Shi Tao

jornalista chinês

Shi Tao (Ningxia, 25 de Julho de 1968) é um jornalista, escritor e poeta chinês que foi condenado em 2005 a dez anos de prisão por divulgar um documento do Partido Comunista para um site de democracia. Ele trabalhou anteriormente para o jornal chinês de negócios Dangdai Shang Bao, em Changsha.

Shi Tao
Nascimento 25 de julho de 1968 (54 anos)
Yanchi County
Cidadania China
Alma mater
Ocupação jornalista, ativista dos direitos humanos, escritor, poeta, dissidente
Prêmios
  • Prêmios Internacionais de Liberdade de Imprensa CPJ (2005)
  • World Association of Newspapers' Golden Pen of Freedom Award (2007)

HistóriaEditar

Shi Tao estudou na East China Normal University, em Shangai. Se formou em Julho de 1991, e se casou em 1994.

Em 18 de Outubro de 2005, o Comitê de Proteção a Jornalistas anunciou que Shi Tao era um dos quatro ganhadores do Prêmio Internacional CJP pela Liberdade de Imprensa. O site do comitê afirma que ele receberá oficialmente o prêmio quando for solto da prisão.

Em Março de 2006, ele recebeu o prêmio Vasyl Stus. Em 28 de Novembro de 2006, ele recebeu o prêmio Caneta Dourada da Liberdade, pela Associação Mundial de Jornais.

PrisãoEditar

Em 2004, com a idade de 37 anos, Shi Tao trabalhava para o Contemporary Business News, na província de Hunan, China.

Em 20 de Abril de 2004, o governo chinês publicou um documento onde jornalistas eram avisados que dissidentes pró-democracia que moravam fora da China poderiam voltar durante o décimo-quinto aniversário do Massacre da Praça da Paz Celestial, no dia 4 de Junho, o que poderia afetar a estabilidade da ordem político-social. Foi pedida a toda a imprensa para não divulgar nada que se referisse ao chamado "evento do dia 4 de Junho", ou sobre pessoas pedindo mudanças na política do país.

Shi Tao usou seu e-mail particular do Yahoo para enviar um resumo desse documento para um site alojado fora da China chamado Asia Democracy Foundation. Quando o governo chinês descobriu, exigiu do escritório do Yahoo em Hong Kong as informações pessoais do remetente. O Yahoo entregou todas as informações sem nem questionar para que eles queriam. Pouco depois Shi Tao foi detido, em 24 de Novembro de 2004. As autoridades chinesas confiscaram seu computador e documentos sem mostrar nenhum mandado de busca e apreensão, e avisou aos membros de sua família para não falar sobre isso com ninguém. Ele foi formalmente preso em 14 de Dezembro.

Seu advogado, Guo Guo-Ding, famoso por pegar casos de direitos humanos, argumentou que a busca e apreensão do material de Shi Tao e sua subseqüente prisão foram ilegais. Como resultado, sua licença para a prática de advocacia foi suspensa por um ano pelo Departamento de Lei de Shangai. Algum tempo depois foi colocado sob prisão domiciliar, e um de seus colegas de trabalho teve que assumir o caso.

Em 11 de Março de 2005, a corte de Changsha teve sua primeira audiência secreta. Ela demorou duas horas. A mãe e os irmãos de Shi Tao viajaram de Ningxia até Changsha, mas não tiveram permissão de entrar e assistir a audiência. Depois que a audiência terminou, Shi teve a permissão de conversar em particular com sua família por dez minutos. Quinze dias depois, ele foi sentenciado à prisão por dez anos, e a perder seus direitos políticos por dois anos, pela acusação de vazar segredos de estado.

Em 2 de Junho de 2005, a Corte Superior de Hunan rejeitou os argumentos de seus advogados e negou sua apelação, mantendo a sentença original. A mãe de Shi, Gao Qinsheng, alegou "problemas sérios de procedimento" no caso de seu filho, mas sua apelação foi rejeitada sem nenhuma audiência.

ReaçõesEditar

O incidente gerou uma controvérsia a respeito das práticas de negócios do Yahoo!, cuja filial em Hong Kong deu informações técnicas ligando a mensagem e a conta de e-mail ao computador de Shi. O Yahoo! foi criticado pelos Repórteres sem Fronteiras por agir como "informantes da polícia". O Congresso dos Estados Unidos promoveu uma audiência sobre isso e outros incidentes similares com representantes do Yahoo!, Google, MSN, etc.