Subprefeitura de São Mateus

divisão administrativa do município de Sâo Paulo

A Subprefeitura São Mateus é regida pela Lei 13.999, de 1º de agosto de 2002 e uma das 32 subprefeituras do município de São Paulo. É composta de três distritos, São Mateus, São Rafael e Iguatemi, que somados representam uma área de 45,8 km², e habitada por mais de 426 mil pessoas (Censo do IBGE de 2010). A Subprefeitura São Mateus começou a funcionar no dia 21 de setembro de 1986, inicialmente na Av. Mateo Bei, principal avenida do bairro. Depois. foi instalada na Rua Francisco de Melo Palheta, no Parque Boa Esperança, onde hoje é a chamada Praça do Boa. Em outubro de 2003, mudou-se para um prédio locado, na Av. Ragueb Chohfi, 1.400, Parque São Lourenço, ao lado da Estação Jardim Colonial do metrô.

Subprefeitura São Mateus
Administração
Subprefeito Roberto Bernal
desde 2019
Características geográficas
Área 45,8 km²
População 422.200 habitantes
IBGE/est. 2006
IDH 0,779 - alto (24°)
Subprefeituras limítrofes Sapopemba, Aricanduva/Formosa/Carrão, Mooca,Itaquera, Cidade Tiradentes.
Mapa do município de São Paulo
Localização

HistóricoEditar

A história de São Mateus remonta ao século XIX. Mais precisamente ao ano de 1.842, época em que existia uma fazenda de propriedade de João Francisco Rocha, onde se criavam cavalos, carneiros e bois. Posteriormente, a fazenda foi adquirida por Antônio Cardoso de Siqueira, que optou por dividi-la em 5 (cinco) glebas.

Já no século XX, na década de 40, tudo não passava de uma grande fazenda: a Fazenda Rio das Pedras. Em 1.946, uma gleba de 50 alqueires de terras foi vendida à Família Bei (Mateo e Salvador Bei), dando origem a fazenda São Mateus. Dois anos depois da aquisição das terras, em 1948, Mateo Bei, o patriarca da família, decide lotear a área e vende os primeiros lotes com total sucesso, surgindo dessa iniciativa o bairro de São Mateus. Para personalizar a importância dela, foi celebrada a primeira missa em ação de graças, no dia 8 de Dezembro do mesmo ano, pelo bispo Dom Antônio de Macedo.

"Cidade São Mateus" foi o nome escolhido por Salvador Bei, em homenagem ao pai, Mateo Bei, que mais tarde teve seu nome dado, também, à primeira avenida do bairro (atualmente, o principal ponto de referência do bairro). O termo cidade foi empregado porque todos da Família Bei tinha convicção de que o bairro um dia se transformaria em uma grande cidade.

Nildo Gregório da Silva foi quem iniciou o trabalho de abertura das ruas em 16 de dezembro de 1946, às 7 horas. Foi puxando burros, que ele, então, dava à abertura da Avenida Mateo Bei, exatamente no marco "zero", na Avenida Caguaçu, mais tarde Avenida Rio das Pedras.

Em meio às recordações, Nildo Gregócio da Silva, funcionário de uma empresa e responsável pela terraplanagem da Avenida, conta como tudo aconteceu: "Naquela época, eu morava em São Miguel Paulista e a minha empresa foi contratada por Mateo Bei para fazer o serviço. Não medimos esforços e sob o sol que despontava, demos início às obras, num clima de euforia e dedicação."

Mas Nildo continuava  residindo em São Miguel. Para chegar em São Mateus às 8 horas, tinha que sair de casa às 3 horas da madrugada, tomar três conduções e ainda andar cerca de 12 quilômetros a pé até o Largo Carrão,  para pegar outro ônibus. Essa via-sacra durou três anos, quando apareceu um pau-de-arara, muito comum na época, fazendo lotação. Ele trabalhou durante anos na abertura das ruas e, em pouco tempo, assumiu a identidade de um defensor do bairro.

Foi Nildo Gregório da Silva quem fundou, em 1952, a Associação Divulgadora "A Voz da Colina", um instrumento para as reivindicações de melhorias da região em diversos setores: transportes, educação, saúde e lazer. "Entra no ar a nossa divulgadora A Voz da Colina, uma voz amiga que cruza os céus de Piratininga". Esse prefixo ficou na história de São Mateus.

Mateo Bei foi, também, um lutador incansável que dedicou-se à formação cultural e sócio econômica de São Mateus. Foram muitos anos de perseverança e fé. E, em agradecimento a tudo que fez por São Mateus, seu nome foi dado a uma praça, situada no início da Avenida Mateo Bei.

Vindo a velhice, seus descendentes continuaram a trilhar pelo caminho que lhes ensinara o  batalhador, da propriedade que a todos honra. Algum tempo depois, os filhos e o genro adquiriram para mais de um milhão de metros quadrados, na antiga "Fazenda do Oratório" em homenagem ao respeito e às lições deixadas pelo ente querido; lotearam-na, fazendo da gleba uma verdadeira comunidade - que culminou em mais do que isso: um bairro-cidade.

Deixando um legado de lutas e conquistas como herança aos familiares e aos moradores de São Mateus, Mateo Bei faleceu em 11 de maio de 1956.

A EXPANSÃO

Esforço e dedicação sempre estiveram presentes na História de São Mateus. Um bairro que nasceu e cresceu através das lutas populares. Aqui, pessoas de credos, raças e tendências políticas, das mais diversas, se reuniram num só objetivo: Transformar este lugar da Zona Leste da Capital num bairro de fato.

Assim, era chegada a hora do comércio ocupar seu espaço e dar um novo impulso ao recente bairro. O primeiro ponto comercial do bairro surgiu em 1949, o Empório do Eustáquio, seguido pelo Empório do Maninho no ano seguinte.

Os lotes da Avenida Mateo Bei valorizavam a cada dia (o valor de um terreno de 350 m² custava 7.500 cruzeiros) e a solidariedade foi o fator básico para o crescimento de São Mateus. A Loteadora Bei Filho doava 500 telhas e dois mil tijolos aos novos proprietários (material este transportado das olarias em carros-de-boi). Os mutirões era o meio para levantar suas casas rapidamente.

Tudo era muito difícil naquela época, principalmente o transporte. Como não havia empregos no bairro, os moradores tinham de se deslocar para o centro ou então para os outros bairros e municípios do ABC. No início ,a Jardineira do Manoel, ou pau de arara, era o único meio de transporte e levava os moradores até o Largo do Carrão.

Em 1950, dois ônibus começaram a fazer o itinerário até a Avenida João XXIII. O percurso era longo e as ruas cheias de buracos e poeira. Os passageiros tinham que dividir o espaço com galinhas e outros animais, além dos mais variados objetos que eram transportados. Em dias de chuva, era impossível realizar todo o percurso, sendo necessário várias baldeações.

Foi somente em 1952 que a primeira linha de ônibus coletivo  - da empresa Cometa - passou a funcionar, indo até à Avenida Sapopemba. Depois veio a Empresa de Ônibus Vila Carrão. Outras empresas se instalaram no bairro nas décadas de 70 e 80. Contudo, até os dias de hoje o transporte é um dos principais problemas do bairro, mesmo com a inauguração do monotrilho (metrô), em 16 de dezembro de 2019. Com o crescimento populacional, há lotação no transporte público e congestionamento nas principais vias de acesso aos bairros.

Foi na década de 50 que os moradores se organizaram para pedir melhorias. Primeiro pediram escolas, iluminação e transporte. Depois, a luta foi pela implantação do asfalto, redes de água e esgoto, iluminação pública e outros serviços, como delegacias e agência dos Correios.

A construção de uma escola para São Mateus foi uma luta árdua dos moradores, pois a mais próxima distanciava sete quilômetros, entre Vila Nova Iorque e Vila Antonieta. A maioria das crianças ia a pé, porque não dispunha de dinheiro para pagar a condução. Os historiadores relatam que em 1952 o estupro de uma criança de dez anos foi a gota d'água para que outra luta começasse. Somente em 1955,a Secretaria da Educação e Cultura construiu um galpão de madeira. Nascia a primeira escola de São Mateus.

Os problemas cresciam e a comunidade teria que ser mais rápida. Outro fato que merece registro é a  fundação da paróquia - da Igreja Católica - que data de 1958.

Bairro que tem uma história de lutas: São Mateus tem a oferecer a seus moradores uma perspectiva de desenvolvimento que foge à estagnação econômica e ao pessimismo de alguns. São Mateus, até pelos exemplos de seu fundador, Mateo Bei, não tem decepcionado aos que aqui investem - os que lutam em seu dia-a-dia, com perseverança e dinamismo, estão aí, no comércio, nos negócios e na vida cotidiana, colhendo os frutos.

Hoje,  São Mateus tem praticamente tudo: bancos, comércio diversificado, indústrias e setores de prestação de serviços. Recentemente, a briga foi pela implantação de um Cartório de Registro Civil, vitória esta conquistada com sua inauguração em 05/06/2000. Agora, a comunidade se esforça para organizar um movimento pela implantação de um Fórum: mais uma luta em prol do desenvolvimento. No final de 2019 foi a vez do metrô chegar a São Mateus, com a inauguração da Estação São Mateus, ao lado do Terminal Metropolitano de ônibus (aqui a relação de linhas municipais e neste outro link a dos ônibus intermunicipais ). A segunda estação do território,  Jardim Colonial, foi inaugurada em 29 de dezembro de 2021. Mais duas estações estão em construção: Boa Esperança e Jacu Pêssego.


Resumo da História de São Mateus, por ordem cronológica

1842 - Uma fazenda de propriedade de João Francisco Rocha, onde se criavam cavalos, carneiros e bois.

Década de 1940 – Mudança de nome para Fazenda Rio das Pedras

1946 - Gleba de 50 alqueires de terras vendida à Família Bei (Mateo e Salvador Bei), início da fazenda São Mateus

1946 - Nildo Gregório da Silva inicia a abertura das ruas, com a ajuda de burros, começando pela Avenida Mateo Bei com a Avenida Rio das Pedras. Trabalhou durante anos na abertura das ruas e, em pouco tempo, assumiu a identidade de um defensor do bairro

1948 - Mateo Bei, o patriarca da família, decide lotear a área, com sucesso de vendas. Casas construídas em mutirão

1948 - "Cidade São Mateus" - nome escolhido por Salvador Bei, em homenagem ao pai, Mateo, com a convicção de que o bairro um dia se transformaria em uma grande cidade

1949 - Surge o primeiro ponto comercial, Empório do Eustáquio, seguido pelo Empório do Maninho, no ano seguinte

1950 - Dois ônibus são colocados em uma linha até à Avenida João XXIII, num longo percurso por ruas cheias de buracos e poeira, com passageiros dividindo espaço com galinhas, animais e objetos. Em dias de chuva, era impossível realizar todo o trajeto, sendo necessárias várias baldeações

Década de 50 - moradores se organizam para pedir melhorias, como escolas, iluminação, transporte, asfalto, redes de água e esgoto, iluminação pública, delegacias e agência dos Correios.

1952 - Nildo Gregório funda a Associação Divulgadora "A Voz da Colina", um instrumento para as reivindicações de melhorias da região em diversos setores: transportes, educação, saúde e lazer

1952 - Começa a funcionar a primeira linha de ônibus coletivo da Empresa Cometa, indo até à Avenida Sapopemba. Depois, veio a empresa de ônibus Vila Carrão.

Década de 50 - moradores se organizam para pedir melhorias, como escolas, iluminação, transporte, asfalto, redes de água e esgoto, iluminação pública, delegacias e agência dos Correios.

1952 - Por falta de dinheiro para a condução, crianças iam a pé até a Vila Antonieta, para estudar. Nesse ano, o estupro de uma estudante acirrou a luta por uma escola no bairro

1955 - Surge a primeira escola, num galpão de madeira

1956 - Em 11 de maio, morre Mateo Bei

1958 - Fundação da primeira Igreja Católica

1986 - em 21 de setembro é criada a Administração Regional de São Mateus, denominação que seria depois alterada para Subprefeitura

1988 - Em dezembro é inaugurado o Terminal Metropolitano de Ônibus de São Mateus, que faz parte do Corredor Metropolitano ABD.

2000 - Instalação do primeiro Cartório de Registro Civil

2002 - Promulgada a Lei 13.999, que modifica o status de Administração Regional para Subprefeitura São Mateus

2019 -  No dia 16 de dezembro o Metrô chega à Praça Felisberto Fernandes da Silva, com o Sistema Monotrilho

2020 - São Mateus tem praticamente tudo: bancos, comércio diversificado, indústrias e setores de prestação de serviços.

2021 - Em dezembro, é inaugurada a Estação Jardim Colonial do Metrô

2022 - No dia 15 de dezembro, é lançada a obra de construção da estação Jacu Pêssego do Monotrilho.

DistritosEditar

São MateusEditar

Área: 13,20 km²

População (2020): 155.140 habitantes.

Densidade demográfica: 10.908 (habitantes/km²)[1]

Bairros: Cidade Centenário, Cidade São Mateus, Cidade Satélite Santa Bárbara, Jardim Cinco de Julho, Jardim Egle, Jardim Imperador, Jardim Itápolis, Jardim Nove de Julho, Jardim Paraguaçu, Jardim Santa Adélia, Jardim São Cristóvão, Jardim São José, Jardim Tietê, Jardim Valquiria, Parque Colonial, Parque Industrial São Lourenço, São Mateus e Fazenda da Juta.[2]

São RafaelEditar

Área: 13 km²

População (2010): 143.992 habitantes.

Densidade demográfica: 11.934 (habitantes/km²)[1]

Bairros: Carrãozinho, Conjunto Promorar Rio Claro, Jardim Alto Alegre, Jardim Bandeirante, Jardim Buriti, Jardim Colorado, Jardim Santo André, Jardim São Francisco, Jardim São João, Jardim Vera Cruz, Jardim Vila Carrão, Núcleo Residencial Morro do Sabão, Parque das Flores, Parque São Rafael, Vila Ester.[3]

IguatemiEditar

Área: 19,60 km²

População (2010): 127.662 habitantes.

Densidade demográfica: 6.513 (habitantes/km²)[1]

Bairros: Iguatemi, Jardim Alto Alegre, Jardim Arantes, Jardim Augusto, Jardim Conquista, Jardim da Laranjeira, Jardim das Rosas, Jardim Iguatemi, Jardim Laranjeiras, Jardim Limoeiro, Jardim Maria Lídia, Jardim Marilu, Jardim Ricardo, Jardim Roseli, Jardim São Benedito, Jardim São Gonçalo, Núcleo Residencial São João, Palanque, Parque Boa Esperança, Recanto Alegre, Recanto Verde do Sol, Terceira Divisão, Vila Palma.[4]

Referências

  1. a b c «Portal da Prefeitura do Município de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  2. «Bairros São Mateus | São Paulo Bairros». www.spbairros.com.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  3. «Bairros São Rafael | São Paulo Bairros». www.spbairros.com.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  4. «Bairros Iguatemi | São Paulo Bairros». www.spbairros.com.br. Consultado em 2 de maio de 2017 

Ligações externasEditar

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