Sunicas (em grego: Σουνίκας) foi um huno que serviu ao exército bizantino durante a Guerra Ibérica contra o Império Sassânida do Cavades I (r. 488–496; 499–531), no começo do reinado do imperador Justiniano (r. 527–565). Participou em importantes confrontos do período como a Batalha de Dara, então uma vitória bizantina decisiva, e a Batalha de Calínico, na qual o exército imperial foi derrotado e obrigado a fugir.

Sunicas
Nacionalidade Império Bizantino
Etnia Huna
Ocupação General
Religião Catolicismo

EtimologiaEditar

A etimologia de seu nome é controversa. Foi proposto que pode ter uma origem iraniana ou turcomana. A forma reconstruída *Sunika pode ser igualmente um hipocorístico de Suniericus, Sunhivadus e nomes germânicos similares, bem como pode ser *Sunikan.[1]

BiografiaEditar

 
Dracma de Cavades I (r. 488–496; 499–531)
 
Soldo de Justiniano (r. 527–565)

De acordo com Zacarias Retórico, Sunicas foi um huno que fugiu para o Império Bizantino, onde foi batizado. Por 527, era um dos oficiais estacionados na fortaleza de Dara, na Mesopotâmia, junto com Simas, e defendeu-a contra ataques dos sassânidas.[2] Em 530, aparece como um duque, embora não seja claro se ocupou o comando territorial do duque da Mesopotâmia ou se apenas recebeu o título. Nesta capacidade, participou na grande vitória bizantina na Batalha de Dara, em junho de 530, onde, junto com Egano, comandou uma unidade de 600 cavaleiros hunos estacionados no flanco bizantino esquerdo. Durante a batalha, os hunos de Sunicas repeliram o ataque persa na esquerda bizantina e foram então enviados pelo general Belisário para reforçar o flanco direito ameaçado. Lá, Sunicas, matou o segundo-no-comando persa, Baresmanas, bem como seu porta-estandarte, causando pânico entre os persas e consolidando a vitória bizantina.[3][4]

No ano seguinte, serviu novamente sob Belisário em sua nova campanha contra o Império Sassânida. Por sua própria iniciativa, liderou uma força na parte traseira persa, onde capturou muitos persas e seus aliados árabes. Matou alguns deles e capturou outros para interrogatório. Contudo, como havia agido sem ordens, Belisário o repreendeu severamente, e apenas através da mediação de Hermógenes, o co-comandante com Belisário, os dois se reconciliaram. Na Batalha de Calínico (19 de abril de 531), Sunicas e Simas foram colocados no comando do flanco esquerdo. Embora tenha repelido sucessivos ataques persas, o restante do exército foi derrotado e forçado a se retirar. Sunicas e seus homens, a maioria de infantaria, no entanto, continuaram a lutar, impedindo que os persas perseguissem os bizantinos derrotados.[3][5] Nada mais se sabe sobre ele depois disso.

Referências

  1. Maenchen-Helfen 1973, p. 421.
  2. Greatrex 2002, p. 91.
  3. a b Martindale 1992, p. 1207.
  4. Greatrex 2002, p. 89-90.
  5. Greatrex 2002, p. 92-93.

BibliografiaEditar

  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Maenchen-Helfen, Otto J. (1973). The World of the Huns: Studies in Their History and Culture. Berkeley, Los Angeles e Londres: University of California Press. ISBN 9780520015968 
  • Martindale, John Robert; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8