Virgínia (literatura latina)

personagem romana
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Virgínia ou Vergínia (c. 465 a.C.449 a.C. (16 anos)) foi uma romana da gente Vergínia citada numa história da Roma Antiga citada na obra Ab Urbe Condita de Lívio[1][2]. Ela foi assassinada por seu próprio pai para não cair nas mãos do decênviro Ápio Cláudio, que a desejava. O escândalo ensejou o final do decenvirato e a eleição de novos cônsules em Roma.

"A Morte de Virgínia", de Heinrich Friedrich Fuger, em Stuttgart, na Alemanha.

HistóriaEditar

Durante o Segundo Decenvirato (450 a.C.), o povo romano já vinha demonstrando insatisfação com os decênviros por não convocarem rapidamente as eleições consulares, por aceitarem propina e outros abusos de poder. Na opinião da população, os decênviros estariam tentando retornar a poder autocrático dos reis de Roma, que haviam sido depostos apenas algumas décadas antes.

Em 451 a.C., Ápio Cláudio passou a demonstrar interesse por Vergínia, uma bela plebeia, filha de Lúcio Vergínio, um respeitado centurião, que estava noiva de Lúcio Icílio, um antigo tribuno da plebe. Quando ela o rejeitou, Cláudio ordenou que um dos seus clientes, Marco Cláudio, alegasse que ela seria sua escrava. Ele então a sequestrou quando ela ia para a escola. A multidão presente no Fórum Romano se opôs, pois tanto Vergínio quanto Icílio eram homens bastante respeitados, e forçou Marco Cláudio a apresentar o caso perante os decênviros, que eram liderados justamente por Ápio Cláudio. Vergínio foi convocado de suas terras para defender sua filha e Icílio, depois de ameaçado, conseguiu que Vergínia fosse levada para casa enquanto a corte esperava pela presença de seu pai. Cláudio tentou que seus aliados interceptassem os mensageiros enviados para convocá-lo, mas eles chegaram tarde demais.

Quando Verginio chegou, dois dias depois, estava com seus aliados no Fórum. Cláudio, porém, não permitiu que ele falasse e declarou que Vergínia era, de fato, escrava de Marco Cláudio. Ápio Cláudio havia trazido consigo uma escolta armada e acusou os cidadãos ali reunidos de sedição. Os aliados de Vergínio então deixaram o Fórum para não aumentar a violência e Vergínio implorou pelo direito de questionar sua própria filha. Cláudio concordou, mas Vergínio então pegou sua faca e, no Templo da Vênus Cloacina, assassinou Vergínia por acreditar que aquela era a única forma de ela conservar sua liberdade. Vergínio e Icílio foram presos, mas seus aliados atacaram os lictores e destruíram suas fasces. O caos resultante levou à deposição dos decênviros e ao re-estabelecimento da normalidade na República Romana.

ComentáriosEditar

O próprio Lívio comparou esta história ao estupro de Lucrécia, que levou à deposição da monarquia romana em 509 a.C.. Esta mesma história foi recontada, com variados graus de fidelidade, em diversas obras da literatura ocidental, incluindo o "Conto do Médico", parte de "Os Contos de Cantuária", de Geoffrey Chaucer, em Lays of Ancient Rome, de Thomas Macaulay, e na peça "Ápio e Virgínia", de John Webster & Thomas Heywood. Virgínia foi mencionada também por Tito Andrônico.

Dentre as muitas obras de arte sobre a história de Virgínia, destaca-se a um afresco de Botticelli, "A História de Virgínia", na Accademia Carrara, em Bérgamo, na Itália.

Referências

Ligações externasEditar

 
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