Abrir menu principal
Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo
Aeroporto
Aeroporto Marítimo de Lisboa, Aeroporto de Cabo Ruivo
Características
Tipo Público
Administração Estado Português
Serve Região de Lisboa
Localização Portugal Cabo Ruivo, Lisboa
Inauguração 1939
Desativação 1958/59
Coordenadas 38° 45' 44.50" N 9° 05' 41.44" O
Mapa
Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo está localizado em: Portugal Continental
Localização do aeroporto em Portugal continental

O Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo foi um aeroporto internacional para hidroaviões, localizado na cidade de Lisboa, capital de Portugal.[1][2][3][4][5][6][7][8][9][10] Foi baptizado com o nome do bairro onde se situava, a zona de Cabo Ruivo. O aeroporto foi, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, uma das principais portas de entrada e de rota de fuga para as linhas aéreas intercontinentais.[11][12]

Índice

HistóriaEditar

Na década de 1930, o Governo português decidiu substituir o Campo Internacional de Aterragem, em Alverca, com dois novos aeroportos mais próximos de centro da cidade de Lisboa: o Aeroporto Terrestre da Portela e o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, no rio Tejo, que segurou voos transatlânticos operados com hidroaviões.

Inicialmente, a companhia aérea Pan Am (Pan American World Airways), companhia aérea intercontinental dos EUA, estabeleceu provisoriamente a sua base marítima em Cabo Ruivo, em 1938,[13][14][3][15] na borda sudeste do atual Parque das Nações. O primeiro voo comercial de passageiros teve partida em Port Washington, Nova Iorque, e amarou a 29 de junho de 1939, na pista do Aeroporto Marítimo. Este voo transatlântico entre Nova Iorque e Lisboa foi operado por um Boeing 314 "Dixie Clipper" da Pan Am e contou com 22 passageiros e 11 tripulantes a bordo.[16] Em 1939 começam também os voo de Correio Aéreo.[4]

Em 1942 o Aeroporto Terrestre da Portela é concluído e o Governo português decide remodelar a base marítima criada pela Pan Am, fazendo da mesma um verdadeiro aeroporto.[17] Nasce assim a Doca dos Olivais,[18][19] com todas as estruturas necessárias para o empreendimento,[20] dragagem, construção dos molhes e entrada da doca, 6 cais acostáveis e de serviço e ainda dois planos inclinados para retirar os hidroaviões da doca.[21] A margem do Tejo entre a Matinha e Beirolas é regularizada.[21] Para ligar os dois aeroportos foi construída uma grande avenida, chamada Avenida Entre Aeroportos, hoje Avenida de Berlim.[22][14][4][5] Os passageiros que faziam escala entre os aeroportos seguiam de carro, pela dita avenida.[5][23] A já referida Pan Am, foi uma das grandes promotoras da construção do aeroporto[14] e utilizou-o como eixo e ponto central para o seu voos transatlânticos até 1945.[carece de fontes?]

Durante a II Guerra Mundial, estes veleiros transatlânticos providenciaram uma rota de fuga para os refugiados da Europa Continental, aproveitando-se da postura neutra de Portugal na guerra.[24]

Com o grande aumento da importância dos voos de tráfego aéreo terrestre, a era dos hidroaviões terminou e os voos em Cabo Ruivo foram descontinuados no final da década de 1950. A doca foi repensada e reorganizada no contexto da Expo '98 e situa-se no centro do Parque das Nações, onde está localizado o Oceanário de Lisboa mas sem qualquer menção deste empreendimento.[25][4][5][23] As rampas norte e sul da Doca dos Olivais, bem como os cais de acostagem são o que resta desta obra.[21]

Acidentes e incidentesEditar

Em 22 de fevereiro de 1943, o hidroavião Yankee Clipper da Pan American World Airways foi destruído num acidente durante o pouso no rio Tejo.[26] 24 dos 39 ocupantes foram mortos.[27][4] Em 1958, um Martin PBM-5 Mariner caiu enquanto se destinava à Madeira, cerca de uma hora depois de ter descolado de Cabo Ruivo.[28][4][29]

ReferênciasEditar

  1. "Lisboa-Cabo Ruivo Seaplane Base profile". Aviation Safety Network.
  2. Afonso de Melo (16 de fevereiro de 2017). «As tragédias de Cabo Ruivo». SOL. Consultado em 19 de fevereiro de 2018 
  3. a b «Memória Institucional». Autoridade Portuária do Porto de Lisboa. Consultado em 19 de fevereiro de 2019 
  4. a b c d e f ROCHA, António (11 de janeiro de 2011). «A hidroaviação nacional» (PDF). Voar Ultraleve: 6-8. Consultado em 19 de fevereiro de 2018. Arquivado do original (PDF) em 22 de abril de 2016 
  5. a b c d Eurico de Barros (12 de janeiro de 2008). «Outros tempos com outros aeroportos». Diário de Notícias. Consultado em 19 de fevereiro de 2018 
  6. Artur João Goulart. «Arquivo Municipal da Câmara Municipal de Lisboa». Câmara Municipal de Lisboa. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  7. PINTO, Paulo Mendes (2003). O Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo. [S.l.]: Nav. Portugal, EPE. ISBN 972-8152-09-4 
  8. «Lisboa no cinema americano da II Guerra Mundial». FCSH +Lisboa – Conhecer e contar a cidade. 8 de fevereiro de 2017. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  9. Christiana Martins (12 de dezembro de 2016). «Lisboa, essa grande desconhecida, tem agora muitos dos segredos à vista. Conheça 10 deles». Expresso. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  10. Notícias do Parque (11 de dezembro de 2014). «O Futuro da Torre Galp». Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  11. http://www.historynet.com/lisbon-harbor-of-hope-and-intrigue.htm HistoryNet entry on Lisbon's role in WW2 "The wealthiest refugees ... got tickets for the Pan American Clipper, the luxurious seaplane flying twice weekly between Lisbon and New York."
  12. Weber, Ronald (2011). The Lisbon Route: Entry and Escape in Nazi Europe Lanham, Maryland. Ivan R. Dee. 11. ISBN 978-1-56663-876-0.
  13. http://www.geocaching.com/geocache/GC4NERK_aeroporto-maritimo-de-cabo-ruivo?guid=34fbf35d-4a9f-4e01-a9fd-0276eb5067e7 Geocaching: Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo "Em 1938 ultima-se a construção da base da PAN AM em Cabo Ruivo, com edíficio de Alfândega, ponte-cais de amaragem e depósitos subterrâneos de combustível. "
  14. a b c Afonso de Melo (16 de fevereiro de 2017). «Quando o Aeroporto era o Tejo». iOnline, SAPO. Consultado em 19 de fevereiro de 2018 
  15. Filipe António Ferreira dos Reis e Cunha. «ANÁLISE DE INVESTIMENTOS EM REABILITAÇÃO URBANA» (PDF). p. 6. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  16. http://www.geocaching.com/geocache/GC4NERK_aeroporto-maritimo-de-cabo-ruivo?guid=34fbf35d-4a9f-4e01-a9fd-0276eb5067e7 Geocaching: Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo "Entre Janeiro e Junho de 1939 os aviões Boeing 314 Clipper são entregues à companhia aérea. Criadas todas as condições necessárias, o primeiro voo regular de passageiros entre a América e a Europa conclui a travessia do Atlântico no Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo no dia 29 de junho de 1939, tendo o avião batizado de “Dixie Clipper” saido de Port Washington no dia anterior e terminando o voo em Marselha, onde chegará com os seus 22 passageiros e 11 tripulantes após 28h e 50m de voo."
  17. http://www.flightglobal.com/pdfarchive/view/1942/1942%20-%202317.html?search=lisbon Fligh Magazine, Nov 5th, 1942 "(...) authority has been given by the Portuguese Government, through the Ministry of Public Works, for the construction of a proper air-marine base, on the same site"
  18. Plan of the Airport's layout in the Doca dos Olivais.
  19. History of the Airport Arquivado em 2015-04-11 no Wayback Machine. (PDF-file; 604 kB) from the Associação Náutica da Marina do Parque das Nações (in Portuguese)
  20. http://www.flightglobal.com/pdfarchive/view/1944/1944%20-%200068.html?search=lisbon Fligh Magazine, Jan 13th, 1944 "A new sea airport for Lisbon, estimated to cost £500,000, is to be built on a more suitable site than the present one, two miles farther up the Tagus. The projected works include a new dock with space to moor four or five aircraft, allowing room to manoeuvre them, and a modern road connecting it with the land airport opened last year at Portela. "
  21. a b c «Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo». Geocaching.com. 16 de setembro de 2013. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  22. http://www.geocaching.com/geocache/GC4NERK_aeroporto-maritimo-de-cabo-ruivo?guid=34fbf35d-4a9f-4e01-a9fd-0276eb5067e7 Geocaching: Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo "A Avenida Entre-os-Aeroportos (actual Avenida de Berlim) foi também construida para permitir fazer a ligação por automóvel entre os voos de longo curso de e para a América que se efectuavam por hidroavião e os voos de pequeno curso para a Europa e África com partida e destino no aeroporto terrestre."
  23. a b «Centieira - Recuperar a tradição bairrista no Oriente». Revista Parque das Nações: 17. 1 de junho de 2016 
  24. http://blog.longreads.com/2015/02/10/glamorous-crossing-how-pan-am-airways-dominated-international-travel-in-the-1930s/ Glamorous Crossing: How Pan Am Airways Dominated International Travel in the 1930s "After years of planning and scheming to open Pan Am’s transatlantic routes, World War II intervened two months later. The first Clipper to arrive in New York after Nazi Germany invaded Poland carried passengers with harrowing tales of their travels. “I’ve never seen a prettier sight than the Clipper. And when I stepped aboard, I felt just as if I were home,” said Justin D. Bowersock, the aviation editor for the Kansas City Star. Unable to board the Clipper in Marseille, Bowersock and 13 others commandeered an ancient bus to take them to Biarritz on the French Atlantic coast. From there, they took a train to Lisbon, where they boarded the Clipper. The war in Europe led to the termination of the northern route at Foynes, Ireland, before being suspended entirely. The southern route, however, did booming business as refugees made their way first to Marseille and then to Lisbon."
  25. «Home». www.oceanario.pt 
  26. Agenda Cultural de Lisboa (26 de fevereiro de 2016). «O mistério do hidroavião de Xabregas». Consultado em 20 de fevereiro de 2018 
  27. "Blog do Comissário de Bordo: Primeiro voo comercial transatlântico".Predefinição:Self-published inline
  28. "ASN Aircraft accident Martin PBM-5 Mariner CS-THB Lisbon, Portugal". Aviation Safety Network. 9 November 1958.
  29. Luís Nuno Rodrigues (29 de julho de 2016). «Aeroportos da Madeira». Aprender Madeira. Consultado em 20 de fevereiro de 2018 

Links externosEditar