Rubrica é uma palavra ou parte de um texto que é tradicionalmente escrita ou impressa em tinta vermelha para destacá-la. A palavra deriva do latim Rubrica, ou seja, ocre vermelho ou giz vermelho, [1] e tem origem nos manuscritos iluminados da Idade Média, especialmente do século XIII ou anterior. Nestes, letras vermelhas foram usadas para destacar iniciais maiúsculas (particularmente de salmos), títulos de seção e nomes de importância religiosa, uma prática conhecida como rubricação.

Missal Dominicano, c. 1240, com rubricas em vermelho (Museu Histórico de Lausanne).
Rubricas em um gradual iluminado de ca. 150.

Rubrica também pode referir-se a tinta vermelha usada para fazer os textos das rubricas, ou qualquer tipo de pigmento usado para fazê-lo.[2] Apesar de vermelho ter sido mais utilizado, outras cores entraram em uso a partir do final da Idade Média em diante, a palavra "rubrica" foi usada para estas também.

Vários sentidos figurados da palavra foram estendidos a partir de seu sentido original. Geralmente, esses sentidos são usados dentro de frases como "sob [qualquer] rubrica", por exemplo, "sob essa rubrica, [X é verdade]" ou "[X foi feito] sob a rubrica de Y." Também podem significar[3] "uma regra autoritária", "o título de um estatuto", "algo sob o qual uma coisa está classificado: Categoria", "um comentário explicativo ou introdutório: Glosa"," uma regra estabelecida, tradição ou costume", "um guia listando critérios específicos de classificação ou marcas acadêmicas [Atribuições]".[3]

Instruções em contextos litúrgicosEditar

As instruções sobre o que um sacerdote deve fazer durante um serviço litúrgico também foram rubricados em missais e outras formas de livro de serviço, deixando os formulários que deviam ser alidos em voz alta, em preto.[4] A partir daí, rubrica significaria a instrução em um texto, independentemente da forma como está escrito ou impresso. Este é de fato, o mais antiga significado da palavra quando surge em 1375 na literatura inglesa.[5] Menos formalmente, rubricas poderiam se referir a qualquer ação litúrgica habitualmente efetuada ao longo de um serviço, se elas estão ou não realmente escritas.

A história, status e autoridade do conteúdo de rubricas é uma questão de importância, às vezes polêmica, entre os estudiosos da liturgia. No passado, alguns teólogos tentaram distinguir entre os rubricas consideradas, como sendo de origem divina e aqueles apenas de origem eclesiástica. Originalmente as rubricas eram, provavelmente, orais, e depois foram escritas em volumes separados. Os livros mais antigos de serviços sobrevivente não as possuem, mas a partir de referências nos escritos do primeiro milênio, parece que rubricas escritas existiam também.[6]

As Rubricas abrangiam questões como as vestes litúrgicas que deviam ser usadas, a aparência do altar, e de maneira geral as ações do padre durante um serviço litúrgico. Nos livros de serviços modernos, como o Missal Romano, longas rubricas gerais (atualmente impressas em preto) abordam essas questões, os formulários a serem dito na missa e em um sacramento, por sua vez, contêm rubricas básicas, ainda impressas em vermelho.

Após o desenvolvimento da impressãoEditar

 
Página da Imprensa Kelmscott de 1896, edição do século XIII das Laudes Beatae Virginis Mariae, com números e linhas de Salmos em vermelho, e as orações em preto.[7][8]

Com a chegada de impressão, efeitos tipográficos, tais como o itálico, negrito ou o uso de um tipo de tamanho diferente, passou a ser usado para enfatizar uma seção de texto, e como a impressão em duas cores é mais cara e demorada, rubricas vermelhas desde então tendiam a ser reservadas especificamente para os livros de serviços religiosos, edições de luxo, ou livros onde o design é enfatizada.

Referências

  1. Oxford English Dictionary meaning 1a.
  2. Oxford English Dictionary meaning 1b
  3. a b Merriam-Webster, «headword "rubric"» 11th ed. , Merriam-Webster, Merriam-Webster's Collegiate Dictionary. 
  4. «Rubrics». Catholic Encyclopedia 
  5. Oxford English Dictionary meaning 3
  6. Catholic Encyclopedia, article cited
  7. Parry, Linda: William Morris, New York: Harry Abrams, 1996, ISBN 0-8109-4282-8
  8. Naylor, Gillian: "The Things That Might Be: British Design after Morris". In Diane Waggoner, ed.: The Beauty of Life: William Morris & the Art of Design, New York: Thames and Hudson, 2003, ISBN 0-500-28434-2, p. 122-124

Ligações externasEditar