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Vince Colletta
Vincent Joseph Colletta
Comic image missing-pt.png

Nascimento 15 de outubro de 1923
Local Casteldaccia, Sicília, Itália
Morte 3 de junho de 1991 (67 anos)[1]
Nacionalidade Naturalizado estadunidense (Imigrante italiano)
Área(s) de atuação desenhista, arte-finalista

Vincent Joseph Colletta (15 de Outubro de 1923 - 3 de junho de 1991)[1] foi um artista de quadrinhos italo-americano, melhor conhecido por seu trabalho de arte-finalizar (cobrir com tinta os desenhos a lápis) com frequência as ilustrações do famoso Jack Kirby nos anos de 1950-1960, período chamado de Era de Prata dos Quadrinhos. A dupla trabalhou em várias revistas da Marvel Comics, principalmente nos primeiros números do Quarteto Fantástico e em uma longa e festejada série com o personagem Thor que começou em Journey into Mystery e depois continuou em The Mighty Thor.[2]

BiografiaEditar

Vince Colletta nasceu em Casteldaccia, Sicília e emigrou para os Estados Unidos com sua família. Estudou em Nova Jérsei, na Academia Fine Arts.[3]

Colletta começou com os quadrinhos em 1952, desenhando a lápis e arte-finalizando seu próprio trabalho para a Better Comics. Nos anos seguintes ele começou sua colaboração de décadas com a Marvel, quando a companhia ainda se chamava Atlas Comics. Inicialmente como um artista dos quadrinhos de romance, em revistas tais como Love Romances, Lovers, My Own Romance, Stories of Romance e The Romances of Nurse Helen Grant. Colletta trabalhou também em aventuras da selva (Jungle Action, Jann of the Jungle, Lorna, the Jungle Girl) e de horror/fantasia (Uncanny Tales e Journey into Mystery).

Enquanto a Atlas passava por dificuldades, Colletta fez trabalhos temporários como desenhista nos títulos de romance da DC Comics (Falling in Love, Girls' Love Stories, e Heart Throbs). Também na Charlton Comics ele trabalhou em Love Diary e Teen Confessions. Seu último trabalho creditado como desenhista (a lápis) durante décadas foi a história "I Can't Marry Now" em Love Diary #6 (Setembro de 1959).

O primeiro crédito confirmado de Colletta como arte-finalista de um desenho de terceiros é desconhecido, pois nos anos de 1950 não se divulgava essa informação. Os pesquisadores sugerem duas possibilidades: capa da revista da Atlas Annie Oakley Western Tales #10 (abril de 1956), em co-autoria com Sol Brodsky que a havia desenhado; ou uma história de três páginas chamada "I Met My Love Again", desenhada por Matt Baker na revista My Own Romance #65 (setembro de 1958). Colletta arte-finalizaria três histórias de aventura/fantasia da chamada fase pré-Marvel: "The Green Fog" em Journey into Mystery #50 (janeiro de 1959), "I Fell to the Center of the Earth" em Tales to Astonish #2 (março de 1959) e "The Brain Picker" em World of Fantasy #17 (abril de 1959).

Já a primeira colaboração de Colletta com Jack Kirby foi provavelmente a capa de Kid Colt: Outlaw #100 (setembro de 1961) ou (crédito confirmado) da capa de Love Romances #98 (março de 1962).

Marvel ComicsEditar

Como um arte-finalista da Marvel nos anos de 1960, Colletta trabalhou em vários títulos novos tais como Daredevil (Demolidor). Notáveis foram a arte-finalização do desenho de Kirby nas revistas Fantastic Four #40-43, bem como The Fantastic Four Annual #3, que mostrou o casamento de Reed Richards e Susan Storm, cujo enredo trazia como astros convidados quase todos o maiores personagens da Marvel Comics da época.

Colletta começou seu trabalho de seis anos com o Thor de Kirby em uma história da série "Tales of Asgard" na revista Journey into Mystery #106 (julho de 1964). Colletta se tornou o principal artista da revista a partir do número 116 (maio de 1965). Ele continuou na revista quando o título foi mudado para The Mighty Thor no número 126 (março de 1966) e, com exceção do número 143 — continuaria até o número 167 (agosto de 1969). Voltaria na revista número 176 (maio de 1970) e no último número desenhado por Kirby, o número 179 (agosto de 1970). John Buscema arte-finalizou o número 178.

Colletta também foi o artista da revista Journey into Mystery Annual #1 (1965), que introduziu Hercules no Universo Marvel e The Mighty Thor King-Size Annual #2.

O trabalho com Thor é considerado a fase mais criativa de Colletta.

Nos anos de 1960 Colletta desenharia em revistas da Charlton Comics (Teen-Age Love e First Kiss, tendo sido creditado em republicações como "Vince Colletta Studio"). Ele ocasionalmente arte-finalizou histórias de romances desenhadas por Joe Sinnott, além de outros título da editora tais como Gunmaster. E também da Dell Comics (Guerrilla War, Jungle War Stories e a série de faroeste Idaho).

DC ComicsEditar

Em 1970, Colletta — que tinha feito alguns trabalhos temporários para a DC Comics desde 1968 nas revistas de romance Falling In Love, Girls' Love Stories, Secret Hearts e Young Romance — mudou para a companhia acompanhando Jack Kirby, que deixou a Marvel Comics. Colletta arte-finalizou duas revistas branco-e-preto de Kirby: In the Days Of The Mob e Spirit World (com histórias curtas, ambas de outubro de 1971). Mais lembrados foram os trabalhos da dupla nas revistas da série Quarto Mundo: Superman's Pal, Jimmy Olsen' The Forever People, Mister Miracle e The New Gods. Se dizia que Colletta trouxera o visual inocente da Era Marvel para os novos heróis de Jack ao mesmo tempo que se dizia que ele apagava personagens figurantes e os transformava em silhuetas de multidão.[4] O amigo de Kirby Mark Evanier e o artista Wally Wood convenceram o relutante desenhista a ir até o chefão da DC Carmine Infantino e remover Colletta da arte-finalização das revistas que ilustrava.[4] Ele foi substituído por Mike Royer, o que levou a que alguns fãs escrevessem para a editora reclamando, acusando Kirby de ter abandonado o estilo visual da Marvel.[4]

Colletta continuou a arte-finalizar grande números de revistas da DC, incluindo muitos títulos de Batman, Superman e Lanterna Verde; as adaptações das séries de TV Isis e Super Amigos; e muitas revistas da Mulher Maravilha, do número #206 (julho de 1973) até #270 (agosto de 1980), trabalhando com os desenhistas Don Heck, Dick Dillin, Curt Swan e José Delbo.

Ele se tornou Diretor de Arte da DC em maio de 1976 e ficou no cargo até maio de 1979.[5] Nesse período ele descobriu o futuro astro da industria de quadrinhos americana Frank Miller.[6]

Nessa época Colletta continua a arte-finalizar pequenos trabalhos para a Marvel e também para a Skywald Publications (uma revista de horror em preto e branco, Psycho). Nos anos de 1980, Colletta trabalhou tanto para a DC como para a Marvel. Seu último crédito na Marvel foi a história curta humorística chamada Fred Hembeck Destroys the Marvel Universe (julho de 1989).

Art Cappello era frequentemente o assistente artístico de Colletta. Wally Wood também colaborou com o artista.

ControvérsiaEditar

Colletta, reconhecido como um dos mais rápidos arte-finalistas dos quadrinhos americanos e um profissional de confiança para trabalhar em revistas com problemas de prazo, não ficou imune a críticas em sua carreira.[7] Basicamente, a controvérsia residia no fato de que Colletta apagava e alterava os originais, seja por razões de custo como economizar tinta ou devido aos prazos.Joe Sinnott disse ao autor Ronin Ro: "Quando eu desenhava histórias de romances eu falava comigo mesmo que Vince destruiu o que fiz.... Ele eliminava pessoas dos quadrinhos e usava silhuetas...."[4] O escritor Len Wein falou numa entrevista que pegava as histórias de Luke Cage e as levava para a arte do maravilhoso George Tuska, antes que Vinnie Colletta as arruinassem.[8]

Os companheiros de Jack Kirby são particularmente críticos. Mark Evanier disse: "Em 1970 quando Steve Sherman e eu nos encontramos com Steve Ditko, o desenhista perguntou sobre as novas revistas de Kirby, em sua estréia na DC. Quando lhe falaram que Colletta cuidaria da arte-final, ele disse que provavelmente não veria as revistas. No passado, quando ambos trabalhavam para a Marvel, Ditko disse que pegava as últimas revistas no escritório e sempre olhava os créditos antes de levá-las para casa. Se encontrasse o nome de Colletta — especialmente nos desenhos de Kirby — ele marcava a revista para devolução ou então a jogava no lixo. E fazia questão que Stan visse isso e soubesse das razões disso.[9]

Já os admiradores de Colletta como Tony Seybert, ressaltaram que o estilo suave e delicado da tinta do artista evocava o distante passado mítico e lendário, das brumas dos tempos anciões e era ideal para as linhas dos penhascos de Asgard e das paisagens do Monte Olimpo.

Notas e referências

  1. a b «Vince Colletta, Social Security Death Index details, FamilySearch» 🔗 
  2. . O pesquisador Nick Simon descreveu Simon, Nick. "The Silver Age Marvel Comics Cover Index: Vince Colletta" Colletta como "um talentoso arte-finalizador e um dos artistas expoentes da Atlas/Marvel na sua linha de quadrinhos de romance dos anos de 1950. Na década de 1960 fez sua reputação como grande artista, principalmente com a ajuda do traço de Jack Kirby. "Para mim, a versão de Kirby/Colletta do Thor é definitiva", disse.
  3. Bails, Jerry G. e Ware, Hames (ed.s), The Who's Who of American Comic Books: Volume Um, p. 33 (Bails, 1973)
  4. a b c d Ro, Ronin. Tales to Astonish: Jack Kirby, Stan Lee and the American Comic Book Revolution (Bloomsbury, 2004)
  5. «DC Timeline 1976-1979» 
  6. «ManWithoutFear.com (July 1998): Jim Shooter interview» 
  7. Na revista The Jack Kirby Collector #14 (fevereiro de 1997), por exemplo, surgiu o texto "The Pros & Cons of Vince Colletta" de Tony Seybert e John Morrow, republicado em The Collected Jack Kirby Collector, Volume Três (TwoMorrows, 2004)
  8. «Comicon.com Pulse News (postado em 5 de julho de 2005): "Englehart, Isabella, Isabella, & Luke Cage: An Essential Interviw"». Arquivado do original em 16 de maio de 2008 
  9. «Mark Evanier em The Jack Kirby Collector (data não disponível), republicada em NeilAlien.com (setembro de 2005)» 

ReferênciasEditar

Ligações externasEditar