Alparslano (em árabe: الب ارسلان; transl.: Alp Arslan; em latim: Alparslanus; em grego medieval: Ἀξάν; transl.: Axán;[1] janeiro/fevereiro de 1029 ou 1032/1033 - Amu Dária, janeiro de 1072), nascido Adude Daulá Abu Xuja Maomé ibne Daúde Chagri Bei, foi o segundo sultão do Império Seljúcida e reinou de 1063 até sua morte. Seu lacabe Alparslano era um termo turco para "Leão Corajoso". Era filho de Chagri Bei e sobrinho de Tugril, sem antecessor como sultão.[2][3]

Alparslano
Iluminura do Mojmal al-tawarikh descrevendo a ascensão de Alparslano ao trono
Sultão do Império Seljúcida
Reinado 1063janeiro de 1073
Antecessor(a) Tugril
Sucessor(a) Malique Xá I
 
Descendência Almostacfi
Dinastia seljúcida
Nascimento Janeiro/fevereiro de 1029 ou 1032/1033
Morte janeiro de 1072
  Amu Dária
Pai Chagri Bei
Religião Islamismo sunita

VidaEditar

AscensãoEditar

Alparslano nasceu em janeiro / fevereiro de 1029 (ibne Alatir) ou 1032/1033 (Bondari). De acordo com o primeiro, nasceu pouco antes da batalha travada por seu pai Chagri Bei e sue tio Tugril contra o Alitiguim do Canato Caracânida de Bucara. Passou a maior parte de sua adolescência nas cercanias de Bactro, onde seu pai esteve ocupado com a defesa da fronteira oriental do Império Seljúcida de tentativas do Império Gaznévida de reaver o país. Liderou tropas contra os gaznévidas em 1043-1044 e invadiu Faça em Pérsis, ainda ocupada pelo Império Buída, sem conhecimento de seu tio. À época, com seu pai acamado, Alparslano e seus irmãos Iacuti e Cavurde ficaram responsáveis pelas campanhas militares. Chagri Bei morreu em 1059, mas antes legou Bactro, Tocaristão, Termez, Surcobe e Valvaleje a Alparslano como malique do Coração e fez a paz com os gaznévidas. Também pediu aos seus filhos que ajudassem Tugril que combatia o seu irmão revoltoso Ibraim Inal e derrotaram Ibraim perto de Rei em julho ou agosto. Tugril pôs Solimão, outro filho de Chagri Bei, como sucessor; ao falecer em Rei em 4 de setembro de 1063, o vizir Condori proclamou Solimão. Alparslano marchou para o oeste ao ouvir rumores da morte de Tugril, mas de início recuou com as notícias falsas de que ainda estava vivo. Assim que recebeu a confirmação, se apressou para chegar na corte. Ali, alguns oficiais de Tugril, como o hájibe Erdem, se recusaram a aceitar Solimão e anunciaram Alparslano. Condori cedeu à pressão do recém-chegado e relegou Solimão a posição de herdeiro aparente.[3]

Primeiras medidasEditar

 
Dinar de Alparslano cunhado em Herate
 
Império Bizantino em ca. 1025. O Tema da Ibéria está no extremo leste

Assim que ascendeu, lidou com a rebelião de seu primo Cutalmiche, que reuniu grande exército turcomano e devastou as imediações de Rei. Em novembro-dezembro, marchou contra ele, que foi forçado a fugir e faleceu devido a um acidente equestre. Resolvido isso, lidou com as questões da corte. Sibte ibne Aljauzi relata que Condori lhe pediu para ficar no Coração e aparentemente escreveu uma carta ameaçando-o. Diz-se que o sultão o ressentiu por dar dinheiro e tesouros de Tugril ao exército e acusou de tentar obter controle sobre o reino. Outro problema eram as ambições de Nizam Almuque, que sucedeu seu mestre Ali ibne Xadã como vizir de Alparslano. Como resposta, Condori foi demitido, preso e transportado a Nixapur e então Marve Arrude, onde foi executado em 1065. Em seguida, conseguiu o reconhecimento do califa Alcaim (r. 1031–1075) no lugar de seu tio e, a julgar pelos títulos que foram concedidos, recebeu oficialmente todos os direitos da posição de Tugril. Enviou a filha do califa, viúva de Tugril, de volta a Bagdá e não tentou se casar com alguma membro da família califal, do mesmo modo que não nunca entrou em Bagdá, preferindo nomear um governador militar que foi substituído uma vez a pedido do califa.[3]

No campo militar, logo recomeçou suas atividades. Em março de 1064, realizou uma campanha no noroeste que resultou em ganhos significativos às custas do Tema da Ibéria do Império Bizantino; Nizar Almuque e Malique Xá, filho de Alparslano, operaram durante a campanha separadamente e tomaram uma série de fortalezas, bem como exortaram o sultão a tomar Ani e Sepide Xar. O fatḥ-nāma (carta anunciando vitórias) enviado por Alparslano a Bagdá garantiu congratulações califais pelos esforços no Cáucaso. Em agosto / setembro, retornou ao planalto iraniano e atravessou Ispaã à Carmânia, onde foi recebido por seu irmão Cavurde, que governava a província e havia expandido seu poder ao Omã e golfo Pérsico. Dali, foi a Marve e casou Malique Xá com a filha do cã caracânida da Transoxiana e Arslam Xá, seu outro filho, com uma filha do sultão gaznévida. É possível que foi nesse momento que teve de reprimir rebeliões pelos governantes de Chaganiã e Cotal, a quem sitiou pessoalmente, e de seu tiu Jabgu, que governava Herate.[3]

 
Conflito seljúcida na Carmânia em 1063-1065

Em 1063-1064, recebeu Fasluia, que havia partido de Hamadã, e lhe conferiu Pérsis, contrariando a posse da província por Cavurde. Alparslano, entretanto, teve que marchar ali para assegurar a nomeação. Sua manobra, no fim, foi infrutífera, pois em 1065 Fasluia se rebelou enquanto Alparslano estava na Carmânia. Foi capturado por Nizam Almuque no castelo de Corxa e perdoado pelo sultão, mas foi mantido preso por conselho do vizir. Foi levado a Estachar, onde morreu em 1069-1070 enquanto seus seguidores tentavam libertá-lo. No interior, Alparslano não pôde lidar com Cavurde e voltou ao norte, em preparação para novas expedições, e deixou Malique Xá no comando de uma guarnição em Xiraz. Em 1065 ou 1066, continuou suas campanhas no leste rumo a Jande e as estepes. Visitou o túmulo de seu ancestral Seljuque, recebeu a submissão de Jande Cã e incursionou contra turcomanos, quipechaques e jazeques, que se submeteram. Depois visitou Gurganje, ordenando sua reconstrução e nomeando Arslam Xá como chefe da Corásmia. Em 1066, em Raiegã, exigiu que seus emires prestassem juramentos de lealdade (baia) a Malique Xá como herdeiro aparente, ordenando que seu nome fosse acrescentado aos cutbas em todo o império e então dividindo o país entre sua família e seguidores.[3]

Ver tambémEditar

Precedido por
Chagri Bei
Governador de Coração
1059 - 1072
Sucedido por
Arslam Xá
Precedido por
Tugril
Sultão do Império Seljúcida
1064 - 1072
Sucedido por
Malique Xá I

Referências

BibliografiaEditar

  • Luther, K. A. (1985). «Alp Arslan». Enciclopédia Irânica Vol. I, Fasc. 8-9. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia 
 
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