Ponte delle Tette é uma pequena ponte sobre o canal de São Câncio, na freguesia de San Cassiano, Veneza, Itália, nos sestieres de San Polo e Santa Croce.[1]

Ponte delle Tette, Veneza

O nome ("Ponte das Tetas") vem do uso da ponte por prostitutas, que eram encorajadas a mostrar os seios na ponte[2] e em janelas próximas [3] para atrair e converter suspeitos de homossexualidade[4][5]

História editar

A Serenissima restringiu a prostituição em Veneza à área de Carampane di Rialto num decreto oficial em 1412. As prostitutas, ou cortesãs,[6] como eram chamadas; ficaram muito restringidas no perímetro e comportamento autorizados. Os edifícios da área tornaram-se propriedade da Sereníssima quando o último membro da poderosa família Rampani morreu sem deixar herdeiros.[7] Um toque de recolher obrigatório foi-lhes então imposto, e elas não podiam sair da área, excepto aos sábados, sendo obrigadas a usar um lenço amarelo, em vez do lenço branco das mulheres casadas. As prostitutas não podiam trabalhar em certos dias santos, com trangressões às regras podendo resultar em flagelação.[8]

Durante o século XVI, as prostitutas encontraram forte competição de homossexuais e pediram formalmente ajuda ao Doge. [9] As autoridades, decididas a suprimir a homossexualidade (que era percebida como um problema social), permitiram que as prostitutas exibissem os seios em varandas e janelas perto da ponte para atrair clientela.[9] À noite, eram autorizadas a usar lanternas para iluminar e exibir os seios.[10] Para desviar com tal incentivo os homens de pecados anti-natura,[7] a Sereníssima pagava também às prostitutas para se manterem em fila na ponte com os seios expostos.[2][11] A exibição dos seios servia também para excluir as prostitutas travestis.[9]

Os impostos à prostituição obrigatorios pela Sereníssima em 1514 ajudaram a financiar as escavações no Arsenale.[4] Um escritor estimou que haviam cerca de 11.654 prostitutas em Veneza naquela época.[4] Perto ficava o Traghetto Del Buso (Barco do Buraco), onde os clientes das prostitutas atravessavam o Grande Canal para entrar no quarteirão da prostituição.[4]Casanova era tido como um visitante assíduo.[12]

Essa situação continuou até o século XVIII quando, para estimular o turismo,[13] as prostitutas mais jovens foram autorizadas a trabalhar em toda a cidade[7] enquanto as mais velhas e menos atraentes eram restritas ao vizinho Rio terà delle Carampane.[14]

Referências

  1. «il-ponte-delle-tette-ovvero-storia-delle-carampane». Veneto World (em italiano) 
  2. a b Inglis-Arkell, Esther. «How Venice Fought Homosexuality With The "Bridge Of Breasts"». io9 
  3. Sethre 2003, p. 154.
  4. a b c d Sethre 2003, p. 155.
  5. Valhouli, Christina. «Courtesan power». Salon.com 
  6. «le cortigiane a Venezia» 
  7. a b c De Conti, Elisa. «Il Ponte delle Tette, ovvero Storia delle Carampane». Veneto World (em italiano) 
  8. Leon 2013, p. 155.
  9. a b c Giraudo2007, p. 240.
  10. Leon 2013, p. 156.
  11. Tassini, Curiosità Veneziane, Filippi Editore.
  12. «Ponte delle Tette in Venice, Italy». GPSmyCity (em inglês) 
  13. «Venezia: Storia del Ponte delle Tette e Perché si Dice "Carampana"». Placida Signora (em italiano) 
  14. «Il Ponte delle Tette e 'le Carampane' a Venezia». www.venetoinside.com (em italiano) 

Bibliografia editar