Salto com vara

modalidade olímpica de atletismo

Salto com vara (português brasileiro) ou Salto à vara (português europeu)[1] é um evento do atletismo onde os competidores usam uma vara longa e flexível para alcançar maior altura e passar por cima de uma barra ou sarrafo. Competições com varas já eram conhecidas na Grécia Antiga, entre os cretenses e os celtas. Foi introduzido como modalidade olímpica desde os primeiros Jogos em Atenas 1896 para os homens e desde Sydney 2000 para as mulheres.

Salto com vara
Olímpico desde 1896 H / 2000 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeões Olímpicos
Tóquio 2020
Homens Armand Duplantis
 Suécia
Mulheres Katie Nageotte
 Estados Unidos
Campeões Mundiais
Doha 2019
Homens Sam Kendricks
 Estados Unidos
Mulheres Anzhelika Sidorova
ANA flag (2017).svg Atletas Neutros

É uma modalidade classificada como uma das quatro principais provas de salto no atletismo, junto com o salto em altura, salto em distância e o salto triplo. Sua originalidade está no fato de ser um esporte que requer uma significativa quantidade de equipamento especializado para ser praticado, tornando-o mais caro que os demais, mesmo em nível básico. Vários saltadores de sucesso na prova tem uma base na ginástica, caso da russa Yelena Isinbayeva e da brasileira Fabiana Murer, o que reflete os atributos físicos similares necessários para os dois esportes.[2]

O primeiro campeão olímpico foi o norte-americano William Hoyt, em 1896, e a primeira campeã, 104 anos depois, Stacy Dragila, também dos Estados Unidos. Dragila tinha como base na adolescência ser montadora de cavalos e touros em rodeios na Califórnia.[3] O brasileiro Thiago Braz é o recordista olímpico da modalidade – 6,03 m. Os recordes mundiais pertencem ao sueco Armand Duplantis[4] – 6,20 m – e à russa Yelena Isinbayeva – 5,06 m. Ele é disputado tanto ao ar livre quanto em pista coberta, e os recordes são registrados independente da locação aberta ou fechada.[5]

HistóriaEditar

Varas eram equipamentos usados como meios práticos de atravessar obstáculos naturais como terrenos pantanosos no Noroeste da Europa, em províncias como a Frísia, na Holanda, ao longo do Mar do Norte, e em regiões pantanosas do leste da Inglaterra em torno de Cambridgeshire, Lincolnshire e Norfolk. Drenagens artificiais nestes locais criaram uma rede de canais e coletores abertos que se cruzavam uns com os outros. Para cruzar estes locais sem se molhar e evitar tediosos e longos rodeios pelas pontes, uma pilha de longas e finas varas de salto era mantida em cada casa e usada para saltar sobre os pequenos canais. Competições de salto em distância, e não ainda de altura, com estas varas, eram realizadas anualmente nas terras baixas ao longo do Mar do Norte e chamadas de Fierljeppen.[6]

 
Fierljeppen sobre a água na Holanda.

Uma das primeiras competições de salto com varas onde a altura foi medida aconteceu no Ulverston Football and Cricket Club, em Lancashire, Inglaterra, em 1843.[3] A competição moderna começou por volta, de 1850 na Alemanha, quando o salto com vara foi adicionado como modalidade para a prática de exercícios em clubes de ginástica. Também em uso na Inglaterra nesta época eram competições com o uso de varas de cinza sólida ou de nogueira com pontas de ferro no final delas.[7] A moderna técnica do salto foi desenvolvida nos Estados Unidos no fim do século XIX. Inicialmente as varas eram feitas de material rígido como bambu – registrado pela primeira vez em 1857 – [7] ou alumínio, mas com a introdução a partir do início da década de 1950 de varas feitas de fiberglass e fibra de carbono, os saltadores começaram a atingir alturas mais elevadas antes inalcançáveis.[8] Em 1985, o ucraniano Sergei Bubka, então competidor da União Soviética, foi o primeiro homem a superar os seis metros.[9]

RegrasEditar

A pista de corrida para o salto deve medir no mínimo 45 metros e ao fim dela se encontra o obstáculo, uma barra horizontal de 4,5 m de comprimento, 2,260 kg de peso máximo, sustentada por duas traves laterais que a elevam e apoiam à determinada altura. Exatamente ao fim da pista, ao nível do solo e à frente do obstáculo, existe centrada uma caixa de metal ou madeira, com 1 m de comprimento, 60 cm de largura no início e 15 cm junto ao obstáculo. É nela que o saltador apoia a vara para conseguir a impulsão, realizar o salto e ultrapassar o sarrafo.[10]

As mesmas regras do salto em altura são aplicadas à vara; o atleta tem três tentativas para saltar a marca, mas pode se recusar saltar determinada altura preferindo esperar por outra maior. Não conseguindo passar a altura depois de três tentativas na mesma altura ou alturas combinadas, é eliminado. Caso empatem na mesma altura final, o desempate é feito pelo número menor de tentativas para superar a altura imediatamente anterior. Caso continue empatado, é analisado o menor número de tentativas em toda a disputa; ainda um empate, a prova então tem um ou mais saltos de desempate até surgir o vencedor.[7]

RecordesEditar

Os recordes mundiais incluem outdoor e indoor (i), de acordo com a Federação Internacional de AtletismoWorld Athletics.O salto com vara masculino é a única modalidade do atletismo que tem o recorde mundial geral em pista coberta. [11][12][13]

Homens
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
 
6,20 m (i)
Armand Duplantis
 
20 março 2022
Belgrado
 
6,03 m
Thiago Braz
 
15 agosto 2016
Rio 2016
Mulheres
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
 
5,06 m
Yelena Isinbayeva
 
28 agosto 2009
Zurique
 
5,05 m
Yelena Isinbayeva
 
18 agosto 2008
Pequim 2008

Melhores marcas mundiais por atleta - indoor (pista coberta)Editar

As marcas abaixo são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF, hoje World Athletics.[14][15]

Atualizado em 20 de maio de 2022.

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
6,20 m
Armand Duplantis
 
20 março 2022
Belgrado
2
6,16 m
Renaud Lavillenie
 
15 fevereiro 2014
Donetsk
3
6,15 m
Sergei Bubka
 
21 fevereiro 1993
Donetsk
4
6,06 m
Steven Hooker
 
7 fevereiro 2009
Boston
5
6,05 m
Christopher Nilsen
 
5 março 2022
Rouen
6
6,02 m
Rodion Gataullin
 
4 fevereiro 1989
Gomel
6
6,02 m
Jeff Hartwig
 
10 março 2002
Sindelfingen
8
6,01 m
Sam Kendricks
 
8 fevereiro 2020
Rouen
9
6,00 m
Maxim Tarasov
 
5 fevereiro 1999
Budapeste
9
6,00 m
Jean Galfione
 
6 março 1999
Maebashi
9
6,00 m
Daniel Ecker
 
11 fevereiro 2001
Dortmund
9
6,00 m
Shawnacy Barber
 
15 janeiro 2016
Reno
9
6,00 m
Piotr Lisek
 
4 fevereiro 2017
Potsdam

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
5,03 m
Jennifer Suhr
 
30 janeiro 2016
Brockport
2
5,01 m
Yelena Isinbayeva
 
23 fevereiro 2012
Estocolmo
3
4,95 m
Sandi Morris
 
12 março 2016
Portland
3
4,95 m
Anzhelika Sidorova
 
29 fevereiro 2020
Moscou
5
4,94 m
Katie Nageotte
 
11 junho 2021
Marietta
6
4,90 m
Katerina Stefanidi
 
20 fevereiro 2016
Nova York
6
4,90 m
Demi Payne
 
20 fevereiro 2016
Nova York
8
4,87 m
Holly Bradshaw
 
20 janeiro 2012
Villeurbanne
9
4,85 m
Svetlana Feofanova
 
22 fevereiro 2004
Peania
9
4,85 m
Anna Rogowska
 
6 março 2011
Paris
11
4,83 m
Fabiana Murer
 
7 fevereiro 2015
Nevers

Melhores marcas mundiais por atleta - outdoor (pista descoberta)Editar

As marcas abaixo são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF, hoje World Athletics.[16][17]

Atualizado em 20 de maio de 2022.

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
6,15 m
Armand Duplantis
 
17 setembro 2020
Roma
2
6,14 m
Sergei Bubka
 
31 julho 1994
Sestriere
3
6,06 m
Sam Kendricks
 
27 julho 2019
Des Moines
4
6,05 m
Maxim Tarasov
 
16 junho 1999
Atenas
4
6,05 m
Dmitri Markov
 
9 agosto 2001
Edmonton
4
6,05 m
Renaud Lavillenie
 
30 maio 2015
Eugene
7
6,04 m
Brad Walker
 
8 junho 2008
Eugene
8
6,03 m
Okkert Brits
 
18 agosto 1995
Köln
8
6,03 m
Jeff Hartwig
 
14 junho 2000
Jonesboro
8
6,03 m
Thiago Braz
 
15 agosto 2016
Rio de Janeiro

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Data Local
1
5,06 m
Yelena Isinbayeva
 
28 agosto 2009
Zurique
2
5,01 m
Anzhelika Sidorova
 
9 setembro 2021
Zurique
3
5,00 m
Sandi Morris
 
9 setembro 2016
Bruxelas
4
4,95 m
Katie Nageotte
 
26 junho 2021
Eugene
5
4,94 m
Eliza McCartney
 
17 julho 2018
Jockgrim
6
4,93 m
Jennifer Suhr
 
14 abril 2018
Austin
7
4,91 m
Yarisley Silva
 
2 agosto 2015
Beckum
7
4,91 m
Katerina Stefanidi
 
6 agosto 2017
Londres
9
4,90 m
Holly Bradshaw
 
26 junho 2021
Manchester
10
4,88 m
Svetlana Feofanova
 
4 julho 2004
Herakleion
11
4,87 m
Fabiana Murer
 
3 julho 2016
São Bernardo do Campo

Melhores marcas olímpicasEditar

As marcas abaixo são da prova ao ar livre, a única olímpica, e são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[18]

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
6,03 m
Thiago Braz
 
ouro
Rio 2016
2
6,02 m
Armand Duplantis
 
ouro
Tóquio 2020
3
5,98 m
Renaud Lavillenie
 
prata
Rio 2016
4
5,97 m
Renaud Lavillenie
 
ouro
Londres 2012
5,97m
Christopher Nilsen
 
prata
Tóquio 2020
6
5,96 m
Steve Hooker
 
ouro
Pequim 2008
7
5,95 m
Timothy Mack
 
ouro
Atenas 2004
8
5,92 m
Jean Galfione
 
ouro
Atlanta 1996
5,92 m
Igor Trandenkov
 
prata
Atlanta 1996
5,92 m
Andrei Tivontchik
 
bronze
Atlanta 1996

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
5,05 m
Yelena Isinbayeva
 
ouro
Pequim 2008
2
4,91 m
Yelena Isinbayeva
 
ouro
Atenas 2004
3
4,90 m
Katie Nageotte
 
ouro
Tóquio 2020
4
4,85 m
Katerina Stefanidi
 
ouro
Rio 2016
4,85 m
Sandi Morris
 
prata
Rio 2016
4,85 m
Anzhelika Sidorova
 
prata
Tóquio 2020
4,85 m
Holly Bradshaw
 
bronze
Tóquio 2020
8
4,80 m
Jennifer Suhr
 
prata
Pequim 2008
4,80 m
Eliza McCartney
 
bronze
Rio 2016
4,80 m
Alana Boyd
 
Rio 2016
4,80 m
Katerina Stefanidi
 
Tóquio 2020

* Devido à suspensão da Federação Russa como nação das Olimpíadas por problemas de doping, a russa Anzhelika Sidorova competiu em Tóquio 2020 pela bandeira do Comitê Olímpico Russo.

Marcas da lusofoniaEditar

País
Masculino
Atleta
Ano
Local
Feminino
Atleta
Ano
Local
 
6,03 m
Thiago Braz
2016
Rio de Janeiro
4,87 m
Fabiana Murer
2016
S.B. do Campo
[19]
 
5,71 m
Diogo Ferreira
2017
Lisboa
4,51 m
Marta Onofre
2016
Pombal
[20]
 
4,70 m
José Rosa
2011
Guimarães
2,80 m
Nair Varela
2005
Lisboa
[21]
 
4,05 m
José Francisco
1989
Luanda
3,60 m
Lídia Alberto
2015
Vagos
[22][23]
 
4,10 m
Edgar Campre
2017
Abrantes
sem registro
[24]:604

Referências

  1. «Salto». Priberam 
  2. «Fabiana Murer profile». IAAF. Consultado em 22 de fevereiro de 2015 
  3. a b «Kate Dennison: 'It helps being a little bit crazy'». The Independent. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  4. «Duplantis closes the golden Belgrade show with stratospheric 6.20m vault». World Athletics. Consultado em 20 de março de 2020 
  5. «JUMPS - POLE VAULT M». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  6. «Fierljeppen». Polsstokbond Holland. Consultado em 10 de setembro de 2015. Arquivado do original em 2 de outubro de 2012 
  7. a b c «pole vault». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  8. «Man who broke 15-feet defenda fiberglass pole». Ocala Star-Banner. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  9. Litsky, Frank. «Soviet Pole-Vaulter Soars Over 20-Foot Mark». The New York Times. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  10. «Atletismo Saltos». cooperativa de fitness. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  11. «POLE VAULT - MEN - SENIOR - OUTDOOR». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  12. «POLE VAULT - MEN - SENIOR - INDOOR». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  13. «JUMPS - POLE VAULT W». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  14. «Best by athlete M». World Athletics. Consultado em 20 de maio de 2022 
  15. «Best by athlete». World Athletics. Consultado em 20 de maio de 2022 
  16. «Best by athlete M». World Athletics. Consultado em 20 de maio de 2022 
  17. «Best by athlete». World Athletics. Consultado em 20 de maio de 2022 
  18. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013 
  19. «Recordes». CBat. Consultado em 1 de setembro de 2015. Arquivado do original em 23 de setembro de 2015 
  20. «RECORDES DE PORTUGAL». FPA. Consultado em 3 de julho de 2016. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 
  21. «Tabela de Records de Cabo Verde». FCA. Consultado em 1 de setembro de 2015. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 
  22. «Recordes Masculinos». FAA. Consultado em 10 julho 2021 
  23. «Recordes Femininos». FAA. Consultado em 10 julho 2021 
  24. «IAAF WORLD CHAMPIONSHIPS LONDON 2017 STATISTICS HANDBOOK». IAAF. 2017. Consultado em 2 de agosto de 2017 

Ligações externasEditar