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Democratas (Brasil)

partido político brasileiro
(Redirecionado de PFL)
Disambig grey.svg Nota: DEM redireciona para este artigo. Para o dicionário enciclopédico, veja Dicionário Enciclopédico da Madeira. Para a freguesia portuguesa, veja Dem.
Democratas
Número eleitoral 25
Presidente ACM Neto
Fundação 11 de setembro de 1986 (32 anos) (como PFL)
Registro 28 de março de 2007 (11 anos) (como DEM)[1]
Sede Brasília, DF
Ideologia
Espectro político Centro-direita[2]
Ala jovem Juventude Democratas
Membros  (2018) 1 094 122[3]
Afiliação internacional
Governadores (2014)[4]
3 / 27
Prefeitos (2016)[5]
267 / 5 568
Deputados federais (2014)[6]
39 / 513
Deputados estaduais (2018)[7]
54 / 1 024
Vereadores (2016)[8]
2 907 / 56 810
Senadores (2016)[9]
7 / 81
Cores
Página oficial
www.dem.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

Democratas (DEM) é um partido político brasileiro de centro-direita[10][11][12][13] cuja ideologia política é o conservadorismo-liberal.[14] Foi fundado em 1985 como Partido da Frente Liberal (PFL), fruto de dissidência do Partido Democrático Social (PDS) por causa das articulações que ao fim elegeram Tancredo Neves à presidência da República após vinte e um anos do Regime Militar de 1964 no Brasil. Embora a ata do congresso de 2007 do PFL tenha exatamente proposto (e sido aprovada) nova denominação para o partido,[15] de forma minoritária há a ideia de o Democratas ser apenas sucessor do PFL. Assim, a denominação Democratas data de 28 de março de 2007, seu código eleitoral é o 25,[16] seus membros são chamados de demistas[17] e suas cores oficiais são o azul, o verde e o branco. O Democratas é a primeira agremiação brasileira desde o fim do bipartidarismo em 1979 sem "Partido" no nome,[18] e também cuja sigla não é um acrônimo. É membro da Internacional Democrata Centrista, composta por diversos partidos de centro-direita, e também da União Internacional Democrata, composta por partidos de direita.

O partido compôs a oposição ao governo Lula e ao governo Dilma e faz parte da base aliada do governo Temer.[19] Possui a quinta maior bancada na Câmara Federal,[20] e a quinta no Senado Federal,[21] além de governar 267 prefeituras.[22] Possui raízes na política nordestina de onde provém a maior parte de sua bancada.[23] Porém, houve uma redução dessa presença na região, com a migração do clã Sarney para o PMDB e a morte de Antônio Carlos Magalhães em 2007. Ainda assim, metade dos senadores do partido é oriunda do Nordeste, dentre os quais o ex-vice-presidente da República Marco Maciel; na Câmara dos Deputados um terço da bancada representa os estados nordestinos. Na região sudeste, o partido detém dezoito representantes, sendo todos estes deputados federais.[24] No estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido possui cinco deputados federais, e seis deputados estaduais. Já no Rio de Janeiro, sob Cesar Maia, que não pôde aspirar a uma nova reeleição por estar em segundo mandato consecutivo em 2008, lançou a ex-deputada federal Solange Amaral como candidata do partido, mas não logrou êxito. Eduardo Paes, do PMDB foi o eleito. Rodrigo Maia, filho de Cesar Maia e primo do senador José Agripino Maia, foi o primeiro presidente nacional do DEM, eleito em 28 de março de 2007.[25]

Nas eleições de 2006 e 2008, houve redução da bancada do partido na Câmara dos Deputados e do número de prefeituras administradas pelo partido. O DEM governou de março de 2006 a 2011 a maior cidade do país, São Paulo, com Gilberto Kassab, até a criação do PSD.[26] Em 2012, o partido elegeu João Alves Filho prefeito em Aracaju e Antônio Carlos Magalhães Neto em Salvador, suas duas únicas capitais.[27] Isso não impediu que o partido elegesse 278 prefeitos, número inferior ao registrado em 2008, em que pese o declínio da oposição, incluindo PSDB e PPS e a formação do terceiro PSD. Curiosamente, o PSD de Kassab, prefeito paulistano, que elegeu 497 prefeitos em 2012, venceu em 33 cidades em São Paulo. Atrás do DEM, que elegeu 45 prefeitos neste estado. O DEM teve como pré-candidato à presidência do Brasil em 2018 o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia,[28] até o dia 25 de julho, quando o mesmo anunciou a retirada de sua pré-candidatura para posteriormente apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência.[29]

Índice

HistóriaEditar

FundaçãoEditar

 
Logotipo do Partido da Frente Liberal

Temeroso quanto às chances de vitória do PDS em 15 de novembro de 1982, o presidente João Figueiredo instituiu o voto vinculado, a sublegenda e proibiu as coligações partidárias[30] a fim de impedir que dissidências na agremiação governista favorecessem os partidos de oposição nas disputas para os governos estaduais, Congresso Nacional e para as prefeituras.[31] Mesmo sob a aparente unidade situacionista o meio político especulava quanto a criação de um novo partido "de centro ou liberal"[32] visando ampliar o número de aliados do Palácio do Planalto[33][34] cumprindo um papel que caberia ao extinto PP. Malogrado esse intento, o governo buscou a adesão do PTB no primeiro semestre de 1983, mas o acordo não chegou a viger.[35]

No último ano do governo João Figueiredo as lideranças do PDS achavam-se envoltas na questão sucessória em nisso postulantes à vaga presidencial surgiam tanto do meio militar quanto civil, resultado da ausência de consenso quanto ao tema. Em meio a essas discussões as opções governistas foram delineadas em torno de quatro nomes: Aureliano Chaves, Marco Maciel, Paulo Maluf e Mário Andreazza, cada qual dispondo de uma credencial política. Para Aureliano Chaves sua condição de vice-presidente da República o fazia um candidato bem posicionado sobretudo por vir de um estado com o peso político-econômico de Minas Gerais; Marco Maciel trazia consigo o PDS nordestino; Paulo Maluf dispunha de base política em São Paulo enquanto o gaúcho Mário Andreazza contava com o apoio de seus colegas de ministério (onde ocupava a pasta do Interior) e era militar da reserva na patente de coronel do Exército Brasileiro.

Por outro lado as forças oposicionistas se movimentavam no sentido de restabelecer a eleição direta para presidente da República a partir de fatos como o comício em Abreu e Lima dia 31 de março de 1983, tanto que em 26 de novembro os governadores do PMDB e do PDT divulgaram um manifesto em São Paulo exigindo eleições diretas. No dia seguinte um comício organizado pelo PT reuniu dez mil pessoas no Vale do Anhangabaú numa data marcada também pela morte de Teotônio Vilela.[36] Assim as Diretas Já resultaram num movimento suprapartidário e mobilizaram o país nos primeiros meses de 1984 e nesse ínterim o deputado Dante de Oliveira apresentou uma emenda prevendo eleição presidencial direta. Em fevereiro de 1984 surgiu no PDS um grupo pró-eleições diretas como forma de evitar que essa bandeira fosse vista como exclusivamente da oposição, contudo tais manifestações não demoveram os presidenciáveis do PDS: em janeiro Maluf e Andreazza anunciaram suas candidaturas e no mês seguinte Aureliano (com o beneplácito de Ernesto Geisel) fez o mesmo. Rejeitada a emenda Dante de Oliveira em 25 de abril de 1984 graças à abstenção de 112 parlamentares, a oposição retornou a São Paulo e em 19 de junho anunciou apoio ao nome de Tancredo Neves.[37]

Àquela altura a disputa pela candidatura presidencial no seio do PDS estava restrita a Paulo Maluf e Mário Andreazza enquanto Aureliano Chaves e Marco Maciel formalizaram o rompimento com o partido governista ao lançarem o manifesto da Frente Liberal em Brasília à 5 de julho de 1984.[38] No mês seguinte a chapa Paulo Maluf e Flávio Marcílio derrotou a de Mário Andreazza e Divaldo Suruagy e conquistou o direito de concorrer à Presidência da República enquanto o PMDB escolheu Tancredo Neves e José Sarney representou a Frente Liberal como seu companheiro de chapa.[39][40] Decorridos cinco meses de campanha Tancredo Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985.

Diagrama da origem histórica do partido
Aliança Renovadora Nacional
(ARENA) 1966–1979
Partido Democrático Social
(PDS) 1980–1993
Partido Democrata Cristão
(PDC) 1985–1993
Partido Social Trabalhista
(PST) 1988–1993
Partido Trabalhista Renovador
(PTR) 1985–1993
Partido Progressista Reformador
(PPR) 1993–1995
Partido Progressista
(PP) 1993–1995
Frente Liberal
(FL)

Partido da Frente Liberal
(PFL) 1985–2007

Democratas
(DEM) 2007–presente
Partido Progressista Brasileiro
(PPB) 1995–2003

Partido Progressista
(PP) 2003–presente
Fonte: [41][42]

Fundado em 24 de janeiro de 1985,[43] o Partido da Frente Liberal uniu-se ao PMDB para sustentar o governo Tancredo Neves através da Aliança Democrática cujo programa previa a convocação de uma Assembleia Constituinte e eleições diretas para escolher o sucessor do novo presidente. Reunir sob seu comando as maiores forças políticas do país foi uma forma de Tancredo assegurar estabilidade ao seu governo tal como a repartição de poder entre o PSD e o PTB nos anos situados entre o fim do Estado Novo e o início do Regime Militar de 1964. Segundo levantamento feito pela imprensa em fins de 1984, a bancada do PFL ocupava mais de dez por cento das vagas em ambas as casas do Congresso Nacional no dia do lançamento de seu manifesto em 19 de dezembro de 1984.[nota 1] e recebeu, a posteriori, a filiação da maioria dos governadores nordestinos.[44] Na montagem do governo Tancredo Neves o partido foi contemplado com cargos de relevo, com destaque para Aureliano Chaves no Ministério das Minas e Energia e Marco Maciel no Ministério da Educação. Com a morte de Tancredo em 21 de abril de 1985 o PFL passou a sustentar o Governo Sarney. Nas eleições de 1985 os pefelistas elegeram 25 prefeitos embora não tenha triunfado em nenhuma capital de estado. Em janeiro de 1986 o partido recebeu a filiação de Antônio Carlos Magalhães.[45]

Nas eleições de 1986 o PMDB capitaneou para si os efeitos positivos do Plano Cruzado e assim conquistou 22 dos governos estaduais em disputa, cabendo ao PFL apenas o governo de Sergipe com Antônio Carlos Valadares. Em relação ao Congresso Nacional o PFL fez sete senadores e cento e dezoito deputados federais. Dois anos depois recuperou suas raízes nordestinas ao eleger prefeitos em Recife, João Pessoa e Maceió. No Norte, obteve o controle de Boa Vista. No total foram conquistadas 1058 prefeituras pelo Brasil, número inferior apenas ao do PMDB.

Eleição de 1989 e governos Collor e ItamarEditar

Em 21 de maio de 1989 o PFL, mesmo sem deixar o Governo Sarney, realizou uma prévia a fim de escolher seu candidato a presidente da República[46] numa disputa entre Aureliano Chaves, Marco Maciel e Sandra Cavalcanti cujo resultado apontou a vitória de Aureliano Chaves. Homologado em convenção nacional, teve o paulista Cláudio Lembo na vaga de vice-presidente, chapa que não mobilizou as bases partidárias (sobretudo as nordestinas). Tais bases logo se decidiram por apoiar Fernando Collor (ex-governador de Alagoas) já em primeiro turno. Em meio a essa adesão maciça um lance malogrado poderia ter mudado os rumos do pleito: numa articulação atribuída aos senadores Hugo Napoleão, Edison Lobão e Marcondes Gadelha, Aureliano concordou em desistir da disputa em favor de Silvio Santos que buscou o minúsculo Partido Municipalista Brasileiro e registrou sua candidatura em lugar de Armando Corrêa, mas o vazamento da "operação renúncia" (fato creditado a Antônio Carlos Magalhães) fez refluir a manobra. No fim a candidatura de Santos foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral por irregularidades no registro do PMB e Aureliano Chaves disputou a eleição ficando em nono lugar com apenas 600.730 votos. No segundo turno o PFL apoiou Collor em oposição a Luiz Inácio Lula da Silva.[47]

Ao assumir o governo em 15 de março de 1990, Fernando Collor reservou posições excelsas para os pefelistas ao nomear o senador gaúcho Carlos Chiarelli ministro da Educação e o deputado federal paranaense Alceni Guerra ministro da Saúde,[48][49] sendo que as privatizações realizadas pelo governo iam ao encontro dos ideários do partido. Nas eleições de 1990 o PFL venceu em nove estados, seis dos quais no Nordeste, inclusive Maranhão, Pernambuco e Bahia, sustentáculos de seu fulgor, além de oito senadores e oitenta e três deputados federais. Dessa forma o PFL aumentou sua participação no governo, todavia o partido se afastou do Planalto à medida que recrudesciam as acusações que resultaram no impeachment presidencial ao longo de 1992 segundo apurou a CPI do PC, presidida por Benito Gama. Com Itamar Franco o partido foi chamado a compor o ministério. Nas eleições daquele ano 965 prefeitos foram eleitos pela legenda, inclusive o de Belém. Entre 1993/1995 o deputado Inocêncio Oliveira foi o primeiro pefelista a ocupar a presidência da Câmara dos Deputados. Paralelo a isso o também pernambucano Roberto Magalhães foi o relator-geral da CPI do Orçamento.

Começo governistaEditar

À medida que se aproximavam as eleições presidenciais de 1994 os políticos passaram a discutir as alianças vindouras, em particular buscando alternativas para contrapor o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva até então líder nas pesquisas de opinião. Somente após o lançamento do Real é que os apoiadores do governo Itamar Franco se aglutinaram em torno da candidatura de Fernando Henrique Cardoso, outrora ministro da Fazenda e responsável pelo novo plano econômico. Conforme a inflação recuava (foi de quase 2.800% em 1993 e caiu pela metade no ano seguinte) a candidatura da coligação "União, Trabalho e Progresso" ultrapassou os índices do candidato petista e logo o PSDB ofereceu ao PFL a vice-presidência[50] cabendo ao senador Guilherme Palmeira a referida indicação, todavia denúncias de corrupção acabaram por ensejar sua renúncia e em seu lugar foi escolhido Marco Maciel.[51] Vitoriosa em primeiro turno a aliança deu ao PFL condições de eleger onze senadores e oitenta e nove deputados federais. Findo o pleito os três núcleos pefelistas estavam contemplados: os pernambucanos foram alçados à vice-presidência, o PFL elegeu a deputada federal, Roseana Sarney para o governo do Maranhão, mantendo o controle da família Sarney no estado, e na Bahia, o PFL elegeu Paulo Souto para o governo de Bahia, na vitória de Antônio Carlos Magalhães para o Senado e a escolha de Luís Eduardo para presidir a Câmara dos Deputados entre 1995/1997. Em 1996, dentre as 934 prefeituras conquistadas pelo partido se sobressaem as de Macapá, Recife, Salvador (vitória inédita para os aliados de ACM) e Rio de Janeiro, neste último caso mudando o eixo político do PFL do Nordeste para o Centro-Sul do país.

Peça vital para a aprovação da reeleição em 1997, o PFL manteve os Magalhães no centro das decisões partidárias, primeiro com a eleição de Antônio Carlos para a Presidência do Senado por dois períodos entre 1997/2001 e depois com a escolha de Luís Eduardo como líder do governo na Câmara dos Deputados, entretanto com a morte deste último devido a um ataque cardíaco em 21 de abril de 1998 na condição de pré-candidato ao governo da Bahia e aspirante à sucessão presidencial em 2002, desmontou as perspectivas de poder da agremiação, nada que impedisse a eleição de seis governadores, cinco senadores e a maior bancada da Câmara com cento e cinco deputados. Ademais a chapa FHC-Maciel venceu já no primeiro turno da eleição presidencial impondo a terceira derrota consecutiva a Lula. Ainda vigoroso o PFL elegeu 1.028 prefeitos no ano 2000 mantendo o controle de Salvador e ainda triunfando em Palmas e Curitiba. Todavia tal pujança começaria a ruir a partir de 2001 no rastro de uma troca de acusações entre Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães com reflexos para o governo.[carece de fontes?]

Período como oposiçãoEditar

O embate entre o senador baiano e seu colega paraense tem início a partir de uma discussão onde o representante do PMDB respondeu às críticas de Antônio Carlos Magalhães ao reprovar o valor de R$ 151,00 para o salário mínimo conforme defendia o governo. Jáder Barbalho questiona então como ACM pode defender um ponto de vista enquanto seu afilhado político Waldeck Ornelas, Ministro da Previdência Social, seguia o discurso oficial. Acusado de incoerente, Magalhães passa a investir contra Barbalho acusando-o de corrupção e o tom das ofensas sobe. Em 14 de fevereiro de 2001 Jáder é eleito Presidente do Senado Federal à revelia de seu adversário que cinco dias depois revela a procuradores da República saber como os senadores votaram na sessão que cassou Luís Estevão e a partir de então surge uma torrente de fatos que levam Antônio Carlos Magalhães à renúncia em 30 de maio. Tratada pelo seu partido como uma "posição isolada", a queda do político baiano não impediu que o PFL (baiano) conservasse as pastas da Previdência Social, com o próprio Waldeck Ornelas, e das Minas e Energia, dirigida por Rodolfo Tourinho.[carece de fontes?]

Aparentemente recomposta, a aliança PSDB/PFL teve fim quando uma operação da Polícia Federal em São Luís, com o fito de investigar fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, invadiu o escritório da Lunus Companhia e Serviços em 1º de março de 2002 e lá encontrou quase um milhão e meio de reais em espécie. O episódio causou furor nos meios políticos porque a empresa pertencia a Jorge Murad, marido da governadora, Roseana Sarney pré-candidata a Presidência da República pelo PFL. Em 6 de março a legenda rompe com o governo Fernando Henrique e passa à oposição pela primeira vez na história. Dias depois Murad admite que o dinheiro tinha como destino a pré-campanha da esposa e esta, atendendo aos prazos da legislação eleitoral, renuncia ao governo do estado e em 15 de abril desiste de concorrer à Presidência. Inocentada das acusações de desvio de dinheiro público pela Justiça Federal do Tocantins em 9 de agosto, Roseana Sarney é eleita para o Senado.[carece de fontes?]

Nas eleições de outubro o partido se abstém da disputa presidencial mas consegue eleger quatro governadores (Maranhão, Bahia, Tocantins e Sergipe), quatorze senadores e oitenta e quatro deputados federais. Com a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002 e 2006 o partido passa a fazer uma oposição dura ao novo governo e em termos eleitorais conquista 789 prefeituras em 2004 (mantendo o controle da metrópole carioca), mas nas eleições de 2006 elege apenas um governador, o do Distrito Federal. Entretanto, com a renúncia de Geraldo Alckmin do governo de São Paulo e de José Serra da prefeitura paulistana, o PFL assume o controle das duas maiores cidades do país, além do Estado mais rico da nação, até a eleição de Serra para governador. O mesmo aconteceu em Pernambuco, onde Jarbas Vasconcelos, governador desde 1999, deixou o cargo para se eleger senador, legando a cadeira a Mendonça Filho.[carece de fontes?]

Convenção de 2007 e anos seguintesEditar

 
Convenção de refundação, em 2007.

Para recuperar seu espaço político e se estabelecer como alternativa viável no espectro eleitoral, os líderes pefelistas decidiram pela renomeação do partido para Democratas em convenção datada de 28 de março de 2007, cabendo a direção da legenda ao deputado federal Rodrigo Maia como forma de sinalizar a ascensão de uma nova miríade de líderes partidários ao centro das decisões. Alguns pesquisadores, no entanto, descrevem esta mudança de nome como a extinção do PFL e a criação de outro partido.[52][52]

A chamada "fundação", "refundação" ou mudança de nome do DEM ocorreu em 28 de março de 2007, tendo ocorrido para que a legenda pudesse recuperar sua imagem após péssimos resultados nas eleições de 2006, em que perdeu dezenove cadeiras na Câmara dos Deputados e uma cadeira no Senado, além de conquistar apenas o governo do Distrito Federal. O primeiro nome escolhido foi "Partido Democrata" (PD). Entretanto, decidiram modificar sua sigla para DEM e seu nome para "Democratas". A eleição do deputado fluminense Rodrigo Maia como presidente do partido indica uma mudança de núcleo do nordeste para o Rio de Janeiro e São Paulo.[53]

Segundo a própria ata do Congresso do PFL, houve uma renomeação do partido em 2007.[15] O Tribunal Superior Eleitoral considera ambos os partidos como um só.[1] Diversos julgados da justiça eleitoral, em ações de perda de mandato de parlamentares por infidelidade partidária levaram a julgados onde a Justiça Eleitoral expressou que para todos os fins, tratava-se do mesmo partido.[54][55][56][57] Também há pesquisadores e veículos de mídia que consideram o PFL e o DEM como sendo o mesmo partido.[18][58][59]

Por outro lado, também há pesquisadores que tratam o DEM como sendo apenas um partido sucessor do PFL,[60][52][nota 2] inclusive o site da Fundação Getúlio Vargas apresentando esta posição.[61] O partido foi uma dissidência do antigo Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Aliança Renovadora Nacional. O DEM é considerado, portanto, como o herdeiro ideológico da antiga União Democrática Nacional (UDN).

A tentativa de uma nova imagem para o antigo PFL não chegou a ser uma aspiração isolada. Na verdade, quando da organização da ainda Frente Liberal, um dos nomes cogitados para a nova agremiação foi o de "Partido Liberal Progressista" (PLP). Contudo, tal ação não vingou. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, durante o governo Collor, uma informação atribuída ao ministro da Justiça Jarbas Passarinho (e por ele negada com veemência) dava conta de que o PDS e PFL teriam a intenção de se reagrupar no "Partido Social Liberal" (PSL). Aliás, o termo "social" surgiu como alternativa para uma mudança de nome do partido algum tempo depois, entretanto havia quem apregoasse somente a alteração na expressão "Frente" de modo a preservar a sigla PFL. Durante a transição para a nova sigla, foi revelado por Jorge Bornhausen que "PFL" era uma denominação provisória apesar de decorridos vinte e dois anos desde a fundação do partido e a expressão "Democratas" serve como um contraponto ao que ele qualificou de "onda de populismo" na América do Sul.[62]

O partido trocou seus líderes por uma geração mais jovem como Gilberto Kassab e Kátia Abreu.[63][64]

Como uma das maiores conquistas até o momento, o partido conseguiu a derrubada da CPMF, tendo sua bancada fechado questão no Senado Federal contra a contribuição, defendendo a filosofia liberal de redução da carga tributária.[64]

Para as eleições de 2010, DEM, PSDB e PPS formalizaram um pré-acordo para a constituição da coligação oposicionista, intitulada "Bloco Democrático-Reformista". Assim, o DEM lançou o deputado do Rio de Janeiro, Índio da Costa, como candidato a vice-presidente na chapa do candidato a presidente do PSDB, José Serra.[65]

Em novembro de 2009, o partido defrontou-se com o escândalo Mensalão do GDF ou Mensalão do DEM de Brasília,[66] envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. No entanto, como o partido deliberou pela expulsão de Arruda, o mesmo pediu desfiliação do partido no dia 10 de dezembro de 2009, para evitar um desgaste político ainda maior.[67]

Cisão de 2011 e negociações de fusãoEditar

 
Sede do partido em Belo Horizonte.

Gilberto Kassab e outros correligionários insatisfeitos decidem criar em 2011 o Partido Social Democrático (PSD),[68] dedicado a uma orientação política menos conservadora e mais centrista. O Democratas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra a criação da nova sigla, porém sem êxito.[69] O partido perdeu para o PSD dezessete deputados federais, uma senadora (Kátia Abreu), um governador (Raimundo Colombo) e diversos deputados estaduais e vereadores.[70]

Em 2015, foram expostas intensas negociações de fusão com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), lideradas pelos presidentes das executivas nacionais José Agripino Maia (DEM) e Cristiane Brasil (PTB). A fusão interessava especialmente para o reverter o declínio do partido refundado em 2007 e para Roberto Jefferson, "inimigo declarado" do Partido dos Trabalhadores (PT) condenado no Escândalo do Mensalão. Entretanto, o processo esbarrava nos prazos de filiação partidária das regras eleitorais à medida em que se aproximavam as eleições municipais no Brasil em 2016, como também nas oposições internas com ameaças de desfiliação, destacadamente por parte do demista Ronaldo Caiado e dos petebistas Jovair Arantes e Armando Monteiro (ministro do governo Dilma), e na dificuldade de compatibilização entre a posição governista do PTB e oposicionista do DEM. Assim, embora a cúpula do Democratas tenha apoiado a fusão imediata em 7 de abril (21 votos a quatro), no dia seguinte a cúpula do PTB rejeitou a fusão imediata por 25 votos contrários, optando manter consulta às bases até setembro. No fim de maio, os dirigentes de ambos os partidos anunciaram a desistência da unificação, porém houve tentativas de reabertura de diálogos, mas foram paralisadas em vista das eleições municipais.[71][72][73][74][75][76][77][78]

Em 2016, a vitória de Rodrigo Maia ao mandato-tampão de presidente da Câmara dos Deputados do Brasil mostrou-se uma vitória importante diante da trajetória de declínio desde o início dos governos petistas.[23]

Diante da desconfiança da população brasileira com a classe política intensa à época, a fim da renovação e atração de eleitores e parlamentares foram estudadas mudanças para o partido. Uma delas foi nova renomeação da legenda para "Centro" (nome proposto pelo publicitário Fabiano Ribeiro, da agência de publicidade Propeg, conjuntamente com logomarca nas cores azul e amarelo)[79][80] e para "Movimento da Unidade Democrática" (MUDE).[81][82] A outra foi a fusão ou formação de uma frente partidária (quando ainda se discutia a aprovação de formações de federações partidárias), que incluiu a articulação para incorporar dissidentes do Partido Socialista Brasileiro — estes também disputados pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro.[83][84] Nessa articulação, foi incluído também o Partido Social Democrático; os três reunidos em uma "união liberal-socialista" possivelmente sob denominações "Partido Liberal Social" (PLS) ou "Centro Democrático".[85][86][87] Uma terceira mudança passa pela possibilidade de alterações no programa partidário para se transformar em uma organização mais centrista na versão tradicional do espectro político, tomando por inspiração a vitória eleitoral de Emmanuel Macron à presidência da França em 2017 e ao passo que a figura de Jair Bolsonaro posiciona-se na extrema-direita brasileira.[88]

Posição ideológicaEditar

O DEM afirma ser defensor da ética, da democracia, do exercício dos direitos humanos, da economia de mercado e do liberalismo econômico. É apresentado como um partido de centro-direita, sendo filiado à União Internacional Democrata. São adeptos do capitalismo laissez-faire. Em avaliação geral, os democratas são socialmente de centro-direita e economicamente de direita.[89]

De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, a refundação do PFL como DEM teve como objetivo coroar um processo geral de modernização do partido.[90] "O DEM gostaria de ser um partido de direita moderno, com um novo programa e dirigido às camadas médias urbanas; uma espécie de Partido Conservador do Reino Unido", diz.[90] De acordo com ele, isso explicou a saída de membros históricos da direção do partido e a ascensão de jovens dirigentes como Rodrigo Maia, Kátia Abreu e Gilberto Kassab.[90]

Aliado histórico do PSDB, o Democratas foi peça vital para a aprovação do Plano Real, das reformas constitucionais durante o governo FHC bem como da emenda constitucional que garantiu a possibilidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso se recandidatar. Marco Maciel, ex-senador pelo PFL de Pernambuco, foi o vice-presidente nos dois mandados de FHC. Em 2002, o partido rompe com o governo na sequência de uma operação da polícia federal envolvendo Roseana Sarney, a então candidata à presidência pelo PFL. Porém, nas eleições de 2006, alia-se novamente ao PSDB, sendo o senador pefelista pernambucano José Jorge o candidato a vice-presidente na chapa com Geraldo Alckmin. Tal aliança se repete em 2010 com o deputado federal democrata fluminense Índio da Costa para vice na chapa de José Serra.[91]

Após a cisão de diversas lideranças, como Gilberto Kassab, Kátia Abreu e Raimundo Colombo, que buscavam uma aproximação com o governo federal e um discurso mais centrista (com a fundação do Partido Social Democrático), o DEM passou a adotar uma postura mais enfática quanto ao ideário do partido, na tentativa de se aproximar do eleitorado mais conservador. O então senador Demóstenes Torres defendia uma guinada à direita por parte do partido. "Existe um eleitorado liberal, de perfil conservador, que precisa de um partido que o represente. Temos de falar a essas pessoas, representá-las no Congresso, com clareza", afirmou numa entrevista à Folha de S. Paulo.[92]

Junto com o PSDB e o PPS, o Democratas formou o maior bloco oposicionista durante o governo Lula e o governo Dilma, único momento em sua história onde foi oposição.[93]

OrganizaçãoEditar

Juventude DemocratasEditar

 
Atual logotipo da Juventude Democratas.

A Juventude Democratas (JDEM) é um órgão doutrinário de ação partidária de âmbito nacional, de caráter político, cultural e social, integrante da estrutura organizacional do Democratas, com prazo de duração indeterminado. Como finalidade, a JDEM procura difundir a doutrina política adotada pelo partido Democratas, além de incentivar a participação política de jovens visando à ampliação dos quadros do partido e a formação de novas lideranças, apoiando ou promovendo eventos, estudos e pesquisas nas áreas política, econômica e social, destinados à divulgação, debate e discussão de temas ligados à juventude, à sua formação profissional e ao seu desenvolvimento.[94]

Presidentes nacionais da JDEM:

  • ACM Neto (1999-2001)
  • João Roma Neto (2001-2007)
  • Efraim Filho (2007-2011)
  • Henrique Sartori (2011-2013)
  • Hugo Neto (2013-2014)
  • Bruno Kazuhiro (2014-)[95][96]

Participação e desempenho eleitoraisEditar

Participação em eleições parlamentares federaisEditar

Câmara dos Deputados[97]
Legislatura Bancada % ±
48.ª (1987–1991)
118 / 513
23,00  -0
49.ª (1991–1995)
83 / 513
16,18   35
50.ª (1995–1999)
89 / 513
17,35   6
51.ª (1999–2003)
105 / 513
20,47   16
52.ª (2003–2007)
84 / 513
16,37   21
53.ª (2007–2011)
65 / 513
12,67   19
54.ª (2011–2015)
43 / 513
8,38   18
55.ª (2015–2019)
21 / 513
4,09   22
Senado Federal[98]
Legislatura Bancada % ±
48.ª (1987–1991) sem dados   0
49.ª (1991–1995) sem dados   0
50.ª (1995–1999)
19 / 81
23,46   0
51.ª (1999–2003)
16 / 81
19,75   3
52.ª (2003–2007)
15 / 81
18,52   1
53.ª (2007–2011)
12 / 81
14,81   3
54.ª (2011–2015)
6 / 81
7,41   6
55.ª (2015–2019)
4 / 81
4,94   2

Bancadas eleitas para legislaturas da Câmara dos DeputadosEditar

Legislatura Eleitos AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
55.ª
(2015-2019)
28 0 0 1 1 3 0 0 0 1 0 4 1 1 1 2 2 1 2 1 2 1 1 1 0 1 4 1

Participação em eleições presidenciaisEditar

Ano Imagem Candidato a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos % Colocação
1989 Aureliano Chaves (PFL) Cláudio Lembo (PFL) PFL 600 838 0,88%
1994 Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Marco Maciel (PFL) PSDB, PFL e PTB 34.364.961 54,27
1998 Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Marco Maciel (PFL) PSDB, PFL, PPB, PTB e PSD 35.936.540 53,06
2006 Geraldo Alckmin (PSDB) José Jorge (PFL) PSDB e PFL 37 543 178 39,17 2.º
2010 José Serra (PSDB) Indio da Costa (DEM) PSDB, DEM, PTB, PPS, PMN e PTdoB 43 711 388 43,95 2.º
2014 Aécio Neves (PSDB) Aloysio Nunes (PSDB) PSDB, PMN, SD, DEM, PEN, PTN, PTB, PTC e PTdoB 51 036 040 48,36 2.º
2018 Geraldo Alckmin (PSDB) Ana Amélia (PP) PSDB, PP, PR, PRB, PSD, SD, DEM, PTB e PPS 5.096.777 4,76 4.°

ControvérsiasEditar

CorrupçãoEditar

 Ver artigo principal: Mensalão do DEM

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que conta com o apoio de entidades de representação da sociedade civil, movimentos e organizações sociais e religiosas, divulgou em outubro de 2007 um balanço que aponta um ranking de cassações de políticos por corrupção eleitoral. Entre 2000 e 2007, 623 políticos de diversos partidos tiveram seus mandatos cassados, não incluídos casos de cassações por condenações criminais.

No período assinalado, foram 623 cassações de mandatos políticos, abrangendo quatro eleições, todas por corrupção. O DEM lidera este ranking, com um total de 69 cassações (20,4% do total), seguido pelo PMDB, com 66 (19,5%) e pelo PSDB, com 58 (17,1%).[99]

Ver tambémEditar

Notas

  1. Levantamento de Veja assinalou dez senadores e sessenta e três deputados federais em dezembro de 1984 enquanto o Jornal do Brasil, um mês depois, apontava uma bancada de treze senadores e setenta deputados federais e quatro governadores na convenção que fundou a legenda.
  2. Cujo nome sempre foi provisório desde a fundação durante a redemocratização.

Referências

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BibliografiaEditar

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Ligações externasEditar