União Brasil

partido político brasileiro

União Brasil (UNIÃO) é um partido político brasileiro de centro-direita à direita[15][16] que surgiu da fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL), aprovada por ambas as agremiações em 6 de outubro de 2021.[17][1][2][18][19][15][20] Em fevereiro de 2022, o TSE aprovou a fusão e conferiu o registro ao novo partido político, que à época contava com o maior número de membros na Câmara dos Deputados.[4] Em junho de 2022, o partido possuía 1.083.183 filiados, sendo o sexto maior do país.

União Brasil
"União, Brasil!"
Número eleitoral 44[1]
Presidente Luciano Bivar[2]
Secretário-geral ACM Neto
Fundação 6 de outubro de 2021 (11 meses)[3]
Registro 8 de fevereiro de 2022 (7 meses)[4][5]
Sede Brasília, DF
Ideologia
Espectro político Centro-direita à direita
Ala jovem União Jovem do Brasil
Fusão DEM
PSL
Membros (2022) 1.083.183[8]
Governadores (2022)
4 / 27
Prefeitos (2020)[9]
552 / 5 568
Senadores (2022)[10]
8 / 81
Deputados federais (2022)[11]
55 / 513
Deputados estaduais (2022)[12][13]
129 / 1 024
Vereadores (2022)[14]
5 546 / 56 810
Cores      Azul-cobalto
     Azul-celeste
     Amarelo
Página oficial
uniaobrasil.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

HistóriaEditar

  Nota: Este artigo é sobre uma fusão partidária. Para a história dos principais quadros da UNIÃO antes de 2021, veja Democratas (Brasil). Para outros significados, veja Partido Social Liberal.

AntecedentesEditar

Em 2017, foi promulgada a Emenda Constitucional 97, que estabeleceu uma cláusula de barreira progressiva, para que os partidos políticos brasileiros tenham acesso gratuito ao rádio e à televisão em propaganda eleitoral, bem como ao fundo partidário. Igualmente, a emenda proibiu a formação de coligações políticas para a disputa de eleições proporcionais.[21] O objetivo da referida emenda foi diminuir o número de partidos políticos no Brasil.[22]

Desde então, alguns partidos políticos foram incorporados a outros.[23][24][25] Em 2021, o Democratas e o PSL anunciaram a fusão. Historicamente, o Democratas foi um dos maiores partidos da direita brasileira, sendo sucessor do Partido da Frente Liberal (PFL), enquanto o PSL foi uma pequena sigla inicialmente liberal clássica e social-liberal que, com a agremiação e consecutiva candidatura de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018, havia crescido e adotado uma postura tradicionalista e liberal conservadora.[16][26]

FusãoEditar

As primeiras notícias que surgiram no final de 2019, durante a crise que culminou na saída de Jair Bolsonaro do PSL.[27] Na época, houve várias resistências, com ACM Neto, presidente do Democratas, afirmando que essa união não teria sentido e Felipe Francischini, presidente da Comissão de Constituição e Justiça na Câmara dos Deputados, disse que a união faria com que ambos partidos perdessem espaço na política.[28][29]

Após as eleições municipais no Brasil em 2020, as negociações foram retomadas. Inicialmente, o Progressistas faria parte da fusão, porém acabou desistindo.[30] A fusão foi motivada com a saída de vários quadros fortes do Democratas, como o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e o vice-governador de São Paulo Rodrigo Garcia, além dos resultados ruins do PSL nas municipais.[31]

Foi decidido que o presidente do novo partido seria Luciano Bivar e seu secretário-geral seria o ACM Neto.[32] Consequentemente, os diretório nacionais do Democratas e do PSL aprovaram a fusão por unanimidade, com definição de uma convenção nacional em outubro para oficializar a fusão.[33][34]

O nome "União Brasil" e o número 44 foram escolhidos no final de setembro de 2021, as outras alternativas eram Partido Liberal Democrata e Brasil em Movimento. O nome foi escolhido com base em pesquisas qualitativas feitas por ambos os partidos.[35]

Em 6 de outubro de 2021, uma convenção nacional contendo representantes de ambos os partidos aprovou a fusão por aclamação e requisitou a aprovação pelo TSE.[36] Em fevereiro de 2022, o TSE aprovou a fusão e conferiu o registro ao novo partido político.[4]

Diagrama da origem histórica do partido
Aliança Renovadora Nacional
(ARENA) 1966–1979
Partido Democrático Social
(PDS) 1980–1993
Partido Democrata Cristão
(PDC) 1985–1993
Partido Social Trabalhista
(PST) 1988–1993
Partido Trabalhista Renovador
(PTR) 1985–1993
Partido Social Liberal
(PSL) 1994–2022
Frente Liberal
(FL)

Partido da Frente Liberal
(PFL) 1985–2007

Democratas
(DEM) 2007–2022
Partido Progressista Reformador
(PPR) 1993–1995
Partido Progressista
(PP) 1993–1995
União Brasil
(UNIÃO) 2022–presente
Partido Progressista Brasileiro
(PPB) 1995–2003

Partido Progressista
(PP) 2003–2017

Progressistas
(PP) 2017–presente
Fonte: [37][38]

Saída da Ala Pró-BolsonaroEditar

Nas eleições de 2018, os partidos antecessores (DEM e PSL) elegeram 81 deputados federais, de forma que, na data da fusão, o partido tinha o maior número de membros na Câmara dos Deputados. Todavia, durante a janela partidária de 2022, dezenas de deputados, sobretudo aliados do presidente Jair Bolsonaro, deixaram a legenda. Sendo assim, em abril de 2022, o partido tinha 46 membros Câmara dos Deputados, ficando quinto lugar entre os partidos na Casa.[13][39][40]

Entretanto, ainda permaneceram algumas lideranças bolsonaristas, como, por exemplo, a deputada federal e postulante ao senado do Rio de Janeiro, Clarissa Garotinho.[41]

Fusão com o Partido ProgressistaEditar

O Progressistas (PP) fez parte da discussão da união entre o PSL e DEM que culminou na formação do União Brasil,[42] mas acabou não participando da fusão de 2021.[43]

Em 2022, líderes do União Brasil e do PP reiniciando as tratativas de fusão entre os partidos.[44]

Em 1 de outubro do mesmo ano, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, confirmou que a fusão deve ocorrer depois das eleições gerais de 2022.[45]

OrganizaçãoEditar

PrincípiosEditar

   
A criação do UNIÃO nasceu da fusão de DEM e PSL

Assim como seus antecessores, a União Brasil se posiciona na direita no espectro político convencional.[46] O cientista político Vinícius Vieira descreve a fusão com sendo uma versão brasileira de partidos liberais, sendo focado em capitalizar o eleitorado de direita que se decepcionou com o presidente Jair Bolsonaro.[16] Vice-presidente do PSL, Junior Bozzella, colocou a nova legenda como parte do polo democrático e que busca evitar a polarização política entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, afirmando que apoiadores radicais de Bolsonaro teriam que sair do partido.[47]

Na fundação, foi definido um manifesto que afirma as posições políticas da União Brasil, sendo suas quatro diretrizes:

  • O valor da democracia como sistema político pautado pela tolerância, pluralidade, respeito e diálogo;
  • O valor do Estado como garantidor dos direitos sociais básicos da população;
  • O valor da liberdade como condição para busca de realização individual;
  • O valor da família como esteio da pessoa e base da sociedade.

O manifesto também definiu 44 princípios básicos do partido. Na economia, ainda que defensor de austeridade fiscal, privatizações e cortes de impostos,[6][48] o partido é contra o Estado mínimo, afirmando que o Estado tem um papel importante em áreas como educação, saúde e programas de transferência de renda. Em questões sociais, posiciona-se como favorável a preservação da família e da cultura brasileira, defendendo também o aumento da participação das mulheres e minorias raciais na política. Além disso, afirma que a existência de mudanças climáticas é evidente e que o governo deve realizar ações imediatas para mitigar isso.[49]

Desempenho eleitoralEditar

Eleições municipaisEditar

Eleições estaduais e federaisEditar

Eleições presidenciaisEditar

Ano Imagem Candidato(a) à presidência Candidato(a) à vice-presidência Coligação Votos Posição
2022   Soraya Thronicke
(UNIÃO)
Marcos Cintra
(UNIÃO)
Sem coligação 600.953

(0,51%)

5

Referências

  1. a b Uribe, Gusttavo; Cury, Teo (29 de setembro de 2021). «Partido criado pela fusão PSL-DEM deve se chamar "União Brasil" e adotar nº 44». CNN Brasil. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  2. a b Alves, Renato (6 de outubro de 2021). «Convenção marca junção de PSL-DEM e surgimento do União Brasil». O Tempo. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  3. Soares, Olavo (5 de outubro de 2021). «Convenção Coletiva formaliza fusão do PSL e DEM, criando o União Brasil». Gazeta do Povo. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  4. a b c «TSE aprova registro e estatuto do União Brasil, partido resultante da fusão entre DEM e PSL». G1. 8 de fevereiro de 2022. Consultado em 8 de fevereiro de 2022 
  5. «TSE aprova registro do partido União Brasil». TSE. 8 de fevereiro de 2022. Consultado em 8 de fevereiro de 2022 
  6. a b
  7. TSE. «Estatísticas do eleitorado – Eleitores filiados». tse.jus.br. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  8. «Resultados da eleição municipal de 2020 para as prefeituras». PATRI. Consultado em 10 de abril de 2021 
  9. a b Senado Federal. «Senadores em Exercício 55ª Legislatura (2019 - 2023)». Consultado em 9 de abril de 2021 
  10. a b Câmara dos Deputados. «Bancada dos partidos». Consultado em 9 de abril de 2021 
  11. EBC (28 de outubro de 2018). «Eleições 2018: Confira lista completa dos candidatos eleitos». Consultado em 9 de abril de 2021 
  12. a b «Bancada dos Partidos na Câmara dos Deputados». Câmara dos Deputados. 7 de abril de 2022. Consultado em 7 de abril de 2022 
  13. G1 (17 de novembro de 2020). «DEM, PP e PSD aumentam número de vereadores no Brasil; MDB, PT, PSDB, PDT e PSB registram redução». Consultado em 9 de abril de 2021 
  14. a b Boldrin, Fernanda (6 de outubro de 2021). «Fusão pode ser referência de uma direita sem Bolsonaro». Nexo Jornal. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  15. a b c Moreira, João Almeida. «Direita cria maior partido do Brasil para fazer frente a Lula e Bolsonaro». DN. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  16. «União Brasil». tse.jus.br. TSE. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  17. Camargo, Felipe; Esteves, Ana Lívia (28 de setembro de 2021). «Fusão PSL-DEM pode impactar opções partidárias de Bolsonaro?». Sputnik News. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  18. Spechoto, Caio; Haubert, Mariana (29 de setembro de 2021). «PSL e DEM devem formar "União Brasil" e ter número 44». Poder360. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  19. «União Brasil fortalece muito pré-candidatura de ACM Neto ao governo', diz Bruno Reis». 6 de outubro de 2021. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  20. «Emenda Constitucional nº 97 de 4 de outubro de 2017». planalto.gov.br. 4 de outubro de 2017. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  21. Braga, Maria do Socorro (13 de novembro de 2020). «O Brasil está no caminho para reduzir o número de partidos?». Nexo Jornal. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  22. «Plenário do TSE aprova incorporação do PRP ao Patriota». tse.jus.br. TSE. 28 de março de 2019. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  23. «O Plenário aprova incorporação do PPL ao PCdoB». tse.jus.br. TSE. 28 de maio de 2019. Consultado em 13 de fevereiro de 2022 
  24. «O Plenário aprova incorporação do PHS ao Podemos». tse.jus.br. TSE. 19 de setembro de 2019. Consultado em 13 de fevereiro de 2022 
  25. Fucs, José (5 de fevereiro de 2018). «Com chegada de Bolsonaro, Livres anuncia saída do PSL». Estadão. Consultado em 12 de setembro de 2022 
  26. Rosa, Vera; Onofre, Renato; Turtelli, Camila (17 de outubro de 2019). «DEM articula fusão com ala pró-Bivar do PSL - Política». Estadão. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  27. «ACM Neto nega fusão do DEM com o PSL: 'Não tem sentido'». R7. 20 de outubro de 2019. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  28. Jubé, Andrea; Truffi, Renan. «'Todo mundo perde', diz Francischini sobre eventual fusão PSL- DEM». Valor Econômico. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  29. Oliveira, Wesley (27 de julho de 2021). «PP, PSL e DEM: o que se sabe sobre fusão para criar "superpartido"». Gazeta do Povo. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  30. Oliveira, Wesley (20 de setembro de 2021). «Fusão PSL-DEM: o que está por trás do acordo para criar novo partido». Gazeta do Povo. Consultado em 6 de outubro de 2021 
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  32. Garcia, Gustavo (21 de setembro de 2021). «Cúpula do DEM aprova convenção nacional em outubro para confirmar fusão com PSL». G1. Consultado em 6 de outubro de 2021 
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  34. Chaib, Júlia (30 de setembro de 2021). «União Brasil será nome de partido formado por fusão de DEM e PSL». Folha de S. Paulo. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  35. Hanna, Wellington (6 de outubro de 2021). «DEM aprova, por aclamação, fusão com PSL; novo partido se chamará União Brasil». G1. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  36. TSE. «Histórico de partidos». Consultado em 26 de outubro de 2016 
  37. Marcio Rodrigo Nunes Cambraia (outubro–dezembro de 2010). «A Formação da Frente Liberal e a Transição Democrática no Brasil (1984-85)». Revista On-Line Liberdade e Cidadania. Fundação Liberdade e Cidadania. Consultado em 26 de outubro de 2016 
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  43. «PSL e DEM tentam finalizar fusão, mas caciques locais resistem». Poder360. 30 de setembro de 2022. Consultado em 1 de outubro de 2022 
  44. «Arthur Lira confirma fusão do PP com o União Brasil». G1. 1 de outubro de 2022. Consultado em 1 de outubro de 2022 
  45. Boldrin, Fernanda (6 de outubro de 2021). «'Fusão pode ser referência de uma direita sem Bolsonaro'». Nexo Jornal. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  46. Lima, Wilson (3 de outubro de 2021). «Bozzella diz que fusão entre PSL e DEM vai alavancar candidatura da terceira via». O Antagonista. Consultado em 6 de outubro de 2021 
  47. «Imposto Único Federal: conheça a proposta de Soraya Thronicke». uniaobrasil.org.br. 29 de agosto de 2022. Consultado em 12 de setembro de 2022 
  48. Dantas, Cláudio (6 de outubro de 2021). «"A miríade de partidos que temos confunde o eleitor, favorece o fisiologismo", diz manifesto do União Brasil». O Antagonista. Consultado em 6 de outubro de 2021 

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