SMS Erzherzog Ferdinand Max

O SMS Erzherzog Ferdinand Max foi um navio couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Austro-Húngara e a terceira e última embarcação da Classe Erzherzog Karl, depois do SMS Erzherzog Karl e SMS Erzherzog Friedrich. Sua construção começou em março de 1904 nos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino em Trieste e foi lançado ao mar em maio de 1905, sendo comissionado na frota austro-húngara em dezembro de 1907. Era armado com quatro canhões de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, possuía um deslocamento de mais de dez mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de pouco mais de vinte nós (38 quilômetros por hora).

SMS Erzherzog Ferdinand Max
Smserzherzogfriedrich.jpg
Carreira  Áustria-Hungria
Operador Marinha Austro-Húngara
Fabricante Stabilimento Tecnico Triestino
Custo Kr 26 milhões
Homônimo Fernando Maximiliano da Áustria
Batimento de quilha 9 de março de 1904
Lançamento 21 de maio de 1905
Comissionamento 21 de dezembro de 1907
Descomissionamento novembro de 1918
Estado Desmontado
Características gerais
Tipo de navio Couraçado pré-dreadnought
Classe Erzherzog Karl
Deslocamento 10 640 t
Maquinário 2 motores de tripla-expansão
Comprimento 126,2 m
Boca 21,8 m
Calado 7,5 m
Propulsão 2 hélices
- 18 000 cv (13 200 kW)
Velocidade 20,5 nós (38 km/h)
Armamento 4 canhões de 240 mm
12 canhões de 190 mm
12 canhões de 66 mm
2 tubos de torpedo de 450 mm
Blindagem Cinturão: 210 mm
Torres de artilharia: 240 mm
Casamatas: 150 mm
Torre de comando: 220 mm
Convés: 55 mm
Anteparas: 200 mm
Tripulação 700

O Erzherzog Ferdinand Max teve uma carreira limitada durante a Primeira Guerra Mundial. Junto com o resto da frota, proporcionou suporte para a fuga dos cruzadores alemães SMS Goeben e SMS Breslau para o Império Otomano em agosto de 1914, enquanto em maio de 1915 participou do Bombardeio de Ancona. Quando um motim estourou em fevereiro de 1918 em algumas tripulações em Cátaro, o Erzherzog Ferdinand Max e seus irmãos foram chamados para ajudar na supressão das insubordinações. A Áustria-Hungria foi derrotada e o couraçado, sob os termos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye de setembro de 1919, foi cedido para a Reino Unido e desmontado em 1921.

CaracterísticasEditar

 Ver artigo principal: Classe Erzherzog Karl
 
Desenho da Classe Erzherzog Karl

O Erzherzog Ferdinand Max tinha 126,2 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 21,8 metros, um calado que chegava em 7,5 metros e também possuía um deslocamento de 10 640 toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por dois motores de tripla-expansão verticais de quatro cilindros que giravam duas hélices. Esse maquinário era capaz de produzir por volta de dezoito mil cavalos-vapor (13,2 mil quilowatts) de potência, o que permitia que o Erzherzog Ferdinand Max chegasse a uma velocidade máxima de 20,5 nós (38 quilômetros por hora).[1]

A bateria principal consistia em quatro canhões de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma na proa e outra na popa. Essas armas eram réplicas dos canhões Krupp C/94 alemães que tinham sido instalados nos couraçados da Classe Habsburg.[2] Seus armamentos secundários tinham doze canhões de 190 milímetros instalados em oito casamatas nas laterais da superestrutura e em duas torres à meia-nau, um de cada lado da embarcação.[3] A bateria terciária era composta por doze canhões de 66 milímetros[4] e dois tubos de torpedo de 450 milímetros.[1] Quatro canhões antiaéreos de 37 milímetros foram comprados do Reino Unido em 1910 e instalados na embarcação, enquanto mais dois canhões antiaéreos de 66 milímetros foram incorporados durante reformas entre 1916 e 1917.[5][6]

HistóriaEditar

Tempos de pazEditar

O Erzherzog Ferdinand Max foi o último couraçado da Classe Erzherzog Karl e foi nomeado em homenagem ao imperador Maximiliano do México, antes conhecido como arquiduque Fernando Maximiliano. Sua construção começou no dia 9 de março de 1904 nos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino em Trieste. Ele foi lançado ao mar pouco mais de um ano depois em 21 de maio de 1905, depois do qual passou pelo processo de equipagem e testes marítimos até ser comissionado na Marinha Austro-Húngara no dia 21 de dezembro de 1907.[1] Durante os tempos de paz, ele realizou algumas viagens pelo Mediterrâneo Ocidental junto com seus dois irmãos, primeiro em 1908, parando em sua jornada pelos portos de Barcelona, Gibraltar, Tânger, Málaga e Corfu. Ele fez mais dois cruzeiros pelo Mediterrâneo, em 1909 e 1910.[7]

Primeira GuerraEditar

O Erzherzog Ferdinand Max fazia parte da 3ª Divisão junto com seus irmãos quando a Primeira Guerra Mundial começou.[1] Foi mobilizado, junto com o resto da Marinha Austro-Húngara, para apoiar a fuga dos cruzadores alemães SMS Goeben e SMS Breslau. Os dois estavam servindo no Mediterrâneo quando a guerra começou e estavam tentando deixar a cidade italiana de Messina e escapar para o Império Otomano, ao mesmo tempo fugindo de navios britânicos. A Marinha Austro-Húngara partiu de sua base naval em Pola assim que os alemães deixaram Messina e ela avançou até Brindisi, no sul da Itália, para cobrir os cruzadores, depois retornando em segurança para Pola.[8]

A Itália declarou guerra contra a Áustria-Hungria em maio de 1915 e a Marinha Austro-Húngara realizou logo um grande bombardeio contra Ancona e regiões próximas.[9] O Erzherzog Ferdinand Max e seus irmãos fizeram parte da força principal do ataque, junto com os couraçados das classes Habsburg e Tegetthoff.[10] Os três membros da classe dispararam 24 projéteis anti-blindagem de seus canhões de 240 milímetros contra estações sinaleiras na cidade de Ancona, além de 74 projéteis de suas armas de 190 milímetros contra baterias terrestres italianas e outras instalações portuárias.[1] Depois disso, todas as embarcações retornaram em segurança para a base naval em Pola.[10]

Um grande motim estourou em 1º de fevereiro de 1918 entre tripulações de cruzadores estacionadas em Cátaro, incluindo a bordo do SMS Sankt Georg e SMS Kaiser Karl VI. Os três couraçados da Classe Erzherzog Karl chegaram no local três dias depois e ajudaram na supressão das insubordinações. A paz foi restaurada na base e pouco depois o Sankt Georg e o Kaiser Karl VI foram descomissionados da frota austro-húngara, com o Erzherzog Ferdinand Max e seus irmãos sendo designados para permanecerem em Cátaro.[11]

O almirante Miklós Horthy, que foi nomeado Comandante da Marinha depois do motim em Cátaro, planejou um grande ataque contra a Barragem de Otranto, que estava marcada para ocorrer no dia 11 de junho. Seu plano tinha os couraçados da Classe Erzherzog Karl e aquelas da Classe Tegetthoff dando suporte para os cruzadores da Classe Novara. A ideia de Horthy era replicar em maior escala um ataque bem-sucedido que tinha realizado um ano antes. Entretanto, o couraçado SMS Szent István acabou afundando na manhã do dia 10 de junho depois de ter sido torpedeado por uma lancha italiana. Horthy achou que o elemento surpresa da ação tinha sido perdido e assim cancelou o ataque.[12] Esta foi a última operação que o Erzherzog Ferdinand Max participou em sua carreira, tendo permanecido atracado em Pola pelo restante do conflito.[13]

A Áustria-Hungria foi derrotada na guerra em novembro de 1918 e o Erzherzog Ferdinand Max foi inicialmente tomado pelo Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Entretanto, pelos ternos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, a embarcação foi entregue para o Reino Unido como reparação de guerra.[14] Ele foi desmontado em 1921.[1]

Referências

  1. a b c d e f Hore 2006, p. 123
  2. «Germany 24 cm/40 (9.4") SK L/40». NavWeaps. Consultado em 28 de julho de 2020 
  3. «Austria-Hungary 19 cm/42 (7.48") Skoda». NavWeaps. Consultado em 28 de julho de 2020 
  4. «Austria-Hungary 7 cm/50 (2.75") K10 and K16 Skoda». NavWeaps. Consultado em 28 de julho de 2020 
  5. Friedman 2011
  6. «Erzherzog Karlbattleships (1906-1907)». Navypedia. Consultado em 28 de julho de 2020 
  7. Lakatos, Alex. «Erzherzog Karl Class – Erherzog Ferdinand Max». Battleships-Cruisers.co.uk. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  8. Halpern 1995, p. 54
  9. Hore 2006, p. 91
  10. a b Noppen 2012, p. 28
  11. Halpern 1995, pp. 170–171
  12. Halpern 1995, p. 174
  13. Sokol 1968, p. 135
  14. Koburger 2001, p. 121

BibliografiaEditar

  • Friedman, Norman (2011). Naval Weapons of World War One: Guns, Torpedoes, Mines and ASW Weapons of All Nations; An Illustrated Directory. Barnsley: Seaforth Publishing. ISBN 978-1-84832-100-7 
  • Halpern, Paul G. (1995). A Naval History of World War I. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-55750-352-7 
  • Hore, Peter (2006). Battleships. Londres: Lorenz Books. ISBN 978-0-7548-1407-8 
  • Koburger, Charles (2001). The Central Powers in the Adriatic, 1914–1918: War in a Narrow Sea 5ª ed. Westport: Greenwood Publishing Group. ISBN 978-0-275-97071-0 
  • Noppen, Ryan (2012). Austro-Hungarian Battleships 1914–18. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 978-1-84908-688-2 
  • Sokol, Anthony (1968). The Imperial and Royal Austro-Hungarian Navy. Annapolis: Naval Institute Press. OCLC 462208412