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Perseu com a cabeça da Medusa
Autor Antonio Canova
Data 1797
Gênero nudez heroica
Técnica mármore
Dimensões 235 centímetros
Localização Museus Vaticanos

O Perseu com a cabeça da Medusa é uma estátua esculpida pelo italiano Antonio Canova. Está preservada no Cortile Ottagono dos Museus Vaticanos. Foi realizada em mármore branco e tem um tamanho ligeiramente acima do natural.

Possivelmente a sua composição mais célebre no gênero heróico e uma das principais em toda a sua produção, o Perseu foi concebido em torno de 1790 mas esculpido com grande rapidez entre fins de 1800 e o início de 1801, no retorno de sua viagem à Alemanha. Foi inspirado no Apolo Belvedere, uma obra considerada então como o ápice da estatuária clássica grega e um representante perfeito do Belo ideal.[1]

Perseu não é figurado em combate, mas no seu triunfo, sereno, no momento de relaxamento após a tensão da luta com a Medusa. Nele estão expressos dois princípios psicológicos opostos mas contíguos, o da "ira cessante" e o da "satisfação nascente", como sugeriu a condessa Isabella Albrizzi, uma de suas primeiras comentaristas, ainda em vida do autor.[1]

Imediatamente após sua conclusão foi reconhecido como uma obra-prima, mas houve quem criticasse seu caráter excessivamente "apolíneo", próprio para o deus mas não para um herói, e sua atitude por demais "graciosa", indigna de um guerreiro. Leopoldo Cicognara ironizou o fato dizendo que os críticos, na impossibilidade de atacarem a execução, tida como impecável por todos, procuraram desmerecer seu conceito. Anos mais tarde, quando Napoleão invadiu a Itália, confiscou o Apolo e o levou para a França. O papa então adquiriu o Perseu como substituição e mandou instalá-lo no pedestal da imagem roubada, um gesto de grande valor simbólico para os italianos, abalados com o saque de suas riquezas pelo invasor. Por isso o Perseu recebeu o pungente apelido de O Consolador.[1][2]

Pela soberba conquista artística que a estátua é, em 1802 Canova recebeu do papa Pio VII o título de Cavaliere da Ordem da Espora de Ouro.[3] Foi a única honraria que Canova recebeu pessoalmente, avesso que era ao cerimonial. Durante a cerimônia o papa colocou a comenda no peito do artista com suas próprias mãos, uma quebra de protocolo que chamou a atenção geral na época, e que significava a alta estima que o papa lhe devotava. Para muitos daquela época, Canova, hoje considerado um dos maiores expoentes do estilo Neoclássico, era o maior escultor desde Fídias, na verdade era chamado de o Novo Fídias.[4]

Existe uma segunda versão do Perseu que foi criada entre 1804 e 1806 para a condessa Valeria Tarnowska da Polônia e que hoje está no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque, e que segundo a descrição do museu mostra um maior refinamento nos detalhes e uma abordagem mais lírica do sujeito.[5]

Referências

  1. a b c Pinelli, Antonio. Il Perseo di Canova e il Giasone di Thorvaldsen: due modelli di "nudo eroico" a confronto. IN Kragelund, Patrick & Nykjærpp, Mogens. Thorvaldsen. Volume 18 de Analecta Romana Instituti Danici. Supplementum. L'Erma di Bretschneider, 1991. pp. 25-30
  2. Johns, Christopher M. S. Antonio Canova and the politics of patronage in revolutionary and Napoleonic Europe. University of California Press, 1998, p. 40
  3. Cicognara, conde Leopoldo. Biographical Memoir. IN Bohn, Henry G. (ed). The Works of Antonio Canova, in Sculpture and Modelling, engraved in Outline by Henry Moses; with Descriptions by Countess Albrizzi, and a Biographical Memoir by Count Cicognara. Londres: Henry G. Bohn, 1823. Vol. I, pp. xx-xxi
  4. Johns, pp. 25; 65-66
  5. The Metropolitan Museum of Art. Antonio Canova: Perseus with the Head of Medusa (67.110.1). IN Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art, 2000

Ver tambémEditar