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Calvinismo
John Calvin.jpg
João Calvino
Bases históricas:

Cristianismo
Agostinho de Hipona
Reforma

Marcos:

A Institutio Christianæ Religionis de Calvino
Os Cinco Solas
Cinco Pontos (TULIP)
Princípio regulador
Confissões de fé
Bíblia de Genebra

Influências:

Teodoro de Beza
John Knox
Ulrico Zuínglio
Jonathan Edwards
Teologia puritana

Igrejas:

Reformadas
Presbiterianas
Congregacionais
Batistas Reformadas

Os batistas reformados são batistas que aderem às doutrinas reformadas ou calvinistas. Normalmente adotam a Confissão de Fé Batista de 1644 ou de 1689, ou ainda a Confissão de Fé de New Hampshire. Traçam sua história do início da era moderna dos batistas particulares da Inglaterra. Os nomes batista particular, batista calvinista e batista reformado estão todos intimamente ligados.

Índice

CaracterísticasEditar

ConfessionalidadeEditar

Igrejas batistas reformadas adotam Confissões de Fé[1][2][3][4]. Historicamente, a Primeira Confissão Batista de Londres[5], a Segunda Confissão Batista de Londres[6][7] e a Confissão de New Hampshire[8] estão entre as mais utilizadas. A Confissão Batista da Filadélfia foi baseada na Segunda Confissão Batista de Londres. As confissões de fé batistas pressupõem os credos históricos, como o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, e outros[9].

Teologia do PactoEditar

Assim como ocorre com outros cristãos reformados, batistas reformados adotam a Teologia do Pacto[10][11][12]. No entanto, Batistas Reformados diferem de Presbiterianos, Reformados Continentais e Congregacionais nos detalhes desta teologia. Estas diferenças explicam, por exemplo, porque batistas praticam credobatismo, enquanto estes outros grupos praticam o pedobatismo. Enquanto que outros reformados entendem, a partir de sua teologia, que os filhos de cristãos devem ser batizados, Batistas Reformados entendem que somente aqueles que fazem uma profissão de fé devem ser batizados. O batismo é visto como um sinal da administração de Nova Aliança — feita com aqueles que foram regenerados, que tem seus pecados perdoados e que são salvos ao conhecer o Senhor. Candidatos ao batismo são considerados após a congregação examinar cuidadosamente seus testemunhos e estilos de vida[13][14].

Soteriologia CalvinistaEditar

Batistas reformados aderem à soteriologia definida por João Calvino, baseada nas chamadas Doutrinas da Graça, historicamente sistematizada nos Cânones de Dort[15] e resumida nos chamados cinco pontos do calvinismo (conhecida pela sigla TULIP) .

Cinco SolasEditar

Assim como outros grupos reformados, Batistas Reformados afirmam os Cinco Solas da Reforma[16][17][18][19].

Princípio regulador do cultoEditar

O princípio regulador de culto é a crença de que "O modo aceitável de adorar o Deus verdadeiro é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua própria vontade revelada, que não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou o sugestões de Satanás, sob qualquer representação visível, ou qualquer outra forma, não prescrita nas Sagradas Escrituras" (a partir do capítulo 22, nº 1 da Confissão de Fé Batista de 1689). Cada elemento da liturgia semanal regular deve ser expressamente ordenado da Escritura. Tudo o que é expressamente ordenado deve ser incluído, o que não é expressamente ordenado deve ser excluído. Este princípio também explica porque batistas reformados não batizam bebês[20][21][22][23].

CongregacionalismoEditar

O congregacionalismo é a crença de que não há nenhuma autoridade eclesiástica acima da congregação local além do próprio Jesus Cristo. As igrejas batistas entendem que a igreja local deve ser autônoma, e portanto são contra as estruturas episcopal (de bispos, como adotado pela Igreja Metodista) ou presbiteriana (presbitérios e sínodos). Apesar disso, tradicionalmente as Igrejas Batistas Reformadas se reúnem em convenções associativas para comungarem com outras igrejas de doutrina em comum e promover instituições paraeclesiásticas como seminários, juntas de missões, etc[24].

Liderança EclesiásticaEditar

Igrejas batistas reformadas possuem como líderes dois tipos de oficiais: pastores (também chamados de anciãos, presbíteros, reverendos) e diáconos. Cada igreja local tem um determinado número de pastores, variando de igreja a igreja. Este grupo de pastores é responsável pela liderança espiritual (oração, pregação, aconselhamento, ensino) enquanto diáconos são responsáveis por outras questões eclesiásticas[25][26][27].

SabatismoEditar

Alguns batistas reformados são sabatistas e consideram o domingo, geralmente chamado de "dia do Senhor", o único santo dia da fé cristã. Crêem que os domingos são para participar do culto público (chamado de "reunião sabática" ou "reunião" pelos tradicionais) e a prática de boas obras, sendo para descansar de todos os trabalhos "terrenos" e negócios. Há divergências acerca da proibição estrita de trabalhos "terrenos".

BatismoEditar

Assim como outros batistas, os batistas reformados entendem que o batismo deve ser preferencialmente por imersão e não por aspersão.

HistóriaEditar

InglaterraEditar

Batistas GeraisEditar

A primeira igreja batista nasceu com um grupo de refugiados ingleses na Holanda em busca de liberdade religiosa em 1608. Liderados por John Smyth, clérigo, e Thomas Helwys, advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609, uma igreja congregacional. John Smyth, puritano, discordava da política e de alguns pontos da doutrina da igreja anglicana, da qual era pastor, após uma aproximação com os menonitas e, examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se conscientemente, em seguida batizando os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira igreja batista organizada. Até então os batistas não batizavam por imersão, e sim por aspersão; o único diferencial em seu batismo era a necessidade ser batizado em idade consciente.

Batistas ParticularesEditar

Os batistas particulares eram assim chamados por acreditarem na expiação limitada, ou particular. A visão particular da expiação é que Cristo, na Sua morte, se comprometeu em salvar indivíduos particulares, os eleitos. Esta é a posição calvinista. Alguns dos primeiros líderes batistas particulares foram Benjamin Keach, Hanserd Knollys, William Kiffin, e Isaac Backus. Os batistas da Inglaterra descendem dos batistas particulares[28].

O principal porta-voz inicial do calvinismo no meio batista foi John Gill (1696-1771), talvez mais conhecido pela sua pregação expositiva da Bíblia, sendo o primeiro pregador a comentar sobre cada versículo da Bíblia. Charles Spurgeon foi um dos mais influentes batistas particulares (ou reformados) da Inglaterra no século 19. William Carey, missionário para a Índia, foi também um influente batista reformado inglês.

Ao longo dos séculos 18 e 19, muitos batistas gerais da Inglaterra aderiram ao liberalismo teológico e praticamente desapareceram de cena. No mesmo período, muitos batistas particulares tiveram uma posição teológica super-conservadora, que alguns classificavam como hiper-calvinismo e antimonianismo. Em 1785, Andrew Fuller (1754-1815) publicou o livro "O Evangelho Digno de toda a aceitação", que ajudou muitos batistas particulares a tomarem uma posição mais aberta e sociável com e ao estilo do evangelicalismo; esse fenômeno foi apelidado de "Fullerismo" e levaria a uma divisão entre os batistas particulares, entre aqueles que adotaram a abertura e aqueles que se mantiveram conservadores. Essa vertente batista mais aberta tem como expoentes históricos o próprio Andrew Fuller. Com o tempo a teologia super-conservadora perdeu sua força, a ponto de muitos batistas gerais e particulares se fundirem na União Batista da Grã-Bretanha (1813).

Estados UnidosEditar

As primeiras igrejas batistas estabelecidas nos Estados Unidos durante o período colonial eram reformadas[29]. Neste período destacam-se Roger Williams, em Providence, Rhode Island, e John Clarke. As primeiras associações de igrejas batistas do país eram também reformadas. Quando de sua fundação, a Convenção Batista do Sul e o Southern Baptist Theological Seminary eram reformados[30][31][32].

BrasilEditar

A primeira igreja batista estabelecida no Brasil adotou inicialmente a Confissão de Fé de New Hampshire[33]. Esta mesma confissão foi adotada pela Convenção Batista Brasileira de 1920 até 1986, quando foi substituída pela “Declaração Doutrinária”[34].

A Comunhão reformada batista do Brasil surgiu a partir do trabalho do missionário norte-americano Richard Denham em São José dos Campos, SP[35].

Batistas ReformadosEditar

BibliografiaEditar

  • DUNCAN, Alexander Reily. História Documental do Protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 1993.
  • Brackney, William H (2009), Historical Dictionary of the Baptists (2nd ed.), Scarecrow Press, ISBN 0-8108-5622-0.
  • Weaver, C Douglas (2008), In Search of the New Testament Church: The Baptist Story, Mercer University Press, ISBN 0-88146-105-9.
  • Denault, Pascal. Os Distintivos da Teologia Pactual Batista: Uma Comparação entre o Federalismo dos Batistas Particulares e dos Pedobatistas do Século XVII. São Paulo: O Estandarte de Cristo, 2018.

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

  1. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  2. «An Object Lesson in Non-Confessionalism». Founders Ministries (em inglês). 20 de março de 2019. Consultado em 16 de julho de 2019 
  3. «"A Foolish Man who Built His House on the Sand"». Founders Ministries (em inglês). 22 de março de 2019. Consultado em 16 de julho de 2019 
  4. «A Case for Robust Confessions of Faith in the Churches». Founders Ministries (em inglês). 12 de abril de 2018. Consultado em 16 de julho de 2019 
  5. «No Substantial Theological Difference between the First and Second London Baptist Confessions». Founders Ministries (em inglês). 5 de julho de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  6. «Introduction». Founders Ministries (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2019 
  7. «Foreword». Founders Ministries (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2019 
  8. «The New Hampshire Confession: Warm Evangelical Calvinism». Founders Ministries (em inglês). 17 de julho de 2014. Consultado em 16 de julho de 2019 
  9. «The Apostles' Creed». Founders Ministries (em inglês). 15 de novembro de 2016. Consultado em 16 de julho de 2019 
  10. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  11. «The Confession of 1689 and Covenant Theology». Founders Ministries (em inglês). 27 de abril de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  12. «Of God's Covenant». Founders Ministries (em inglês). 28 de abril de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  13. says, Zachariah King. «Covenant Theology: A Reformed Baptist Perspective». Founders Ministries (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2019 
  14. «Particular Baptist Covenant Theology». Founders Ministries (em inglês). 13 de abril de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  15. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  16. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  17. «Reaffirming Sola Scriptura». Founders Ministries (em inglês). 18 de outubro de 2016. Consultado em 16 de julho de 2019 
  18. «Does the Bible Teach the Sufficiency of Scripture?». Founders Ministries (em inglês). 3 de setembro de 2018. Consultado em 16 de julho de 2019 
  19. «Sure, the Bible Is True, but Is it Enough?». Founders Ministries (em inglês). 23 de agosto de 2018. Consultado em 16 de julho de 2019 
  20. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  21. says, Neal Green (1 de julho de 2019). «We Worship Better than You Do». Founders Ministries (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2019 
  22. «To Worship or Not to Worship? That Shouldn't Be the Question». Founders Ministries (em inglês). 29 de dezembro de 2018. Consultado em 16 de julho de 2019 
  23. «The Regulative Principle - A Baptist Doctrine». Founders Ministries (em inglês). 25 de março de 2016. Consultado em 16 de julho de 2019 
  24. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  25. «What is a Reformed Baptist?». Founders Ministries (em inglês). 30 de março de 2017. Consultado em 16 de julho de 2019 
  26. «When Deacons». Founders Ministries (em inglês). 26 de abril de 2018. Consultado em 16 de julho de 2019 
  27. Rinne, Jeramie (2016). Presbíteros - pastoreando o povo de Deus como Jesus. São Paulo: Vida Nova. 144 páginas 
  28. «Are Southern Baptists Cousins to the Anabaptists?». Founders Ministries (em inglês). 14 de dezembro de 2016. Consultado em 16 de julho de 2019 
  29. «From the Protestant Reformation to the Southern Baptist Convention: What Hath Geneva To Do with Nashville?». Founders Ministries (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2019 
  30. «Are Southern Baptists Cousins to the Anabaptists?». Founders Ministries (em inglês). 14 de dezembro de 2016. Consultado em 16 de julho de 2019 
  31. «An Object Lesson in Non-Confessionalism». Founders Ministries (em inglês). 20 de março de 2019. Consultado em 16 de julho de 2019 
  32. «"A Foolish Man who Built His House on the Sand"». Founders Ministries (em inglês). 22 de março de 2019. Consultado em 16 de julho de 2019 
  33. DUNCAN, Alexander Reily (1993). História Documental do Protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE. pp. 142, 148 
  34. «Confissões de Fé na História Batista - Franklin Ferreira». www.monergismo.com. Consultado em 16 de julho de 2019 
  35. «CRBB». comunhaobatista.blogspot.com. Consultado em 16 de julho de 2019