O Homem de Confiança

The Confidence-Man: His Masquerade
Capa da primeira edição 1857
Autor(es) Herman Melville
Idioma Inglês
Género Sátira
Cronologia
The Piazza Tales
Battle-Pieces and Aspects of the War

O homem de confiança: a sua mascarada (The Confidence-Man: His Masquerade) é o nono livro e último romance do escritor norteamericano Herman Melville, publicado pela primeira vez em Nova Iorque, em 1857. O livro foi publicado a 1 de abril, presumivelmente o dia exacto em que se passa a trama do romance. O Homem de Confiança retrata, ao estilo dos contos de Canterbury, um grupo de passageiros de um barco a vapor cujas histórias interligadas são contadas à medida que descem o Rio Mississippi a caminho de New Orleans. Segundo o estudioso Robert Milder a reputação da obra tem vindo a aumentar: "Durante muito tempo tomado por um romance falhado, o livro é agora admirado como uma obra-prima de ironia e controle, embora continue a resistir a um consenso interpretativo."[1] Após a publicação do romance, Melville deixou a escrita a tempo inteiro e dedicou-se a fazer palestras profissionalmente, abordando principalmente as suas viagens por todo o mundo, tendo mais tarde, durante dezanove anos, sido um funcionário do governo federal.

AnáliseEditar

 
Fragmento do manuscrito do Capítulo 14 de The Confidence-Man.

O título do livro refere-se à sua personagem central, uma figura ambígua que serpenteia a bordo de um barco a vapor no Mississippi no dia das mentiras. Este estranho tenta testar a confiança dos passageiros, cujas reacções variadas constituem a maior parte do texto. Cada pessoa, incluindo o leitor, é forçada a confrontar-se com aquilo em que confia.

O Homem de Confiança usa o rio Mississippi como uma metáfora do caracter mais amplo da identidade americana e humana que unifica os, de outro modo, díspares personagens. Melville também emprega a fluidez do rio como um reflexo e um pano de fundo do seu "homem de confiança".

O romance é escrito como sátira cultural, alegoria e tratado metafísico, lidando com temas como sinceridade, identidade (ciências sociais), moral, religiosidade, materialismo económico, ironia e cinismo (contemporâneo). Muitos críticos têm colocado The Confidence-Man ao lado de Moby Dick e "Bartleby, o Escrivão", ambos também de Melville, como um precursor das preocupações literárias do século XX com niilismo, existencialismo e absurdismo.

A escolha por Melville do dia das mentiras de abril como enquadramento do romance sublinha a natureza satírica da obra e reflecte potencialmente a visão de mundo de Melville, expressada uma vez numa carta ao seu amigo Samuel Savage: "É — ou parece ser — uma coisa acertada, perceber que tudo o que acontece a um homem nesta vida é somente por meio de brincadeira, especialmente os seus infortúnios, se ele os tem. E também vale a pena ter em conta que a brincadeira é atirada à roda muito liberalmente & imparcialmente, para que não muitos tenham o direito de fantasiar que eles em especial estão a apanhar o pior de tudo."[2]

A obra inclui diversas sátiras de figuras literárias do século XIX: Mark Winsome é baseado em Ralph Waldo Emerson, enquanto o seu "discípulo prático" Egbert é Henry David Thoreau; Charlie Noble é baseado em Nathaniel Hawthorne; Edgar Allan Poe inspirou um mendigo na história.[3]

AdaptaçõesEditar

O romance foi transformado numa ópera por George Rochberg, a qual foi estreada pela Ópera de Santa Fé em 1982, estreia que não teve grande sucesso.[4]

ReferênciasEditar

  1. Milder (1988), 440
  2. Lynn Horth, ed. Correspondence. The Writings of Herman Melville: The Northwestern-Newberry Edition, Vol. 14, p. 203 (Letter of August 24, 1851). Evanston, IL and Chicago: Northwestern University Press and The Newberry Library, 1993. ISBN 0-8101-0995-6
  3. Delbanco, Andrew. Melville, His World and Work. New York: Alfred A. Knopf, 2005: 248. ISBN 0-375-40314-0
  4. "Lost in the Desert", New York Magazine, August 23, 1982

FontesEditar

  • Milder, Robert. (1988). "Herman Melville." Emory Elliott (General Editor), Columbia Literary History of the United States. New York: Columbia University Press. ISBN 0-231-05812-8

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