Thaumatococcus daniellii

espécies de plantas

A Thaumatococcus daniellii, também conhecida como katemfe, é uma espécie da família de plantas Marantaceae, nativa de floresta tropical da África Ocidental e é famosa pelo seu produto industrial: a taumatina, um adoçante natural de baixa caloria. A seiva de suas folhas é um potente antídoto contra veneno de cobras e picada de abelha. Tem propriedades antioxidantes, inseticidas e antimicrobianas e possui em sua composição vários micronutrientes, princípios ativos e compostos importantes.[2][3][4]

Thaumatococcus daniellii
Folhas de "Ewe eran" (Thaumatococcus daniellii).
Classificação científica edit
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Clado: Tracheophyta
Clado: Angiospermae
Clado: Monocots
Clado: Commelinids
Ordem: Zingiberales
Família: Marantaceae
Gênero: Thaumatococcus
Espécies:
T. daniellii
Nome binomial
Thaumatococcus daniellii
Sinónimos[1]
  • Donax danielii (Benn.) Roberty
  • Monostiche daniellii (Benn.) Horan.
  • Phrynium daniellii Benn.

Definição

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Fruto da Thaumatococcus daniellii

Thaumatococcus daniellii é uma planta selvagem pertencente à família Marantaceae originária da África Subsaariana. Também conhecida como fruta milagrosa (“miraculous fruit”) e como katemfe é uma erva rizomatosa, florida e cresce até 40 cm de altura. Os frutos têm formato de pirâmide e tonalidade marrom-avermelhada quando maduros, além de sementes pretas envoltas em uma polpa amarelada e fina. Suas folhas são ovais e grandes (60cm de altura e 40 cm de largura) e flores violeta. A polpa possui uma substância muito doce, uma proteína conhecida como taumatina utilizada como adoçante natural de baixa caloria.[2][4]

Usos folclóricos e etnomedicinais

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As raízes e os frutos do katemfe são utilizados na República Democrática do Congo para tratar mulheres em trabalho de parto com complicações. A seiva tem sido documentada como agente emético no tratamento de doenças pulmonares e antídoto contra veneno de cobra e picada de abelhas. Os frutos e polpas são utilizados como laxante. Folhas e raízes também são utilizados como tranquilizantes no tratamento de transtornos psiquiátricos.[4]

As folhas são utilizadas no embrulho de arroz cozido, os pecíolos são utilizados na tecelagem de esteiras e cestos. . As folhas e seu óleo essencial possuem propriedade antioxidante. O extrato da semente tem efeito hepatoprotetor e, o extrato da folha, efeitos positivos sobre o perfil lipídico do plasma, rim e fígado.[2]

Fitoquímica e composição nutricional

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O pericarpo e as sementes da planta contém alto teor de ácidos fíticos, taninos, saponinas e polifenois. Nas frutas, folhas, e raízes há presença de alcalóides, taninos, saponinas e flavonóides.[2]

Muitos macro e micronutrientes estão presentes em diferentes regiões da planta. O talo contém fósforo e nitrogênio, os arilos, frutos e folhas são fontes de cálcio, magnésio e fósforo. Vitaminas (A, B1, B3, B6, B12 e C) foram relatadas no extrato das folhas e das sementes da planta, com vitamina B12 sendo a mais abundante. Em 100g de extrato aquoso de folha, fruto e semente foi encontrado alto teor de carboidrato (29,08%), baixo de gordura (3,85%) e médio de proteína (19,01%), além de cinzas (10,6%) e umidade. [5][3] Os ácidos oléico, palmítico e linoleico foram os principais constituintes de ácidos graxos do óleo extraído da semente.[2]

Taumatina e transgênicos

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O fruto katemfe origina a taumatina, uma proteína de sabor doce que se liga especificamente aos receptores de sabor, realçando alguns sabores e mascarando outros. Essa proteína está disponível comercialmente e é usada como adoçante natural e realçador de sabor. Produtos transgênicos como batata, pepino e tomate foram produzidos expressando o gene da taumatina e alterações no sabor foram verificadas. As principais características observadas são o sabor adocicado e sabor residual de alcaçuz que dura alguns minutos e é característico da taumatina.[3]

Aspectos culturais e usos

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A planta de Thaumatococcus daniellii é utilizada de diversas formas. Além de fornecer a taumatina para a indústria alimentícia, foi observado o uso de suas folhas na embalagem de produtos alimentícios, como carnes, oleaginosas e grãos, nas cidades nigerianas após seu cultivo pelas tribos nativas. Devido às fortes raízes culturais que tal costume possui, sendo ele praticado e perpetuado por gerações de famílias indígenas, e também ao sabor particular que os alimentos embalados nas folhas apresentam, é observada a manutenção no cotidiano desses povos e, também, sua popularização em regiões distintas, chegando a atingir a América do Sul e os Estados Unidos da América.[2][5]

Além disso, devido ao dulçor apresentado por suas sementes, estas eram comercializadas em canoas, por volta de 1839, servindo como adoçantes em preparações como pães e chás.[5]

Aspectos econômicos

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Apesar de seu alto potencial de retorno econômico, visto que todas as partes da planta, desde seu fruto, as sementes, folhas e raízes, podem ser utilizadas por diversos setores da indústria, a katemfe ainda tem seus fins comerciais pouco explorados.[6]

Thaumatococcus daniellii é uma boa fonte de geração de renda para as famílias da zona rural comunidades do Estado de Ekiti. Há muitos usos para os quais o planta foi colocada, desde embalagens de alimentos, noz de cola, ração animal, tecelagem de esteiras, polpação, adoçante, uso medicinal. Esses usos aumentam a renda de muitas pessoas e melhoram sua qualidade de vida. O empreendimento é lucrativo mas não atingiu um nível de rentabilidade razoável pois as áreas de plantação geralmente são muito reduzidas. Sua contribuição para a economia nacional é insignificante, entretanto uso das frutas como adoçantes na indústria alimentícia e farmacêutica sem dúvida podem melhorar a economia industrial do país.[6]

Referências

  1. «World Checklist of Selected Plant Families» 
  2. a b c d e f OJEKALE, A. B.; MAKINDE, S. C. O.; OSILEYE, O. Phytochemistry and anti-microbial evaluation of Thaumatococcus danielli, Benn.(Benth.) leaves. Nigerian Food Journal, Lagos, v. 25, n. 2, p. 176-183, 2007. DOI: https://doi.org/10.4314/nifoj.v25i2.50858
  3. a b BARTOSZEWSKI, G. et al. Modification of tomato taste in transgenic plants carrying a thaumatin gene from Thaumatococcus daniellii Benth. Plant Breeding, Varsóvia v. 122, n. 4, p. 347-351, 2003. DOI: https://doi.org/10.1046/j.1439-0523.2003.00864.x
  4. a b c FADAHUNSI, Olumide et al. Phytochemistry, nutritional composition, and pharmacological activities of Thaumatococcus daniellii (Benth): a review. BioTechnologia. Journal of Biotechnology Computational Biology and Bionanotechnology, Abeokuta, v. 102, n. 1, 2021. DOI: https://doi.org/10.5114/bta.2021.103766
  5. a b INGLETT, G. E.; MAY, J. F. Tropical plants with unusual taste properties. Economic Botany, Nova Iorque, v. 22, n. 4, p. 326-331, 1968. DOI: https://doi.org/10.1007/BF02908127
  6. a b AROWOSOGE, O. G. E.; POPOOLA, L. Economic analysis of Thaumatococcus danielli (Benn.) Benth.(miraculous berry) in Ekiti State, Nigeria. Journal of Food Agriculture and Environment, Ekiti State, v. 4, n. 1, p. 264, 2006. Disponível em: https://www.doc-developpement-durable.org/file/Culture/culture-plantes-edulcorantes/Thaumatococcus%20daniellii/The%20economic%20analysis%20of%20Thaumatococcus%20danielli%20in%20Ekiti%20State%20Nigeria.pdf. Acesso em: 08 jun. 2022.