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Prakriti (प्रकृति) é um termo sânscrito que, para os estudiosos vedantinos e na teosofia, é a natureza objetiva, que é entendida como ilusória. Significa, literalmente, "natureza".[1][2] É um conceito central do hinduísmo, tendo sido formulado pela escola sânquia. Se refere à matéria primária, composta por três qualidades inatas (gunas), cujo equilíbrio é a base de toda a realidade empírica observada.[3][4] Prakriti, nessa escola, se caracteriza pelo contraste com o purusha, que é consciência pura e metafísica.[5] O termo também é encontrado em textos de outras religiões indianas, como o jainismo[6] e o budismo.[7]

Nas línguas indianas com raízes sânscritas, prakriti se refere ao aspecto feminino de todas as formas de vida.[8]

Etimologia e significadoEditar

Prakriti é um conceito da era védica que significa "colocar em primeiro, a forma original de qualquer coisa, a substância primária".[9] O termo é discutido por Yāska (~600 a.C.) no Nirukta, e é encontrado em numerosos textos hindus.[10] Nos textos hindus, ele significa "natureza, corpo, matéria, universo fenomênico".[11][12]

DiscussãoEditar

Na escola sânquia, o prakriti é contrastado com o purusha (espírito, consciência),[13] e se refere ao "mundo material, natureza, matéria, caráter físico e psicológico, constituição, têmpera, disposição".[14] De acordo com Knut Jacobsen, no sistema dualístico da escola sânquia, "purusha é o princípio da consciência pura, enquanto prakriti é o princípio da matéria", e purusha é o masculino em todo ser vivo como consciência, e prakriti é o feminino e o substrato que aceita purusha.[15]

Na cosmologia hindu, prakriti é o aspecto feminino da existência, a vontade personificada e a energia do Supremo (Brahman). Já no shaktismo, a Deusa é representada tanto como Brahman como prakriti.[16] Nos textos de sânquia-ioga, prakriti é a potência que provoca a evolução e a mudança no universo empírico. É descrito no Bhagavad Gita como a "força motriz primal".[17] É o constituinte essencial do universo e a base de toda a atividade da criação.[18]

Prakriti está estreitamente associado ao conceito de maiá nos textos hindus.[19]

No jainismo, o termo prakriti é usado na teoria do carma, e é considerado "a forma de matéria que cobre as perfeições da alma (jiva) e impede sua liberação".[20]

De acordo com o sânquia e o Bhagavad Gita, prakriti, ou a natureza, é composto por três gunas, que são tendências ou modos de operação: rajas (criação), sattva (preservação) e tamas (destruição). Sattva engloba qualidades de bondade, luz e harmonia.[21] Rajas é associado ao conceitos de energia, atividade e paixão. Portanto, dependendo de como é usado, pode tanto ter um efeito facilitador como dificultador na evolução da alma.[22] Tamas é, comumente, associado com inércia, escuridão, insensibilidade. Considera-se que as almas mais tamásicas estão envoltas em escuridão e demoram mais para alcançar a liberação.[23]

Referências

  1. James G. Lochtefeld. The Illustrated Encyclopedia of Hinduism. [S.l.]: Rosen Publishing 
  2. Bruce Burger. Esoteric anatomy: the body as consciousness. [S.l.]: North Atlantic Books 
  3. James G. Lochtefeld. The Illustrated Encyclopedia of Hinduism. [S.l.]: Rosen Publishing 
  4. «Encyclopaedia Britannica». Consultado em 29 de junho de 2019 
  5. James G. Lochtefeld. The Illustrated Encyclopedia of Hinduism. [S.l.]: Rosen Publishing 
  6. J Jaini (1940). Outlines Of Jainism. [S.l.]: Cambridge University Press 
  7. Paul Williams (2005). Buddhism: Yogācāra, the epistemological tradition and Tathāgatagarbha. [S.l.]: Routledge 
  8. Knut A. Jacobsen (2008). Encyclopedia of Religion and Nature. [S.l.]: Bloomsbury Academic 
  9. Monier Monier-Williams (1899). Monier William's Sanskrit-English Dictionary. [S.l.]: Oxford University Press 
  10. Monier Monier-Williams (1899). Monier William's Sanskrit-English Dictionary. [S.l.]: Oxford University Press 
  11. Knut A. Jacobsen (2008). Encyclopedia of Religion and Nature. [S.l.]: Bloomsbury Academic 
  12. Constance Jones; James D. Ryan (2006). Encyclopedia of Hinduism. [S.l.]: Infobase Publishing 
  13. Charles Johnston (2014). The Bhagavad Gita: Songs of the Master. [S.l.: s.n.] 
  14. Monier Monier-Williams (1899). Monier William's Sanskrit-English Dictionary. [S.l.]: Oxford University Press 
  15. Knut A. Jacobsen (2008). Encyclopedia of Religion and Nature. [S.l.]: Bloomsbury Academic 
  16. Monier Monier-Williams (1899). Monier William's Sanskrit-English Dictionary. [S.l.]: Oxford University Press 
  17. Charles Johnston (2014). The Bhagavad Gita: Songs of the Master. [S.l.: s.n.] 
  18. Maharishi Mahesh Yogi on the Bhagavad-Gita, a New Translation and Commentary. [S.l.]: Penguin Books. 1969 
  19. «Preceptos de perfección». Consultado em 30 de junho de 2019 
  20. Knut A. Jacobsen (1999). Prakr̥ti in Samkhya-yoga: Material Principle, Religious Experience, Ethical Implications. [S.l.]: Peter Lang 
  21. Eknath Easwaran (2007). The Bhagavad Gita. [S.l.]: Nilgiri Press 
  22. Eknath Easwaran (2007). The Bhagavad Gita. [S.l.]: Nilgiri Press 
  23. Swami Venkatesananda (1984). The Concise Yoga Vāsiṣṭha. [S.l.: s.n.] 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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