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Salto com vara é um evento do atletismo onde os competidores usam uma vara longa e flexível para alcançar maior altura e passar por cima de uma barra ou sarrafo. Competições com varas já eram conhecidas na Grécia Antiga, entre os cretenses e os celtas. Foi introduzido como modalidade olímpica desde os primeiros Jogos em Atenas 1896 para os homens e desde Sydney 2000 para as mulheres.

Salto com vara
Olímpico desde 1896 H / 2000 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeão olímpico
Homens Thiago Braz
 Brasil
Mulheres Ekaterini Stefanidi
 Grécia
Campeão mundial
Homens Sam Kendricks
 Estados Unidos
Mulheres Ekaterini Stefanidi
 Grécia

É uma modalidade classificada como um das quatro principais provas de salto no atletismo, junto com o salto em altura, salto em distância e o salto triplo. Sua originalidade está no fato de ser um esporte que requer uma significativa quantidade de equipamento especializado para ser praticado, tornando-o mais caro que os demais, mesmo em nível básico. Vários saltadores de sucesso na prova tem uma base na ginástica, caso da russa Yelena Isinbayeva e da brasileira Fabiana Murer, o que reflete os atributos físicos similares necessários para os dois esportes.[1]

O primeiro campeão olímpico foi o norte-americano William Hoyt, em 1896, e a primeira campeã, 104 anos depois, Stacy Dragila, também dos Estados Unidos. Dragila tinha como base na adolescência ser montadora de cavalos e touros em rodeios na Califórnia.[2] O brasileiro Thiago Braz é o atual campeão e recordista olímpico masculino da modalidade – 6,03 m. Os recordes mundiais pertencem ao francês Renaud Lavillenie – 6,16 m – e à russa Yelena Isinbayeva – 5,06 m. Ele é disputado tanto ao ar livre quanto em pista coberta, e os recordes são registrados independente da locação aberta ou fechada.[3]

Índice

HistóriaEditar

Varas eram equipamentos usados como meios práticos de atravessar obstáculos naturais como terrenos pantanosos no Noroeste da Europa, em províncias como a Frísia, na Holanda, ao longo do Mar do Norte, e em regiões pantanosas do leste da Inglaterra em torno de Cambridgeshire, Lincolnshire e Norfolk. Drenagens artificiais nestes locais criaram uma rede de canais e coletores abertos que se cruzavam uns com os outros. Para cruzar estes locais sem se molhar e evitar tediosos e longos rodeios pelas pontes, uma pilha de longas e finas varas de salto era mantida em cada casa e usada para saltar sobre os pequenos canais. Competições de salto em distância, e não ainda de altura, com estas varas, eram realizadas anualmente nas terras baixas ao longo do Mar do Norte e chamadas de Fierljeppen.[4]

 
Fierljeppen sobre a água na Holanda.

Uma das primeiras competições de salto com varas onde a altura foi medida aconteceu no Ulverston Football and Cricket Club, em Lancashire, Inglaterra, em 1843.[2] A competição moderna começou por volta, de 1850 na Alemanha, quando o salto com vara foi adicionado como modalidade para a prática de exercícios em clubes de ginástica. Também em uso na Inglaterra nesta época eram competições com o uso de varas de cinza sólida ou de nogueira com pontas de ferro no final delas.[5] A moderna técnica do salto foi desenvolvida nos Estados Unidos no fim do século XIX. Inicialmente as varas eram feitas de material rígido como bambu – registrado pela primeira vez em 1857 – [5] ou alumínio, mas com a introdução a partir do início da década de 1950 de varas feitas de fiberglass e fibra de carbono, os saltadores começaram a atingir alturas mais elevadas antes inalcançáveis.[6] Em 1985, o ucraniano Sergei Bubka, então competidor da União Soviética, foi o primeiro homem a superar os seis metros.[7]

RegrasEditar

A pista de corrida para o salto deve medir no mínimo 45 metros e ao fim dela se encontra o obstáculo, uma barra horizontal de 4,5 m de comprimento, 2,260 kg de peso máximo, sustentada por duas traves laterais que a elevam e apoiam à determinada altura. Exatamente ao fim da pista, ao nível do solo e à frente do obstáculo, existe centrada uma caixa de metal ou madeira, com 1 m de comprimento, 60 cm de largura no início e 15 cm junto ao obstáculo. É nela que o saltador apoia a vara para conseguir a impulsão, realizar o salto e ultrapassar o sarrafo.[8]

As mesmas regras do salto em altura são aplicadas à vara; o atleta tem três tentativas para saltar a marca, mas pode se recusar saltar determinada altura preferindo esperar por outra maior. Não conseguindo passar a altura depois de três tentativas na mesma altura ou alturas combinadas, é eliminado. Caso empatem na mesma altura final, o desempate é feito pelo número menor de tentativas para superar a altura imediatamente anterior. Caso continue empatado, é analisado o menor número de tentativas em toda a disputa; ainda um empate, a prova então tem um ou mais saltos de desempate até surgir o vencedor.[5]

RecordesEditar

Os recordes mundiais incluem outdoor e indoor (i), de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[9][10][11]

Homens
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
 
6,16 m (i)
Renaud Lavillenie
 
15 fevereiro 2014
Donetsk
 
6,03 m
Thiago Braz
 
15 agosto 2016
Rio 2016
Mulheres
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
 
5,06 m
Yelena Isinbayeva
 
28 agosto 2009
Zurique
 
5,05 m
Yelena Isinbayeva
 
18 agosto 2008
Pequim 2008

Melhores marcas mundiaisEditar

As marcas abaixo incluem outdoor e indoor (i) de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[9][10][11]

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
6,16 m (i)
Renaud Lavillenie
 
15 fevereiro 2014
Donetsk
2
6,15 m (i)
Sergei Bubka
 
21 fevereiro 1993
Donetsk
3
6,14 m (i)
Sergei Bubka
 
13 fevereiro 1993
Liévin
6,14 m
Sergei Bubka
 
31 julho 1994
Sestriere
5
6,13 m (i)
Sergei Bubka
 
21 fevereiro 1992
Berlim
6,13 m
Sergei Bubka
 
19 setembro 1992
Tóquio
7
6,12 m (i)
Sergei Bubka
 
23 março 1991
Grenoble
6,12 m
Sergei Bubka
 
30 agosto 1992
Padova
9
6,11 m (i)
Sergei Bubka
 
19 março 1991
Donetsk
6,11 m
Sergei Bubka
 
13 junho 1992
Dijon

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
5,06 m
Yelena Isinbayeva
 
28 agosto 2009
Zurique
2
5,05 m
Yelena Isinbayeva
 
18 agosto 2008
Pequim
3
5,04 m
Yelena Isinbayeva
 
29 julho 2008
Mônaco
4
5,03 m
Yelena Isinbayeva
 
11 julho 2008
Roma
5
5,02 m (i)
Jennifer Suhr
 
2 março 2013
Albuquerque
6
5,01 m
Yelena Isinbayeva
 
12 agosto 2005
Helsinque
5,01 m (i)
Yelena Isinbayeva
 
23 fevereiro 2012
Estocolmo
8
5,00 m
Yelena Isinbayeva
 
22 julho 2005
Londres
5,00 m (i)
Yelena Isinbayeva
 
15 fevereiro 2009
Donetsk
5,00 m
Sandi Morris
 
10 setembro 2016
Bruxelas

Melhores marcas olímpicasEditar

As marcas abaixo são da prova ao ar livre, a única olímpica, e são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[12]

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
6,03 m
Thiago Braz
 
ouro
Rio 2016
2
5,98 m
Renaud Lavillenie
 
prata
Rio 2016
3
5,97 m
Renaud Lavillenie
 
ouro
Londres 2012
4
5,96 m
Steve Hooker
 
ouro
Pequim 2008
5
5,95 m
Timothy Mack
 
ouro
Atenas 2004
6
5,92 m
Jean Galfione
 
ouro
Atlanta 1996
5,92 m
Igor Trandenkov
 
prata
Atlanta 1996
5,92 m
Andrei Tivontchik
 
bronze
Atlanta 1996
9
5,91 m
Björn Otto
 
prata
Londres 2012
5,91 m
Raphael Holzdeppe
 
bronze
Londres 2012

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
5,05 m
Yelena Isinbayeva
 
ouro
Pequim 2008
2
4,91 m
Yelena Isinbayeva
 
ouro
Atenas 2004
3
4,85 m
Ekaterini Stefanidi
 
ouro
Rio 2016
4,85 m
Sandi Morris
 
prata
Rio 2016
5
4,80 m
Jennifer Suhr
 
prata
Pequim 2008
4,80 m
Eliza McCartney
 
bronze
Rio 2016
4,80 m
Alana Boyd
 
Rio 2016
8
4,75 m
Svetlana Feofanova
 
prata
Atenas 2004
4,75 m
Svetlana Feofanova
 
bronze
Pequim 2008
4,75 m
Yulia Golubchikova
 
Pequim 2008
4,75 m
Jennifer Suhr
 
ouro
Londres 2012
4,75 m
Yarisley Silva
 
prata
Londres 2012

Marcas da lusofoniaEditar

País
Masculino
Atleta
Ano
Local
Feminino
Atleta
Ano
Local
 
6,03 m
Thiago Braz
2016
Rio de Janeiro
4,87 m
Fabiana Murer
2016
S.B. do Campo
[13]
 
5,71 m
Diogo Ferreira
2017
Lisboa
4,51 m
Marta Onofre
2016
Pombal
[14]
 
4,70 m
José Rosa
2011
Guimarães
2,80 m
Nair Varela
2005
Lisboa
[15]
 
4,10 m (*)
Stélvio Lemos
2011
Lisboa
3,16 m
Lídia Alberto
2012
Luso
[16]
 
4,10 m
Edgar Campre
2017
Abrantes
sem registro
[17]:604

(*) - Marca reconhecida pela Federação Angolana de Atletismo. A IAAF reconhece 4,05 m de José Francisco em Luanda, 1989.[18]:603

Referências

  1. «Fabiana Murer profile». IAAF. Consultado em 22 de fevereiro de 2015 
  2. a b «Kate Dennison: 'It helps being a little bit crazy'». The Independent. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  3. «JUMPS - POLE VAULT M». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  4. «Fierljeppen». Polsstokbond Holland. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  5. a b c «pole vault». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  6. «Man who broke 15-feet defenda fiberglass pole». Ocala Star-Banner. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  7. Litsky, Frank. «Soviet Pole-Vaulter Soars Over 20-Foot Mark». The New York Times. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  8. «Atletismo Saltos». cooperativa de fitness. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  9. a b «POLE VAULT - MEN - SENIOR - OUTDOOR». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  10. a b «POLE VAULT - MEN - SENIOR - INDOOR». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  11. a b «JUMPS - POLE VAULT W». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  12. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013 
  13. «Recordes». CBat. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  14. «RECORDES DE PORTUGAL». FPA. Consultado em 3 de julho de 2016 
  15. «Tabela de Records de Cabo Verde». FCA. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  16. «estatisticas». FAA. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  17. «IAAF WORLD CHAMPIONSHIPS LONDON 2017 STATISTICS HANDBOOK». IAAF. 2017. Consultado em 2 de agosto de 2017 
  18. «IAAF WORLD CHAMPIONSHIPS LONDON 2017 STATISTICS HANDBOOK». IAAF. 2017. Consultado em 2 de agosto de 2017 

Ligações externasEditar