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A península da Jutlândia. Holstein é mostrada em amarelo, Schleswig do sul em laranja, Schleswig do norte em vermelho e a outra parte dinamarquesa da Jutlândia em terracota.

A Questão de Schleswig-Holstein refere-se a um conjunto de questões diplomáticas e outras questões que surgiram no século XIX das relações entre os ducados de Schleswig e Holstein com a coroa dinamarquesa e a Confederação Germânica. Schleswig foi parte da Dinamarca durante a Era Viquingue, e se tornou um ducado dinamarquês no século XII. A Dinamarca tentou restabelecer o ducado de Schleswig ao reino dinamarquês em várias ocasiões.

Em 27 de março de 1848, Frederico VII da Dinamarca anunciou ao povo de Schleswig a promulgação de uma constituição liberal sob a qual o ducado, preservando sua autonomia local, se tornaria parte integrante da Dinamarca. Isto conduziu a uma revolta iniciada pela grande maioria dos habitantes alemães de Schleswig-Holstein, em apoio à independência da Dinamarca e uma estreita colaboração com a Confederação Germânica. A intervenção militar do Reino da Prússia apoiou a revolta: o exército prussiano expulsou as tropas dinamarquesas de Schleswig-Holstein, na Primeira Guerra do Schleswig em 1848-1851.[1][2] A segunda tentativa de integrar o ducado de Schleswig ao reino dinamarquês, devido à assinatura da Constituição de novembro pelo rei Cristiano IX da Dinamarca, foi vista como uma violação dos Protocolos de Londres.

Apesar de Schleswig, Holstein e Dinamarca, terem o mesmo governo hereditário durante alguns séculos, as regras de herança não eram exatamente as mesmas. Os ducados de Schleswig e Holstein foram herdados sob a lei sálica, que ignorava as mulheres: o Reino da Dinamarca tinha um direito sucessório ligeiramente diferente incluindo herdeiros varões que herdavam através da linha feminina. No século XIX, esta pequena diferença no direito das sucessões significava que, quando o rei Frederico VII da Dinamarca morresse sem filhos, o Reino da Dinamarca seria separado dos ducados de Schleswig e Holstein, uma vez que duas pessoas diferentes herdariam o reino e os ducados. Finalmente isso aconteceu depois da morte de Frederico em 1863.[1]

A questão central era se o ducado de Schleswig seria ou não parte integrante dos domínios da coroa dinamarquesa, já que esteve associado com a monarquia dinamarquesa por séculos, ou se Schleswig, juntamente com Holstein, deveria tornar-se uma parte independente da Confederação Germânica. O próprio Schleswig era um feudo da Dinamarca, como o ducado de Holstein foi um feudo alemão e, portanto, parte da Confederação Germânica com o rei dinamarquês como duque. Isto envolveu a questão, suscitada pela morte do último herdeiro varão comum para a Dinamarca e aos dois ducados, quanto à sucessão adequada nos ducados, e questões constitucionais decorrentes da relação dos ducados com a coroa dinamarquesa, entre si, e as de Holstein com a Confederação Germânica.

Grande parte da história de Schleswig-Holstein tem uma relação a este assunto. Depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, a área com a maioria de sua população dinamarquesa, no norte Schleswig, finalmente unificou-se com a Dinamarca, depois de dois plebiscitos organizados pelas potências aliadas. Uma pequena minoria de origem alemã ainda vive no norte de Schleswig.

A Segunda Guerra de Schleswig resolveu violentamente a questão de Schleswig-Holstein forçando o rei da Dinamarca a renunciar em 1 de agosto de 1864 a todos os direitos sobre os ducados em favor do imperador Francisco José I da Áustria e do rei Guilherme I da Prússia.[3] Em virtude do artigo XIX do Tratado de Viena, assinado em 30 de outubro de 1864, foram permitidos um período de seis anos durante os quais os habitantes dos ducados poderiam optar pela nacionalidade dinamarquesa e a transferência de si mesmos e de seus bens para a Dinamarca. Na Guerra Austro-Prussiana de 1866, a Prússia assumiu Holstein para a Áustria e os ducados mais tarde se tornaram a província de Schleswig-Holstein.[4]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Pouthas, Guiral y Van Regemorter, p.68
  2. Torres Marín, p. 90
  3. «Bismarck e o 2º Império - A ascensão de Bismarck». Deutsche Welle. 27 de abril de 2005  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  4. «Minority Rights Milestone Celebrated». Deutsche Welle (em inglês). 29 de março de 2005  Verifique data em: |ano= (ajuda)

Bibliografia