Igreja Batista

Denominação Cristã

As Igrejas Batistas são um movimento Cristianismo evangélico, com forma de governo congregacional, cuja doutrina básica se dá na salvação mediante a fé somente, tendo como regra de fé e prática a Bíblia Sagrada,[1] e por princípio a separação entre Igreja e Estado[2]. Está distribuída em todo o mundo, e não possui hierarquia, tampouco governo único, visto que é princípio da maior parte das Igrejas Batistas o governo local da Igreja[3]. Os batistas entendem haver duas ordenanças de Jesus Cristo: a Ceia do Senhor e o batismo do crente, sendo que este último só é realizado mediante a imersão do indivíduo na água, já em idade suficiente para ter consciência do ato e desejá-lo por iniciativa própria.[4][5][6]

Igreja Batista
{{{imagealttext}}}
Teologia Evangélica
Origem Europa, 1608 (412 anos)
Congregações Mais de 455 mil no mundo
Membros 125 milhões de membros

A Igreja Batista é uma denominação histórica, cujas origens remontam à Inglaterra e Holanda no início do século XVII. Tornou-se, com o tempo, uma das mais importantes denominações protestantes, com muitas igrejas na própria Inglaterra e também nos Estados Unidos, de onde missionários foram enviados a todas as partes do planeta. No Brasil, os primeiros missionários chegaram cerca de 150 anos atrás, tendo fundado, desde então, igrejas de norte a sul no país.

Nas igrejas batistas, a instância maior de deliberação sobre questões internas não é um conselho, tampouco o pastor da comunidade, mas a própria congregação. A maioria das igrejas batistas escolhem associar-se em grupos de apoio mútuo e cooperação, denominados associações ou convenções, mantendo, porém, a autonomia de cada igreja local. Ou seja, não há hierarquia ou subordinação entre pastores de uma igreja e outra. Tais grupos podem ter abrangência local, regional ou até nacional. No Brasil, as principais convenções são a Convenção Batista Brasileira (de aspecto tradicional),[7] a Convenção Batista Nacional (de aspecto carismático)[8] e a Convenção das Igrejas Batistas Independentes. Ambas fazem parte da Aliança Batista Mundial, organização que reúne, livremente, centenas de convenções e associações que conservam os princípios batistas.

NomeEditar

 
Pintura representando João, o Batista.

O termo "batista" vem da palavra grega baptistés, ("batista", a mesma que descrevia João, o batista), estando relacionada ao verbo baptízo, ("batizar, lavar, imergir, mergulhar algo"), e à palavra latina baptista, que significa também "o batizador", como em "João, o batista". Como prenome, é usado na Europa nas variantes Baptiste, Jan-Baptiste, Jean-Baptiste, John Baptist e Johannes Baptiste. Também é usado como um sobrenome, cujas variações geralmente usadas são Baptiste, Baptista, Battiste e Battista. Há registros de que os anabaptistas na Inglaterra foram chamados batistas já em 1569.[9]

 
Rio Jordão, o rio onde João Batista batizava aqueles que haviam se arrependido de seus pecados e que aguardavam o Reino de Deus.

Por causa dessa compreensão da necessidade de fé pessoal para o batismo, e em conformidade com os exemplos bíblicos, o indivíduo é literalmente mergulhado na água, como era o costume na Igreja Primitiva, daí se chamar batismo por imersão. Dessa forma, pretende-se simbolizar, com o mergulho, a morte do velho homem carnal e pecador, e o surgimento do novo homem, já com uma nova natureza, espiritual, semelhante a Cristo.

DoutrinaEditar

 
Batismo do crente, por uma igreja Batista em Sevastopol, na Rússia, 2016

Embora não haja uma rígida unidade organizacional ou doutrinária entre os batistas, alguns pontos de crença são comuns a todos eles:

HistóriaEditar

A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é o surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. Essa igreja nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.[10]

 
Thomas Helwys, (1550-1616), co-fundador da Igreja Batista, advogado e estudioso da Bíblia, morreu na prisão, por defender a liberdade religiosa e de consciência. O livreto que escreveu, Uma Breve Declaração Sobre o Mistério da Iniquidade, é possivelmente a primeira obra da civilização ocidental a defender o princípio da liberdade religiosa e de consciência para adeptos de qualquer crença em matéria religiosa.[11][12][13]

A denominação historicamente é ligada aos dissidentes ingleses ou movimentos de anticonformismo do século XVI. Um importante movimento batista surgiu em uma colônia inglesa na Holanda, num tempo de reforma religiosa intensa.[14]

Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.[15]

Ainda em 1612, Thomas Helwys foi preso por publicar o folheto Uma Declaração Breve do Mistério da Iniquidade, no qual advertia à monarquia inglesa para que se submetesse a Deus, constando também uma crítica ao papado e aos puritanos. Ele permaneceria na prisão até falecer, em 1616. No teor da obra, escreveu:

"A religião do homem está entre Deus e ele: o rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o homem. Que haja, pois, heréticos, turcos ou judeus, ou outros mais; não cabe ao poder terreno puni-los de maneira nenhuma."

O folheto de Helwys constitui a primeira publicação em inglês a defender a liberdade religiosa aplicável universalmente, e possivelmente a primeira obra da civilização ocidental a defender o princípio da liberdade religiosa e de consciência para todos os seres humanos.[11][12][13]

Naqueles tempos, havia perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, por não concordarem com certas práticas e doutrinas da igreja oficial, a anglicana. Vale notar que dentre esses "dissidentes" estava John Bunyan, um batista, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso injustamente. Devido a essa perseguição, muitas pessoas emigraram para a América, para as colônias da Nova Inglaterra (que viriam a formar os Estados Unidos).

A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo. [17]

Em solo americano, a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark, que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island, em 1648. Os Batistas se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte e foram influentes na formação da Constituição Americana, de 1788.[18] Atualmente, a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos conta com quase 16 milhões de membros, sendo a maior comunidade evangélica daquele país e a maior convenção batista do mundo.

As igrejas batistas continuariam a se expandir, embora praticamente restritas à Inglaterra e aos Estados Unidos, até o final do século XVIII, quando missionários batistas começariam a ser enviados a todas as partes do mundo.

Expansão MundialEditar

 
William Carey, missionário batista conhecido entre os protestantes como o "Pai das Missões na Era Moderna".
 
Seminário teológico batista em Hong Kong, afiliado à Convenção Batista Hong Kong, 2008

As organizações missionárias promoveram o desenvolvimento do movimento em outros continentes. Na Inglaterra, houve a fundação da Sociedade Missionária Batista em 1792 em Kettering, Inglaterra.[19][20]

Consequentemente, em maio de 1814, foi fundada uma Convenção em Filadélfia com o nome de "Convenção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro" e do Conselho Internacional de Missões em 1845.[21][22] Desde então missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa, de maneira que hoje em dia se podem encontrar igrejas batistas espalhadas por todo o mundo.

Aliança Batista Mundial foi fundada em 1905 em Londres, durante o Primeiro Congresso Mundial Batista.[23]

Batistas no BrasilEditar

 
Primeira Igreja Batista de João Pessoa, na Paraíba, Brasil; fundada em 1914, com o templo inaugurado em 1957.

Os missionários batistas figuram entre os primeiros grupos de missionários protestantes no país, tendo sido precedidos por alguns missionários de outras denominações, especialmente congregacionais e presbiterianos, sendo também contemporâneos dos primeiros missionários metodistas no Brasil.[18]

Os primórdios da história dos batistas no Brasil remontam à segunda metade do século XIX, quando missionários estrangeiros, na maioria americanos, aportaram no país para dar início aos trabalhos de evangelização protestante, em uma nação que até então era oficialmente e socialmente católica. Os missionários difundiram a leitura bíblica entre a população, divulgaram os ensinamentos protestantes e fundaram as primeiras igrejas com brasileiros que haviam aderido à doutrina.[18]

As missões evangelísticas foram auxiliadas pela atuação de colportores, ou seja, vendedores ambulantes de exemplares da Bíblia Sagrada, vários dos quais também eram de origem estrangeira; os colportores tiveram papel fundamental na disponibilização das Escrituras para a população da época, cujo acesso aos textos sagrados era precário.

 
Sarah e Robert Kalley, casal de missionários protestantes, sem vinculação denominacional, cujos esforços evangelísticos pioneiros contribuíram para a implantação do protestantismo no Brasil no século XIX.

Além disso, os trabalhos evangelísticos já iniciados por presbiterianos e congregacionais, em especial do casal missionário Robert e Sarah Kelley, contribuíram para a divulgação do cristianismo protestante entre a população, antes e durante a atuação dos missionários batistas. Vale notar que o casal Kalley, do qual é herdeiro o movimento protestante brasileiro como um todo, aderiu à doutrina segundo a qual o batismo deveria ser preferencialmente voluntário, de acordo com o ensinamento neotestamentário, embora tenham preferido não aderir a nenhum grupo protestante em específico, a despeito de suas origens presbiterianas/congregacionais.[24]

Acredita-se que o primeiro missionário batista no Brasil tenha sido o americano Thomas Jefferson Bowen. Anteriormente ele fora missionário americano na Nigéria, tendo trabalhado entre os nativos da tribo iorubá.[25] Depois de algum tempo na África, retornou aos Estados Unidos, e foi enviado, em 1860, para o Brasil, pois havia no país muitos escravos que falavam o dialeto iorubá, por ser língua corrente entre os negros traficados, e que portanto podiam compreender a mensagem evangelística em seu próprio idioma, com o auxílio de Bowen. Oito meses depois, ele precisou retornar ao seu país, desta vez em definitivo, em decorrência de problemas de saúde e também porque autoridades regionais brasileiras o impediram de pregar o evangelho, visto que sua mensagem contrariava alguns ensinos do catolicismo, religião oficial do país até então.

Posteriormente, por força da devastação causada pela Guerra Civil Americana (1861-1865), milhares de fazendeiros e lavradores do sul dos Estados Unidos emigraram para lugares onde houvesse terras de potencial agrícola, inclusive para o Brasil. Logo, em 1867, mais de cinquenta mil estadunidenses desembarcaram nos portos brasileiros em busca de refúgio e terras para cultivo. Avançando para o continente, escolheram a cidade de Santa Bárbara d'Oeste para adquirirem terras e fixarem residência. Entre os emigrados, a maioria professava o protestantismo, e muitos eram batistas. Já em 1870, fizeram publicar um "Manifesto para Evangelização do Brasil". Tal manifesto, assim que publicado, contou com assinaturas de presbiterianos, metodistas, congregacionais e de um batista, o jovem pastor Richard Ratcliff, um dos emigrados, cuja família havia convertido através de Thomas Jefferson Bowen nos Estados Unidos. Em 1871, Batistas emigrados dos Estados Unidos organizam a "Primeira Igreja Batista no Brasil para Estrangeiros" em Santa Bárbara d'Oeste. Anos mais tarde, em 1879, outro grupo de emigrados faz surgir a segunda Igreja Batista em solo brasileiro, também em Santa Bárbara d'Oeste, no bairro da Estação, atualmente pertencente à cidade de Americana.

 
Capela do Campo, em Santa Bárbara d'Oeste, cidade em que a primeira igreja batista do BrasiI seria fundada, em 1871, por imigrantes americanos, no interior do estado de São Paulo.

Os batistas de então, em Santa Bárbara d'Oeste, se uniram para solicitar à Junta de Richmond, dos Estados Unidos, o envio de missionários ao Brasil. No ano de 1881, chegaram os primeiros missionários: o casal William Buck Bagby e Anne Luther Bagby, e o casal Zachary Clay Taylor e Katharine Steves Crawford Taylor. Os primeiros missionários, tão logo foram recebidos em Santa Bárbara d'Oeste, filiaram-se à igreja batista existente e começaram a estudar a língua portuguesa, tendo como professor Antônio Teixeira de Albuquerque, que anteriormente fora ordenado padre católico no Seminário de Olinda, porém havia deixado o catolicismo e se tornado protestante, aderindo posteriormente à doutrina batista e sendo ordenado pastor pelo presbitério da igreja batista de Santa Bárbara.

Pouco tardou para que os dois casais de missionários, unindo-se a Antônio Teixeira de Albuquerque, rumassem para o Estado da Bahia, onde, em 15 de outubro de 1882, organizaram na capital do estado a primeira congregação batista formada por brasileiros, tendo-a denominado de "Primeira Igreja Batista do Brasil para Brasileiros", a qual seria oficialmente a primeira igreja batista do Brasil, embora já houvesse duas outras igrejas batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, residentes na região de Santa Bárbara do D'Oeste e Americana, em São Paulo.[18] Em um ano, aquela igreja já contava setenta membros.

De Salvador, os missionários seguiram para outras capitais, plantando igrejas. De volta ao estado de São Paulo, com outros missionários recém-chegados, os Bagby e os Taylor foram organizando outras novas igrejas a partir de 1899 em São Paulo, Jundiaí, Santos, Jacareí, Campinas, São José dos Campos, entre outras cidades. Já em 1904, eram sete as igrejas batistas no estado de São Paulo. Essas, reunindo-se em Jundiaí, organizaram, em 1904, a Convenção Batista do Estado de São Paulo, então chamada de União Baptista Paulistana. Entretanto, vale destacar que o missionário Salomão Luiz Ginsburg havia sido o primeiro a sugerir, ainda em 1894, a organização de uma convenção de âmbito nacional dos batistas brasileiros, ideal este que viria a se concretizar em 1907.[18]

Antes da Proclamação da República em 1889, a religião oficial do Brasil era a Católica Romana, conforme estabelecido na Constituição Imperial de 1824, e havia limitações à liberdade de culto, embora o culto em si e a divulgação (pregação) fossem permitidos. Cumpre destacar, nesse contexto, que o imperador D. Pedro II tinha o casal missionário Kalley em alta estima, e nunca se opôs ao surgimento do protestantismo no país; muito pelo contrário, era um leitor ávido da Bíblia Sagrada, e até mesmo ouvia os missionários pessoalmente, tendo-se encantado pelas Sagradas Escrituras. Há registros, inclusive, de que quando um colportor (vendedor de Bíblias) protestante foi preso, em razão da atividade que exercia, por um delegado no Sergipe, o imperador prontamente mandou soltá-lo, apontando que não havia justificativa nenhuma para a prisão, visto que as leis do Império não proibiam aquela atividade.[24]

Não obstante, havia entre a população forte intolerância contra os protestantes; o missionário batista Salomão Luiz Ginsburg, por exemplo, chegou a correr perigo de morte, por causa de uma multidão que veio com enxadas e paus na direção dele, acreditando que ele era um dos anticristos dos últimos dias, conforme o padre local havia dito.[26] Todavia, em 1891 a liberdade religiosa estaria consagrada na nova Constituição, porém ainda passariam muitas décadas até que os batistas e outros grupos evangélicos fossem mais bem aceitos pela sociedade.

Nos primeiros vinte e cinco anos de trabalho (desde 1882), Bagby e Taylor, auxiliados por outros missionários, e por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 Igrejas, com aproximadamente 4200 membros. Zacarias Taylor, A. B. Deter e Salomão Ginsburg, então, concordaram em dar prosseguimento ao plano de criar uma convenção de âmbito nacional. Em seguida, eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros, inclusive Francisco Fulgêncio Soren. Assim, no ano de 1907, em Salvador, com a presença e apoio de quarenta e três representantes, delegados e mensageiros, enviados por trinta e nove igrejas e congregações, foi realizada, em sessão solene, a primeira assembleia da Convenção Batista Brasileira.[18]

A motivação básica da criação da Convenção foram missões, e falava-se então na evangelização de Portugal, Chile e África. Foram criadas duas Juntas Missionárias: a de Missões Nacionais e a de Missões Estrangeiras (hoje Missões Mundiais). Além dessas, foram criadas várias outras Juntas; ao todo, sete. As áreas de Missões, Educação Religiosa e Publicações, Educação Teológica e Educação (em geral), foram as que receberam maior atenção dos convencionais.[18]

Com o passar das décadas, as igrejas batistas cresceram e se multiplicaram, sendo que o evangelismo era realizado ativamente pelos membros das igrejas, assim como pelos pastores e missionários, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Centenas de missionários foram enviados por igrejas e juntas norte-americanas até as regiões mais remotas do Brasil, e posteriormente viriam professores e educadores para aprofundar e consolidar o ensino teológico nos seminários, muitos dos quais foram construídos graças à contribuição e financiamento dos batistas americanos.

 
Mostra sobre a vida de Jesus em Igreja da Cidade, afiliada com a Convenção Batista Brasileira, São José dos Campos, Brasil, 2017

Na década de 1960, o advento de doutrinas e práticas pentecostais e renovadas (carismáticas), às quais alguns membros e igrejas aderiram, e as consequentes controvérsias entre os que aceitavam as novas doutrinas e aqueles que não as aceitavam, viriam a culminar no rompimento de diversas denominações protestantes históricas no Brasil, inclusive dos batistas. Nesse contexto, houve o desligamento, em relação à Convenção Batista Brasileira, daquelas igrejas que haviam aderido ao movimento de renovação pentecostal; tais igrejas uniram-se para criar a Convenção Batista Nacional, de orientação carismática, sem vinculação com a primeira convenção.[8] Desde então, o primeiro grupo é rotulado pelo segundo como "batistas tradicionais", com conotação pejorativa, enquanto o segundo grupo, por vezes, não é considerado como autenticamente "batista" pelo primeiro. Em 2007, o presidente da Convenção Batista Brasileira, Nilson Fanini, propôs a possibilidade de que as duas convenções poderiam se unir novamente; entretanto, a controvérsia das doutrinas pentecostais permanece como um fator de controvérsia até os dias atuais, não só entre os batistas, mas no cristianismo como um todo, até mesmo entre católicos.[8]

Educação Batista no BrasilEditar

A educação pode ser considerada uma marca visível do povo batista. Sua paixão pelo estudo da Bíblia desenvolveu o interesse pela educação religiosa, cultivada nas Igrejas através das organizações de treinamento e da Escola Bíblica Dominical. Em razão disso, os templos batistas foram se tornando verdadeiros complexos educacionais, contando inclusive com o estabelecimento de bibliotecas.[18]

 
Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, fundado em 1907-1908, com sede no Rio de Janeiro; permanece até a atualidade como um dos principais centros de ensino teológico batista no país.

Junto com a Educação Religiosa veio a Educação Teológica. Inicialmente através de aulas dadas pelos missionários em suas casas, depois surgiram os Seminários: Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, organizado em Recife (PE), por Salomão Ginsburg, em 1º de abril de 1902, e o Seminário Teológico Batista do Sul, fundado pelo missionário John Watson Shepard, na cidade do Rio de Janeiro em 1908. A estes dois Seminários, foram agregados dezenas de outros espalhados por todo o país, com milhares de alunos.[18]

A Educação chamada de Geral ou Secular teve a mesma origem: o desejo de abrir oportunidades para o estudo da juventude e de criar escolas com capacidade para exercer influência sobre a sociedade brasileira. O Colégio Taylor Egídio, fundado em Salvador pela senhora Laura Taylor e pelo Capitão Egídio Pereira de Almeida, foi o primeiro a vingar. Em 1922 ele foi transferido para a cidade de Jaguaquara, onde existe até hoje.[18]

Depois dele, e por causa dele, vieram o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo; Colégio Americano Batista do Recife; Instituto Batista Industrial em Corrente (PI); Colégio Americano, em Vitória; Colégio Batista Shepard no Rio de Janeiro; Colégio Batista Alagoano em Alagoas; Colégio Batista Fluminense em Campos dos Goytacazes (RJ); Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte. Além destes colégios, dezenas de outros foram organizados com a ajuda dos missionários ou por iniciativa de igrejas, convenções estaduais e de particulares batistas. A contribuição dos batistas na área educacional é realmente notável, considerando tanto a qualidade quanto a quantidade. Hoje, cerca de dois milhões de brasileiros já passaram pelas escolas batistas.[18]

Batistas em PortugalEditar

Em Portugal os baptistas estão presentes desde o século XIX, quando missionários e expatriados britânicos fundaram a igreja no país. Em 1888, o missionário inglês Joseph Charles Jones (1848-1928) organiza uma comunidade baptista de comunhão aberta no Porto.[27] Em 1920, já havia congregações baptistas o bastante para fundar a Convenção Baptista Portuguesa.[28]

Estão agrupados em diversos grupos, dentre os quais: a Convenção Baptista Portuguesa (90 igrejas, pouco mais de 4 mil membros, filiada à Aliança Batista Mundial); a Associação das Igrejas Baptistas Portuguesas (19 igrejas); Campo Missionário das Igrejas Baptistas de Carreiros, Rio Tinto Gondomar, Trofa (Valderigo), Santo Tirso (Cavadas) e Sequeirô (Rosal, Santo Tirso), constituída por 4 Igrejas e 10 Missões e Núcleos e um Templo em Água Longa Agrela; Associação das Igrejas Baptistas para o Evangelismo Mundial (10 igrejas); Igrejas Baptistas Independentes (grupo pentecostal-batista de origem sueco-brasileira, 7 igrejas) e outras congregações e igrejas.

OrganizaçãoEditar

Em termos de organização, a maior parte das igrejas batistas operam no sistema de governo congregacional, isto é, cada igreja batista local possui autonomia administrativa, regida sob o regime de assembleias de caráter democrático.[29]A grande maioria das igrejas batistas são associadas a "convenções", que são, na verdade, associações de igrejas batistas que procuram auxiliar umas às outras em diversos aspectos, como jurídico, financeiro e formacional (criação de novas igrejas). Essas associações não possuem qualquer poder interventor nas igrejas, pois uma das características da maioria dos batistas é a autonomia de cada igreja local.

Em 2020, Aliança Batista Mundial tem 241 membros de denominações batistas em 126 países, 169.000 igrejas e 47.000.000 de membros batizados.[30]

EstatísticasEditar

Então estima-se que o número de batistas no mundo esteja em cerca de 125 milhões de membros, dos quais cerca de 48 milhões são simplesmente batistas, 49 milhões são batistas pentecostais/carismáticos, e 26 milhões são batistas independentes, sendo que 16 milhões são ligados à tradicional e conservadora Convenção Batista do Sul dos EUA (SBC), que se desligaram da WBA.[31][32]

Estilo ArquitetônicoEditar

 
Tabernáculo Metropolitano, em Londres, Inglaterra; igreja do renomado pregador batista Charles Spurgeon (1834-1892).

Embora não haja um estilo único de arquitetura que caracterize as igrejas batistas, diversas influências contribuíram para que certas tendências arquitetônicas possam ser percebidas, com alguma similaridade, conforme a região geográfica em que se localizam.

Além disso, algumas características genéricas predominam, como a tendência à simplicidade estética dos edifícios e à rara utilização de símbolos ou ornamentos; Isto se deve originalmente ao reflexo dos próprios aspectos da doutrina batista, que prescindem de simbologias; mais modernamente, a rejeição ao uso de símbolos entre os grupos batistas assumiu um aspecto variável, havendo alguns que continuam a rejeitar seu uso e outros que passaram a adotá-los, porém a simplicidade permanece como uma característica recorrente aos edifícios batistas.[33]

 
Primeira Igreja Batista na América, fundada em 1638, em Providence, nos Estados Unidos. O edifício atual foi construído em 1775. O estilo arquitetônico apresenta influências tanto inglesas quanto americanas.[34]

A maioria dos edifícios de igrejas batistas apresenta tamanho pequeno ou médio, de acordo com o tamanho da congregação, sendo menos frequentes as igrejas batistas cujo tamanho seja grande o bastante a ponto de se poder comparar às catedrais católicas ou anglicanas.

 
Primeira Igreja Batista de Joinvile, afiliada com a Convenção Batista Brasileira, arquitetura moderna, Brasil, 2016

Uma estrutura que pode ser encontrada em muitas igrejas batistas é o batistério, sempre assemelhado a uma piscina, já que o batismo é realizado por meio de imersão do candidato ao batismo já em idade madura, em contraste com igrejas de outras denominações que praticam o pedobatismo (batismo de bebês), para as quais é mais apropriado o uso de pias batismais em vez de piscinas batismais.

Não há igrejas batistas de estilo gótico, uma vez que tal estilo já não estava em voga quando do surgimento dos batistas. Com o início do movimento batista ocorrendo em torno do ano de 1609 na Inglaterra, as igrejas batistas construídas naquele tempo naturalmente receberam influências da arquitetura inglesa de então, e mais especificamente da arquitetura anglicana. Posteriormente, nos séculos XVIII e XIX, a arquitetura das igrejas inglesas seria influenciada pelo advento dos estilos georgiano e vitoriano, respectivamente.[33]

Nas Treze Colônias, os colonos batistas, oriundos da Inglaterra, construiriam igrejas cuja arquitetura guardava de início alguns traços do estilo inglês, porém as influências da arquitetura eclesial da Nova Inglaterra o suplantariam desde logo, sendo desde então identificáveis pelo típico estilo eclesial americano, frequentemente em estrutura de madeira, com uma pequena torre e um sino à frente.[33]

As igrejas fundadas por missionários ingleses e americanos em outros países ao longo dos séculos XIX e XX seguiriam, por vezes, os estilos típicos dos países de origem, ou, em outros casos, adaptar-se-iam ao estilo local, desde o início ou algumas décadas depois.

Com as significativas mudanças estéticas na arquitetura do século XX, a maior parte das novas construções batistas passariam a adotar a arquitetura moderna, sem que se gerassem controvérsias como as que ocorreram entre os católicos. No entanto, em alguns locais onde já havia estilos consolidados, como nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Austrália, continua-se, por vezes, a construir igrejas no estilo típico da região até o dia de hoje.[35]

ControvérsiasEditar

Em seu livro de 1963, Strength to Love, o pastor batista Martin Luther King criticou algumas igrejas batistas por seu anti-intelectualismo, particularmente por causa da falta de treinamento teológico entre pastores. [36]

Em 2018, o teólogo batista Russell D. Moore criticou algumas igrejas batistas americanas por seu moralismo enfatizando fortemente a condenação de certos pecados pessoais, mas silencioso sobre as injustiças sociais que afligem populações inteiras, como o racismo. [37]

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar

  • Leonard, Bill J. Baptist Ways: A History (2003)
  • John H. Y. Briggs (ed.): A Dictionary of European Baptist Life and Thought. Paternoster, Milton Keynes u.a. 2009 (564 p.), ISBN 978-1-84227-535-1.
  • H. Leon McBeth: A Sourcebook for Baptist Heritage. Broadman Press, Nashville (Tennessee) 1990.
  • Ernest A. Payne: The Fellowship of Believers – Baptist Thought and Practice Yesterday and Today. London 1944.
  • Ian M. Randall: Communities of Conviction. Baptist Beginnings in Europe. Neufeld Verlag, Schwarzenfeld 2009, ISBN 978-3-937896-78-6.
  • Albert Wardin: Baptists Around the World – A Comprehensive Handbook. Nashville, USA, 1995.
  • Charles Willams: The Principles and Practices of the Baptists – A Book for Inquirers. London 1880.
  • Roger E. Olson: The Story of Christian Theology - Downers Grove, Illinois, EUA 1999

Referências

  1. Frank S. MEAD e Samuel HILL. Handbook of Denominations 9th Edition. [S.l.: s.n.] p. 36 
  2. a b Macri, Sylvio. «A Separação entre Igreja e Estado, um Princípio Distintivo dos Batistas». Prazer da Palavra. Consultado em 31 de julho de 2018 
  3. Igreja Batista da Redenção. «Os Tipos de Governo da Igreja». Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  4. «Princípios Batistas». Convenção Batista Brasileira. Consultado em 26 de junho de 2018 
  5. «Manual Básico Batista Nacional: Princípios Batistas» (PDF). Convenção Batista Nacional. Consultado em 26 de junho de 2018 
  6. «Princípios Batistas». Convenção Baptista de Angola  Parâmetro desconhecido |Sítio de Origem= ignorado (ajuda)
  7. «Convenção Batista Brasileira» 
  8. a b c «Convenção Batista Nacional» 
  9. Origem do nome Batista
  10. Lee, Jason (2003). The Theology of John Smyth: Puritan, Separatist, Baptist, Mennonite. Macon, GA: Mercer University Press. p. 41.
  11. a b Reagan, David. «Thank the Baptists for Freedom of Religion». Consultado em 31 de julho de 2018 
  12. a b Gilmore, Alec. «Face to faith: Thomas Helwys's plea for religious liberty in the 17th century provided a sound foundation for other kinds of freedom». The Guardian. Consultado em 31 de julho de 2018 
  13. a b Shurden, Walter B. «Thomas Helwys, A Short Declaration of the Mystery of Iniquity». The Center for Baptist Studies. Consultado em 31 de julho de 2018 
  14. Romaryw Borges. «Sobre a doutrina e a origem da Igreja Batista». Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  15. Joe Early Jr., ed., The Life and Writings of Thomas Helwys. Macon, GA: Mercer University. Press, 2009.
  16. «Quem somos como Batistas». Convenção Batista Brasileira 
  17. Michael Edward Williams, Walter B. Shurden, Turning Points in Baptist History, Mercer University Press, USA, 2008, p. 17
  18. a b c d e f g h i j k «A Origem da Convenção Batista Brasileira» 
  19. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 99
  20. J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 292
  21. George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 63
  22. George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 1206
  23. J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 297
  24. a b Forsyth, William B. (2006). Jornada no Império: Vida e Obra do Dr. Kalley no Brasil. São José dos Campos: Fiel 
  25. Parham, Robert. «Nigerian Scholar Corrects Idea That Missionaries and Colonialists Had Shared Agenda». Ethics Daily. Consultado em 31 de julho de 2018 
  26. Ginsburg, Salomão Luiz. Um Judeu Errante no Brasil. [S.l.: s.n.] p. 82 
  27. Felizardo, Herlânder. História dos Baptistas em Portugal Cebapes: Lisboa, 1995.
  28. «Quem Somos - Convenção Baptista Portuguesa» 
  29. Walter A. Elwell, Evangelical Dictionary of Theology, Baker Academic, USA, 2001, p. 258
  30. Baptist World Alliance, Members, baptistworld.org, USA, acessado em 22 de agosto de 2020
  31. Belo de Azevedo, Israel. «Quantos batistas há no mundo?». Prazer da Palavra. Consultado em 30 de julho de 2018 
  32. Barret, David (2001). «Estatísticas Globais de Todas as Religiões» (em inglês). World Christian Encyclopedia. Consultado em 30 de julho de 2018 
  33. a b c «First Baptist Church in America: Architecture». First Baptist Church in America. Consultado em 9 de julho de 2020 
  34. «First Baptist Church in America: Architecture». First Baptist Church in America. Consultado em 9 de julho de 2020 
  35. «Church Architecture». Texas Baptists. Consultado em 9 de julho de 2020 
  36. Lewis Baldwin, The Voice of Conscience: The Church in the Mind of Martin Luther King, Jr., Oxford University Press, USA, 2010, p. 16
  37. Samuel Smith, Moore on MacArthur's Social Justice Statement: 'Bible Doesn't Make These Artificial Distinctions', christianpost.com, USA, 13 de setembro de 2018