Égica, também conhecido por Flávio Égica, Rei dos Visigodos (c. 610 - 702), foi coroado no dia 24 de Novembro de 687 na Igreja dos Santos Apóstolos de Toledo e governou até sua morte em 702.[1][2] Era casado com a filha do seu antecessor Ervígio.

Égica
Rei dos Visigodos
Rei dos Visigodos
Reinado 687-700
Coroação 24 de Novembro de 687
Antecessor(a) Ervígio
Sucessor(a) Vitiza
 
Cônjuge Fávila Cixilona
Descendência Vitiza
Nome completo Flávio Égica
Nascimento 610
Morte 15 de novembro de 702 (92 anos)
  Toledo
Reis Quindasvinto, Recesvinto e Égica segundo o Codex Vigilanus

Não demorou a convocar o XV Concílio de Toledo, que abriu na Igreja dos Santos Apóstolos no 11 de Maio de 688. A convocatória obedecia à vontade de se ver liberto dos dois juramentos feitos ao seu antecessor: proteger a família real e fazer justiça ao povo. Égica invocava a impossibilidade de cumprir ambos os juramentos ao mesmo tempo, porque reparar as injustiças ao povo significava devolver os bens espoliados pela família real aos seus legítimos proprietários. O concílio resolveu que que ambos os juramentos eram complementares, pois nada impedia que os culpados de possuir os bens fossem condenados, desde que se protegessem os inocentes.

Insatisfeito com o resultado, Égica convocou um sínodo de bispos em Saragoça em 1 de Novembro de 691, revogando parcialmente o concílio e dando a Égica mãos livres para lidar com a família real. Este não conseguiu evitar os confrontos com a nobreza e o clero, sobretudo os de fora de Tarraconense.

Os rebeldes chegaram a colocar no trono Suniefredo (692), mas o rei conseguiu retomar Toledo pelas armas, fazendo valer a sua autoridade. Para legitimar a sua acção convocou o XVI Concílio de Toledo em 693. O concílio permitiu o confisco dos bens dos sublevados e a sua incorporação no tesouro real. Os bispados de Toledo e de Sevilha foram atribuídos a homens leais ao rei.

Modificou a legislação anterior, em especial o Código de Recesvinto, com resultados diversos, tentando consolidar o trono.

Editou várias normas contra os Judeus, ratificadas pelo XVII Concílio de Toledo e procurou o apoio da Igreja para evitar que, após a sua morte, a sua família sofresse uma perseguição semelhante àquela que ele próprio movera contra a família do seu antecessor.

A 15 de Novembro de 700 Égica nomeou seu sucessor o seu filho Vitiza, a quem confiou o governo do Reino Suevo da Galécia, donde este estabeleceu, aparentemente, a sua residência real em Tude (Tui). Parece que Vitiza desfrutou desde então da consideração de rei de pleno direito, e os dois anos seguintes foram "governo conjunto" (de acordo com a inscrição Regni concordia nas moedas).

Referências

  1. Wolf, Kenneth Baxter (1999). Conquerors and Chroniclers of Early Medieval Spain (em inglês). Liverpool: Liverpool University Press. p. 180 
  2. Flood, Timothy M. (2018). Rulers and Realms in Medieval Iberia, 711-1492 (em inglês). Jefferson: McFarland. p. 201 

Precedido por
Ervígio
Rei Visigodo de Toledo
687702
Sucedido por
Vitiza