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Na matemática, particularmente na teoria de conjuntos de Zermelo-Fraenkel, o universo de von Neumann, hierarquia de von Neumann dos conjuntos, ou hierarquia cumulativa, abreviado V, é uma classe definida por recursão transfinita: a classe dos conjuntos hereditariamente bem fundados. V é o modelo mais aceito da teoria de conjuntos de Zermelo-Fraenkel, pelo qual pode ser entendido intuitivamente como a classe de todos os conjuntos.

Definição de VEditar

V é definida por recursão transfinita.

 .
 
 .

É importante ressaltar que existe uma fórmula   da linguagem da teoria de conjuntos de Zermelo-Fraenkel que representa " ".


Uma definição alternativa às três últimas, está dada pela fórmula:

 .


  • Finalmente, sendo V a união de todos os Vα:
 .


O uso do símbolo de união na última linha constitui um abuso da linguagem, de modo que   deve ser interpretado como "existe um ordinal   tal que  ".

Note-se que para cada ordinal α, Vα é um conjunto; porém V não é um conjunto.

A denominação hierarquia cumulativa é usada pois V está definida sobre os ordinais, de modo que:

 

V e Zermelo-FraenkelEditar

Na presença dos demais axiomas de ZF, o enunciado   é equivalente ao Axioma da Fundação. Dessa maneira, conjuntos mal fundados, como  . não pertencem a V e sua não existência pode ser provada em ZF. Além disso, todos os elementos de V são conjuntos, de modo que os denominados átomos, elementos primitivos ou Urelemente (elementos que não são conjuntos) não pertencem a V.
Se omitirmos o Axioma da Fundação de ZF, denominada ZF, então V é um modelo interno. Como para a construção de V não é necessário o Axioma da Fundação, dessa maneira é demonstrada a consistência relativa do Axioma da Fundação com relação aos demais axiomas de ZF, se eles são consistentes. Ainda podemos acrescentar a ZF axiomas contraditórios com o Axioma da Fundação, p.ex. o Axioma de anti-fundação de Aczel, mas então V não é mais um modelo dessa teoria.

Sendo   o conjunto dos números naturais e primeiro ordinal transfinito,   é a classe dos conjuntos hereditariamente finitos.   é um modelo de ZF menos o Axioma do infinito. Em   temos todos os números naturais, mas não  . Os conjuntos em   são suficientes para fazer a maior parte da teoria de números, análise matemática, etc., ou seja a "matemática habitual".   é um modelo da Teoria de conjuntos de Zermelo, denominada Z mas como a definição de   precisa do Axioma da substituição, esse método não pode ser usado para definir um modelo interno de Z. Se   é um cardinal inacessível, então   é um modelo de ZF e, portanto, a existência de cardinais inacessíveis não pode ser provada em ZF, se ZF é consistente.

Ver tambémEditar