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Agricultura biointensiva

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Agricultura biointensiva, ou cultivo biointensivo, é um método de horticultura ecológica de pequena escala de produção de alimentos, que tem por finalidade o alto rendimento por unidade de área, a preservação da agrobiodiversidade, melhorar a fertilidade do solo e a longo prazo criar um sistema fechado e sustentável de produção de alimentos.[1] O método de cultivo biointensivo é praticado em 141 países.

O cultivo biointensivo foi desenvolvido pelo inglês Alan Chadwick entre as décadas de 20 e 30, foi aprimorado e é disseminado pelo norte americano John Jeavons através da ONG Ecology Action.

HistóriaEditar

Entre os anos 1920 e 1930 o inglês Alan Chadwick - que era horticultor e ator, foi aluno de Rudolf Steiner e de agricultores franceses - combinou as técnicas da agricultura biodinâmica e da jardinagem intensiva francesa criando o método intensivo biodinâmico/francês de cultivo de alimentos. Os Estados Unidos foi o primeiro lugar onde o método desenvolvido por Alan Chadwick foi exposto, quando ele levou seu método em meados de 1960 a um campo experimental de agricultura orgânica da Universidade de Santa Cruz, localizada no estado da Califórnia, a área se situava ao lado de uma encosta, com o solo empobrecido e argiloso. Com a utilização de composto, Alan Chadwick e seus alunos, tornaram o solo dessa área fértil recuperando a biodiversidade.

Em 1971, Stephen Kafka que era um aprendiz sênior do campo experimental onde foi aplicado o método de Alan Chadwick, foi convidado pela prefeitura da cidade de Palo Alto, no estado Califórnia, para dar uma palestra de 4 horas sobre o método intensivo biodinâmico/frânces, e dentre os participantes da palestra estavam presentes membros da ONG Ecology Action.

Em 1972 a ONG ''Ecology Action'' iniciou pesquisas, sistematizou as informações sobre o método em um livro chamado How to Grow More Vegetables, e realizou oficinas abertas ao público sobre o método de Alan Chadwick através de um projeto chamado Common Ground em uma área de 9.000m² cedida por uma empresa local na cidade de Palo Alto.

Em 1980 a ONG Ecology Action perdeu a concessão do terreno em Palo Alto, e uma nova área para prática do método foi inaugurada em Willits, na Califórnia, no qual era uma área maior que possibilitou ampliar as variedades cultivadas, o cultivo de plantas perenes e árvores frutíferas, a partir desse momento as pesquisas sobre a produtividade do método somaram-se as pesquisas sobre questões dietéticas e nutricionais, compostagem e redução da utilização de insumos externos.

E em 1999 a ONG Ecology Action cunhou o termo cultivo biointensivo afim de estabelecer um modelo de agricultura sustentável de pequena escala em um sistema fechado.

Em 2010, a UNCCD (Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação) publicou um artigo detalhando os benefícios da agricultura biointensiva.[2]

Método de cultivo biointensivoEditar

Os 8 princípios do cultivo biointensivoEditar

O cultivo biointensivo possui oito princípios que configuram a sua prática:

1) Preparação profunda do solo: estrutura o solo;

2) Uso de composto: contribui com a fertilidade do solo e com nutrientes;

3) Pequeno espaçamento entre as plantas: proporciona o uso ótimo da área de cultivo formando um microclima, protegendo o solo e retendo umidade;

4) Utilização de plantas companheiras e rotação de culturas: contribui para relações benéficas e sinergéticas entre as plantas;

5) Cultivo eficiente de carbono: produz parte da biomassa necessária para a compostagem e grãos ricos em calorias (ex.: milho, feijão, trigo) utilizando 60% da área de cultivo;

6) Cultivo eficiente de calorias: produz quantidades consideráveis de calorias (ex.: batata, batata doce, alho) por unidade de área utilizando 30% da área de cultivo;

7) Uso de sementes de polinização aberta ou sementes crioulas: preserva a diversidade genética e colabora com a soberania alimentar do agricultor;

8) Abordagem integral dos princípios do sistema de cultivo biointensivo: possibilita o agricultor alcançar um sistema fechado de produção sustentável de alimentos.

Benefícios do cultivo biointensivoEditar

A combinação dos 8 princípios torna possível uma redução considerável do consumo de recursos quando comparado as práticas da agricultura convencional. Os benefícios dessa prática são os seguintes:

  • Redução de 67% a 88% no consumo de água por quilo de alimento produzido;
  • Redução de 50% ou mais de fertilizantes orgânicos;
  • Redução de 94% a 99% de energia;
  • Aumento de 100% na fertilidade do solo;
  • Aumento de 200% a 400% na produção de calorias por unidade de área;
  • Aumento de 100% ou mais na produtividade por unidade de área

Com a prática do cultivo biointensivo em um nível intermediário, é possível produzir alimentos para uma dieta vegan para uma pessoa por um ano em uma área de cultivo de 400m², assim como parte da biomassa necessária para o mesmo. Enquanto que uma dieta onívora com alto consumo de carne e derivados de origem animal, seria necessária uma área de cultivo de até 6.300m² para uma pessoa, utilizando práticas agrícolas convencionais com alto consumo de combustíveis fósseis e insumos externos.

Ligações externasEditar

  • Site da ONG Ecology Action, principal disseminadora internacional da prática de cultivo biointensivo [1]
  • Site de John Jeavons pesquisador e disseminador do método de cultivo biointensivo [2]
  • Site em homenagem a Alan Chadwick, criador do método intensivo biodinâmico/francês de cultivo de alimentos e dramaturgo [3]
  • Capacitação em agricultura biointensiva no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil, realizada pela ONG CAV (Centro de Agricultura Vicente Nica) em parceria com a ONG ECOPOL (Ecología y Población) que é a principal disseminadora do cultivo biointensivo na América Latina [4]

Publicações relacionadasEditar

  • Manual em português com orientações para iniciantes em cultivo biointensivo: Um pequeno manual para pequenos agricultores: CULTIVO BIOINTENSIVO - Agricultura familiar sustentável [5]
  • Livro em espanhol do método de cultivo biointensivo para 16 tipos de cultivares: El Huerto Sustentable - Cómo obtener suelos saludables, productos sanos y abundantes [6]

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • JEAVONS, J. Como Cultivar Mais Vegetais (e frutas, castanhas, bagas, grãos e outras culturas): do que você jamais pensou que fosse possível em menos espaço que você possa imaginar. 8ª ed. Berkeley: Ten Speed Press, 2012. 257 p.
  • «Biointensive agriculture». Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  • United Nations - UNCCD (ed.). «La agricultura biointensiva, una herramienta para luchar contra la degradación del suelo». Consultado em 11 de dezembro de 2014