António Soares

pintor português

António Soares (Lisboa, 18941978) foi um ilustrador e pintor português. Pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses.[1]

António Soares
António Soares
António Soares, em retrato publicado em 1922
Nascimento 1894
Lisboa
Morte 1978 (84 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Pintura
Natacha, c. 1928, têmpera sobre tela, 162 x 125 cm

Biografia / Obra editar

Nascido num meio humilde, não teve formação académica. Construiu uma carreira "de certo modo jogada entre valores contraditórios de modernismo e de academismo".[2]

Apresenta pela primeira vez o seu trabalho na II Exposição dos Humoristas, Lisboa, 1913; expõe também na I Exposição dos Humoristas e Modernistas, 1915, e na II Exposição dos Modernistas, 1916, Porto. Expõe pela primeira vez individualmente em 1921 na Galeria do Século / Ilustração Portuguesa (também em 1930 e 1932); a partir daí realiza numerosas mostras individuais, nomeadamente na Casa Jalco, Galeria do Diário de Notícias, S.N.I., etc.

Em 1925 viaja até Paris, onde visita a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas; o estilo Art Déco sensibiliza o artista, impulsionando-o na renovação do gosto no âmbito das arte decorativas, do design e da publicidade.[3]

Além da sua atividade como pintor, António Soares trabalhou em artes gráficas e ilustração, fazendo capas de livros, cartazes, anúncios, colaborando ainda para o cinema e teatro. Destaca-se a sua colaboração em revistas como Ilustração e Magazine Bertrand, para as quais criou, a par de Jorge Barradas, algumas das melhores capas.[4]

Entre outras, colaborou também na revista luso-brasileira Atlantida (1915-1920).[5]

"Desenhador requintadamente mundano", a sua pintura revela uma "elegância expressiva" através da qual procura "modernizar uma visão pictórica e espiritual aprendida na obra de Columbano". Uma das suas obras de referência, Natacha, 1928, "é, sem dúvida, dos melhores retratos mundanos e espetaculares da pintura portuguesa". Os anos de 1930 começam, segundo José-Augusto França, a ser-lhe desfavoráveis, correspondendo ao seu progressivo isolamento e a um "amaneiramento da sua pintura".[6]

Venceu um Grande Prémio na Exposição Internacional de Paris, 1937. Recebeu por duas vezes o Prémio Columbano, nas Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I. (1935 e 1948). Em 1958 foi-lhe conferido o grau de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada e em 1962 recebeu o Prémio Diário de Notícias.[7]

Apesar dos prémios recebidos nas décadas finais, António Soares "terminou a sua carreira num relativo esquecimento, alheado, até à data da sua morte em 1978, das manifestações mais importantes da arte portuguesa dos anos 50 em diante".[8]

Referências

  1. França, José-Augusto - A Arte em Portugal no Século XX [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 153, 154. ISBN 972-25-0045-7
  2. França, José-Augusto – A arte em Portugal no século XX [1974]. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 160. ISBN 972-25-0045-7
  3. Candeias, Ana Filipa - "António Soares". In: A.A.V.V. - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 44
  4. França, José-Augusto – A arte em Portugal no século XX [1974]. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 104, 158.
  5. Rita Correia (19 de Fevereiro de 2008). «Ficha histórica: Atlantida: mensário artístico, literário e social para Portugal e Brasil» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Junho de 2014 
  6. França, José-Augusto - A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 154, 159, 160
  7. A.A.V.V. - Arte Portuguesa Contemporânea: pintura, desenho e gravura da coleção C. Gulbenkian (exposição itinerante; Açores, Madeira). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1962.
  8. Candeias, Ana Filipa - "António Soares". In: A.A.V.V. - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 45
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