Albano de Verulâmio

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Santo Albano é um santo, primeiro mártir da Grã-Bretanha. Faleceu em Verulâmio, sítio da atual São Albano, e sua festa é celebrada em 17 e 22 de junho.

Santo Albano
Ícone de Albano
Protomártir
Nascimento século II/III em Verulâmio
Morte 209 ou 303/305 em Verulâmio
Veneração por
Principal templo Catedral de São Albano
Festa litúrgica
  • 17 de junho
  • 22 de junho
Gloriole.svg Portal dos Santos
Túmulo de Albano na Catedral de São Albano

HistóriaEditar

Segundo Beda, Albano era um pagão que vivia em Verulâmio (atual São Albano, em Hertefórdia) quando os cristãos eram perseguidos e acolheu um clérigo em sua casa.[1] Após alguns dias de convivência, se comoveu pelo clérigo e recebeu o batismo. Quando os emissários do governador foram revistar sua casa, se disfarçou no manto de seu convidado e se entregou em seu lugar. Foi arrastado perante o juiz, flagelado e, quando não negou sua fé, condenado à morte. No caminho para o local de execução, prendeu as águas de um rio, de modo que atravessaram a calçada, e fez com que uma fonte de água corresse no alto da colina na qual foi decapitado. O carrasco foi convertido e o homem que o substituiu, depois de atingir o golpe fatal, foi punido com cegueira. O episódio é variadamente datado em 305,[2] 304[3] ou 303, no reinado dos imperadores Constâncio Cloro, Maximiano, Galério e Diocleciano, na chamada Perseguição de Diocleciano.[4] No manuscrito de Turim de uma Paixão de Albano (em latim: Passio Albani) se fala de seu martírio em 209.[5] Segundo outra versão do mito, serviu por sete anos em Roma no exército de Diocleciano antes de retornar à Britânia para se restabelecer em sua cidade natal, onde foi condenado na perseguição aos cristãos.[6] Um desenvolvimento posterior na lenda indica que o clérigo salvo por ele se chamava Anfíbalo, e que ele, com alguns companheiros, foi apedrejado até a morte dias depois em Redbourn, a seis quilômetros de Santo Albano.[3]

A vida de Albano é pensada como tendo elementos inventados. A primeira pessoa a citá-lo é Constâncio, em sua Vida de São Germano, escrita cerca de 480. Mas os detalhes adicionais dados sobre a abertura da tumba de Albano e a remoção de relíquias são interpolações posteriores, como foi descoberto recentemente. Ainda assim, toda a lenda conhecida por Beda provavelmente existiu na primeira metade do século VI, e foi usada por Gildas antes de 547. Também é provável que o nome Anfíbalo seja derivado de alguma versão da lenda na qual o manto do clérigo é chamado de anfíbalo; Godofredo de Monmouth, a primeira testemunha do nome Anfíbalo, comete o mesmo erro em outra passagem, convertendo a vestimenta chamada anfíbalo em nome de um santo. Seja como for, ao que tudo indica, seu culto foi continuamente realizado na Britânia desde o século V. Além disso, seu nome era conhecido no ano 580 por Venâncio Fortunato, no sul da Gália, que o celebrou em versos: "A frutífera Britânia exalta o nome do grande Albano." (Canções, VII, iii, 155).[3]

Albano é geralmente representado na arte com uma cruz numa mão e uma espada na outra, com um rio ou nascente em primeiro plano.[4] Sua cidade natal foi rebatizada Santo Albano após a ereção da igreja que leva seu nome em 793 pelo rei Ofa da Mércia (r. 757–796). Um mosteiro foi depois adicionado e em torno dele a atual cidade gradualmente cresceu. O futuro papa Adriano IV (r. 1154–1154), que nasceu nas imediações, conferiu ao abade de Santo Albano o direito de precedência sobre seus colegas abades, um direito até então vinculado à Abadia de Glastônia. Albano é celebrado no Martirológio Romano em 22 de junho[6] e na Igreja Anglicana em 17 de junho.[2]

Referências

  1. Express, Britain. «St Alban - British History on BritainExpress». Britain Express (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2020 
  2. a b Agasso 2009.
  3. a b c Thurston 1907.
  4. a b Monges de Ramsgate 1921, p. 11.
  5. Attwater 1965, p. 37.
  6. a b Editores 1911.

BibliografiaEditar

  • Attwater, Donald (1965). The Avenel Dictionary of Saints. Nova Iorque: Avenel Books 
  • Thurston, H. (1907). «St. Alban». Enciclopédia Católica. Nova Iorque: Robert Appleton Company 
  • Monges de Ramsgate (1921). «Alban (S.) M.». The Book of Saints - A Dictionary of Servants of God Canonised by the Catholic Church Extracted From the Roman and Other Martyrologies. Londres: A & C Black, LTD 


 
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