Almoctadi

Abu Alcácime Abedalá ibne Maomé ibne Alcaim (em árabe: أبو القاسم عبد الله بن محمد بن القائم; romaniz.: Abū'l-Qasim 'Abd Allāh ibn Muhammad ibn al-Qa'im), mais conhecido por seu nome de reinado Almoctadi (em árabe: المقتدي; romaniz.: Al-Muqtadi , lit. 'o seguidor'), foi o califa do Califado Abássida em Baguedade de 1075 a 1094.

Almoctadi
Miralmuminim
Dinar do sultão seljúcida Malique Xá I (r. 1072–1092) citando o nome de Almoctadi
27.º califa do Califado Abássida
Reinado 1075 – 1094
Antecessor(a) Alcaim
Sucessor(a) Almostazir
 
Morte 1094
  Baguedade
Descendência Almostazir
Dinastia abássida
Pai Maomé
Religião Islão sunita

VidaEditar

Abu Alcácime era filho de Maomé, filho de Alcaim, e uma escrava armênia.[1] Quando Alcaim estava em seu leito de morte em 1075, Facre Daulá ibne Jair se encarregou dos cuidados pessoais de Abu Alcácime, que ascenderia ao trono como Almoctadi. Antes de morrer, Alcaim aconselhou seu neto a manter os Banu Jair em sua posição: "Não vi pessoas melhores ao daulá do que ibne Jair e seu filho; não se afaste deles." Em 1077, tumultos mortais eclodiram em Baguedade entre as facções hambalita e axarita da cidade quando Abu Nácer ibne Alustade Abi Alcácime Alcuxairi chegou à cidade para se tornar palestrante no nizamia. Durante os tumultos, a vida do filho de Nizã Almulque, Muaiade Almulque, estava em perigo. Nizã Almulque culpou Facre Daulá por todo o caso e em 1078 enviou seu representante Goar Aim ao califa para exigir a remoção de Facre Daulá[2] e prender os seguidores dos Banu Jair. Goar Aim chegou em 23 de julho e recebeu uma audiência na terça-feira, 14 de agosto, durante a qual entregou uma carta solicitando a remoção de Facre Daulá.[3] Almoctadi inicialmente recusou a exigência,[2] mas em 27 de agosto Goar Aim estava ameaçando atacar o palácio a menos que obedecesse.[3] Nesse ponto, Almoctadi não tinha escolha – os abássidas não tinham um exército próprio e eram impotentes para resistir à interferência seljúcida.[2] Facre Daulá aparentemente renunciou (em vez de ser demitido) e Almoctadi o colocou em prisão domiciliar.[3]

Enquanto isso, Amide Daulá partiu para Ispaã assim que ouviu falar dos planos de Nizã Almulque. Fez uma rota circular pelas montanhas para evitar encontrar Goar Aim no caminho, e chegou a Ispaã em 23 de julho – o mesmo dia em que Goar Aim chegou a Baguedade Amide Daulá encontrou-se com Nizã Almulque e as duas partes acabaram por se reconciliar com um contrato de casamento entre a neta de Nizã Almulque e Amide Daulá. Almoctadi inicialmente não recontratou os Banu Jair e, em vez disso, os manteve em prisão domiciliar, mas Nizã Almulque interveio mais tarde e os recontratou.[2] Também durante o Ramadã de 1078 (março-abril), Facre Daulá mandou fazer um mimbar (púlpito) às suas custas e com os títulos de Almoctadi, que mais tarde acabou quebrado e queimado.[3] Em 1081, o califa enviou Facre Daulá a Ispaã, carregado de presentes e mais de 20 mil dinares, para negociar o casamento com a filha de Malique Xá. Malique Xá estava de luto pela morte de seu filho Daúde e não participou das negociações; em vez disso, Facre Daulá foi até Nizã Almulque. Os dois trabalharam juntos desta vez; foram até a mãe adotiva da princesa, Turcã Catum, para fazer seu pedido.[2] Ela estava desinteressada de início porque o sultão gasnévida havia feito uma oferta melhor: 100 mil dinares. Arslã Catum, que havia sido casado com Alcaim, disse a ela que um casamento com o califa seria mais prestigioso e que não deveria pedir mais dinheiro ao califa.[3]

Posteriormente, Turcã Catum concordou com o casamento, mas com pesadas condições impostas a Almoctadi: em troca de se casar com a princesa seljúcida, Almoctadi pagaria 50 mil dinares mais 100 mil dinares adicionais como mar (presente de noiva), desistiria de seu atual esposas e concubinas, e concordaria em não ter relações sexuais com nenhuma outra mulher. Este foi um fardo especialmente pesado e significativo para o califa abássida, uma vez que os abássidas controlavam rigidamente sua "política reprodutiva", com todos os seus herdeiros nascidos de um ualades e, portanto, não relacionados a quaisquer dinastias rivais. Ao concordar com os termos de Turcã Catum, Facre Daulá estava colocando Almoctadi em grave desvantagem enquanto também beneficiava consideravelmente os seljúcidas.[2]

Em 1083, Almoctadi removeu os Banu Jair do cargo por decreto. As circunstâncias de sua remoção do cargo não são claras - os historiadores deram relatos variados. Na versão de Sibete ibne Aljauzi, Almoctadi suspeitava dos Banu Jair, que partiram ao Coração sem pedir permissão oficial; isso despertou ainda mais as suspeitas de Almoctadi e ele os demitiu retroativamente depois que partiram. Então escreveu aos seljúcidas, dizendo-lhes que não empregassem os Banu Jair em sua administração. Na versão de ibne Alatir, os seljúcidas em algum momento se aproximaram de Almoctadi e pediram para empregar os próprios Banu Jair, e Almoctadi concordou. Albundari não oferece detalhes sobre a demissão em si, mas escreveu que os seljúcidas enviaram representantes para encontrar os Banu Jair em Baguedade (e não no Coração).[2] De acordo com o relato de ibne Alatir, os Banu Jair deixaram Baguedade no sábado, 22 de julho. Foram sucedidos como vizires por Abu Alfate Almuzafar, filho do rais alruaça, que havia sido anteriormente "encarregado dos edifícios do palácio".[3]

Em 1092, quando Malique Xá I foi assassinado pouco depois de Nizã Almulque, Taje Almulque nomeou Mamude como Sultão e partiu para Ispaã.[4] Mamude era uma criança, e sua mãe Terquém Catum desejava tomar o poder em seu lugar. Para conseguir isso, entrou em negociações com o califa Almoctadi para garantir seu governo. O califa se opunha tanto a uma criança quanto a uma mulher como governante, e não podia ser persuadido a permitir que o cutba, o sinal do soberano, fosse proclamado em nome de uma mulher. Eventualmente, porém, o califa concordou em deixá-la governar se a cutba fosse dito em nome de seu filho, e se ela o fizesse assistida por um vizir que ele designou para ela, uma condição que ela se viu forçada a aceitar.[5]

Referências

  1. Bennison 2009, p. 47.
  2. a b c d e f g Hanne 2008, p. 29–45.
  3. a b c d e f ibne Alatir 2014, p. 195–7, 203, 210.
  4. Boyle 1968, p. 103.
  5. Mernissi 2003.

BibliografiaEditar

  • ibne Alatir (2014). Richards, D. S., ed. The Annals of the Saljuq Turks: Selections from al-Kamil fi'l-Ta'rikh of Ibn al-Athir. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 9781317832553 
  • Bennison, Amira K. (2009). The Great Caliphs: The Golden Age of the 'Abbasid Empire. Princeton: Imprensa da Universidade de Yale. ISBN 0300167989 
  • Hanne, Eric (2008). «The Banu Jahir and Their Role in the Abbasid and Saljuq Administrations». Al-Masaq. 20 (1): 29–45 
  • Mernissi, Fatima; Lakeland, Mary Jo (2003). The forgotten queens of Islam. Oxônia: Imprensa da Universidade de Oxônia. ISBN 978-0-19-579868-5