história das seis personagens, e como o destino delas é afectado pelo pequeno incidente.

O comendadorEditar

O comendador conta a história de Belchior Bernabé, um enjeitado, i.e. uma criança abandonada pela mãe à porta da igreja. Adoptado por uma viúva, ele vive em relativa paz até se apaixonar pela filha de um homem rico, a qual ele engravida. Furioso com a desonra, o pai dela e os irmãos dele arranjam maneira de o meterem na lista de recrutamento para o exército, e tranca a filha em casa. Com a ajuda de um parente, Belchior foge para o Brasil. Vinte anos depois, regressa a Portugal com outro nome e rico. Volta à aldeia e descobre que o que se passou com a apaixonada e o filho, e arranja maneira de finalmente se casar com ela.

O cego de LandimEditar

Narra a vida de António José Pinto Monteiro, conhecido como o cego de Landim, um ladrão e vigarista que faz fortuna no Brasil, aliado a um rapaz que lhe que serve de apoio depois de ele ter perdido a vista, e a um polícia corrupto.

A morgada do RomarizEditar

Após herdar uma fortuna do seu irmão, Bento da Costa, continua a viver na miséria por pura avareza, contando a quem o ouvir que o irmão se havia arruinado em Lisboa. Ninguém acredita nele, incluindo o filho que precisa da ajuda dele para se livrar do exército de onde desertara. A avareza e insistência do velho em negar a existência da herança, vão ter impacto não só na sua vida e na do filho, como também na do neto, o pai da morgada do título.

O filho naturalEditar

Vasco Marrameque é um fidalgo minhoto de uma grande família que se envolve com Tomásia, a filha do boticário. Ela foge de casa do pai, e vivem algum tempo juntos e esta engravida. Mas Vasco tem ambições políticas e consegue ser eleito deputado. Vai para Lisboa e abandona Tomásia. Esta, ferida na honra, recusa qualquer ajuda para si ou para o filho, excepto a do abade que Vasco enviara como portador da sua decisão. No mesmo dia, é informada da morte do pai, e da herança da botica. Depois de recusar os avanços do novo gerente da botica, este demite-se deixando-a numa situação precária. Envia o filho para o Brasil a pedido do abade. Entretanto, Vasco havia casado com a filha de um conde falido. Durante alguns anos vive luxuosamente, mas depressa se arruina e volta "exilado" para o Minho com a família. E aí que o filho, que voltara rico do Brasil o irá encontrar.

Relação com outras obras de CamiloEditar

O Filho Natural é particularmente rico em auto-referências camilianas:

  • Ha uma referência à personagem que dá nome novela que se lhe segue: Maria Moisés.
  • Vasco ao receber uma carta de Tomásia, acha nela "(...) uma simples reminiscência de certa 'Augusta' - personagem de um mau romance que então se lia chamado 'Onde Está a Felicidade' (...)
  • O autor nota paralelismos entre Vasco e o protagonista d' A Queda dum Anjo, dizendo que também em Lisboa "(...) mais tarde se perdeu outro deputado de melhor casta - aquele Calisto Elói de Silos Benevides de Barbuda que eu chorei na Queda de Um Anjo."

Maria MoisésEditar

Na mesma noite que Josefa da Lage é encontrada a morrer à beira-rio, uma criança é encontrada num cesto de vime por Francisco Bragadas. Com 11 filhos seus, pede ajuda a um morgado, que com a irmã se tornam padrinhos da bebé e lhe chamam Maria Moisés. Como não têm herdeiros, a afilhada recebe a quinta na morte destes, e resolve tomar conta de outros enjeitados como ela. Infelizmente cai em dívidas e tem de vender a quinta. O comprador é António Queirós, que acabara de voltar do Brasil, e que soubera à chegada que do seu amor por Josefa havia probabilidade de ter sobrevivido uma criança, que não é outra que Maria Moisés.

O degredadoEditar

Conta a história de um minhoto, João do Couto, um rapaz mal encarado, que teve o amigo assassinado em uma briga, por causa de mulher, mulher essa que João amava. O homicida, Manuel Baptista, foi condenado ao degredo em Moçambique, ao qual foi acompanhado por Rosa, causadora de suas desgraças. João parte então para o Alentejo, onde mata dois facínoras e por isso é preso e enviando também ao degredo, pasmem para Moçambique…

Desde o início do seu infortúnio João procurou por Rosa, sua amada, vinda a encontrá-la justamente quando ela se encontra viúva, vindo logo depois a se casar com ela, passado alguns anos de felicidade conjugal,  estoura em Moçambique uma revolta dos habitantes da terra, João parte para a guerra ao qual sai vitorioso banhando-se no sangue dos negros e sendo por isso retirada ao sua pena ao degredo, podendo voltar para Portugal.

Rosa falece, logo após a notícia. Partindo de volta à sua terra “bendita” ele promete casar-se com  a primeira moça desamparada que ele avistasse. Empreende sua viagem de regresso ao Minho e lá encontra Clemência e se casa com ela e por não ter filhos distribui uma parte da sua herdade entre seus parentes. Vindo a morrer logo depois, na mesma noite Clemência esquece a tristeza do evento, no talude, aquecendo suas lágrimas de viúva no braços de um primo do falecido.

A viúva do enforcadoEditar

Teresa, a única filha de um comerciante de Guimarães, é uma moça devota até ao dia em que se encontra e apaixona por um jovem ourives. Perante a oposição do pai, e com a ajuda de um abade, eles casam e fogem para Espanha para fugir à ira do pai dela. Aí ela conhece Inês, a filha do alcaide da cidade onde se refugiam, que está apaixonada por António Maria, um outro português, que foge da forca por homicídio. Este e Inês estão noivos, mas quando Teresa enviúva de repente, a situação altera-se, António Maria declara-se a Teresa e eles decidem casar. Inês refugia-se em Madrid e mais tarde morre, deixando o alcaide desesperado. Este vinga-se fazendo António Maria cair nas mãos da justiça portuguesa, que o virá a enforcar.

AdaptaçõesEditar

A novela A Viúva do Enforcado foi adaptada pela cadeia de televisão portuguesa SIC para uma mini-série em 1993, com sucesso comercial e crítico, e protagonizada por Anabela Teixeira.

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