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Maomé ibne Ismail Nastaquim Adarazi (em árabe: محمد بن اسماعيل نشتاكين الدرازي; transl.: Muhammad bin Ismail Nashtakin ad-Darazi) foi um pregador ismailita do século XI e um dos primeiros líderes drusos, fé que foi considerada pelos muçulmanos como herética em 1016. Ele foi executado pelo califa fatímida Aláqueme Biamir Alá. Nastaquim nasceu em Bucara e proclamou publicamente a divindade de Aláqueme.

Índice

VidaEditar

Pouco se sabe sobre os primeiros anos de Adarazi. De acordo com a maioria das fontes, ele foi o líder de um exército que foi enviado ao Cairo para sufocar uma revolta do movimento "Unidade" que havia começado nas montanhas do Líbano com o objetivo de unir cristãos, sunitas e xiitas sob um mesmo Deus. O exército de Adarazi tinha por volta de 200 000 homens enquanto que os membros do movimento contavam com menos de 10 000 homens. A luta se deu ao norte de Jerusalém, resultando na derrota completa das tropas de Adarazi e a sua captura. O movimento ficou então conhecido como aquele que derrotou o exército de Adarazi, que terminou se convertendo ao movimento, que passou a ser conhecido como "druso"[1]. Porém, ele foi considerado posteriormente um renegado[2] e é descrito em fontes drusas como seguindo os ensinamentos de Satã[3], principalmente a arrogância.

Conforme o número de seguidores crescia, Adarazi ficou obcecado com a liderança e se auto-intitulou "A Espada da Fé". No obra "Epístolas sobre Sabedoria", Hâmeza ibne Ali ibne Amade alerta Adarazi dizendo "Fé não precisa de espada para ajudá-la", conselho que ele recusou e continuou a desafiar o imame, o que provocou conflitos entre os dois[2]. Adarazi concordou que ele deveria ser o líder da dawa ("Missão") ao invés de Hâmeza e novamente se auto-proclamou "Senhor dos Guias", pois o califa Aláqueme se referia à Hâmeza como o "Guia dos que Consentiram".

Por volta de 1018, Adarazi tinha à volta de si vários seguidores - os "darazitas" - que acreditavam que a razão universal havia encarnado em Adão no princípio do mundo, passou dele para os profetas, depois para Ali e dele para seus descendentes, os califas fatímidas[3]. Adarazi escreveu um livro desenvolvendo essa doutrina e o leu na mesquita do Cairo, o que provocou revoltas e protestos contra suas alegações com diversas mortes entre os seus seguidores. Hâmeza ibne Ali refutou sua ideologia chamando-o de "o insolente e Satã"[3]. A controvérsia criada por Adarazi levou o califa Aláqueme a dawa drusa em 1018[2].

Numa tentativa de conseguir o apoio de Aláqueme, Adarazi começou a pregar que o califa e seus ancestrais eram a encarnação de Deus[1]. Acredita-se que Adarazi permitia o uso do vinho, proibia o casamento e ensinava a metempsicose[3], embora se possa argumentar que suas ações tenham sido exageradas pelos primeiros historiadores e polemistas.

MorteEditar

Um homem naturalmente modesto, Aláqueme não acreditava que era Deus e sentiu que Adarazi estava tentando aparecer como um novo profeta[1]. Por isso, ele preferiu Hâmeza ibne Ali sobre ele e mandou executá-lo em 1018, deixando Hâmeza como o único líder da nova fé[1].

InfluênciaEditar

Embora os drusos não considerem Adarazi como o fundador de sua fé - na realidade, eles se referem a ele como o "primeiro herético"[4] - grupos rivais propositalmente ligaram o nome de um pregador controverso à nova fé e a ligação permanece até hoje[1]. Os drusos se auto-denominam como "Unitários" (al-Muwahhidūn).

Referências

  1. a b c d e The Olive and the Tree: The Secret Strength of the Druze By Dr Ruth Westheimer and Gil Sedan
  2. a b c «About the Faith of the Mo'wa'he'doon Druze by Moustafa F. Moukarim». Consultado em 9 de setembro de 2012. Arquivado do original em 26 de abril de 2012 
  3. a b c d E.J. Brill's first encyclopaedia of Islam 1913-1936 By M. Th. Houtsma, E. van Donzel
  4. Swayd, Samy (1998), «Introduction», in: Swayd, Sami, The Druzes : an annotated bibliography, ISBN 0-9662932-0-7, Kirkland WA: ISES Publications