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Sagala, que acredita-se ser a moderna Sialkot, foi uma cidade localizada no norte de Punjabe, no Paquistão.

Destruição por AlexandreEditar

 
Sagala está no leste de Punjabe, próximo ao limite extremo oriental das campanhas de Alexandre na Ásia.

A cidade aparece nos relatos das conquistas de Alexandre, o Grande das províncias orientais da Pérsia, na Ásia. Após cruzar o Ravi, Alexandre, acompanhado por Poro (Raja Puru) com elefantes e 5.000 tropas locais, sitiou Sagala; a cidade foi arrasada, e muitos dos seus habitantes foram mortos:

"Os cateanos (...) tinham uma forte cidade (...) chamada Sagala. (...) No dia seguinte, Alexandre descansou as suas tropas, e, no terceiro dia, avançou em Sagala, onde os cateanos e os vizinhos que juntaram-se a eles estavam em ordem de batalha. (...) Nesse ponto, Poro chegou, trazendo consigo o resto dos elefantes e umas cinco mil de suas tropas. (...) Alexandre retornou a Sagala, arrasou a cidade e anexou-a ao seu território. Sagala foi reconstruída e estabelecida como posto fronteiriço, e incorporada ao vasto império de Alexandre. Foi o posto fronteiriço mais a leste estabelecido por Alexandre e, por muito tempo, um centro de influência helenística.". Arriano, Anabasis Alexandri, V.22-24.

Período sungaEditar

Logo após ter derrotado o Império Máuria, acredita-se tradicionalmente que Pusiamitra Sunga expandiu o seu território até Sagala. De acordo com o Asokavadana no século II:

"Então, o rei Pusiamitra equipou um exército, e, com a intenção de destruir o Budismo, foi para Kukkutarama. (...) Ali, Pusiamitra destruiu o sangharama, matou os monges e partiu.
Após algum tempo, ele voltou a Sakala e proclamou que daria uma recompensa de cem dinaras para quem quer que lhe trouxesse a cabeça de um monge budista.". Asokavadana, 133, trad. para o inglês John Strong.

Período indo-gregoEditar

Sagala foi usada como capital pelo rei greco-bactriano (alternativamente indo-grego ou greco-indiano) Milinda, durante o seu reinado, entre 160 e 135 a.C.

Em contraste com outros governos imperialistas, relatos literários sugerem que os gregos e a população local de cidades como Sagala viviam em relativa harmonia, com alguns dos residentes locais adotando as responsabilidades da cidadania grega - e, mais surpreendente ainda, gregos se convertendo ao budismo e adotando as tradições locais.

Mas as melhores descrições de Sagala vêm do Milinda Panha, um diálogo entre o rei Menandro e o monge budista Nagasena. Historiadores como Sir Tarn acreditam que esse documento tenha sido escrito uns 100 anos após o governo de Menandro, o que é um dos testemunhos mais duradouros da produtividade e benevolência do seu governo, o que tornou mais aceita a teoria mais moderna de que ele era visto como um Chakravartin - Rei da Roda, em sânscrito.

No Milinda Panha, a cidade é descrita da seguinte forma:

"Existe, no país dos yonakas (gregos), um grande centro de comércio, uma cidade que é chamada de Sâgala, situada em um encantador país, montanhoso e com boa água, abundante em parques e jardins e bosques e lagos e tanques, um paraíso de rios e montanhas e florestas. Sábios arquitetos a projetaram, e o seu povo não conhece a opressão, visto que todos os seus inimigos e adversários foram derrotados. Brava em sua defesa, com muitas e fortes torres e fortificações, com soberbos portões e arcadas; e com a cidadela real no seu centro, com muros brancos e circundada com fossos. Bem traçadas são as suas ruas, praças, encruzilhadas, e mercados. Bem mostrados são os inúmeros tipos de mercadorias caras com as quais as lojas são enchidas. É esplêndida com centenas de milhares de magníficas mansões, que elevam-se nas alturas como os picos das montanhas do Himalaia. As suas ruas estão cheias de elefantes, cavalos, carruagens e pedestres, frequentadas por grupos de lindos homens e belas mulheres, e repletas de homens de todos os tipos e condições, brâmanes, nobres, artífices, e servos. Ressoam os seus gritos de boas vindas aos professores de todos os credos, e a cidade é o lugar mais frequentado pelos líderes de cada uma das diferentes seitas. Existem lojas para vender roupas de variados tipos; e doces aromas são exalados dos bazares, onde todos os tipos de flores e perfumes estão dispostos. Jóias existem aos montes, como desejam os homens, e comerciantes em todo o tipo de decoração vistosa mostram os seus bens nos bazares. Tão cheia é a cidade de dinheiro, e ouro e prata, e cobre e pedra, que é uma mina de tesouros deslumbrantes. E existem muitas coisas de valor nos armazéns-comidas e bebidas de todos os tipos, xaropes e gulodices de toda sorte. Em riqueza, rivaliza com Uttara-kuru, e em glória é como Âlakamandâ, a cidade dos deuses.". (As Perguntas do Rei Milinda, tradução para o inglês por T. W. Rhys Davids, 1890).

Tempos posterioresEditar

Sagala foi descrita como "Sagala de Eutidêmia", na Geografia de Ptolomeu, no século I a.C.

Incidentalmente, Sagala também foi a capital do rei indo-heftalita Mihirakula.

Ver tambémEditar