Quirino Avelino de Jesus

jornalista português
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Quirino Avelino de Jesus (Funchal, 10 de Novembro de 1865Lisboa, 3 de Abril de 1935) foi um advogado, poeta e jornalista que se destacou na defesa pública das posições da Igreja católica Romana durante os anos finais da Monarquia Constitucional e a Primeira República Portuguesa, nomeadamente durante as controvérsias que rodearam a tentativa de reintrodução em Portugal das congregações religiosas e a sua posterior dissolução. Foi deputado às Cortes e especialista em questões coloniais, sendo apontado como um dos ideólogos do Acto Colonial.[1]

Quirino de Jesus
Nome completo Quirino Avelino de Jesus
Nascimento 10 de novembro de 1865
Funchal
Morte 3 de abril de 1935 (69 anos)
Lisboa
Nacionalidade Português
Ocupação Advogado, poeta e jornalista
Principais trabalhos Nacionalismo português (1932)

BiografiaEditar

Nasceu no Funchal, filho de Manuel de Jesus e de Quirina Augusta de Jesus. Inicialmente destinado a seguir o sacerdócio, frequentou ou Seminário do Funchal, mas desistiu quando se preparava para tomar ordens menores.

Em 1887 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, formando-se em 1892, ano em que se fixou na cidade de Lisboa.

Para além da sua actividade como advogado, dedicando a maior parte do seu tempo ao serviço da casa comercial madeirense Casa Hinton (William Hinton & Sons, Lda), colaborou com diversos periódicos, escrevendo maioritariamente sobre questões sociais, económicas e religiosas. Também se empregou na Caixa Geral de Depósitos, onde ascendeu a chefe de serviços.

Teve importante participação política, sendo eleito deputado às Cortes pelo círculo eleitoral do Funchal e mantendo uma importante influência nos meios políticos católicos que atravessaria o período final da Monarquia Constitucional, toda a Primeira República e ainda atingiria os anos iniciais do regime do Estado Novo.

Teve influência na formação política do salazarismo, produzindo importantes documentos de reflexão para António de Oliveira Salazar,[2] sendo apontado como inspirador de Oliveira Salazar na fase da ascensão ao poder. Foi colaborador da Seara Nova, Homens Livres [3] (1923) e especialista das questões coloniais, ideólogo e o suposto autor do Acto Colonial.[1]

Marcelo Caetano aponta-o como o autor do primeiro esboço do projecto de lei constitucional de 1932 que dará origem à Constituição portuguesa de 1933.[4]

Para além de uma vasta obra dispersa pelos periódicos católicos, pela imprensa diária de Lisboa e em revistas de carácter económico ou financeiro, foi autor de diversas monografias sobre a Casa Hinton e sobre temática religiosa e colonial. Foi redactor e director do jornal Portugal em África, do Economista e do Correio Nacional e colaborou na Choldra[5] (1926)

Notas

  1. a b «Fernando Piteira Santos, Império/Colonialismo/Descolonização». 25abril.org. Arquivado do original em 9 de maio de 2013 
  2. Comissão do Livro Negro, Cartas e Relatórios de Quirino de Jesus a Oliveira Salazar, Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, 1987.
  3. Rita Correia (6 de fevereiro de 2018). «Ficha histórica:Homens livres (1923)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de março de 2018 
  4. Marcelo Caetano, Minhas Memórias de Salazar, 3.ª ed., Lisboa, 1985, p. 44
  5. A choldra : semanário republicano de combate e de crítica à vida nacional (1926) [cópia digital, Hemeroteca Digital]

Obras publicadasEditar

  • 1893 — As Ordens Religiosas e as Missões Ultramarinas;
  • 1908 — O álcool do Continente na Madeira;
  • 1910 — A questão Sacarina da Madeira;
  • 1915 — A nova questão Hinton;
  • 1921 — Lusa Epopeia (poema épico);
  • 1932 — Nacionalismo Português.

Ligações externasEditar