Typha domingensis

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taboa
Typha domingensis.
Typha domingensis.
Classificação científica
Reino: Plantae
Sub-reino: Tracheobionta
Superdivisão: Spermatophyta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Commelinidae
Ordem: Poales
Família: Typhaceae
Género: Typha
Espécie: T. domingensis
Nome binomial
Typha domingensis
(Pers.)
Sinónimos

Thypha domingensis (Pers.), conhecida pelo nome comum de bunho[1], também dando pelos nomes de taboa[2] (grafia alternativa tabua ), morrão-dos-fogueteiros[3] e tabua-larga[4] é uma hidrófita. É uma planta perene e herbácea, com cerca de 2,5 metros de altura, que, na época de reprodução, apresenta espigas da cor café contendo milhões de sementes que se espalham com o vento.[5] A espécie tem distribuição natural muito alargada, subcosmopolita, ocorrendo nas regiões temperadas, subtropicais e tropicais de ambos os hemisférios,[6] sendo, por vezes, a espécie dominante em várzeas pantanosas e outras áreas húmidas e subdominante associada em mangais, tais como os da ecorregião de El Petén, no Yucatán.[7]

DescriçãoEditar

T. domingensis é uma planta aquática, herbácea, enraizada, emergente, perene, com até 2,5 m de altura.

As folhas igualam ou excedem a altura das espigas, com a parte superior da bainha prolongando-se sobre a lâmina. São assimétricas, com a epiderme ventral com grande quantidade de glândulas mucilaginosas de coloração escura, dispostas longitudinalmente em direção à base da lâmina. Lâmina com 1,5 metro de comprimento e de 8 a 13 milímetros de largura, com a face inferior convexa nas proximidades da bainha e plano na parte mais próxima do ápice agudo em que termina a folha.

 
Typha domingensis em flor.

A inflorescência é castanho clara a acinzentada, com uma ou mais brácteas foliáceas caducas. As flores em espigas masculinas, com até 40 centímetros de comprimento e 15 milímetros de largura, separadas das femininas por 0,6-5 centímetro. As bractéolas das flores masculinas são filiformes, espatulada, simples a ramificadas, com incisões de segmentos largos, com pontos acinzentados no ápice, 2-4 mm de comprimento, 2-4 estames, total ou parcialmente soldados, filamentosos, 1-2,5 milímetros de comprimento; anteras de 2-3 milímetros de comprimento e 0,15-0,20 de largura. O pólen ocorre em mónadas. As espigas femininas de 50 centímetros de comprimento e 2 de diâmetro, flores femininas com bractéolas longas e delgadas, mais compridas que os pelos do ginóforo, com coloração acinzentada clara no ápice, de 3 a 5 milímetros de comprimento. Os pelos do ginóforo coloridos na sua ponta e mais curtos que os estigmas, ovário fusiforme, estilo de 1 a 2 mm de comprimento, estigma comprido e delgado, 0,5-1,5 milímetros de comprimento.

 
Detalhe do fruto.

O seu Fruto é fusiforme, de 1-2 milímetros de comprimento, e monospérmico[8].

Faz a sua floração de Junho a Agosto.[9]

Altamente adaptável, encontra-se espalhada por todo o mundo, e em algumas partes é uma espécie invasora considerada uma praga. Em Portugal, encontra-se distribuída pelas regiões do Minho, Trás-os-Montes, Beira Litoral, em locais pantanosos, margens de lagoas, charcos, valas ou espaços inundados[10]

A sua fibra, durável e resistente, pode ser utilizada como matéria-prima para papel, cartões, pastas, envelopes, cestas, bolsas e outros itens de artesanato.

Na medicina popular turca, a inflorescência feminina desta planta, e de outras espécies do género Typha, são usadas externamente para tratamento de lesões da pele, incluindo queimaduras. Foi demonstrado que extractos de T. domingensis apresentam propriedades curativas em ratos de laboratório.[11]

Estudos realizados em zonas húmidas comprovaram que populações de Typha domingensis são uma forma eficaz de reduzir a contaminação bacteriana de águas destinadas a usos agrícolas, permitindo reduções de até 98% da concentração de enterobactérias potencialmente patogénicas com origem nas fezes de mamíferos. [12] É também considerada uma depuradora de águas poluídas, absorvendo metais pesados.

SinónimosEditar

A planta é conhecida por numerosos nomes comuns, entre os quais: bucha, bunho,[13] capim-de-esteira, erva-de-esteira, espadana, landim, paina, paina-de-flecha, paineira-de-flecha, paineira-do-brejo, paneira-de-brejo, paneira-do-brejo, partasana, pau-de-lagoa, pau-mole, tabebuia, taboinha, tabu, tabua, tabuca, tabuba, tifa e totora. Em Angola, também é conhecida como chipipa e dá o nome a uma localidade da Província do Huambo.

Notas

  1. S.A, Priberam Informática. «Consulte o significado / definição de bunho no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o dicionário online de português contemporâneo.». dicionario.priberam.org. Consultado em 5 de outubro de 2019 
  2. Infopédia. «Definição ou significado de taboa no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 5 de outubro de 2019 
  3. Infopédia. «Definição ou significado de morrão-dos-fogueteiros no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 5 de outubro de 2019 
  4. Infopédia. «Definição ou significado de tabua-larga no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 5 de outubro de 2019 
  5. Imagem de T. domingensis.
  6. Kew World Checklist of Selected Plant Families, Typha domingensis
  7. World Wildlife Fund. Eds. M. McGinley, C. M. Hogan, & C. Cleveland. 2010. Petenes mangroves. Encyclopedia of Earth. National Council for Science and the Environment. Washington, DC.
  8. www.biorede.pt http://www.biorede.pt/page.asp?id=666. Consultado em 5 de outubro de 2019  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  9. www.biorede.pt http://www.biorede.pt/page.asp?id=666. Consultado em 5 de outubro de 2019  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  10. www.biorede.pt http://www.biorede.pt/page.asp?id=666. Consultado em 5 de outubro de 2019  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  11. Akkol, E. K., et al. (2011). The potential role of female flowers inflorescence of Typha domingensis Pers. in wound management. Journal of Ethnopharmacology 133(3) 1027-32.
  12. Common weed revealed to diminish water pollution
  13. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 638.

GaleriaEditar

Ligações externasEditar

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