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Batalha de Tannenberg
Parte da(o) Frente Oriental da Primeira Guerra Mundial
Russian prisoners tannenberg.jpg
Prisioneiros russos após a Batalha de Tannenberg.
Data 26 de agosto a 30 de agosto de 1914
Local Allenstein, Prússia Oriental
(hoje Olsztyn, Polônia)
Desfecho Vitória do Império Alemão
Combatentes
Império Alemão Império Alemão Rússia Império Russo
Líderes e comandantes
Império Alemão Paul von Hindenburg
Império Alemão Erich Ludendorff
Império Alemão Max Hoffmann
Império Alemão Hermann von François
Rússia Alexander Samsonov
Rússia Paul von Rennenkampf
Forças
Império Alemão 8º Exército
150 000 homens[1]
Rússia 2º Exército
230 000 homens[1]
Vítimas
10 000 – 15 000 mortos ou feridos[2] 78 000 mortos ou feridos
92 000 capturados[3]

A Batalha de Tannenberg foi um grande confronto militar travado durante a Primeira Guerra Mundial entre os exércitos alemão e russo, que ocorreu a zona sul de Allenstein (hoje, Olsztyn), Prússia Oriental, no período de 26 a 30 de agosto 1914. O lado alemão, representado pelo 8º Exército, possuía 150 000 combatentes, enquanto o 2º Exército Russo contava com 230 000 homens. A batalha foi vencida pelas forças alemãs que cercaram e destruíram as forças russas invasoras no sul da Prússia Oriental.

Inicialmente foi chamada de "Batalha de Allenstein" pela mídia alemã, mas a pedido do General Hindenburg foi mais tarde renomeada, para fins de propaganda, como Batalha de Tannenberg. Na verdade, a cidade mais próxima da área principal da batalha não é Tannenberg (hoje Stębark), mas sim Hohenstein. Na historiografia alemã a Batalha de Tannenberg foi uma derrota dos Cavaleiros Teutônicos pela União Polaco-Lituana ocorrida em 1410.

A vitória alemã em Tannenberg debilitou o avanço russo no leste da Alemanha e deixou a situação da Rússia no fronte oriental extremamente precária.

Índice

Preliminares EstratégicasEditar

A Prússia Oriental exibia, pela sua situação geográfica como projeção territorial extensa e exposta para dentro do território russo, uma posição estratégica excepcionalmente vulnerável. Partindo do princípio de que a Rússia possuía uma infraestrutura operacional ruim, o Plano Schlieffen supunha que, em caso de declaração de guerra simultânea contra a França e a Rússia, a primeira conseguiria mobilizar suas forças com quatro semanas de antecedência em relação à última. O Alto Comando do Exército Alemão (Oberste Heeresleitung) posicionou sete exércitos na Frente Ocidental a fim de forçar uma vitória decisiva rápida contra a França. Durante a Crise de Julho, entretanto, a Rússia já havia iniciado uma mobilização parcial, e a situação mostrava-se diametralmente oposta: Quatro semanas antes do esperado, os exércitos russos já ameaçavam o território da Prússia Oriental.[4] Essa província era defendida apenas pelo 8º Exército Alemão, numericamente inferior às forças russas, e mostrava-se, portanto, bastante ameaçada. Esse fato já era esperado pelo Estado-Maior Geral Russo em suas diretrizes pré-guerra. A fim de aliviar a pressão sobre seus aliados ocidentais, o Alto Comando Russo enviou dois exércitos contra a Prússia Oriental: o 1º Exército Russo (Exército do Niemen), sob o comando de Paul von Rennenkampf, começou a atacar pelo Leste, enquanto o 2º Exército Russo (Exército do Narew), sob ordens de Alexander Samsonow, iniciou ataque à Prússia Oriental vindo do Sul.[5]

Durante os primeiros dias das operações, essa estratégia parecia funcionar. O 1º Exército Russo avançou sobre o território da Prússia Oriental e alcançou, após a batalha de Gumbinnen, no dia 19 de agosto, uma ruptura inicial. O Estado-Maior Geral Russo contava com o fato de que os alemães, que dispunham apenas de um exército na Prússia Oriental, recuariam para a retaguarda do Rio Vístula. Inicialmente, essa suposição parecia se concretizar: O comandante do 8º Exército, o Coronel-General von Prittwitz, estava receoso e sinalizou por telefone ao Alto Comando do Exército Alemão, instalado em Coblença, o recuo de seu exército para trás do Vístula. Isso correspondia realmente às diretrizes operacionais do Plano Schlieffen, entretanto, para o Chefe do Estado-Maior Geral Alemão, von Moltke, Prittwitz não estava mais à altura de responder pela situação.

Na noite do dia 22 de agosto, e fora das expectativas de seu Estado-Maior, ele foi abruptamente deposto e colocado na reserva. Para sucedê-lo, nomeou-se o General de Infantaria Paul von Hindenburg, na época já na reserva, e, como seu Chefe de Estado-Maior, indicou-se o Major-General Erich Ludendorff. Ludendorff, que já se destacara na Frente Ocidental pela sua energia demonstrada durante a Batalha de Liège, foi trazido de automóvel da região em torno de Namur até Coblença para o Grande Quartel-General, aonde ele entrou por volta das 18:00 H. Um trem especial o levou dali para o Leste. Em Hannover, o General Hindenburg embarcou nesse trem. Ao meio-dia do dia seguinte, os dois Generais chegaram ao seu destino na Prússia Oriental: Marienburg.[6].

Para os dois Generais estava fora de questão uma desocupação voluntária e sem luta da província-mãe prussiana. O Alto Comando Russo, que permanecia sem consciência dessas mudanças, partia do princípio de que, depois que as tropas alemãs fugiram na Batalha de Gumbinnen, a Prússia Oriental seria evacuada. O 1º Exército Russo fora colocado a marchar até a cidade-alvo de Königsberg, a fim de prender o 8º Exército Alemão. O 2º Exército Russo deveria impedir o recuo do 8º Exército, "caindo em suas costas". Com isso, as unidades dos dois exércitos estavam se movimentando separadamente umas das outras no território e, praticamente, não podiam prestar qualquer ajuda entre si.[7] Um outro motivo do isolamento espacial entre os dois exércitos russos era que havia entre suas regiões operacionais a área alagadiça e intransponível dos Lagos Masurianos.

Formações de BatalhaEditar

No dia 23 de agosto, por volta das 14:00 H, o sucessor de Prittwitz, o General de Infantaria von Hindenburg, e seu Chefe de Estado-Maior, o Major-General Ludendorff, reuniram-se em Marienburg. O 2º Exército Russo (Exército de Narew) estava penetrando no sul da Prússia Oriental, estendendo-se por uma faixa de largura de 60 Km entre Soldau, Neidenburg e Ortelsburg.[8]

O General Ludendorff seguiu os planos de ataque já elaborados por Max Hoffmann, que previam que os dois exércitos russos seriam enfrentados separadamente um do outro. Com isso, a superioridade numérica dos russos seria equilibrada. O plano de Hoffmann previa que, inicialmente, seria atacado o 2º Exército Russo do General Alexander Samsonow. A escolha de atacar-se inicialmente esse exército, e não o 1º Exército Russo, estava fundamentada no fato de que, em caso de derrota do próprio 8º Exército Alemão, ficaria assegurada a possibilidade de seu recuo para Oeste através do Rio Vístula. Isso só poderia ser garantido se o campo de batalha não estivesse deslocado demais para o Leste.

Já antes da nomeação de Hindenburg, o I. Corpo de Exército do General Hermann von François havia sido despachado de Gumbinnen por via férrea para o Sul, concentrando-se a Oeste do eixo de formação do 2º Exército Russo.

Referências

  1. a b Zentner 2000, p. 108
  2. Spencer Tucker, The Great War: 1914-1918, 2002, p. 43
  3. Ian F. W. Beckett, The Great War: 1914-1918, 2014, p. 76
  4. Seewald, Berthold (20 de agosto de 2014). «Eine Niederlage führte zur Schlacht bei Tannenberg». Die Welt Online. Consultado em 3 de novembro de 2018 
  5. Norman Stone: The Eastern Front 1914–1917, London 1998, S. 44–48.
  6. Siegfried Schindelmeiser: Der Ausbruch des Weltkriegs, in: Corps Baltia, Bd. 2, S. 64. München 2010.
  7. Reichsarchiv Band II: Die Befreiung Ostpreußens, Mittler und Sohn, Berlin 1925 S. 114 f.
  8. «Reichsarchiv Band II: Die Befreiung Ostpreußens, Mittler und Sohn, Berlin 1925 S. 114 f.». 1925 

BibliografiaEditar

  • Goodspeed, Donald James (1968). Ludendorff. Soldado: Ditador: Revolucionário. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército. 272 páginas 
  • Hoffmann, Max (2005). War Diaries and Other Papers (em inglês) ilustrada ed. Reino Unido: Naval & Military Press. 670 páginas. ISBN 9781845741242 
  • Zentner, Christian (2000). Der Erste Weltkrieg (em alemão). Rastatt: Moewig. 478 páginas. ISBN 9783811816527 
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